Seu Andar Hipnótico

1 Esperanças que surgem, esperanças que morrem


Notas iniciais
Primeira fic de PolLiet...espero que eu esteja fazendo isso certo (v`)/
Avisem se estiver muito OOC, por favor!

Capítulo I

Esperanças que surgem, esperanças que morrem

Normalmente, começa-se uma história apresentando o cenário em que a mesma se passa.

Nste caso, acho desnecessário dizer a cidade ou o país em que nossos personagens vivem, mas vamos apenas frisar que a nação não é muito rica, nem muito pobre, e reúne gente, literalmente, de todos os lugares possíveis.

Nossa história propriamente dita passa-se em um restaurante, um dos mais famosos da cidade, frequentado por diversas pessoas respeitadas. O nome que pisca em sua placa sobre a entrada é Lithuanian Palace, e é realmente a fonte que sustenta uma família lituana, esta, que concerne simplesmente em pai, mãe, e filho único.

Esse “filho único” é Toris Laurinaitis, o protagonista de nossa história. Entremos rapidamente em sua mente, apenas para conhecê-lo um pouco mais, antes de irmos direto à narração.

Toris é um garoto considerado um pouco...maçante, por quem não o conhece direito. Não muito alto, nem muito baixo; não muito gordo, mas também não muito magro; não muito inteligente, mas também não completamente tolo. Não é o que se chama de garoto bonito, mas também não é feio. Tem uma aparência bastante comum: seus cabelos são finos e compridos, indo até os ombros, e possuem uma coloração amarronzada, assim como as sobrancelhas, de fios até bem grossos. Seu nariz é pequeno, e o rosto, afilado. É pálido, e as roupas claras e sem-graça que usa não ajudam nada em esconder a brancura de sua pele. A única coisa diminutamente especial em si seriam seus olhos. Dependendo da iluminação e da distância, podem parecer verdes ou azuis, e seu brilho muda também conforme o humor do lituano.

Depois de tal apresentação de sua aparência, basta saber que Toris é de gênio pacífico e tímido, com uma auto-estima na qual é bem fácil pisar, por ter sido várias vezes abusado pela própria ingenuidade, e hoje em dia, ter se tornado alguém deveras sensível. Os únicos com quem passa a maior parte do tempo são seus melhores – e únicos – amigos, Eduard e Raivis. Os três compartilhavam a mesma falta de amor-próprio, e pareciam estar sempre juntos. Haviam se conhecido no colegial, há alguns anos, e essa era uma história que Toris gostava de contar. Sempre o fazia rir, embora a lembrança do russo assustador no meio ainda lhe desse alguns arrepios.

Pois bem, agora que tocamos no assunto “colegial”, que fique claro que Toris o completou há um bom tempo. Hoje, do alto de seus vinte e dois anos de idade, sem ter cursado faculdade, o rapaz – pois nem sua aparência, muito menos sua personalidade se assemelham às de um homem adulto – trabalha no restaurante da família. Obviamente, sempre fizera alguns “bicos” antes, trabalhando como garçom logo depois da aula, mas atualmente, todo o seu tempo é dedicado ao negócio familiar, desde a preguiçosa manhã até o fim da tarde.

*

Era um dia comum no Lithuanian Palace. Sábado à tarde, o movimento estava bom, com diversas pessoas presentes, famílias, casais, até solitários homens de negócios que aproveitavam o final-de-semana para comer alguma coisa mais natural naquele local de atmosfera aconchegante.

Como todos os dias, que passavam sempre iguais, Toris cuidava de atender aos clientes juntamente com mais três garçons, enquanto o pai e outro cozinheiro – contratado há poucos meses, depois que a mãe de Toris acusou seu pai de ser velho demais para cuidar da cozinha completamente sozinho – cuidavam dos pedidos. A mãe do lituano não costumava estar presente no restaurante, pois cuidava da parte econômica, separando o dinheiro destinado aos gastos com ingredientes, eletrodomésticos, salários dos funcionários, contas de luz, água, entre outros impostos. Por isso, passava a maior parte do tempo em seu escritório, planejando novas maneiras de lucrar mais e propagandear mais seu restaurante, que pretendia expandir para uma franquia.

-Toris! –chamou a voz de um dos garçons, um descendente de japoneses baixinho- Pode atender à mesa quatro, por favor? Estou meio enrolado com aquele casal na treze...aaah...foi Kugelis ou Védarai o que eles pediram...?

