Setembro de 94'
8 Dona.
Notas iniciais
- Boa leitura.
Setembro de 94’
Por ProngsPink!
“Eu não vou mais correr, não vou mais correr. Vou ficar parado com você, meu bem. Eu não vou mais correr, nada é pra valer. Vou ficar parado com você, meu bem”.
– Desapego, Moptop.
Assim que aquela palavra saiu dos meus lábios me arrependi mais que tudo. Aqueles olhos, que agora não escondo que tanto admiro, se arregalaram e quebraram em sentimentos desconhecidos em vários pedacinhos. – Quis me levantar daquele sofá e pedir desculpas que não seriam o suficiente, mas Lucas estava tão perdido que não pude.
“L-lucas...” eu o quis tocar, mas tudo o que fez ao meu movimento foi dar um tapa na minha mão e sentar sobre a minha cintura. Queria poder ter o poder de ler seus pensamentos, qualquer coisa poderia estar passando por ali. – Maldito monstro que sou! “Lucas, olha...”.
“Não.” Sussurrou baixo, “Apenas, me responda uma coisa”, seu lábio inferior estava sendo maltratado pelos seus dentes brancos de tanto que o mordia e puxava, depois passava a língua molhando-o e começando mais uma vez. Meu Deus, quão filha da puta sou? Depois de todo esse inferno que fiz em uma palavra ainda sinto o gosto da sua boca, da franja arrastando nas minhas bochechas, meu rosto aranhando o dele. Oh, aquela cintura fina batendo a minha, as unhas afundando na carne do meu braço. Tudo. Tudo ainda vivo em mim. – “Por que Guilherme?”.
Travei todo o corpo. Pequenos volts passando por mim enquanto meu cérebro tentava chegar em alguma conclusão. Por que Guilherme? Porque o amo. E quem toma meus pensamentos é ele? Ou porque os olhos cinzas que me esmagam agora são idênticos ao dele? Ou talvez, por que quero tanto beija-lo assim, que seu nome veio à mente? Tantas coisas, tantas perguntas. Nenhuma resposta concreta.
“Tantos motivos.” Respondi simples. O que diria? Que amo o irmão dele desde sempre e que há três anos, depois de dois a qual morava aqui, decidi agarra-lo e beija-lo como ele fez comigo agora? Não, claro que não. – Não posso fazer isso...
“Eu sei.” A voz que já disse a mim mesmo que não era a mesma entrou nos meus ouvidos tão baixa quanto um suspiro, um fio de quebrar. “Você... – Diego, você ama meu irmão?”. Sim, eu amo mais que tudo. Um amor tão forte que arde o meu peito em uma temperatura doentia. Um amor irreal e podre, por não ser correspondido e nem valido. Nojento aos olhos de quem o recebe ou quem pode ver. “Deseja ele?” Oh, sim. Tanto, tanto, tanto. Não faz ideia. Meus lençóis gritam para ter o corpo que é parecido com o seu em minha cama, Lucas. Meus poros suplicam por ele, minha boca o quer melhor que mel. Eu posso senti-lo em mim de tanto desejo todas as noites de cansaço. “Daria tudo para tê-lo?” Tudo, sem mas. Venderia minha casa se preciso ou meu corpo se permitisse. Daria minha a alma nas mãos dele e pediria apenas uma noite ao seu lado, ou talvez, que apenas recebesse todo o sentimento que tenho para dar de braços abertos. Aceitasse sem bater minha cabeça ou estourar meu coração. Daria o mundo em troca de tê-lo. A minha vida e ate mesmo de outras pessoas se isso significasse vê-lo todos os dias ao meu lado. Daria tudo e nada. Preto e branco. – Ter Guilherme para mim seria como criar um tumor, por mais podre que possa parecer, mas criaria. Porque esse tumor me consumiria e esse consumo me daria o prazer mais belo que poderia ter.
Tomei um susto de acelerar o coração no peito quando senti mãos fortes segurarem meus ombros mais uma vez e uma respiração ficar em cima da minha. Bati fortemente o castanho avermelhado em direção aos cinzas em pedido mudo de explicação. Mas ele não se deu ao trabalho, apenas abaixou devagar a cabeça em minha direção ainda me olhando daquele jeito sofrido. Fechando a entrada para alma no decorrer do percurso e selou nossos lábios pela segunda vez naquela noite.
