Seu Mordomo, Amor Secreto II
9 Seu mordomo, Treinador
Notas iniciais
Os minutos pareciam se arrastar. As badalas de avisos de hora passada pareciam durar eternidades até soar uma vez mais. O sonho da noite anterior dançava em minha mente vazia e sem ocupação até o momento, estou eu contando os segundos para que o mordomo acabe logo suas tarefas, a nossa conversa não pode ser mais adiada, tenho duvidas. E estas precisam ser tiradas. Ainda assim, não serei direto.
Passei as mãos pelos cabelos, levando todos os fios atrás, um suspiro profundo formou uma nuvem de frente ao meu rosto quando soltei a sua fumaça. Não havia percebido que estava tão frio.
–- Bocchan. -- batidas na porta e a entrada de quem eu esperava, acompanhado de um carrinho de chá.
–- Achei que demorarei mais para chegar. -- descansei o cotovelo sobre a mesa, apoiando a bochecha sobre o dorso da mão. -- Ande logo, não quero que isso se prolongue mais.
–- Como desejar. -- fechou e trancou a fechadura, empurrando o carrinho em sua frente, serviu-me de uma xícara com cheiro adocicado. -- E então?
–- Diga-me o que sabe sobre esse tipo de contrato que o Claude tem com a família Trancy.
–- Não é algo comum entre nós, ficar preso. Mas, pelo que disse o Alois, não é assim que ocorre. O Claude só pertence a eles enquanto houver alguém para segurá-lo lá. E o que parece, é que o Alois é o último deles.
–- Explique isso direito. -- movi a mão para que prosseguisse, levando a porcelana nos lábios enquanto ainda o encarava.
–- Se o mesmo acontecesse com os Phantomhive, eu só poderia pertencer a vocês até a sua geração, isso se alguém firmar o contrato. Como fez o Alois. O pai do Alois morreu antes do previsto, por isso o filho teve que fazê-lo antes da hora, mas se não fosse por isso, atualmente ele seria uma criança previamente normal.
–- O contrato morre com o Alois, e o Claude é livre?
–- Sim, provavelmente ele só cuidou do Alois por ser uma última ordem do antigo mestre. Essa ordem deve ter sido ‘Até que ele tenha idade suficiente para se virar sozinho.’
–- E a escolha dele fora manter o demônio por perto, pois quer completar o que o velhote não conseguiu.
–- Podemos olhar para isso dessa forma. O que vai fazer? Sabe que é destruir ou ser destruído.
–- A última comprovação da qual eu precisava era a sua motivação para o contrato, e agora que tenho a minha resposta posso agir sem restrições. Temos os trigêmeos, a Hannah e o Claude para lidar. Cinco contra apenas nós dois. -- meu indicador deslizava sobre a borda da xícara.
–- Não julgue como apenas, Bocchan. Os trigêmeos não serão problema grande, e você irá cuidar apenas do Alois, aja despreocupadamente. -- sorria mínimo. -- Cuidarei do resto.
–- Claro que sim, deixarei tudo em suas mãos. Mas antes de tudo mais, eu preciso me preparar, te darei uma semana. E então mandarei uma carta avisando que estarei indo até sua mansão jantar. Não estarei indo para lá apenas lidar com o Alois. Quero ser capaz de acabar com os trigêmeos, você cuida dos outros dois, saberá o que fazer a eles. -- joguei meu corpo para o encosto da cadeira. -- Aqueles sim são preocupações maiores.
–- Está a pensar grande, Conde. -- ele riu. -- Farei o que deseja. Em uma semana.
–- Bom, muito bom.
Terminei o meu chá, a conversa ainda se prolongou por poucos minutos, dentro deste assunto de Alois e Cia. Meus pensamentos também viajaram sobre as palavras escritas em garranchos e letras formais que coloquei dentro da gaveta, queria perguntar ao ser em minha frente o que sabia sobre elas, e quais suas verdadeiras palavras antigas, se é que existia uma. Porém me abstrai sobre isso por menos tempo do que esperei.
–- Espere. -- já se encontrava no meio do caminho de saída, e poderia jurar que o que vi fora um sorriso, como de alguém que espera pelo final derradeiro de algo.
–- Pois não?
–- Volte, sente-se, tenho uma coisa para perguntar ainda. E não é sobre o Trancy. -- abri a gaveta, tirando de lá o pequeno papel escrito, foi o tempo de que ele voltasse e esperasse em minha frente. -- Isto te diz alguma coisa? Sobre algo antes que eu perdesse a memória...?