Toris assentiu, não conseguindo não esconder o riso diante da confusão do garçom, que por sinal, era novato. Como conseguia enrolar-se com pratos tão distintos? Ora, um era pudim de batata assado, enquanto o outro, uma espécie de salsicha de batata. Era tão simples!

O moreno nada disse, no entanto. Terminando de servir as quatro garotas da mesa onze, seguiu para a quatro, onde se encontravam dois homens que sempre apareciam aos sábados. Toris não deixou de sorrir ao vê-los, e os cumprimentou mecanicamente, enquanto entregava os cardápios:

-Bem vindos ao Lithuanian Palace.

-Obrigado –agradeceu o mais baixo enquanto abria o menu, um loirinho de cabelos lambidos e sorriso fácil- Bom movimento hoje, não, Toris?

-De fato –ele respondeu, e logo se virou para o outro homem. Ele era alto, de cabelos também louros, porém curtos. Parecia ser o contrário do menor, começando por seu tamanho. Depois, não era de falar muito, e parecia estar sempre de mau-humor. O lituano sentiu-se tremer diante da aura pesada que aquele sueco possuía – sabia sua nacionalidade, pois ele quase sempre misturava palavras em sueco em suas poucas e curtas frases.

-Hum...não vai cumprimentar o Toris, Su-san?... –perguntou o louro mais baixo, embora um pouco encabulado. O sueco, que estivera folheando o cardápio, ergueu seus olhos azuis ameaçadores para o lituano, que engoliu em seco, e murmurou:

-‘Tarde.

-Boa tarde. –Toris cumprimentou de volta, suspirando aliviado. Sempre que aquele homem o olhava, tinha o pressentimento que ele puxaria um facão do bolso e o fatiaria em pedaços ali mesmo. Então, virou-se novamente para o menor, um finlandês, pois sentia-se muito mais à vontade encarando aqueles olhos castanhos- Onde está o Peter, Tino?

-Ah, o deixamos na casa daquele amigo islandês, por hoje. –Tino sorriu agradecido pela lembrança- Eu e Su-san queríamos aproveitar um tempinho só nosso, cuidar de uma criança dá bastante trabalho...

Tino e Berwald – este último, chamado carinhosamente de Su-san pelo finlandês – eram um casal homossexual. Cuidavam de Peter, seu filho adotivo, muito bem, mesmo que no início, a adoção do menino sem o consentimento prévio de Tino desencadeara muitas brigas.

Toris assentiu, compreendendo. Pretendia falar mais alguma coisa sobre Peter, mas foi interrompido pelo som do sininho que denunciava a entrada de mais um cliente. Toris virou-se por puro costume, mas definitivamente, não estava esperando a figura que passara pela porta.

A figura não era ninguém mais, ninguém menos, que Feliks Łukasiewicz, um polandês metido, que mesmo depois de anos estudando na mesma sala que Toris, jamais o olhara duas vezes ou dera a menor atenção à suas tentativas de iniciar um diálogo. Agora, quase quatro anos depois que se formaram, Feliks ainda não lhe dava a atenção que ele queria. E ao ver tal personagem entrando no “humilde” estabelecimento de sua família, ele não conseguiu evitar o coração de bater mais forte. Chegou a sentir o rosto corar, e fincou as unhas na capa de couro do cardápio fechado que segurava.

Aquele rapaz era muito curioso...desde sua maneira de falar, até a de ser, passando pela de se vestir, da cabeça aos pés aquele polonês era intrigante, tudo sobre ele o era. Ora; primeiramente, ele usava roupas bem femininas. Ou shorts muito curtos, ou blusas muito apertadas, ou cores muito vibrantes, ou acessórios que brilhavam muito ou tudo isso junto e misturado. Ele chamava a atenção por onde passava, fosse por seus cabelos dourados, curtos, quase sempre jogados para o lado e com alguma pregadeira banhada em glitter, ou fosse por seus passos rebolados, que pareciam impossíveis do alto das plataformas nas sandálias que usava – embora, para o polonês, fosse algo muito fácil andar sobre estas.

