Seulement Vous
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Dor, essa foi à primeira coisa que Nathaniel sentiu quando acordou, o jovem sentia absolutamente todos os músculos de seu corpo doendo, porem tentando ao máximo ignorar a dor o jovem concentrou-se, ainda de olhos fechados, ao que havia a sua volta.
Com um pouco de espanto, ele percebeu que não estava em sua cama, pois o colchão era muito mais macio que o seu, percebeu também que a cama a onde estava deitado era muito maior que a sua, pois estava com os braços aberto e suas mãos ainda não haviam encontrado a beirada da cama.
Com um pouco de receio, o ruivo abriu os olhos, encontrando um teto perfeitamente branco com um lustre antigo e com certeza caro no teto, com cuidado o jovem virou a cabeça vendo paredes igualmente brancas que contrastavam bastante com a mobília feita de madeira escura.
Haviam diversos itens de decoração espalhados pelo quarto, porem o que lhe chamou a atenção foi a grande jarra de prata que estava disposta no criado-mudo ao lado da sua cama, com cuidado o jovem se forçou a se sentar, sentindo muita dor nos músculos doloridos, parecia até que havia corrido uma maratona.
Com esforço o jovem pegou a jarra e constatou, com alegria, que estava cheia de agua, um pouco apressado e atrapalhado com os dedos levemente dormentes, conseguiu servir a si mesmo um copo de agua, o qual bebeu rapidamente, servido mais um em seguida. Nathaniel então olhou para si mesmo, percebendo com espanto e um pouco de vergonha que não estava usando suas próprias roupas, mais sim um conjunto branco de um tecido macio e leve.
Após matar sua sede, o jovem começou a repassar os acontecimentos dos quais se lembrava, pois Nathaniel não tinha ideia de como foi parar naquele local. O jovem lembrou-se de sair durante a madrugada, lembrou-se do frio que sentiu, assim como a vontade de morrer que dominou sua mente, e lembrou-se também de quem o havia encontrado e possivelmente o levado para lá.
O jovem estava concentrado em seus pensamentos quando algumas vozes se fizeram presentes e pareciam se aproximar, Nathaniel colocou a jarra na mesma posição que ela estava antes assim como o copo que usou para beber agua, em seguida deitou na cama ficando na mesma posição que acordou e fechou olhos, jogando o rosto levemente para o lado, para que sua franja cobrisse levemente seus olhos.
O jovem ouviu um leve toque na porta, em seguida ouviu o barulho das portas duplas que ficam de frente para sua cama se abrirem, após alguns segundos de silencio uma voz feminina se pronunciou.
–Então esse é o garoto – falou a voz feminina – De qualquer forma vou ligar para seus pais, e avisarei o presidente sobre este garoto.
–Obrigada Natalie – falou uma voz, a qual Nathaniel reconheceu de primeira, era a voz de Chat Noir.
Logo o barulho de salto chocando-se contra o chão se fez presente, Natalie estava saindo e em poucos segundos ouviu o barulho da porta de fechando. Um pouco depois o barulho de uma cadeira sendo arrastada se fez presente, assim como o barulho de alguém sentando nela.
–Nathaniel? – chamou a voz cuja qual o ruivo jurava pertencer a Chat Noir. O garoto sem obter resposta, apenas suspirou levemente – Será que ele ficara bem Plaggg?
–Eu não sei, eu não sei muito sobre os humanos – falou uma vozinha fina e um pouco rouca – Por que não tenta dar queijo pra ele? Isso sempre me faz acordar!
Ouviu-se um som de nojo por parte de Chat Noir, nesse momento Nathaniel resolveu abrir os olhos e ficou olhando para a figura a sua frente, ali parado, conversando com um gato preto em miniatura que flutuava estava ninguém mais ninguém menos que Adrien.
–De qualquer forma vamos esperar ele acordar para... – começou Adrien, porem sua frase morreu no meio do caminho ao perceber os belos olhos verdes de Nathaniel o encarando em silencio.
***
–Então você é o Chat Noir? – perguntou Nathaniel, enquanto segurava Plagg em sua mão, analisando o pequeno animalzinho que protestava, tentando se soltar.
–Sim... – falou Adrien quase em um murmuro, seus ombros estavam curvados para frente e em seu olhar era visível sua decepção consigo mesmo, afinal aquilo não deveria ser descoberto por ninguém.
Nathaniel se quer olhou para si enquanto o jovem explicava sobre Plagg e a transformação em Chat Noir, e isso já estava começando a irritar Adrien, já que estava claro para o loiro que Nathaniel só estava com Plagg em sua mão para ter alguma desculpa para não precisar olhar o garoto nos olhos.
–Nathaniel eu peço que você nã – começou Adrien, porem o ruivo o cortou.
–Não conte pra ninguém....ninguém pode saber e etc... – falou o ruivo, sem olha-lo – Eu sei.
