Setembro de 94'
3 Garotos.
Notas iniciais
Setembro de 94’
Por ProngsPink.
“Disseram-me quando um garoto beija uma garota, faz uma viagem ao redor do mundo. Bem, eu falo sobre os garotos, vocês sabem o que eu quero dizer, garotos. — Aaaah, garotos, como um feixe de alegria!”.
– Boys, The Beatles
Quando aquele cara abriu a porta eu logo pensei que merda eu estava fazendo em ir ali. – Okay, eu já tinha pensado nisso, mas agora é diferente. Tipo, o homem que parou no batente da porta me atendendo não foi o adolescente que andava com o meu irmão, foi um homem! Um homem muito bonito se quer saber.
Ele foi ate que simpático comigo, mesmo que por apenas um segundo eu tenha pensado que a minha querida mamãe não tivesse avisado. Ele logo me chamou para entrar e mostrou o apartamento.
– Aquele lugar era incrível, mal cuidado, mas incrível. No teto tinha umas garrafas coloridas e muitas lâmpadas. Se da porta você olhasse para a esquerda viria uma estante gigante com varias tralhas e no fundo dela veria uma janela que batia de cima a baixo, não dava para ver muito bem, pois duas grosas cortinas a tampavam do sol. Entre a estante e a janela encostada na parede estava um sofá antigo de madeira e tecido bem grande, deveria caber umas cinco pessoas sentadas ali. De frente estava uma televisão também com cara de ser bastante antiga. Bem, do lado que eu estava atrás da estante, se encontrava um piano negro e alinhado a ele um violão e alguns outros instrumentos musicais.
Havia vários pufes largados pelo lugar, assim como quadros onde a maioria a pintura era de arvores sem flores, e também fotografias.
Ele passou por mim e apontou para um corredor do outro lado falando algo sobre o meu quarto ter que ser o antigo do meu irmão, não prestei lá muito atenção, estava mais ligado em tudo que tinha na casa.
Havia várias portas, uma era o banheiro publico, outro uma espécie de atelier (muito bagunçado por sinal e tinha cheiro de tinta – Argh!). Na próxima porta tinha um quarto cheio de coisas estranhas, que ele não perdeu tempo em explicar que era para revelar fotos. Depois, em frente a este estava o seu quarto, Diego não abriu a porta apenas disse. E por fim, ao lado dele o meu futuro ninho.
“E aqui é o seu” afirmou, abrindo a porta para que eu pudesse entrar e olha-lo. – Assim que a madeira saiu da minha frente o cheiro forte de perfume, como se aquele lugar não fosse aberto há séculos, me invadiu. Eu conhecia aquele cheiro, era o perfume do Guilherme, a qual ele encharcava as suas coisas e deixava o nosso antigo quarto com um fedor horrível, em minha opinião é claro.
“Oh, desculpe, eu nunca arrumei esse lugar depois que seu irmão foi embora. Desculpe!” É cara, eu percebi.
Diego entrou no meio daquele odor horripilante, que faria um elefante morrer e fechou a porta me deixando sozinho no meio do corredor.
Muiiiiito legal a vida! Puts! – O cara me deixa aqui, sozinho. Eu sou um desconhecido numa casa desconhecida, eu posso roubar o que eu quiser. Ou plantar umas drogas por ai e chamar a policia para incrimina-lo. Homem besta!
Claro que não ficaria ali sem fazer nada, fala serio. Corri ate a sala e me sentei no sofá, que de velho tinha de confortável. Okay, o que eu faria agora? Esperaria ele sair de lá, sabe-se o que ele foi fazer lá ou me sentia em casa? Ele não havia dito esse último.
Olhei mais uma vez para janela. Era um baita desperdício ter uma coisa como essa em casa e deixa-la fechada. E eu sendo um cara que gostava de ajudar fui ate a janela e abri as cortinas. Assim que fiz, o sol passou pelas aberturas de madeira invadindo todo o apartamento.