Tudo em Feliks instigava Toris de uma maneira que o próprio chegava a achar absurda. Sempre que o louro passava por ele, o lituano acompanhava seus passos, chegando a virar a cabeça, para conseguir enxergá-lo até que este sumisse ao longe. Logo pegava-se pensando sobre como o traseiro de Feliks parecia avantajado com aquele shorts apertado, e seu rosto queimava. Tinha de sacudir a cabeça para espantar aquele pensamento, mas a figura esbelta e o sorriso cativante do polonês permaneciam em sua mente ainda por um longo tempo.

Não fora diferente naquele momento; mal Feliks saíra de seu campo de visão, indo sentar-se em uma mesa distante, Toris ainda encarava a porta estoicamente, levemente boquiaberto, as bochechas de um visível tom escarlate.

-Hum...Toris? Toris, você está ouvindo? –foi preciso que Tino o chamasse mais de uma vez, e estalasse os dedos em seu ouvido para que ele virasse a cabeça – um tanto bruscamente – e soltasse um “ah!” assustado.

-Q’remos p’dir. –disse Berwald em seguida, fitando o lituano com certo interesse.

-Ah, claro! –Toris olhou para os lados, parcendo perdido- Só me deem licença...Kiku virá atendê-los...só um minuto... –e, deixando o casal com cara de interrogação, precipitou-se para a mesa onde Feliks sentara-se. Precisava atendê-lo, rapidamente, antes que outro garçom tomasse seu lugar. Não falava com o polonês há eras, vez ou outra o encontrava no shopping, quando a mãe o arrastava para as compras, ou então em alguma lanchonete, quando estava com os amigos. Mas nunca conseguira lhe dirigir uma palavra sequer.

Antes de alcançar a mesa do polonês – que olhava para os lados impaciente e emburrado, como se perguntasse a si mesmo se ninguém o atenderia -, o lituano desacelerou. Ficou um tempo parado, congelado no lugar, apreciando a imagem daquele rapaz no restaurante de sua família.

Nunca, em seus maiores sonhos, ele poderia prever que algum dia, Feliks daria as caras em um lugar como aquele! Toris sorriu inconscientemente, alegre pela própria sorte, que até então, vinha achando que lhe faltava.

Ele respirou fundo algumas vezes para tomar coragem, e enfim, andou a passos firmes até a mesa catorze, onde sentara-se o polonês. Toris planejava cumprimentá-lo no mesmo tom que usava com todos os clientes, talvez até soasse um pouco mais contente, mas quando os olhos verde-esmeralda daquele loiro tão lindo bateram de encontro aos dele, tudo o que o lituano conseguiu foi gaguejar um “bem-vindo”.

Feliks ergueu as sobrancelhas, numa expressão de tédio salpicada de descrença, provavelmente com a falta de jeito daquele garçom moreno vagamente familiar. Este, que, no momento, tentava se livrar de um engasgo, e assim que o fez, soltou toda a frase num só sopro, como se ela que estivesse presa em sua garganta:

-Bem vindo ao Lithuanian Palace! –cobriu a boca com a mão livre ao final, corando irremediavelmente. Droga! Por que a simples visão daquele polonês – ele estava ainda mais estonteante do que na época do colegial – era o bastante para lhe retirar o ar e as palavras?

Feliks suspirou e revirou os olhos. Toris não sabia se ficava aliviado por não ter rido dele, ou triste pela reação negativa.

-Tá, tanto faz. –foi a resposta do polonês, que esticou a mão para pegar o cardápio que Toris o oferecia, trêmulo- Obrigado, assim, eu acho.

Toris fez uma breve pausa, escolhendo as palavras a dedo, e só depois de respirar fundo e coçar a nuca que conseguiu dizer algo:

-Hum, faz...bastante tempo, não é, Feliks?

Ele se arrependeu amargamente do que falara assim que viu o movimento brusco de cabeça do loiro, que agora o encarava – e seus olhos pareciam queimar.

-Eu te conheço? –ele soltou, aparentando estar na defensiva.

-Ah! –Toris enlaçou os dedos das mãos, nervoso- E-eu sou...Toris Laurinaitis, filho dos donos desse restaurante e... –baixou os olhos, por que diabos havia dito aquilo?- ...nós estudamos juntos há alguns anos. Você não se lembra de mim? –e ergueu o rosto novamente, suplicante. Queria muito que Feliks se lembrasse dele, mesmo que vagamente, o que seria compreensível, visto que nunca trocaram mais que três palavras.

