Seu Mordomo, Amor Secreto II
3 Seu mordomo, Visita
Notas iniciais
“–- São tantas coisas... -- um pesado e cansado suspiro se dissipou no ar. -- Por que fez isso? Tudo estaria acabado se não fosse a sua idiotice de me transformar por capricho de não ter me protegido. Eu... Eu não sei se devo acreditar! -- apertei meus fios nos dedos. -- AAH! Que droga, SEBASTIAN! Acalme-se, Phantomhive, você não pode deixar isso te abalar. Permita-se entrar no jogo dele. Jogue e, vença!”
Não deixe que isso lhe abale. Não deixe que isso lhe atinja! Use o que ele fez com você contra ele! Seja mais inteligente. Use seus instintos. Mova as peças de acordo as suas vontades. O manipule.
Minha mente silabava várias e várias coisas em prol de tentar me ajudar a “contra-atacar” o mordomo... Mas não é assim tão fácil. Claro que não. Ele nasceu assim, e eu? Eu fui apenas um humano ao qual ele diz que não conseguiu proteger. Como se eu fosse acreditar numa coisa dessas... Mas, é por enquanto a única corda que me mantém na realidade. Infelizmente. É acreditar, ou acreditar. Somente percebi estar me alto flagelando quando senti o gosto de ferro forte em minha boca, o líquido escorreu lentamente por meu queixo, e pingou finalmente na mesa arranhada, formando pequenas gotículas carmesins. As admirei por um instante, vendo seu brilho e a forma como faziam seus círculos sobre a madeira. Era meu, mas qual o gosto que teria se fosse de outra pessoa? Balancei a cabeça abandonando os pensamentos que queriam me tomar. Essa não é à hora para ficar pensando em alimento, pelo menos não esse tipo de alimento. Há formas mais viáveis de me alimentar, e farei uso dela, até como uma parte de encaixe em meu plano.
Se eu não me localizar irei pirar, isso é certo. Irei sucumbir à loucura que supostamente era para eu implantar nas mentes fracas. Tenho que me realinhar. Meu corpo já está adaptado a tão coisa, mas a minha mente ainda encontra válvulas de escape para dimensões onde meu lado humano tenta residir. Rasgar o véu que separa ambos o encontro desse tipo de criaturas tão diferentes, e tão iguais. Em desejos, em atitudes.
–- Como eu começarei? -- acariciei meu próprio tronco repleto de roupas. Mordendo um pouco mais devagar o lábio ferido, a leve dor corria em prazer. -- Ah, Sebastian, que confusão você está fazendo em minha pobre cabeça. -- pendi o pescoço para trás, deslizando dois dedos para dentro de minha boca. Minha destra caminhava devagar por cima de minhas coxas de fora. O formigamento por debaixo do short era bom. Os meus toques eram sutis, acariciando e conhecendo. Suspirando baixinho para mim mesmo. Incentivando-me.
–- Bocchan. -- seus toques na porta me fizeram encará-lo. Ele paralisou diante da soleira e a visão que teve de mim. -- Precisa de ajuda? -- sorriu ao constatar a cena.
–- Ora, Michaelis... -- os dedos me atrapalhavam na fala, mas nem por isso foram retirados. -- Eu pensava em você... -- sussurrei, quase gemendo, chamando-o com o indicador livre. -- Venha, eu quero lhe pedir uma coisa.
–- E o que seria?
Levantei da cadeira, afastei com os braços os objetos sobre a mesa e sentei sobre ela, de frente para a janela. O demônio surgiu a minha frente. Chamei-o com o indicador, e antes que ele se aproximasse puxei as lapelas de sua roupa. Suas mãos vieram à minha cintura, puxando-me contra seu ventre e ofeguei, sorrindo logo depois. Minhas mãos se prendiam em seus cabelos, acariciando seu couro enquanto trocavamos um feroz beijo. Seus lábios atacaram meu pescoço, e os estalos de sua língua nele eram mais que audíveis. Meus olhos estavam fechados, aproveitando cada pequena carícia, com baixos suspiros.