Não consegui entender mais nada. Não estava puto comigo? Raiva não brotava de sua aura?
Esqueça tudo isso. Quando seus lábios colaram nos meus, tudo mudou. Não havia sala, tevê zumbindo ou fita pedindo sendo vomitada pelo vídeo cacete. Não tinha luz, nem escuridão. Nem mesmo o som do radio maluco que ligou sozinho preenchendo o silencio com Brand New Start em Little Joy. Nada. Tudo tão calmo como a praia deserta.
Ondas batendo na maré. Chuva pingando no quintal. Flor nascendo na floresta. Natural, simples, bom, belo.
Não me segurei por mais nem um segundo, queria tudo que me era oferecido. Segurei sua nuca, subindos meus dedos aos seus fios negros, apertando-os fortemente entre eles. Minha outra mão foi a sua bochecha escorregando por ela e enfim prendendo seu rosto. Sem delicadezas. Tudo entre nós já levava muita. – Teria que ser forte.
Novamente suas unhas aranhavam meu corpo, se um modo que me sentia masoquista a aquilo tudo. Sua língua invadindo minha boca e cobrando de mim tanto entusiasmo no ato quanto ele. Uma mão explorava o lugar que queria em vida própria. Sentindo o que deveria ser sentido.
Um estalinho de algo caindo no chão nos fez separar sofridos. Com a respiração acelerada, vi Pontas subindo na mesinha no canto da sala e derrubando um enfeite. Sorri brandamente antes de ignora-lo e voltar minha atenção para o que fazia antes. Nem precisei terminar o pensamento e Lucas já soltava minha calça no chão. “Quando você...?”, apenas sorriu travesso deitando sobre mim e beijando minha boca pela terceira vez. – Estava contando ou impressão minha?
Sabe que sensação é essa de ser tocado por alguém que se preocupa em te dar prazer e não apenas receber? Não? Então esta perdendo uma das melhores coisas do mundo. Claro que isso só descobri mais para frente.
Mas, mais uma vez um barulho interrompe. Desta vez o telefone toca em vibrações irritantes e agudos demais para o bem dos meus tímpanos.
Lucas sai de mim se sentando no seu lugar. Continuo deitado ali com a cabeça jogada para trás pedindo a Deus que quem quer que seja morra com um raio bem forte na cabeça. Não, não, isso é horrível da minha parte, mas pelo menos que uma chuva bem forte o carregue aos infernos. Ah, isso estaria bom.
Me levantei lentamente ate o aparelho e atendi. Uma voz chorosa do outro lado da linha me faz ficar alerta. Quem será a essa hora, ainda mais aos prantos? “Alô?” digo. Uma voz grave em gritinhos histéricos ecoa, alguns lamentos e pedidos com ‘por favor’ bem vindo com ‘filho’ acompanhado começa a me assustar. Não poderia ser minha mãe, aquela se me ligasse teria que chamar um padre exorcista para o meu telefone... – “Dona Mônica?” pergunto sem alternativa melhor.
...
Notas finais
Falando em SA, vou fazer mais um momento propaganda - hauhauhs'. Eu e a Vee, meu gêmeo, começamos um profeto juntas. Se chama Sonho Americano e conta a história da vida de dois rapazes, Lucca, com vinte um anos e Thomas, com dezessete. Eles são completamente diferentes um do outro, mas se completam de um modo assustador. Se quiserem ir lá ver, agradeceria de montão, mesmo, mesmo! E também, claro, tem a Quatro Por Quatro, um projeto só meu, essa já é mais rápida no gatilho que Setembro, os personagens são mais... Err... Taradinhos? - Bom, por favor, me faça um visitinha lá, adoraria ter a companhia de vocês em todos os lugares!
- Obrigada aos que me acompanham mais um vez, nunca vou me cansar de dizer isso, pois são vocês que fazem com que a estória vá para frente ♥
Beijocas de caramelho a todos, dois ao Frost por favoritar a fic e milhões para Vee e Thomas pelas recomendações. Obrigada a todos por acompanhar! Vejo vocês na próxima. Não esqueça que seus recadinhos ai em baixo valem ouro ;3
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