Notas iniciais
Olá a todos! Hoje tenho um aviso importante, por tanto leiam as notas finais! Boa leitura!

Nathaniel acordou naquele dia com os chamados insistentes de sua mãe para que acorda-se, pois estava na hora de ir para a escola, o jovem gemeu e se remexeu na cama, sem vontade alguma de levantar. Ainda sonolento, o jovem levou a mão direita ao rosto, e viu de relance o corte que realizou, vendo que a pele já estava cicatrizando, afinal já havia se passado dois dias desde que saiu de casa e quase cometeu suicídio.

O final de semana havia passado mais rápido do que gostaria, não que ele tivesse saído ou coisa parecida, mais ficar sozinho em seu quarto somente com seus pensamentos estava sendo melhor do que ele havia imaginado, já que não sentia fome ou desejo, apenas ficou deitado em sua cama, cochilando por alguns minutos e acordado em outros, em puro silencio.

–Já estou descendo – falou Nathaniel, surpreendendo-se com a voz rouca que saiu, por falta de uso.

Durante o tempo que ficara trancado em seu quarto, sua mãe e seu pai ficaram indo e vindo para ver se o filho estava bem, sua mãe até tentou força-lo a comer e somente para vê-la feliz ele se forçou a comer algumas garfadas.

Sem vontade alguma, ou se quer empenho, o ruivo levantou-se e vestiu sua roupa habitual descendo logo em seguida, vendo sua mãe e seu pai o esperando para o café. De fato ele não sentia fome, mais por sua mãe o ruivo forçou-se a comer uma torrada pequena e meia xicara de chá, e vendo que seus pais iriam perguntar o que havia acontecido, Nathaniel apenas pegou sua bolsa e seu casaco e saiu, pois estava evitando ao máximo pensar sobre aquilo.

O jovem olhou para o céu azul de Paris e cogitou seriamente a possibilidade de cabular aula, não estava afim de ir para escola e olhar para Adrien ou Marinette, ou para qualquer um naquele lugar, mais bastou uma olhada de canto para ver o carro de seus pais o seguindo, como se soubessem que o jovem pretendia desviar seu caminho. Com um suspiro leve, o ruivo seguiu em direção ao ponto de ônibus que o levaria para a escola.

***

Todos já estavam em sala quando o ruivo finalmente chegou, Nathaniel apenas entrou na sala e seguiu para o seu lugar, ignorando os olhares que eram dirigidos a si, Adrien apenas observou o ruivo passar com um olhar preocupado, de fato não havia contado a ninguém o que havia acontecido, porem depois de ouvir aquela afirmação de Nathaniel, o jovem de madeixas ruivas tomou seus pensamentos durante todo o final de semana.

–Será que aconteceu algo com Nathaniel? – falou Marinette atrás de si, perguntando para Alya, na esperança da morena saber de algo.

–Bem...que eu saiba não... – falou a jovem, pensando um pouco – Mais ele já esta estranho há algumas semanas...

Adrien virou seu olhar para trás, vendo Nathaniel sentando na cadeira com a bolsa ao seu lado, sem se importar muito com os múrmuros a sua volta. Poucos segundos depois sua professora entrou em sala, Adrien não retirou seu olhar do ruivo e ao ver o jovem esticar a mão para pegar sua mochila, reparou surpreso em um corte leve em seu pulso.

Nathaniel abriu o caderno em uma matéria qualquer e ficou olhando para frente sem prestar a atenção no que a professora falava ou escrevia na lousa, e assim se seguiu até o final da aula. O ruivo levantou-se e começou a descer as escadas indo em direção à saída da sala quando alguém segurou seu braço.

O jovem abaixou o olhar somente para ver os belos olhos azuis de Marinette o encarando, enquanto a mesma sorria. Nathaniel ficou olhando para a jovem sem emoção, esperando ela falar, porem ela apenas ficou em silencio, mais não soltou seu braço.

–O que você quer? – perguntou Nathaniel com rispidez na voz, sentindo os sentimentos que havia evitado durante o fim de semana começarem a retornar ao seu peito. Marinette arregalou levemente os olhos, seu rosto tomado por uma expressão de surpresa.

–Ah...eu... – começou Marinette, atordoada pelo olhar de raiva que Nathaniel lhe lançou, assim como as palavras ríspidas – Eu queria saber se você esta bem....

–Quando isso lhe disser respeito – começou Nathaniel, com um sorriso irônico nos lábios – Eu avisarei você.

–O que é isso?! – falou Alya, chocada assim como os demais com a atitude do ruivo – Ela só estava preocupada com você!