Os raios de luz pareciam dançar pelo cômodo, passavam da janela pelas entradas vazadas da estante. Corriam pelos livros e discos sussurrando entre as paredes. As garrafas no teto brilhavam contrastando contra a luz natural. Aquilo dava uma paz no ambiente que chegava a ser assustador.
Não pude resistir. Coloquei minhas pálidas mãos na maçaneta das portas, as girei e abri um rápido click. – Não havia percebido que estava de olhos fechados ate abri-los junto à porta e ver o sol bater contra meu rosto, acariciando minha pele. Entrei na sacada e olhei para frente, bem ali, atrás daquelas portas, assim como nos livros de Nárnia, estava um paraíso. Arvores gigantes que ultrapassavam a janela davam graça, suas folhas verdes quase brilhavam. O tronco amarronzado estava tão perto que meus dedos os tocavam. Entre elas eu podia ver uma cachoeira tombando água, fazendo-me perceber seu barulho apenas naquele momento.
– Era lindo. Como diabos alguém conseguia deixar as portas daquele lugar fechadas?
Sobressaltei ao ouvir passos em minha direção, sem tempo à única coisa que pude fazer foi me virar mais rápido que o fash e rezar para que não tenha feito nada de errado. – Assim que dei as costas aquela imagem vi Diego a minha frente, parado e serio. “Desculpe, eu não queria ser enxerido, mas esse lugar estava implorando por luz...” comentei baixo. Estava com friozinho na barriga que parecia me avisar que não deveria ter aberto aquela janela. Tentei ignorar.
Diego mais uma vez naquele dia passou por mim indo em direção, desta vez, a janela e parou na entrada da mesma. Parecia pensar. Suas costas estavam rígidas e ombros duros, os braços desciam ao lado do corpo e as mãos fechadas em punho. Aquele paraíso ao que parecia não dava muitas boas lembranças.
“Tudo bem abrir isso aqui às vezes.” Sua voz de primeira me assustou, mas por algum motivo que ainda me é desconhecido me acalmei assim que o ouvi continuar. “Essa casa não pertence a um vampiro, certo?”.
Esse homem encostado no batente da janela de braços agora cruzados e cabeça inclinada de lado se apoiando na madeira lembrava-me uma sombra. Um borrão do que um dia já foi. Mesmo que eu não o conhecesse podia ver que o que estava ali não era ele, pelo menos não por completo. Alguma coisa o faltava.
“Seu irmão, Guilherme, adora esse lugar...” E só talvez, bem talvez, aquilo que havia despedaçado esse cara estivesse obvio e eu só não conseguia enxergar.
O vi tirando um maço de cigarros do bolso de trás da calça e acender um. Eu estava sem cigarros, não fumava já fazia algumas horas e eu realmente necessitava de uma tragada.
Sem pensar fui ate ele e coloquei uma das minhas mãos em seu bolso e tirei o maço pegando um para mim, levei a boca e em um reflexo acendi a ponta do canudo com o cigarro que pendia dos lábios dele. “Então... Posso ficar?” perguntei baixo de modo que apenas nós dois, se tivesse mais alguém que não tinha, pudesse escutar.
Não obtive nenhuma resposta oral dele, apenas um aceno de cabeça.
Eu não tinha ideia do porque, mas esse cara aqui me incomodava, não de modo ruim, mas de modo que eu sentisse que precisava ficar ali, naquele apartamento. Parece doidera, né?
“Você igual o seu irmão.”
...
Notas finais
Queria agradecer a todos que estão acompanhando a estória.
Keyla Magalhães, Vee, Jessysodre, Hello Sunshine, Hinata Uchiha. E também a Obscene, kevin tomlinson e novamente a Hello Sunshine que favoritaram. Obrigada a todos de coração! - E mais uma coisinha, não esqueçam de visitar o grupo "Fanfic também é leitura." no facebook, okay?
- Hey, já vai? Deixa um comentário ai me dizendo do que achou ;)
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