O moreno encarou a escrita, seus olhos corriam nas linhas. Até que ele levou a mão sobre o queixo, pensativo. Depositando em seguida a folha sobre a mesa.
–- Eu não tenho a certeza de já ter lido algo parecido em algum lugar. Irei procurar por entre os papéis guardados no sótão.
–- Pode fazer isso agora, e me traga o que achar sobre isso.
–- Com sua licença, farei agora mesmo.
Acompanhei suas costas.
Demorou até que ele finalmente voltasse, eu não me encontrava mais em meu escritório, mas com um livro sobre as pernas na biblioteca. Outra xícara de chá sobre a mesa de centro, e Meirin limpando algumas capas nas prateleiras.
–- Perdoe-me a demora. Mas há muita coisa lá dentro.
–- Tudo bem, o importante é que você me trouxe. -- deixei o livro de lado, não importando em marcar na página atual.
A carta não estava datada, não havia remetente, apenas destinatário. Não estava mais selada, e o papel de dentro pouco amassado. Senti a barriga fria. A bela caligrafia chamava atenção. Hesitei ao abrir, movendo os dedos devagar enquanto tirava de dentro do envelope.
Olhei para a empregada que havia parado com seus afazeres, voltando rapidamente ao notar meu olhar.
–- Meirin.
–- Sim, Bocchan!! -- ajeitou os óculos sobre o nariz de forma nervosa, a mão com espanador sobre a outra sem em frente à saia do vestido.
–- Nos dê licença. -- encarava-a firmemente, me perguntei por breves segundos se havia sido rude demais quanto a isso. Porém, logo espantei o pensamento. -- Só temos isso? É do Alois?
–- Não vai abrir? -- me olhava de cima.
Assim fiz, completando a ação para enfim saber o que estava lá dentro.
“Caro cão de Guarda da Rainha,
O submundo pode ser dominado por você, e a você quem domina?!
O que está no trono, é realmente aquilo que aparenta ser?
Seu domínio, e malicia nas suas ordens. Londres em suas mãos. Limpa, ou pelo menos, menos incrustada.
Não seja ingênuo, Phantomhive. Desmascare aquele a quem você procura.
Acabe logo com essa farsa.
Será um favor, não só para você, mas como também para todos.
x.x.x”
A cabeça doeu ao completar a leitura, levei a palma sobre a marca do contrato sob o tapa olho. O mundo girava a minha volta.
–- Isso não fala do Alois, fala? Não está certo, não está. É mais que isso. -- o encarei com apenas um orbe. -- Quantas vezes terei de pedir... Para que me diga a verdade?
–- O que quer mais? Tem provas suficientes para incriminar o Trancy. Não procure coisas onde não tem. -- seus olhos eram frios.
Segurei as lapelas de seu fraque. Quase me pendurando para manter o corpo de pé, a diferença de altura, meu queixo em seu peito, olhando diretamente em seus olhos enquanto ele proferia as palavras seguintes:
–- Desista de apontar esse tipo de acusação. -- o polegar deslizou no sorriso de meus lábios. -- Desista.
–- Isso é tão ridículo. –- recebi o polegar por entre a boca, sugando-o fraquinho, com os olhos do outro brilhando em vermelho.
–- O que é ridículo?
–- Tudo, Sebastian, tudo. Tanto ao ponto de me irritar. -- sorriu novamente. -- Se é assim que você quer está bem, vamos direto ao ponto onde está o inimigo aos quais seus dedos apontam. E esquecerei o resto.
Desta vez não era brincadeira ou manipulação da minha parte. Simplesmente estou desistindo de tudo, como ele queria que acontecesse. Chega de tentar, chega de bater a cabeça contra a parede a fim de conseguir algo que nunca será encontrado.
Cansei, somente isso.
Já que é para entregar. Que seja por completo, de corpo e a alma que não tenho mais. E assim Sebastian Michaelis vence. Triunfante. Satisfeito? Tive a imensa vontade de perguntar, me contive, não queria provocar mais divergência de ideias, ainda mais quando estou ciente de toda essa influência. Ah, não, não, não mais.
Meus dedos do pé estão sustentando o corpo sobre suas pontas. O laço do braço do outro passa em minha cintura possessivamente, o polegar com saliva e o indicador mantém meu queixo erguido para o alcance de meus lábios sem muito esforço da parte dele de curvar o pescoço ao meu encontro.
–- Ora, ora.
–- O que foi?