–Não precisa trata-la dessa maneira – falou o amigo de Adrien, irritado com a atitude do ruivo. Logo todos que ouviram o acontecido começaram a mostrar suas opiniões, defendendo Marinette e repreendendo o ruivo por sua atitude grosseira.

O sentimento predominante em Nathaniel naquele momento era raiva, ele sabia bem o motivo de todos agirem daquela forma consigo, e se perguntou que se eles soubessem o motivo de sua repulsa pela garota, compreenderiam a sua atitude.

–Peça desculpas! – falou Alya, que agora abraçava os ombros de Marinette, que possuía pequenas lagrimas nos cantos dos olhos. Todos o encaravam em silencio, esperando o jovem pedir desculpas para Marinette, porem Nathaniel apenas fechou os punhos e lançou um olhar de raiva para Alya.

–Não... – falou o jovem, virando de costas para todos e retomando sua descida, procurando sair daquele local o mais rápido possível.

–Ei! Nathaniel! – chamou Adrien, porem o ruivo se quer virou o olhar e saiu a passos largos e rápidos.

Adrien juntou seu material e saiu atrás do ruivo, porem o garoto era mais rápido do que Adrien imaginou e ao sair, já o havia perdido de vista.

Nathaniel saiu apreçado, pegou o primeiro ônibus que apareceu para ir para casa, precisava ficar sozinho. Talvez de fato estivesse exagerando, mais simplesmente não conseguia controlar seus sentimentos, não conseguia perdoar ou esquecer aqueles acontecimentos.

Ao chegar em casa, correu para o seu quarto, sentido a raiva e a tristeza borbulhando em seu peito tão fortemente que parecia que seu peito explodiria a qualquer momento. O jovem adentrou o cômodo e trancou a porta, em seguida jogou sua mochila em um canto qualquer.

De maneira um pouco desesperada, Nathaniel abriu a primeira gaveta de sua escrivaninha e pegou o estilete que havia ali, em seguida sentou-se na cama e ergueu a lamina extremamente afiada.

Sem pensar nas consequências, o jovem passou a lamina no braço, mais fundo desta vez e ficou vendo o sangue escorrer e pingar no chão, mais aquilo não era o suficiente, precisava de mais e sem pensar muito passou a lamina novamente, em um local mais para cima, e novamente e novamente, quando foi mutilar-se pela quinta vez, algo pulou sobre si, impedindo-o.

***

Adrien seguiu para o carro aonde seu motorista o esperava, porem seus pensamentos estavam em Nathaniel, pois aquele comportamento do ruivo não fazia o mínimo sentido, já que, em seus pensamentos, ninguém havia feito nada para que o garoto agisse daquela maneira.

–Espere um pouco – falou Adrien, parando o motorista que estava ligando o carro – Hoje eu vou sair com uns amigos, avise Natalie por mim.

Sem esperar resposta o jovem saiu correndo do carro, pois sentia que algo estava errado. Adrien correu para fora da escola até encontrar um local sem pessoas, assim que encontrou o jovem se transformou em Chat Noir, e assim foi correndo m direção à casa de Nathaniel.

Como ele não sabia a onde o ruivo morava, se viu obrigado a invadir a sala da secretaria para ver o endereço, coisa que demorou mais do que ele esperava, mais depois de alguns minutos de tocaia ele conseguiu o que queria.

Com o endereço em mente, Chat Noir foi correndo e saltando pelos telhados de Paris em direção a casa de Nathaniel, durante sua corrida, o jovem reparou que o dia, antes claro, agora estava escuro, sinalizando que iria chover, o que fez o gatuno acelerar o passo.

Após meia hora correndo e saltando, o jovem finalmente conseguiu chegar à casa do ruivo a tempo de vê-lo sentando em seu quarto, mutilando seu braço direito com cortes cada vez mais fundos.

Agindo por instinto, Chat Noir correu em direção ao sobrado e invadiu o quarto de Nathaniel pela janela, jogando-se sobre o mesmo e impedindo o jovem de corta-se pela quinta vez. Nathaniel se debateu um pouco e conseguiu colocar a lamina em seu braço, pronto para cortar seu braço novamente.

Desesperado Chat Noir retirou a lamina e jogou-a em algum canto qualquer, segurando o braço do jovem sob sua cabeça, enquanto o braço cortado caiu ao lado do corpo do ruivo enquanto o sangue que escorria de seu braço ia sujando a colcha de sua cama.

Durante alguns segundos, o único barulho no quarto foi à respiração de ambos, que estavam ofegantes, e aos poucos iam ficando suaves.

–Por que esta fazendo isso? – perguntou Chat Noir, com a voz baixa. Nathaniel não lhe respondeu – Nathaniel...

–Me deixa em paz... – falou o ruivo, sem olha-lo.