Adrien sentiu sua fúria crescer, por que diabos o ruivo estava sendo tão grosso e frio consigo? O jovem não lembrava-se de ter feito nada que merece-se aquele tipo de tratamento, era verdade que havia percebido que o ruivo estava distante de todos e que estava sempre sozinho, porem imaginou que fossem problemas de família e por isso não perguntou nada, porem ele havia salvo sua vida, se o deixa-se no chão naquela chuva o jovem com certeza teria morrido, e nem mesmo um “muito obrigada” havia ouvido.
–Bem... – começou Adrien, controlando a fúria em sua voz, afinal tinha uma reputação para zelar – Por que você estava parado na chuva, sem roupas quentes no inicio do inverno?
Nathaniel soltou o pequeno gato preto que suspirou de alivio e foi correndo para seu dono, se escondendo em seu pescoço, em seguida virou para Adrien com um sorriso irônico, porem triste no rosto.
–Por que alguém faria isso, não é? – falou ele, sua voz fria como gelo, em seguida o jovem voltou seu olhar para as mãos, com uma expressão incrivelmente dolorosa no rosto.
–Se continua-se lá, poderia ter morrido – falou Adrien, seriamente.
–Será que... – começou Nathaniel, com a voz baixa, quase como um sussurro – Será que já passou por essa sua cabeça, que era isso que eu queria?
Adrien arregalou os olhos verdes, completamente chocado com a resposta.
–O...que...? – falou ele baixo – O que quer dizer com isso Nathaniel? Morrer? Por quê?!
Adrien se exaltou, chocado, porem a única coisa que ouviu foi um pedido baixo vindo de Nathaniel para que o deixa-se sozinho, e com muito receio foi isto que Adrien fez, saindo do quarto em silencio, porem sua mente borbulhando de tantas perguntas.
Ao sair Natalie o avisou que havia ligado para os pais do ruivo, que choraram e agradeceram por terem encontrado o amado filho deles, e disseram que em uma hora estariam na mansão para busca-lo.
E assim aconteceu, exatamente uma hora depois os pais de Nathaniel estavam na porta da mansão esperando junto com a policia pelo filho que estava se trocando no andar de cima. A mãe do jovem ao vê-lo descer as escadas perfeitamente bem começou a chorar e abraçou o ruivo, assim como seu pai, porem este segurou as lagrimas em seus olhos tão verdes quanto os de Nathaniel e apenas abraçou o filho.
Após o reencontro emocionante, o casal se aproximou e agradeceu por quase cinco minutos Natalie e Adrien por terem encontrado seu filho, porem Nathaniel não pronunciou nem uma única palavra, na verdade, se quer olhou para Adrien enquanto os pais agradeciam.
Os três foram embora juntos da mansão, ao saírem e entrarem no carro, seu pai começou um sermão enorme sobre sua falta de responsabilidade e consideração, dizendo-lhe para escolher horas melhores para caminhar, e sair sempre com uma blusa quente, levar o celular e coisas assim.
Durante todo o caminho, Nathaniel não falou uma única só palavra, o que preocupou seus pais, principalmente por que eles não sabiam de fato o que realmente havia acontecido. Ao chegarem em casa, Nathaniel entrou e foi em direção ao seu quarto, porem sua mãe tocou se ombro levemente, fazendo o jovem virar para si.
–Filho...esta tudo bem? – perguntou ela, preocupada.
A verdadeira resposta ficou entalada em sua garganta, ele queria dizer a verdade a sua mãe, dizer que não estava bem, e que havia tentando cometer suicídio, porem sabia que isso só o levaria a uma clinica a onde ficaria trancado e seria forçado a tomar remédios fortes, ou pelo menos era isso que acontecia nos filmes que ele já havia assistido. E por isso ele deu o melhor sorriso que conseguiu colocar no rosto, procurando não demonstrar a verdade que crescia em seu peito.
–Sim, eu estou bem – falou ele, sorrindo – Desculpem por preocupa-los, vou tomar mais cuidado.
Sua mãe suspirou aliviada, e passou a mão nos cabelos ruivos lisos sorrindo. O jovem então virou-se e subiu as escadas seguindo para seu quarto, ao chegar lá, retirou o casaco de inverno que usava e jogou-o em qualquer canto, afinal havia aquecedores na casa.
Em seguida sentou-se na sua cama, os sentimentos da noite anterior borbulhando em seu peito, ele precisava achar uma saída pra tudo aquilo. O jovem então levantou-se foi até a sua escrivaninha, abrindo a gaveta e pegando o estilete que havia ali.
O jovem subiu a lamina e a encarou, viu varias pessoas fazerem isso em filmes e vídeos quando estavam sentindo tanta dor que não conseguiam suportar, como ele naquele momento. O ruivo então respirou fundo e virou seu pulso para cima, olhando sua pele clara e em seguida passou o estilete ali, o efeito foi instantâneo, enquanto via o sangue escorrer, era como se suas próprias dores e tristezas estivessem saindo, e o alivio provocado por isto foi o suficiente para que ele suspirasse e desse um pequeno sorriso de alegria, algo que não fazia há algum tempo.
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