Seus Olhos

10 Capítulo IX


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Bora lá pra mais um capítulo novinho. O que vocês acharam do último??

Julho de 2020

O dia estava chuvoso e a chuva fina caia o dia inteiro, sem dar trégua. Alicia olhou pela janela os pingos que se formavam e suspirou, com preguiça de levantar da cama onde estava com o notebook sobre o colo estudando algumas coisa para vestibular. Ela mordiscou a bochecha se perguntando se iria sair com seus amigos. Eles estavam indo para uma hamburgueria. Ela decidiu por ir. Fechou o notebook e se apressou em tomar um banho e se arrumar. Vestiu um casaco cor caramelo e enrolou um cachecol no pescoço, estava frio.

Pegou uma bolsa que já estava com suas coisa dentro. Avisou a mãe que estava saindo e pegou o guarda-chuva preto perto da porta. Ela ligou para seus amigos e pediu o endereço do local, decidiu ir andando, pois não era tão longe e ainda não estava de noite.

Andando no caminho pensou em Matheus de novo. Desde que falará para ele que sentiria saudades, era como se fosse uma promessa, pois pensava nele e na aventuras que deveria estar vivendo todos os dias. Se perguntava também o que ele teria feito com Tomás e Adriana, pois eles nunca mais apareceram, nem Matheus. Ela pensava que poderia encontrar ele em qualquer local e ficava sempre o procurando.

Seus amigos começaram a questionar o que ela procurava, mas ela nunca respondia.

Chegou a hamburgueria. Deixou o guarda-chuva dentro de um cesto que estava na porta e assim que entrou viu seus amigos reunidos em uma mesa. Estava Mel com Lucas, Bia estava com Sarah, que era sua namorada agora, haviam se conhecido na festa junina. E havia uma pessoa nova entre eles. Um garoto. Ela se aproximou da mesa e se sentou no único local vago, ao lado do garoto novo.

Ela deu uma olhada no local para ver se achava Matheus, mas não encontrou ninguém como já suspeitava.

— Resolveu aparecer, querida. — Disse Bia.

— Como se vocês não me vissem as férias inteira? — Alicia revirou os olhos.

— Esse é o Rafael. — Apresentou Mel. — Irmão da Sarah.

Rafael sorriu para Alicia. Ele era da altura dela, tinha cabelos loiro escuros como o da irmã, porém em um corte desfiado e curto. Ele tinha sardas no nariz e olhos castanho escuro. Não era feio, pensou Alicia. Podia dar uma chance para ele e quem sabe curtir um pouco mais as férias.

— Lici. — Ela sorriu para ele dando um beijo em sua bochecha.

As amigas se entreolharam e riram e os demais ficaram sem entender nada na mesa.

— Estou morrendo de fome. Então já pediram? — Alicia olhou para todos.

— Estávamos esperando você. — Respondeu Lucas levantando a mão para o alto.

Alguns segundos depois apareceu um garçom simpático que anotou os pedidos de todo mundo. Minutos depois os hambúrgueres e batatas fritas de todos chegaram. Rafael havia decidido dividi um milkshake de morango com Alicia, o que deixou a jovem bem feliz. Comiam e jogavam conversa fora, falando sobre como seria a voltas aulas e qual seria o tema da redação do Enem.

Até que a porta da hamburgueria abriu de novo e como sempre Alicia levantava o olhar do seu lanche para ver quem entrava. E ela quase engasgou com a batata frita quando viu Matheus atravessando a porta. Ele sentou a uma mesa perto da porta e logo levantou a mão para chamar um garçom. Estava sozinho. Mas o que fazia ali naquele tempo? Seria um outro problema? Sempre que tinha ele, era sinal de problema. Pensou Alicia que não pensou duas vezes e largou o lanche se levantando.

— Eu já voltou. — Disse aos amigos e pediu licença para sair da mesa.

Mel e Bia pensava que ela ia ao banheiro, mas estranhou quando ela não chamou nenhuma das duas e acompanharam amiga com o olhar para ver até onde ela ia. Estava indo em direção a porta, mas sabiam que Alicia não teria coragem de ir embora sem dar tchau, até que ela sentou a uma mesa que já tinha alguém, que de longe as meninas não conseguiram saber quem era.

— Não se faz hambúrguer tão bom no passado? — Alicia se sentou a mesa tendo um Matheus muito surpreso olhando para ela.

— Forças maiores queriam mesmo que a gente se encontrasse. — Ele deu aquele sorriso torto.

— Dessa vez você não está trazendo problemas, está? — Lici olhou para os lado a procura de alguma coisa fora do normal.

— Dessa vez não. — Ele riu.

— O que faz aqui? — Ela encarou aqueles olhos cor de mel que ela pensará tanto naquele mês.