Os olhos avermelhados dessa vez não me olharam, e sim a janela atrás de meu corpo, virei-me levemente para então visualizar aquela criatura vermelha tão peculiar pendurada ao vidro da janela fechada, não havia nem notado que o céu já estava tomado pela escuridão até aquele momento.
–- Sr Grell. -- Sebastian soltou meu corpo, caminhando lento até o vidro e o abriu para dar passagem ao shinigami.
–- Oh Sebas-chan!! Como pôde? Como pôde? -- colocou o antebraço sobre a testa, dobrando a coluna para trás em drama. -- Logo eu, a quem te deu tanto amor e carinho. -- tentou abraçá-lo.
–- EI! Tira as mãos dele. -- consertei-me diante da situação.
–- Pequeno Phantomhive, -- suas íris coloridas me olharam firme. -- isso não é coisa que uma criança da sua idade ou do seu porte faça — -- caminhava em minha direção, até parar subitamente no meio do caminho, piscando algumas vezes, abriu a boca mostrando os dentes pontudos, mas não proferiu palavras. -- Ma-Mas, então é -.
–- O que faz aqui? -- perguntei.
–- Vim conferir se os boatos eram verdade. Que Ciel Phantomhive agora é um deles. E me deparo com a cena mais terrível da minha vida. -- ajoelhou-se no chão, lágrimas caiam de seus olhos.
–- Ah, as notícias correm. E posso até imaginar quem a começou. Não importa. Levante-se daí. -- voltei a sentar no sofá. -- O que realmente veio fazer aqui?
–- Somente isso, e claro ver o Sebastian. -- levantou-se em um salto, agarrando o braço do mordomo, respirei fundo, esfregando a têmpora.
–- Tsc.
–- Vamos lá, Sebas-chan, irei te dar comida na mesa, roupa de cama passada, noites maravilhosas. E você não será tratado como um capacho. -- roçava a bochecha em seu ombro.
–- Já chega! -- bati com a palma da mão no couro do sofá onde eu estava. -- Aturei os seus assédios durante tempo demais. –- fechei os dedos de forma que as unhas formaram linhas sobre o estofado. -- Solta. Ele. -- atrás de mim uma sombra tomava a luz.
–- Estou soltando, estou soltando. -- deu dois passos para trás. -- Tenha calma, pequeno Chefe, isso fará mal ao seu coração. -- balançava as duas mãos em frente do rosto. -- Sebas-chan faça algo.
–- Hum? Eu? -- tinha um sorriso cínico nos lábios.
Respirei fundo. Não estava com vontade de estourar outra lâmpada, e, além disso, tinha que aprender a me concentrar e controlar para quando fosse o momento certo.
–- Phantomhive. -- aproximava-se devagar. -- O que aconteceu com você...? -- falou baixo. -- Digo, sempre fora desse jeito, mas agora.
–- Já chega, Sutcliff. -- a voz do mordomo fora rígida. -- Isso não é pergunta que se faça a essa hora da noite. -- amansou a voz um pouco mais. -- Bocchan, não gostaria de ir para a cama?
–- Seria uma boa ideia.
Comecei a caminhar para além da biblioteca, mas ao olhar para trás vi Sebastian conversando algo com o Shinigami que apenas concordava com a cabeça. Não demorou muito para depois de um pigarrear meu o moreno começar a me seguir. Minha voz não fora escutada da hora em que começamos a caminhar, até o momento em deitei a cabeça sobre o travesseiro. E também não esperava ouvir dele o que estava de conversinha com o outro.
Como era esperado e como sempre vem acontecendo à noite não fora favorável ao meu ‘sono’. Rolei por todos os travesseiros disponíveis na cama, assim como o calor que abafava meu corpo não contribuiu. Resultado, a madrugada fora passada em claro. E quando a porta foi aberta pelo mordomo, na hora em que eu deveria estar acordando, este tomou um susto, mas ainda assim sorriu para mim ao visualizar meus orbes abertos.
–- Bom dia, Bocchan. Acordou antes da hora.
–- Eu não dormi. Se quiser saber. -- afastei o lençol de meu corpo, pondo os pés no frio chão. -- Prepare um banho para mim. -- fui caminhando em direção ao banheiro.
O banho não fora demorado, não trocamos muitas palavras nem durante e nem depois, quando minha roupa estava sendo posta. Era fácil deduzir que as minhas poucas frases eram ciúmes. Ciúmes pôr vê-lo me provocar, dando atenção ao Grell mesmo depois de tudo, ciúmes pôr vê-lo não se atingir com os assédios do outro.
