Seulement Vous
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Apesar de ter corrido o máximo que conseguiu, Adrien não conseguiu escapar da chuva e ficou encharcado até os ossos. A roupa de couro que usa não retém muito calor e por tanto, quando finalmente chegou em casa já estava batendo o queixo de frio e os lábios estavam roxos.
O jovem optou por entrar pela janela de seu quarto, evitando obviamente as câmeras de segurança que a casa possuía. Assim que conseguiu entrar, Adrien desfez a transformação em Chat Noir e correu em direção ao banheiro em seu quarto, ligando a banheira no máximo e com a agua mais quente enquanto saltava de um pé para o outro e esfregando as mãos nos ombros, buscando se esquentar.
Quando a banheira já estava pela metade de agua fumegante o jovem despiu-se de suas roupas molhadas e jogou-se na agua quente, relaxando os músculos enquanto seu corpo esquentava.
Enquanto relaxava, sua mente voltou para as ações que tinha tomado no quarto de Nathaniel, e ao lembrar Adrien sentiu o rosto ficar quente, definitivamente estava vermelho de vergonha. O jovem então ergueu seu olhar para o teto respirando fundo, tentando fazer a vermelhidão de seu rosto diminuir, porem isso apenas o fez se lembrar da pele extremamente clara de Nathaniel, e da sensação da pele macia contra seus lábios.
Frustrado com seus próprios pensamentos, o jovem afundou o rosto na água da banheira, soltando bolhas pela boca, para em seguida levar sua mão sobre ela, sem entender aqueles sentimentos que começaram a borbulhar dentro de si.
***
Nathaniel ficou daquela maneira em sua cama, sentindo seu coração disparado e um sentimento estranho crescente em seu peito, porem ele não tinha tempo de ficar pensando naquilo, já que seus pais haviam chegado, e o chamavam no andar de baixo para jantar.
Antes de descer, o jovem trocou a camisa que usava por algo de manga cumprida, não estava com vontade de ouvir as diversas perguntas que os cortes em seu braço gerariam, então ele apenas escondeu os cortes.
Enquanto se trocava, o jovem ainda podia sentir os lábios de Adrien beijando seu braço e sua testa, a sensação cálida dos lábios rosados do garoto queimavam sua pele, e possivelmente a sua mente, os acontecimentos da noite ficaram marcados em sua mente por um longo tempo.
O jovem desceu as escadas um pouco melhor, e diferente dos outros dias, o ruivo comera um pouco mais, porem ainda mantinha a mesma expressão sem emoção em seu rosto. Seus pais preferiram não comentar nada, nem lhe perguntaram como foi seu dia, pois ambos tinham percebido que havia algo de errado, mais preferiam esperar o filho falar pro si, sem força-lo.
No dia seguinte, o ruivo foi para a escola, pois não poderia faltar, ainda mais agora na reta final para acabar o ano, então contra a sua vontade, o jovem pegou sua mala e seu casaco e saiu e novamente seus pais o seguiram até o ponto de ônibus.
O ruivo chegou primeiro que todos e seguiu para o seu lugar, revisando a matéria do dia anterior, pois não havia prestado a atenção em nada, enquanto escrevia os pontos principais, o jovem reparou que havia alguém parado a sua frente, e apenas pela roupa ele soube quem era, mais mesmo assim ele ergueu o olhar, vendo o rosto sorridente de Marinette olhando para si.
–Bom dia – falou a garota, sorrindo.
–Dia – respondeu o jovem, sem animo, pois ver o rosto da garota havia arruinado o pouco bom humor que havia acordado naquele dia.
–Olha...sobre ontem.... – começou ela, com as mãos juntas na frente do corpo. Porem antes que ela pudesse continuar, Nathaniel a cortou, secamente.
–Eu não ligo para o que aconteceu – falou ele, voltando sua atenção para o livro – E você também não deveria, afinal, você é boa em ignorar os sentimentos das pessoas.
Marinette arregalou os olhos com tal frase sem compreender o que o garoto quis dizer com aquilo. Porem nem teve tempo de perguntar, pois logo a professora chegou na sala, junto com o resto dos alunos.