–- Pare! -- segurei seu rosto, seu olhar interrogativo. -- Leve-me ao Trancy.
–- O quê? -- seu olhar era incrédulo.
–- Agora!
–- Para quem era um humano tímido que cobria o rosto quando íamos para cama, as coisas realmente mudaram.
–- Pois bem, eu não sou mais humano, querido Sebastian.
Me tomou em seus braços, levando-me escritório a fora. A casa estava silenciosa apesar da presença dos outros empregados. Desde que voltei é assim. Penso em fazer algo a eles... Demiti-los, quem sabe. Mandá-los à capital e sustentá-los enquanto precisem. Eles irão morrer e... Continuarei assim, possivelmente ainda nesta forma infantil. Seria um bem que eu faria a eles.
Já em meu quarto, eu balançava as curtas pernas do lado de fora da cama.
–- Diga-me, -- comecei. -- irei envelhecer em aparência? -- estava de costas para mim, buscando roupas no armário.
–- Até os dezoito anos. -- não me encarava. -- Por que isso agora?
–- Irei manter o Bard, Finnian e Meirin somente até que eu tenha essa idade.
–- Sábia decisão. Seria chocante vê-lo aos cinquenta com a mesma fisionomia.
–- Se o mesmo não for acontecer com o Trancy, não. Eu não posso deixar que aconteça a ele. Matarei não somente ao loiro, caso você esteja certo sobre minha vingança, como também aos outros demônios de sua mansão.
–- O Bocchan anda tendo bastante ideias estratégicas. Pensando como tal ao que é.
–- Meu já está adaptado, tenho que o quanto antes fazer o mesmo com minha mente.
–- Está certíssimo em pensamento. -- trocava minhas vestes. -- Logo sentirá fome, Bocchan. O que fará?
–- Tenho você para quê? Suprir essa necessidade a mais.
–- Como queira. -- terminava de abotoar meu casaco. Seguindo para o nó folgado da fita esverdeada em meu pescoço. -- Pelas atitudes isso não demorará a acontecer. -- afastou-se minimamente de pé.
–- O que te faz pensar que faço por alimentação?
–- O tempo.
–- Não se engane. Faço a atualmente porque sinto vontade pelo tempo em que estive desacordado. Ainda não matamos a intima saudade. -- sorri de lado. -- Agora vamos.
A carruagem trepidava. Eu senti falta dessa movimentação e o fato de admirar a paisagem que passa pela janela. Sebastian, a meu pedido, não dirige rápido. Tenho que pensar em como me dirigir ao outro. Não avisei que o visitaria. E será uma surpresa quando eu aparecer.
Desde que houve a troca de mordomos que não o vejo. Isso já faz um bom tempo. Não tornará a acontecer, inclusive. E hoje, Claude perceberá a minha essência. Um sorriso satisfeito brotou em meus lábios. Ele saberá o que sou, e espero que com isso não pense em fazer o mesmo ao Mestre dele. Se bem que acho que nenhum demônio, fora o meu, é idiota a ponto de deixar de comer uma boa alma como refeição.
O percurso até a entrada da mansão do loiro já estava ao nosso campo de visão. E me ajudando a descer da carruagem nos colocamos na entrada. Levantei meus olhos às arestas da casa, vendo as aranhas e suas teias. Um arrepio me subiu pela coluna; “Aqui nós não tiramos as aranhas e suas casas.” Foi o que me disse.
Como da outra vez o mordomo dele abriu a porta sem que batêssemos ou tocássemos a campainha. E ele não estava só. O anfitrião da casa o acompanhava.
–- Ah! -- levantou as mãos ao ar, rodopiando as uniu ao lado da bochecha direita. -- Que surpresa agradável, Conde Ciel Phantomhive e seu mordomo, Sebastian Michaelis. -- sorria.
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