Setembro de 94'
7 Abismo.
Notas iniciais
Setembro de 94’
Por ProngsPink!
“Se isso é você. Quem bate aí? Se é pra eu te ver então deixa eu dormir.”
– Os Pássaros, Los Hermanos.
Um baita de um exagero! Isso tudo por causa de um gatinho tão fofo quanto o Pontas. Diego é um cara muito, mas muito, muitíssimo exagerado. Tsc. – Acredita que ele me mandou colocar à ‘bola de pelos’ para fora? Pontas não fez nada! A única coisa, que pude perceber, que ele sabe fazer é dormir e comer. Hoje durante todo o resto do dia seu corpinho mole e laranjado capotou no sofá da sala e por lá ficou.
Mas deixando o gato de lado. – Voltei à faculdade. Faz quase um mês que estou frequentando as aulas e por uma benção divina estou realmente gostando do curso. Serio! Não disse ao ruivo ainda e não quero dizer, não tão assim, do nada. O emprego, bem, não sei se a parte do emprego vou fazer, já que tive um escolha, mas pensarei no caso.
Esses dias se arrastaram tranquilos. Não tivemos nenhuma briga ou discussão por conta de roupas sujas ou algo do tipo. Comecei a ajudar na casa, arrumo a cozinha todos os dias assim que chego da faculdade. E também coloco a roupa para lavar.
O mês foi bom. Tirando a implicância ridícula entre o homem mais velho e bichano laranja, tudo estava perfeito. Ate mesmo o humor, que pude ver por causa da casa iluminada, do Diego estava muito melhor do que quando o encontrei.
Hoje é sábado, um dia de folga depois de toda essa correria do dia-a-dia. Depois de o apartamento estar limpo e nossos banhos tomados, resolvemos passar a noite vendo um filme que saiu na locadora e comer pipoca. A grana andava baixa ultimamente, já que a dona Mônica não estava ali como meu banco.
A fita de Uma Linda Mulher foi colocado no vídeo cassete e a abertura começou em poucos minutos. O filme em si não era ruim, mas sem ofensas a quem gosta, mas na metade dele o sono me veio. Não era um tipo de filme que caras como eu curtiam muito. Julia Roberts era gostosa e tudo mais, mas como vocês bem sabem, prefiro um homem gostoso.
Por falar em homens gostosos. Fazia um bucado de tempo que não ficava com alguém. Pra ser mais exato fazia quase um mês que a minha bela pessoa não transava. Durante uma aula ou outra ate dava para beijar um cara ali ou aqui, mas nada além disso. – Sexo faz falta. Ainda mais pra mim que era acostumado a ter praticamente todos os dias ate ser expulso de casa.
Virei meu rosto para o ruivo sentado meio deitado ao meu lado. Ele dormia, a cabeça apoiada no braço do sofá, o tronco jogado no espaço entre nos dois e as penas abertas, uma em cima do acento dobrada e a outra com o pé no chão. Diego parecia confortável daquele jeito, os braços estavam atrás da cabeça e a boca entreaberta facilitando a respiração.
Hm, ele não fazia a barba fazia um tempo, o que o deixava bem charmoso com os pelos vermelhos curtos. Deveriam pinicar, né? Estou falando assim, se alguém chegar perto e tudo mais. Uma cosquinha leve, quase carinhosa... Oh, cara, o que eu estava fazendo?
Me inclinei para frente aos poucos com medo de que qualquer movimento mais brusco o homem mais velho acordasse. Apoiei uma das minhas mãos no espaço livre que a falta de seu braço deixava ao lado do peito e desci o rosto um pouco mais. Agora lá estava minha respiração forte contra a sua leve. A ponta de nossos narizes batiam quase nada um ao outro e meus olhos cinzas varriam cada desenho daquele rosto bonito. – Puta merda! Eu queria beija-lo, eu queria muito beija-lo.
Como nunca fui uma pessoa de deixar de fazer as coisas, logo aproximei meus lábios dos do Diego. Apenas um roçar, um carinho de lábios. Uma boca tocava a outra em um silencio cúmplice.
Oh, meu Deus. Aquele leve toque já havia feito o meu corpo esquentar nessa noite fria. Depois da sensação que tive nada me pararia ate que toda a minha gula tivesse saciada. – Aprofundei mais os meus lábios, a minha língua nada atrevida passava entre os deles, sem permissão ou com ela, não sei, contemplei o fogo que bateu em meu peito quando pude explorar com toda clareza a caverna úmida e gostosa que era a boca do ruivo.
Nenhum beijo que já experimentei durante toda a minha vida era como esse. – O pequeno susto que levei quando percebi que era corespondido nos toques foi apagado. A mão que antes estava debaixo dos cabelos vermelhos agora prendiam a minha nuca, a outra entrava pela minha blusa acariciando cada pedaço de pele que encontrava. Vias de queimadura contra aqueles dedos. Choques de proporções incalculáveis espelhavam entre nossos corpos. O vai e vem da minha cintura contra ele, as pernas entrelaçadas, os arranhões que minhas unhas faziam em seus braço. Tudo, completamente tudo me fazia sentir em um abismo.
Era querer pular, mas algo te prende ao chão. Adrenalina passando pelas veias e pelos nervos, qualquer toque pode ser fatal. Um prazer tão vivo...
Um prazer tão vivo interrompido por uma palavra.
A necessidade de oxigênio sempre foi uma das coisas que mais odiei na vida, por sempre atrapalhar as coisas realmente boas durante ela. Naquele resto de noite, comecei a desprezar o oxigênio um pouco mais.
Despedindo com suaves beijos entre a respiração descompensada Diego jogou a cabeça para trás e fitou o teto por longos minutos, parecia acordado, mas sonhando. Uma inquietação nas minhas entranhas dizia que o olhar sonhador não era por causa do meu beijo ou... De mim.
As castanhas orbitas cravaram em mim, o marrom avermelhado contra o cinza. – Dei mais um passo para perto do abismo, eu iria pular e, para minha infelicidade, não era de prazer.
Seus lábios chegaram mais uma vez perto dos meus, tocando por alguns minutos. Minutos esses que me preocupei. Eu sentia o gosto da sua respiração, da menta entrando entre as finas carnes da minha boca e prendendo a minha língua. Necessitava de um contado e foi o que fui fazer, mas, antes de beija-lo e então desistir, ouvi sua voz rouca sussurrar a mim, em um delírio quase real, “Guilherme...”.
Pulei. – Jogando contra as pedras do abismo sem querer ouvir ou saber de nada. O nome que saiu da sua garganta não havia sido o meu, nem a pronuncia era parecida.
Era meu irmão. Era Guilherme que estava ali, não eu.
Mas... Eu não entendo.
...
Notas finais
- Obrigada ao Lee (adoro esse personagem *-*), Mila, Thommy, Hinata, Vee, Sun e Nora por estarem comigo em mais um capítulo! Beijo beeeem grande e doce a vocês! (>*-*)>
Não deixem de comentar, mores, quero muito saber o que estão achando. ;3
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