Notas iniciais
Capítulo escrito para duas pessoas, primeiro ao meu gêmeo, pois ele merece cada gota do mar e segundo o Goss pelo lindo recomendo. Obrigado, fofo ♥

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Setembro de 94’

Por ProngsPink!

“Será que vamos ter que responder pelos erros a mais eu e você?”

– Será, Legião Urbana.

Peguei o telefone da mão de Diego sem perguntas. – Ele pareceria um pouco pálido, as sobrancelhas vermelhas estavam vinho em contraste com a pele. Suspirei fundo. Havia o ouvido dizer o nome da minha mãe e depois ficar no estado que estava, conhecendo Dona Mônica como conheço, com certeza falou algo grosseiro e ridículo. “A-alô, mãe?”, minha voz estava um pouco rouca pela atividade recente, mas tentei o máximo me concentrar apenas no telefone.

– E foi ai que recebi um baque.

A voz de Mônica estava baixa e chorosa, parecia um rato. Jogava palavras rápidas sem nem ao menos parar para respirar. E parecia, pelos barulhos vindos do fone, que brigava com alguém.

Uma vez me perguntaram na escola se eu ligava de ser o que era, na época nem havia contado a minha mãe ainda. Lembro-me bem de responder que todos deveriam ir para as ruas e abrir suas malditas pernas para um homem, para depois tirar suas próprias conclusões. E se minha memória estiver certa, levei um belo soco de Guilherme quando cheguei em casa, pois algum idiota foi fofocar para ele que me viram pagando oral a um cara. Desde então ele não fala comigo.

É estranho pensar nisso, porque vivi com ele ate alguns meses atrás. Mas nem assim eu ouvia sua voz. Quando chegava em casa das farras, ele estava dormindo a eras. Quando estava levantando da cama, ele já havia saído para trabalhar. – Então quando uma voz estranha e grossa pegou o telefone de Mônica e começou a gritar comigo, minha reação foi... Ridícula.

Mais ridícula do que ter beijado o Diego, Lucas Martins?

– Não foi ridículo ter beijado-o. Oras, o carinha estava lá todo aberto pra mim! Por favor, né, estou sem sexo a um bom tempo para ter que pensar se era ou deixava de ser ridículo. E também, quando ele disse Guilherme, apenas nublei minha mente por alguns segundos.

Ele amava meu irmão. Diego amava meu irmão.

E tudo o que fiz foi fazer perguntas e depois dizer a mim mesmo ‘foda-se’ e pensar na noite maravilhosamente prazerosa que teria. Foi errado, eu sei, mas vocês não sabem o quão dolorido é ficar sem sexo por tanto tempo.

Diego estava lá, sentado sem jeito quase dormindo. Não parei muito para perceber se ele tivesse uma namorada ou caralho a quatro. – Só pude pensar em como ele era gostoso e em como eu ficaria feliz em levar esse cara para cama comigo. Como o sexo com ele deveria ser... louco.

Foi como um grande tapa na cara ouvi-lo dizer cada letra do nome do meu irmão. Foi ainda mais horrível ouvi-lo dizer que o amava. E ainda pior ler em seu rosto que o sentimento era tão forte que ele não pararia para calcular os desastre dele.

Eu admito que senti inveja de Guilherme. Adoraria ter alguém que sentisse algo tão profundo por mim. Alguém para dizer que você era quente ou que te protegeria, que levaria a qualquer lugar no mundo. Que te daria o mar se você pedisse. – Eu conseguia ler perfeitamente isso nas Iris avermelhadas.

Ridículo.

Ridículo o fato de que meu coração ter batido forte quando voltei a beija-lo. Ter sentido meu corpo em uma temperatura tão alta que a ponta dos meus dedos poderiam competir com o sol. O arrepiar da minha coluna, a necessidade de marca-lo de um jeito ou de outro. De perder a cabeça em tudo que era ele.

Eu nunca havia me sentido tão perdido em querer alguém.