–- Estarei esperando às 15h na sala de esgrima para o começo de tudo.
–- Claro. -- não dei muita atenção, mantendo os olhos fixos no jornal.
–- Bocchan, aconteceu alguma coisa?
–- Não. -- o encarei. -- Nada. -- voltei os olhos para as letras, que na realidade nem recebiam tanto da atenção, apenas eram vistas em seus desenhos.
–- Tem certeza?
–- Como se já não soubesse. -- fechei as abas dos papéis em minhas mãos.
–- Não saberei se não for me dito.
–- Não se faça de cínico, Sebastian. -- franzi a testa.
–- Bocchan, sou um demônio, não adivinho. -- ainda esboçava aquele sorriso dançante nos lábios.
–- Não estou brincando. -- bati as mãos com força na madeira da mesa, levantando-me de vez. -- O Grell! Sebastian! O Grell! Deixou que ele fizesse tudo àquilo sobre você e nem ao mesmo se intrometeu para tentar tirá-lo de cima. -- eu gesticulava loucamente, o vi segurar o riso. -- Estou falando sério, não me trate como qualquer, como uma criança. -- dei a volta na mesa, erguendo a mão para estapeá-lo, esta fora segurada.
–- Ei, ei. -- sorriu de leve. -- Um ataque de ciúmes seguido de agressão, está um pouco violento demais, Bocchan. A fúria é o que desabrocha em você? Particularmente falando, a devassidão era o que mais me agradava. -- seu braço fez uma curva em minhas costas, mantendo minha postura pouco curvada para trás, meu braço ainda erguido em direção ao seu rosto e com seus dedos ao redor de meu pulso.
–- Solte-me! Isso não tem graça! -- fiz força para me livrar.
–- Não vai conseguir nada assim tão fácil. -- o laço nas minhas costas, subiram com os dedos em meus cabelos, soltando o nó habitado na linha do tapa olho.
–- Eu odeio você e toda essa ceninha que sempre faz! Solte-me! Agora!
Em todas as minhas falas seguintes fui completamente ignorado. Até ser finalmente solto, logo depois que minha voz cessou, berrar não estava adiantando de nada, só me enfurecia mais e mais a cada segundo.
–- Não vai até a casa do Trancy berrar desse jeito, vai? -- alinhava o fraque.
–- Não estamos e nem vamos citar o Alois aqui, o assunto é você, e suas atitudes vulgares. Não estou aqui para admitir esse assédio consentido. Deveria tomar vergonha.
–- Me admirei, e também não nego o quanto que fiquei surpreso ao ver o seu desespero. -- arrumava as luvas, em seguida tirando o relógio de bolso. -- Foi uma reação bem chamativa.
–- A sua também não fora na singela, com respeito ao beijo em mim dado pela Lizzy. O que me diz?
–- Que o toque de lábios não se compara ao que aconteceu ontem. -- franziu a testa.
–- Não? E há quanto tempo isso vem acontecendo, Michaelis?!
–- A Senhorita Elizabeth é sua noiva, não há o que comparar, Bocchan.
–- Não estou aqui para comparar status de relacionamento, sabe o quanto evito qualquer contato físico além dos formais com a garota, e já não temos nada, ela era a minha noiva, deveria retribuir de igual forma, seja com quem for. Não apenas com aquele Shinigami. Não vamos recordar o que já fora feito anteriormente por você.
–- A seu mandato. -- pigarreou.
–- Sim, a meu mando. Não preciso que me lembre.
–- Aonde pretende levar essa conversa?
–- A um caminho em que você entenda que isso não me agrada. -- recostei na mesa.
–- Se não falasse assim tão abertamente eu não saberia. -- notei seu riso de dentes cerrados.
–- Não se pode ter uma conversa séria com você que sempre encontra como debochar. -- suspirei. -- Vá, termine os seus afazeres, nos encontraremos na sala de esgrima na hora marcada. -- abanei a mão em sua direção, dando a volta e voltando a sentar onde estava antes acomodado.
–- Como quiser. -- curvou-se de leve, ainda mantinha aquele meio sorriso escondido.
O recado fora passado, não aturarei mais essas atitudes mesquinhas, não sou o único quem tem que zelas por essa “relação” distorcida que temos. Por mais que não seja nada oficial, isso não dar-lhe motivos para ser assim aberto para tudo e todos, nem mais aquelas missões te passo mais, quem dirá acontecer em frente a meus olhos. Eu te alimento e isso deveria ser o suficiente para você assim como é para mim. Veja só, estou falando como um velho demônio. Haha.