Matheus olhou para aqueles olhos verdes que ele também pensará ao longo daquele mês, se questionando sempre o que seria aquilo que ele sentia formigar em seu peito quando a via ou se lembrava dela.

— Aqui ainda é passado. — Ele riu.

Alicia concordou com a cabeça.

— Por onde esteve? — Ela perguntou.

— Fui até os tempos feudais, acredite o povo era nojento naquela época, mas as rainhas eram maravilhosas.

Alicia se perguntou o que ele teria feito com as rainhas, mas resolveu guardar para si.

— Depois fui para os anos 20, e que ano. Maravilhoso, você iria gostar de conhecer. Se algum dia me permiti convidá-la. — Ele não conseguiu resistir aquele desejo de ter ela ao seu lado nos saltos temporais.

Seu lanche chegou e ele desviou o olhar dela para agradecer o garçom. O garçom olhou para Alicia para perguntar se ela desejava algo, mas estranhou ao vê-la naquela mesa e olhou para mesa do amigos dela que olhavam com bastante atenção para ali.

— Deseja alguma coisa? — O garçom perguntou para Alicia.

Ela apenas negou com a cabeça e ele foi embora.

— Seus amigos estão bem curiosos. — Matheus riu consigo.

Alicia se virou para trás para ver os amigos que olhavam atentamente para ela e Matheus. Ela fez um gesto com as mãos para os amigos a deixarem em paz e se concentrarem na mesa deles, ele riram, mas voltaram para suas conversas. Apenas Rafael continuou olhando para ela.

— O que você fez com Tomás e Adriana? — Sua curiosidade falou mais alto.

— Eles tiveram o que mereciam para ficar fora do meu alcance. — Matheus deu de ombros.

— Você os matou?

Matheus concordou com a cabeça e deu uma mordida em seu lanche. Alicia olhou horrorizada para ele, sem reação. Matar para ele não era nada de mais.

— Desculpa, se você esperava alguém mais amigável. — Ele riu de deboche.

— Há outras pessoas atrás de você agora? — Ela ignorou a forma como ele reagia a forma que matava pessoas com naturalidade.

— Por enquanto não, vai demorar para eles descobrirem o que fiz.

— E o seu amigo, Henrique?

— Deve está bem. — Deu outra mordida em seu lanche. — Eu não tive contato com o futuro e não pretendo ter.

— Você irá fugir para sempre?

— Até o dia que eu for pego. — Ele voltou a olhar para Alicia.

— Você nem se importa com o fato de que ele pode está ferrado pelo que fez a você?

— Não, Alicia. Henrique já é grande o suficiente e sabia muito bem onde estava se metendo. Além do mais, ele é mestre em se safar das coisas.

Alicia o analisava e analisava a conversa que estavam tendo. O por que dela ficar pensando nele todos os dias? Se perguntava. Ela teria saudades dele? Ou da sensação de aventura ao viajar no tempo? Ela poderia se permitir uma outra viagem, ninguém desconfiaria e logo ela estaria de volta. Havia riscos, mas ela estava disposta a correr-los, se fosse para experimentar aquela aventura que sonhará tantas vezes e dessa vez se permitindo vivê-la por inteiro.

— O pedido de conhecer os anos 20 ainda tá de pé?

Matheus quase se engasgou com o pedaço de hambúrguer ao ouvir o que ela falava. Mas ele a encarou e viu que ela falava muito sério. Ele sabia que era arriscado ficar levando alguém com ele nos saltos temporais, mas ele já havia saltado tantas vezes e nada havia acontecido ainda. Então não seria de todo ruim ter Alicia com ele.

— Se você topa. — Disse por fim.

Ela deu um sorriso confiante e pediu para ele esperar uns minutinhos. Lici voltou para mesa dos seus amigos e disse que precisava ir embora, pegou a bolsa, deixando o dinheiro para pagar o seu lanche.

— Para onde vai? Daqui íamos lá pra casa. — Disse Sarah a olhando desconfiada.

— Eu encontrei um amigo que não via há muito tempo e vamos sair. — Lici sorriu e saiu saltitando feliz em direção ao Matheus.

Ele riu ao ver ela toda feliz vindo em sua direção. Pagou o seu lanche e agradeceu ao garçom dando uma gorjeta. Eles dividiram o guarda chuva de Alicia até um beco escuro, onde poderiam saltar sem chamar muita atenção.

— Você tem certeza? — Matheus encarou aqueles olhos verdes que transbordavam felicidade.

— Mas é claro. Se algo ruim acontecer, eu sei que você não deixará. — Ela sorriu confiante.

Matheus sorriu torto ao ouvir aquilo e tinha certeza que esse seria um dos melhores saltos temporais dele. Ele pegou o dispositivo que brilhava fraco, pois ele havia saltado naquele tempo fazia alguns dias, girou com força e pegou na mão de Alicia deixando que a luz violeta os envolvessem.