Estava desejando tão loucamente naquele momento que nem liguei para o resto da história. Não me importei se amava ou deixava de amar Guilherme, se os seus sentimentos eram fortes ao ponto de explodir.

Queria muito senti-lo. Senti-lo ate o confim das terras e voltar com alma limpa.

“Lucas!”, ouvi uma voz brava me gritar de longe. Foi apenas naquele momento que me lembrei de Guilherme no outro lado do telefone. – Quis enfiar de baixo das cobertas e sussurrar socorros bem baixinhos apenas para algum ser divino.

“Estou aqui”, respondi.

“Vou te buscar.” Franzi o cenho sem entender, como assim me buscar? – “Você não vai ficar aí nem por um segundo a mais. Não depois do que descobri. Quem Diego pensa que é? Desvirtuar o pobre coitado como você!”. Me sobressaltei com a raiva que o seu tom de voz emanava a cada palavra. O que diabos aconteceu? – “Arrume suas coisas, amanha de manha, sem falta, você sai daí.” E desligou.

Fiquei olhando para o gancho do telefone sem saber o que fazer. Minha cabeça zumbia pelas informações carregadas com violência.

O que raios Guilherme dizia?

Virei minha cabeça para o lado e bati em potencia sobrecarregada os meus cinzas nos vermelhos. E me hipnotizei.

Ir embora, foi o que ele disse? Por que iria embora? Estava bem ali. Gostava de sentir ali, de ver Diego durante as manhãs me observando. Gostava das horas em que os raios do sol batiam em nossos rostos e nos banhavam em mundo particular, ou quando apenas ficamos sentados naquele sofá velho vendo algum programa ou filme. De beber algumas latinhas de certeza ou alguma garrafa de vinho em silencio. De jantar e almoçar todos os dias juntos como um ritual apenas nosso.

Eu amava estar ali.

Talvez nunca percebesse isso se não fosse pelo telefonema, mas percebi e não queria ir. Vivia bem ali, então por que ir embora?

“Guilherme vem me buscar...”, sussurrei, alto apenas para que nós dois ouvíssemos, nem Pontas tinha autorização de saber.

Os olhos castanhos avermelhados desceram por mim em um suspiro quase mudo. Me sentia sendo engolido por um mar vermelho e sendo banhado em gloria pela sua atenção. Não me importaria de ser jogado ao vento naquele momento, apenas os muros dos seus braços em minha volta me segurando para que nenhuma queda fosse vista esta bem. – Ninguém precisava saber que éramos ridículos quando o assunto era nós. Ele era o rejeitado por algum sentimento sujo e eu aquele que dormiria em paz recebendo esse pecado virado para si.

Se fosse apenas por idas e voltas, o que custava deitar meu corpo naquele sofá e deixar se levar pelo momento infinito enquanto durava. Eu sabia, no finito fio do meu coração vagabundo, que aqueles beijos depositados na minha pele e que me deixaram delirar não eram para mim, mas fechava os olhos para aquilo e me deixava sentir. Eu faria algo diferente. Daria a ele a chance de ter alguém que seja parecido com o seu amor.


...


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Notas finais
Primeiro quero pedir desculpas aos erros e pela edição do capítulo. O Nyah! anda de TPM nos últimos dias e não me deixa fazer as coisas direito, como centralizar o título. Segundo quero agradecer muitíssimo ao Gossip Boy pelo recomendo maravilhoso, obrigado viu gatinho ♥.
- E por último, mas importantíssimo, agradecer a todos que leram e comentaram os dois últimos capítulos. Vee, Thomás (sentindo sua falta )':), Mililika, Gio, Lee, Hinata, Nora (obrigado pelo carinho, flor, fico muito, muito feliz em ver que esta gostando mesmo! *-*), Frost, Sketcher (como fala seu nome? >.<), Sun, MihVisho, Hal Hudson, Bella Hanes! ♥ Obrigadooo a todos!
~ Beijocas de mel ~