As horas não passaram tão devagar até que fosse à hora de nos encontrarmos. Como combinado Sebastian estava na sala de esgrima, havia separado algumas roupas para mim sobre a única cadeira do espaço, fui para o banheiro e troquei-me, com roupas quase de ginasta, um short curto colado preto e uma regata fina de mesma cor, além de que eu estava descalço.
–- Posso saber por que estou vestido de forma tão ridícula?
–- Não seja tão severo. Além disso, você precisa de leveza em seu corpo.
–- Eu não deveria treinar com os tipos de roupas que usarei no dia, ou acha que irei vestido assim?
–- Não estaria nada apresentável. E Bocchan, seu corpo é totalmente imaleável à dança, como imagina que será lutando?
–- Deixe de gozação, vamos logo com isso. -- me aproximei do centro da sala. -- Temos uma semana.
–- Acha que será suficiente?
–- Faça com que seja. -- o encarei.
–- Não pegarei leve com você. -- puxava as bordas da luva ajeitando-a. -- Vamos começar com as suas esquivas. Seja rápido no pensamento de onde está vindo e para onde vai. -- enquanto falava atacava com socos em diversas direções de meu rosto. -- Bocchan, tire isso. -- segurou meu queixo, retirando o pano sobre meu olhar e colocando no bolso. -- Assim esta melhor. Agora vamos outra vez. -- dei um passo atrás e estávamos repetindo o mesmo exercício. -- Não enxergue como os humanos, Ciel.
Fui ao chão não uma e nem duas vezes, ao mesmo tempo em que estava apenas usando os braços suas pernas deslizavam embaixo de meus pés em uma rasteira, isso me deixava desatento de cima, recebendo seu punho contra minha testa de modo fraco, apenas como um aviso, mas os ataques rasteiros quase sempre me levavam a chão.
–- SEBASTIAN! -- berrei quando fui à primeira vez a solo.
–- Deveria prestar atenção em todos os ângulos.
Era fisicamente cansativo logo de primeira, a falta de costume de tais movimentos bruscos e rápidos com o reflexo, porém tudo ia se encaixando com o tempo e a visão fica mais aguçada de acordo com que as horas passavam e a noite se aproximava. Não que eu estivesse um exímio lutador, porém já conseguia desviar-me de seus pés com a mesma frequência de que seus punhos não me acertavam mais o rosto avisando a desatenção. Isso era bom, para um dia estávamos evoluindo rápido.
Joguei-me sobre a única cadeira do cômodo, passando uma toalha na testa suada, respirando ofegante, o outro parecia intacto quanto ao físico. Bebi um copo de água e lá fomos outra vez.
–- Por hoje é só. -- ao ouvir isso sentei no local aonde meu corpo se encontrava de pé. -- Está indo bem, para o primeiro dia. -- entregou-me a garrafa de água e a toalha.
–- Temos uma semana ainda. -- passei o dorso da mão no liquido que escorria em meus lábios.
–- Se continuar nesse ritmo eu diria que não precisaria disso tudo.
–- Não podemos continuar? -- deitei de braços abertos.
–- Você precisa jantar Bocchan. Lembre-se do que combinamos.
Rolei os olhos levantando e indo em direção a porta de saída.
–- Vamos, eu preciso de um banho antes disso. Peça para os outros colocarem a mesa enquanto vou para o banheiro, esteja lá o quanto antes.
Foi assim durante o resto da semana que se passou. Um árduo treinamento em prol de estar pronto para o ‘combate final’ se posso assim dizer, o que encarando de dentro é quase isso. Nada estava sendo fácil, o que era de esperar, a dificuldade ia aumentando conforme os dias iam passando e diversas coisas eram incrementadas nas aulas. Não estou reclamando. Isso fora exatamente o que provoquei quando fiz o meu pedido, estou apenas lidando com suas consequências, sejam elas boas ou não.
Faltavam apenas três dias, contando com o dia atual, hoje nos encontramos na quarta, ainda não é hora de nos encontrarmos na sala de esgrima, e por isso estou no escritório escrevendo o meu auto-convite para a mansão do Alois. Sábado estarei de encontro a sua presença. Dobrando e selando o envelope, chamei o mordomo, pedindo-lhe para que enviasse o mais depressa possível.
A partida já foi dada, só precisamos ver o desfecho dessa história que acabará na última e mais jovem geração dos Phantomhive e Trancy.
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