Notas iniciais
Obrigada a Naiaracris e ao Havana pelos favoritos!

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Setembro de 94’

Por ProngsPink!

“Ela tem um sorriso que parece me trazer recordações da infância.

Onde tudo era fresco como o límpido céu azul.”

– Sweet Child O' Mine, Guns N' Roses.

Eu sei o que você esta pensando. Hoje quando cheguei do trabalho cansado e apenas querendo algum momento... Família, me deparo com o porteiro, seu João, discutindo com o cara do apartamento trezentos e dois, por algum motivo besta todas as minhas correspondências foram parar lá e por isso ele xingava o seu João. O velho estava, bem, velho e por isso nos últimos dias vivia trocando as cartas e os donos. – Assim que passei pela porta do prédio o cara veio ate mim e falou um bando de merda, eu, claro, estando de cabeça cheia por culpa da noiva que fui fotografar, não pude me segurar e pronto. Palavras muito baixas saíram da minha boca em direção não apenas do meu vizinho, mas também ao porteiro.

Meu humor já estava ótimo, melhorou muito mais quando vi Lucas sentado no sofá do mesmo jeito em que sai, apenas passei por ele e fingi que não o vi. Mas quando cheguei na porta da cozinha e olhei para a pia e o balcão toda a minha fúria saiu de uma única vez. Gritei com o moreno ate a garganta ficar seca e sem pensar fiz aquele ultimato.

Não sei se foi o certo. Bem, o garoto pode estar mal pelas coisas que a Mônica fez, que você sabe, manda-lo para fora e tudo mais. – Ainda não sei quem era a garota que estava com ele em cima da mesa, mas isso não importa. Será que fiz certo em dizer todas aquelas coisas? Poderia apenas ter dito que ele deveria arrumar um emprego e não ter gritado. Acho que peguei pesado. Mas a culpa não é minha, é desse estresse.

Estou enlouquecendo nessas duas semanas. Todas essas manhãs em que acordava e via o Lucas em pé em frente ao balcão preparando um café apenas com uma calça de moletom larga meio caída na cintura dando para ver um pedaço da cueca, as cortas nuas para mim, o cabelo negro molhado pingando uma ou duas vezes pelos ombros... Tudo tão, mas tão parecido com o Guilherme. – Meu coração acelera toda vez que o vejo, não especialmente no café da manhã, mas por qualquer parte da casa.

Ate parece que ele sabe de tudo e faz de propósito.

Eu sei que é muita doidera da minha parte, mas é isso que sinto. Tenho tanto medo de um dia minha mente confundir tudo e sem querer meu corpo tomar vontade, agarra-lo ou alguma coisa assim.

Estou fazendo o máximo para não ficar em casa. Pego todos os trabalhos que aparecem, já tive ate que me desculpar com um cliente por não conseguir da conta. Não posso. Meu corpo, minha mente, minha alma não aguenta ficar perto do Lucas sem sentir um calor sair dele e me envolver em um transe sinistro, mas de um modo bom. – Às vezes me pego olhando-o de longe pelos corredores do apartamento e o desejando jogado pelos meus lençóis, não ele, o Guilherme, seu corpo tão parecido com o irmão.

Eu disse, estou enlouquecendo. Descendo um poço sufocante de sentimentos confusos que embaralham a minha cabeça com fios rasgados de lembranças.

Me sinto em um labirinto, como agora, com seus olhos cinzas com claros ricos azuis virados para mim, olhando profundamente nos meus castanhos. Por alguma razão eu sinto que ele esta pensando em algo sobre mim, não sei o porquê. Mas sinto isso.

– Estamos agora sentados um de frente para outro jantando calmamente sem dizer nenhuma palavra. Tocamos claro, no fato sobre ele ir trabalhar, mas não passou de ‘Vou fazer, relaxe, não serei um estorvo’ e mais nada.

Limpei a garganta tomando um pouco de vinho, passei o guardanapo pelos cantos dos lábios fechando os olhos junto a um suspiro e comecei baixo para perceber que apenas queria sair daquele silêncio. “Já decidiu se fará faculdade ou se trabalhara por tempo integral?”.

Por um longo momento pensei que não teria resposta, mas depois que o copo foi esvaziado e mais uma vez enchido a obtive, “Eu pensei, durante o resto da tarde depois do almoço, e decidi que... Vou fazer a faculdade.” – Okay, admito que fiquei surpreso. “E pensei também, minha vaga em medicina ainda esta lá e eu realmente não quero ter que fazer tudo de novo, então farei medicina mesmo”. Mais uma vez, surpreso.