Enquanto Marinette ia em direção a Nathaniel, Adrien chegou à sala e viu a garota falando com o ruivo, o loiro só teve que se concentrar um pouco para ouvir o que falavam, e ficou chocado com a frieza que Nathaniel a tratou.
Ele sabia bem que o ruivo estava magoado, mais não imaginou que daria aquela indireta para a azulada.
–Espiando? – falou a professora ao seu lado, com um sorriso maroto. Adrien segurou um grito de susto na garganta.
–E-Eu? – falou o loiro, gaguejando um pouco – Não...é que parecia serio e eu não queria atrapalhar.
–Sei – falou a professora, dando-lhe uma piscadinha.
Após isto todos entraram na sala e se sentaram. Durante a aula, Adrien olhava para Nathaniel de canto, vendo que o ruivo parecia compenetrado na aula, estudando e fazendo anotações conforme a professora desenvolvia a matéria.
Ver o ruivo daquela maneira trouxe um sorriso leve aos seus lábios, pois comparado como ele estava a poucos dias, ele estava bem melhor.
–Qual a graça? – cochichou Nino, do seu lado.
–O que? – falou Adrien, um pouco exaltado e chamando a atenção da turma. Porem o jovem sentou-se novamente e ficou corado, enquanto a professora retornava a matéria – Não é nada – falou Adrien para o garoto que deu um sorrido maroto para o loiro.
A aula decorreu normalmente até o final. Todos os alunos saíram apressadamente da sala, ficando somente Nathaniel e Adrien, o ruivo ficou por estar fazendo algumas anotações extras, já Adrien ficou pois tinha algumas perguntas para a professora.
Enquanto fazia as suas perguntas, Nathaniel terminou as anotações e arrumou seu material, seguindo pela porta. Adrien fazia uma pergunta quando viu pelo canto do olho o ruivo sair, dando uma desculpa qualquer o loiro pegou sua mochila e correu para alcançar o ruivo, precisava falar com ele, e retirar a estranha inquietação que agora morava em seu peito.
–Nathaniel! – chamou Adrien, correndo para alcançar o ruivo que já estava próximo do ponto de ônibus. O ruivo virou-se para Adrien que corria para alcança-lo, ao chegar ao seu lado, o loiro precisou de algum tempo para recuperar o folego – Oi.
–Oi – respondeu Nathaniel, olhando o loiro que agora parecia um pouco envergonhado – Algo errado?
Adrien ficou nervoso de repente, começou a gaguejar sem saber o que dizer.
–Por que não vamos ali? – falou Nathaniel, percebendo os olhares dos outros alunos, afinal, aquilo era uma cena no mínimo estranha.
Adrien concordou em segui-lo até uma sorveteria que havia ali perto, que por sorte estava vazia. Nathaniel sabia o motivo do loiro ter vindo falar consigo, afinal, a cena que aconteceu na noite anterior havia sido muito estranha, principalmente para o loiro, que nunca havia feito algo como aquilo na vida.
Os dois entraram e escolheram uma mesa no segundo andar afastada da janela, ambos se sentaram e pegaram os menus, Adrian escolheu um sandey de morando, já Nathaniel optou por um sandey de chocolate.
Enquanto esperaram um silencio desconfortável se instalou sobre eles, que agora tinham plena ciência de que a cena que ocorreu entre eles foi de fato muito estranha. Adrian começou a olhar o ruivo a sua frente, percebendo que o mesmo estava tão nervoso quanto a si mesmo.
Adrien então começou a olhar os detalhes de Nathaniel, como por exemplo o formato do rosto, o estilo do cabelo, a cor da pele, porem o que realmente chamou sua atenção foram os lábios desenhados e rosados do ruivo, assim como os olhos verdes com o centro levemente azul com cílios longos, e um certo pensamento peculiar passou pela cabeça do loiro, pois, por mais vergonhoso que possa ser admitir isso, Adrien havia achando Nathaniel muito bonito.