-Huuummm... –fez o polonês, batucando levemente o indicador direito sobre os lábios rosados. Toris ficou brevemente hipnotizado pelo ato. Como ele era belo!

-Não, acho que não. –disse Feliks, enfim- Ah, mas, espere! Lembrei! –o rosto de Toris se iluminou- Você era aquele moreninho que sempre se sentava no fundo, com aquele dois loiros, né? Aah, tipo, eu nunca falei com você, mas sempre te achei bonitinho. –ele passou os olhos pelo corpo de Toris, o que deixou-o encabulado- E até que você ficou ainda mais bonitinho. Dono desse restaurante, por sinal? Já era antes?

Toris ficou um pouco tonto. Como o polonês falava! Lembrava-se dele como o mais tagarela da turma, sempre sendo repreendido pelos professores por ficar fofocando com as meninas ou conversando via mensagem durante as aulas. O lituano desviou o olhar, vermelho, e respondeu, ou tentou:

-Bem, meus...meus pais já possuíam esse restaurante quando eu nasci, e eu ajudava aqui quando estávamos no colegial, eu e você. Só comecei a trabalhar pra valer depois que nos formamos. Falando nisso –ele o olhou, curioso- você foi pra faculdade de moda, como queria?

Feliks sorriu com a lembrança. Adorava falar de si mesmo desde a época da escola, e quando as pessoas pediam para que contasse sobre sua vida, ele já marcava mentalmente um ponto positivo em conversar com tal criatura – que provavelmente não possuía amor à vida, pois quando o loiro começava a falar de si, poucas coisas o paravam.

-Você ainda duvida? Claaaaro que eu totalmente entrei, assim, com todas as honras, porque sabe, não tinha como eu não entrar. Eu totalmente me formei, tipo, ano passado, e virei designer mesmo. Daí, assim, eu não quero me gabar, mas eu to-tal-men-te arraso nos modelitos, estou pensando em criar uma grife, é, Feliks by Feliks, não é demais? –e soltou uma risada que quase fez Toris babar. O lituano não ouvira uma só palavra, mas estava hipnotizado pelos gestos e sorrisos do outro enquanto falava, quase podia-se perceber os corações saindo por todos os poros do moreno.

Ele tinha uma queda, não, um abismo por aquele garoto desde que o vira pela primeira vez.

-Ah...sim, claro, é demais. Você é demais.

Quando Toris percebeu o que dissera, já era tarde. Ele pensou em refazer a frase ao ver a nuvem que passara pelo rosto de Feliks, mas esqueceu até o próprio nome quando o polonês abriu um sorriso tão encantador que poderia acabar com as guerras.

-Eu sei, né? Dã, todo mundo sabe. –e riu novamente- Você até entende das coisas, Toris.

Isso fez um sorriso formar-se no rosto do lituano, um sorriso que mostrava apenas um terço de sua absurda felicidade naquele momento. Então o polonês não só se lembrava dele, como o achava bonitinho e esperto! Aquilo deveria ser mais um de seus sonhos com o loiro, só podia ser.

-O-obrigado, mas, enfim... –Toris começou, querendo manter a conversa- O que faz por aqui?

Feliks uniu as mãos e apoiou o queixo nelas, seus cotovelos, por sua vez, ficando sobre a mesa.

-Ah... –fez, distraído e levemente desinteressado- Estou esperando um cara.

Uma frase. Uma frase foi o bastante para arrancar aquele sorriso do rosto do lituano, transformando-o numa expressão de choque e desapontamento. Esperando um cara? Aquilo partiu seu coração já bastante sensível. Então Feliks já tinha alguém.

-Oh... –ele murmurou, baixando o rosto. Sabia que era tudo bom demais para ser verdade, e que alguma hora ele quebraria a cara, mas não imaginava que seria tão rápido e certeiro. Muito menos, tão doloroso.

-E-eu entendo –parecia fazer esforço para não chorar- Bem, eu...tenho que servir as outras mesas. –afastou-se, sem sequer olhar para trás. Se olhasse, perceberia um confuso polonês o encarando com a testa franzida, perguntando-se o que dissera e errado para deixar o moreno tão mal.

Notas finais
Gostaram? Deixem review!
Essa fic não será muito longa, talvez não mais que 3 capítulos...mas vai depender de vocês e da minha inspiração. Mas principalmente de vocês.
Beijo da gorda~