Esperei que a comida que havia colocado na boca descesse, na verdade estava tentando arrumar tempo para saber o que dizer, mas depois que a comida se foi não pude mais adiar.

“Mas você não gosta de medicina, certo?” não tive nada mais o que perguntar ou falar, além disso, ate porque se usasse um ‘Hm, certo’ seria mesquinho demais. “Você deveria arrumar algo que goste.”

“Não, tudo bem. Quero que você fique orgulhoso de mim.” – E novamente fiquei surpreso. O que pude ver ele também pareceu não acreditar no que dizia, seu garfo caiu no prato com um barulho irritante e seus olhos claros se arregalaram. A língua rosada passou pelos lábios secos de modo nervoso, seus dentes se cravaram na parte inferior dos mesmos.

Rapidamente Lucas se recompôs como se nada demais tivesse sido dito. Assim como ele, deixei passar. Mas pelo resto na noite aquela frase não saiu de mim.

Deixar-me orgulhoso, me deixar orgulhoso?

Pode não ser nada, o garoto pode ter soltado isso como uma espécie de coisa comum. Afinal, ele mora comigo agora, é normal querer me deixar orgulhoso, como um pai e um filho faz, não é? Lucas lembra bastante um adolescente e se comporta muito bem como um. Pode ser isso. É, é isso.

No outro dia acordei cedo e como qualquer outra manhã depois de fazer minhas necessidades matinais fui a cozinha tomar uma vitamina e correr para mais um sessão de fotos. Mas essa manhã não foi normal. – Lucas estava sentado no chão com uma bola de pelos laranjada nos braços e essa suposta bola de pelos tomava leite de uma mamadeira gulosamente.

Parei na porta e olhei aquela cena incomum.

Mas o que diabos era aquilo?

“Lucas...” assim que seu nome saiu da minha boca em um sussurro a cabeça negra virou para mim, mas sem dizer nada e depois alguns segundos voltou à bola de pêlo. “Lucas o que é essa coisa com você?” enfim, perguntei.

“Shiu, Diego!”

“Hei...”

“Ele esta dormindo, da para falar mais baixo?” a pergunta veio em gruído ate mim e para não começar uma briga logo no começo do dia, virei nos calcanhares e fui para sala. Abri a sacada que o moreno sempre deixava aberta durante a parte da manha e acendi um cigarro. – Aquilo nos braços dele não poderia ser o que eu estava pensando. Aquela... Aquela coisa laranja não podia ser um gato. Respirei fundo assim que o som de passos atrás de mim pode ser ouvido, me virei para ele e perguntei: “Aquilo é um gato?”.

“Sim.” Foi sua resposta simples. Ele estava como sempre, calças de moletom largas e peito nu. Oh meu Deus! Hoje eu podia ser diferente. Ele poderia ter ido atrás de um emprego antes dessa pessoa louca que vos fala tivesse acordado. “Eu o encontrei na porta do prédio quando fui buscar pão...” sua voz delicada me tirou dos pensamentos, dei minha atenção a ele, “Diego, olha, eu sei que não posso pedir nada, mas, por favor, não o coloque na rua. É só um filhotinho! Pontas não pode viver sozinho, morreria nas ruas em dias. Por favor, Diego, vamos ficar com ele!”.

Era tanta informação e palavras jogadas sem nem ao menos ter respirado que não pude responder ate processar tudo, o que demorou um pouco.

“Quem é Pontas?” – foi minha primeira pergunta, seu sei, mas eu precisava saber.

“O gato, oras bolas!” Um gato. Eu não queria um gato. E não tentei ocultar meu desprezo por isso, fiz uma careta assim que a resposta a minha pergunta foi dada. Odeio gatos, não quero um dentro da minha casa. Eles deixam pêlo por onde passa e são muito sarcásticos com a vida, além de não amar nem o próprio dono, apenas a casa. Definitivamente não quero um gato aqui dentro. – “Diego... É apenas um filhote”. Eu sei, poderia ser uma família inteira passando fome de leite, definitivamente nã – “Atchim!” Merda! Pêlos pela casa não. Não mesmo!

...

Notas finais
- Gente, desculpe pelos erros que pode conter ao longo do capítulo. - Obrigada a todos que comentaram no último capítulo e que estão acompanhando, Vee, Hinata Uchiha, Mililika, Havana, Sunshine e Thomás. Beijão de caramelo em vocês! xx
- Por favor, não saia antes de me dizer o que achou, ficaria feliz em saber! :)