–Tem algo de errado no meu rosto? – perguntou Nathaniel, um pouco sem graça por ser encarado por tanto tempo por alguém.
–Ah! N-Não! Não! – falou o loiro, envergonhado não somente por ter ficado encarando fixamente o garoto a sua frente, mais também por tê-lo achando bonito, coisa que nunca havia acontecido antes, já que os homens para si eram no máximo simpáticos.
–Aqui está garotos! – falou a garçonete colocando os pedidos na frente dos meninos, e antes de sair, jogou uma piscadela para Adrien que de uma risada discreta.
Ir a uma sorveteria no inicio do inverno era estranho e somente quando colocaram algumas colheradas de sorvete na boca é que perceberam isso, pois apesar de dentro da sorveteria estar quente, do lado de fora quente era a ultima coisa que estava.
–Então... – começou Nathaniel, chamando a atenção de Adrien para si – Olha...se quer falar sobre o fato de eu saber que você é Chat Noir... – começou o ruivo, porem Adrien o cortou.
–Ah não! Não é sobre isso... – falou o loiro, suspirando logo em seguida. Adrien ficou em silencio por alguns minutos antes de falar novamente, como se procura-se as palavras certas – Eu.. eu gostaria de me desculpar com você...
Nathaniel engoliu a colher de sorvete que havia colocado na boca, e voltou sua atenção para o loiro, que estava visivelmente envergonhado.
–Eu não sei o que me deu para fazer aquilo...eu só agi e foi estranho...aquilo que eu fiz... – falou o loiro que suspirou mais uma vez – Bem...de qualquer forma, se precisar desabafar novamente, ou só quiser conversar, saiba que estou aqui pra ajudar com o que precisar.
Adrien disse tudo sem levantar o olhar, seria mentira dizer que o jovem não estava envergonhado, mais de fato era verdade que ele queria ajudar Nathaniel, nem que fosse apenas um pouco, porem ele não esperava ver um dos sorrisos mais lindo que já havia visto em sua vida ao levantar a cabeça.
Nathaniel sentia-se estranhamente eufórico conforme Adrien falava, e ao saber que o loiro estava desconfortável com a cena que havia acontecido na noite anterior o deixou mais aliviado, afinal ele também estava envergonhado, e havia evitado pensar sobre aquilo a manha inteira.
Porem uma coisa era verdade, aquela ação impensada de Adrien havia retirado um grande peso de seus ombros, e ele sentia-se muito melhor se comparado com o dia anterior, e ao ouvir que Adrien estava disposto a ser seu amigo, a ajuda-lo fez com que o jovem sorrisse, antes que ele pudesse notar.
Adrien ao ver o sorriso do ruivo sentiu seu coração falhar uma batida para então disparar loucamente, o jovem sentiu suas bochechar esquentares e sua boca secar.
–Obrigado Adrien – falou Nathaniel – Isso significa muito.
–S-S-Sem problemas – falou o loiro, tentando se controlar, porem falhando miseravelmente.
Nathaniel riu da atitude do loiro, o que quebrou um pouco o clima tenso anterior, Adrien percebendo isso fez algumas perguntas aleatórias, como por exemplo sobre a matéria abordada em sala, depois Nathaniel começou a falar sobre as coisas que sentia, e pediu explicações do que havia acontecido com ele.
Adrien admitiu que pouco sabia sobre aquilo, disse também que ele mesmo não sabia quem era a Ladybug e que tudo o que sabia era que havia encontrado o anel que o transformava e Chat Noir a algum tempo, mais que nada sabia sobre sua origem.
O loiro também disse que todos os possuídos por Akumas não se lembravam de absolutamente nada, então o fato de ele se lembrar era de fato um mistério. Após terminarem o sorvete, ambos decidiram que estava na hora de voltar para as suas respectivas casas, porem antes de irem, Adrien pediu que o jovem lhe desse seu numero de celular, para eventuais conversas que quisessem ter.
–Até amanha! – falou Adrien, entrando no carro aonde seu motorista o esperava, enquanto Nathaniel apenas acenou e foi para o ponto de ônibus.
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