–Não... – falou Chat Noir, então ele colocou a mão enluvada no rosto de Nathaniel e virou o rosto do jovem para si, arregalando os olhos em seguida. Pequenas e singelas lagrimas escorriam dos olhos verdes de Nathaniel.

Ao ver aquela expressão explicita de sofrimento no rosto de Nathaniel, Adrien desfez sua transformação e passou a mão, agora sem luva, no rosto do ruivo, secando as lagrimas, porem novas lagrimas escorriam, mais ele não se irritou ou qualquer coisa, ele apenas continuou a seca-las, uma a uma, até que elas em fim parassem de escorrer.

Tudo aquilo durou apenas alguns minutos, porem para Adrien pareceu uma eternidade. Quando em fim Nathaniel parou de chorar, ele conseguiu respirar aliviado, pois por algum motivo, ver o ruivo chorar era doloroso, era como se cada lagrima fosse um golpe em sua alma.

Nunca havia sido muito próximo do ruivo, e na escola apenas conversavam quando necessário, nada além disso, porem o jovem percebeu quando o ruivo começou a mudar, quando o mesmo começou a se fechar e quis ajuda-lo, mais simplesmente não sabia como, e quando viu que o jovem estava possivelmente se mutilando, seu coração veio a boca e suas ações o levaram aquele momento, levaram-no aquele quarto.

–Me deixa em paz... – pediu novamente o ruivo, que agora tinha os olhos vermelhos.

–Não... – falou Adrien, seriamente – Não até me contar o que esta acontecendo.

Silencio, foi isso que se seguiu após a frase de Adrien, porem após alguns minutos de silencio, Nathaniel resolveu lhe contar. Quando começou a falar, dizendo que lembra-se de quando foi possuído pelo Akuma, que lembrava-se da traição por parte de Marinette, Adrien arregalou os olhos em genuína surpresa, porem Nathaniel não parou, e contou o estado em que estava, contou toda a raiva, magoa, tristeza e dor que sentia.

–Se fosse com você – começou o jovem, após fazer alguns minutos de silencio – Se fosse alguém que você ama e confia lhe traísse dessa forma...como você ficaria?

Adrien permitiu-se ficar em silencio pensando na pergunta, se fosse consigo como ele se sentiria, e a resposta estava clara, ele possivelmente ficaria igual ao ruivo, completamente destruído.

Adrien olhou nos olhos verdes de Nathaniel, vendo que o ruivo estava em pedaços, e tentava de alguma forma se reerguer, mais estava difícil, e isso Adrien poderia perceber somente com um olhar. Apenas com um olhar era possível ver toda a dor que Nathaniel estava suportando.

O loiro não sabe o motivo de ter feito aquilo, mesmo que lhe perguntassem, o que ele desejava que nunca acontecesse, ele simplesmente diria que foi o calor do momento, ou talvez a necessidade gigantesca de mudar aquela expressão tão dolorosa para algo leve, algo alegre.

Adrien soltou a mão esquerda do jovem, que ele manteve segurando por todo aquele tempo, em seguida ajeitou-se melhor na cama, pois estava curvado sobre Nathaniel, com o joelho apoiado no colchão macio.

O loiro então pegou o braço direito do ruivo, vendo os cortes que naquele momento já estavam quase parando de sangrar e o levou aos lábios, dando um beijo no corte mais antigo para então beijar todos os outros com cuidado para não abri-los novamente.

Nathaniel observou surpreso as ações do loiro, que beijava com carinho os cortes que ele havia feito, e a cada beijo, era como se a dor que sentia fosse diminuindo, mesmo que o alivio não fosse muito, era o suficiente para aquela noite.

Após beijar os cortes, Adrien tocou seu rosto e se aproximou, depositando um beijo leve e com muito cuidado em sua testa. Ao se afastar, Adrien estava sorrindo, não um sorriso de pena, ou de alegria, mais um sorriso de compreensão.

E sem dizer uma única palavra, o loiro se afastou e transformou-se em Chat Noir, para em seguida virar-se para janela e sair pela mesma, deixando Nathaniel sozinho com seus pensamentos, agora confusos e conflitantes.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Agora vamos ao aviso. Pessoal, eu irei mudar a classificação indicativa da historia para 18+, o motivo é muito simples: Em alguns capítulos irão acontecer algumas cenas meio "fortes" por assim dizer, e para evitar qualquer problema vou aumentar a classificação. Então se você é menor de idade e quer continuar acompanhando a historia, estará sob sua própria responsabilidade, não me culpe se sua inocência desaparecer após ler algo que eu escrevi. É isso pessoal! Até a próxima, e não esqueçam de comentar, isso me deixa muito feliz.