Notas iniciais
Mil perdões pela demora!

Setembro de 94’

Por ProngsPink!

“Obrigado, mãe, pelos joelhos dobrados cansados em noites de frio”.

- Amor de Mãe, Regis Danese.

Parte II


Querido,

Não muito tempo atrás você nem olhava nos meus olhos. Um pedido idiota que fiz, confesso, sofrida, mas confesso. – Apenas pensava na sua felicidade. Quando soube que a vizinha havia ido a capital e te visto a vontade com Diego, fechei meus olhos por tudo que ele poderia lhe fazer.

Não faz ideia, meu querido, de tudo que teu irmão sofreu por perder o melhor amigo para esse mundo. Lembro-me bem do estado em que Guilherme bateu na porta em uma madrugada, chorava rios em meu ombro. A pessoa a qual ele mais confiava o havia traído seguindo esse mundo de depravação e ateu de promessas. Eu chorei, Lucas, chorei por desespero de ver um filho magoado por ter perdido um amigo.

Quando Lidia, a vizinha, batera na janela de manhã avisando do que tinha visto me senti a pior criatura. Novamente passara pela minha mente onde havia errado em te criar. Liguei para Guilherme no mesmo instante implorando-o que te buscasse e te tirasse de perto daquele homem que poderia carrega-lo para ainda mais longe do meu peito. Não queria ver mais um herdeiro meu no fundo de um poço por causa de um mesmo homem.

Aquele mês em que te mandei para casa dele eu sabia que era o único lugar que seria bem vindo. Pensei comigo que quando você visse o que era de verdade ser o que... Você escolheu voltaria a ser o meu pequeno menino. Meu querido filho. Mas isso não aconteceu. Lucas, você nunca voltou para casa, não implorou ou chorou pelo conforto das minhas asas. Me senti tão sozinha quando percebi que havia perdido novamente um filho, o mesmo filho.

Eu queria ir ate aquele apartamento de Diego e tirar você de lá à força, agarrar o teu cabelo pela raiz e puxar para o meu ninho, onde eu pudesse lhe proteger.

Mesmo depois do teu irmão ligar, te ameaçar, te bater... Você nunca voltou.

Querido, onde você esta agora? Sentado em algum lugar vendo quem você jogou no meu rosto que amava mais que tudo lhe sorrir? Ou esta sozinho, assim como eu, em uma noite fria de outono?

Me arrependo de tudo que te disse. Todas as palavras duras que joguem em você sem pensar, daquele tapa que marcou os dedos das minhas mãos em sua bochecha quando se recusou a voltar. Arrependo de não ter ido em seu matrimonio de casamento. De não ver teus votos para ele. – Agora, tão mais perto da morte, estou velha, mas vejo muito bem com os olhos que a terra ha de comer que você é feliz. No mundo torto para mim, mas feliz.

Queria poder segurar teu rosto agora e olhar no fundo dos seus olhos. Ver pela última vez esses claros fios azuis que te caracterizam tão bem. Se eu pudesse te enxergar , diria: “Amo-te mais que tudo, ate mais que a minha religião”. Porque nada, meu filho, é mais importante do que a tua felicidade. Vieste do meu ventre, do meu sangue e da minha força, não poderia colocar nem a divindade acima de ti, mesmo que quisesse.

Os cincos anos mais tristes da minha vida foram esses, pois foram durante esses cincos anos que percebi que você não é errado. Mas tarde demais, agora não sei onde você esta, não posso te dizer que sinto orgulho. Não posso te beijar e te abraçar, dizer que te amo.

Estou indo embora, meu pequeno. Algum dia não poderei mais abrir os olhos. Deus não demorara muito, Ele sabe – lendo as linhas do meu coração – que tudo que fiz foi pensando em você. Então me perdoa. Espero te ver pela última vez antes de fechar meus olhos eternamente. Ver teu rosto no último segundo.

Não tenho mais forças para escrever. Minha tristeza é muito alta. Deixo aqui, nas pequenas e apertadas linhas, o meu amor eterno por você. Sou sua mãe e por ser ela sei que nunca pude realmente pensar nada daquilo que um dia te feri. Sou sua mãe e por isso te apoio mesmo que tarde. Sou sua mãe e por nenhum maior motivo te amarei menos que ontem, que hoje ou amanhã.

Perdoa-me, porque te perdoo pelas horas de parto. Perdoa-me, porque te amo. Perdoa-me, porque mesmo depois de ir estou aqui te implorando por isso.

Com eterno amor,

Sua mamãe.

Notas finais
Ao Hal Hudson e a Vee peço desculpas por não responder a vocês, estou completamente sem palavras para ambos os comentários! Vocês sabem que sou MUITO emotivo e me fazem essas falas tão belas! Obrigado a todos os outros que comentaram: Giovana Potter, Bella Hanes, Marshall Lee, Nora Norran,
Hinata Uchiha e Mililika! ♥