Notas iniciais
Obrigada a Vee e a MihVishouskuekuatsheu que favoritaram a estória. Boa leitura!

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Setembro de 94’

Por ProngsPink!

“Agora Gabriel toca piano Todas as sextas em Hollywwod. E eles me levaram para vê-lo e me perguntaram se iria tocar alguma canção. E eu cantei com todo o meu poder, e ele disse: Diga pra mim, você é uma criança cristã. E eu disse ao homem que era, nesta noite”

– Walking In Memphis, Cher.

Havia se passado semanas da minha chegada aquela casa. As coisas já tinham dado uma mudada desde o dia em que cheguei. Aquela cara de morte que o apartamento se encontrava, bem, eu dei um jeito, infelizmente não por inteiro, já que o dono não disse nada sobre poder ou não fazê-lo. – O que admito ser frustrante, a casa pede por luz, mas a janela principal não pode ficar aberta durante muito tempo, Diego se estressa fácil com ela. Chega ser bem tosco.

Quer saber, o ruivo reclama demais. Tudo era motivo de ‘Lucas, por favor, poderia parar de fazer isso’ ou ‘Garoto, faça isso’, ‘Você por acaso é uma alga?’ – Esse último, por exemplo, foi simplesmente ridículo. O cumulo do cumulo! Que é? Estou falando seriíssimo. Diego me chamou de alga à toa, sem motivo nenhum.

Eu estava sentado no sofá, muito confortavelmente se deseja saber, quando ele apareceu na hora do almoço batendo a porta da entrada quase colocando o prédio todo no chão. Passou como um furacão por mim sem nem ao mesmo dizer oi, apenas ultrapassou a estante a passos largos xingando ate a vigésima geração de algum homem de família. – Depois de alguns segundos, aos quais eu fiquei olhando para a entrada do corredor, foi que ele apareceu novamente e gritou com todo o fôlego, que nem acredito, que tinha nos pulmões: “Você por acaso é uma alga?”.

O que eu fiz? Olhei para ele como se alguma espécie rara de hipopótamo tivesse acabo de ter nascido pelo seu nariz. Com outras palavras, o olhei como quem não entende nada do que estava acontecendo, o que de certo modo era verdade. – Por incrível que pareça ele se irritou ainda mais pelo meu silêncio e decidiu gritar por nós dois.

“Faz exatamente duas, duas, semanas que você esta aqui. Duas!” Eu sabia disso, eu sei contar, pelo amor de Deus. “E nessas duas semanas, inacreditavelmente, diferente de uma pessoa normal que vem morar de favor na casa de alguém você ficou sentado com esse traseiro gigantesco no sofá sem fazer absolutamente nada.” Isso não é verdade! Eu estava fazendo várias coisas. Durante todo esse tempo eu tive a decência de não trazer nenhum ser humano para dentro daquela casa para que isso não ofendesse o cara. E, claro, havia feito uma compra maravilhosa para a coitada da geladeira que estava fazia, assim como o armário. As únicas coisas que tinham para comer eram um bando de frutas e umas paradas com nomes suspeitos. Já eu, sendo sempre útil, fui ao mercado por aqui perto e comprei comida, comida de verdade, tipo cereal, biscoitos, achocolatado, refrigerante e o mais importante, porque também não tinha – um erro horrível – carne! Comida de gente, de ser humano.

Diego continuou tagarelando por longos minutos. E tudo como se eu fosse uma pessoa muito errada que não fazia nada o dia todo, uma ameba cor de rosa espalhada no tapete.

“Olha Lucas...”, o mais velho parecia realmente serio, e sentado ali no sofá com a estante vazada entre nós eu podia ver claramente uma veia pulsando de nervoso, “Eu não quero ser chato ou algo do tipo, mas...” continuou, antes dando um suspiro pesado “Se você não tomar um jeito eu não vou aguentar. Desculpe, eu tentei durante essas duas semanas, eu fingi não ver que você ficava sentado do mesmo jeito da hora que eu saia de casa ate a que chegava. Fingi não ver a quantidade desnecessária de copos e pratos na pia da cozinha, todos sujos, nenhum lavado.” Seus ombros caíram em derrota ou de cansaço talvez, ele veio ate mim e eu não pude impedir de encolher no lugar com medo de que ele me batesse ou algo do gênero, mas Diego apenas se sentou ao meu lado no sofá antigo.

Fiquei olhando para ele como um bocó. No fundo sabia que não passava de um abusado e preguiçoso, mas não admitiria isso nem sobre tortura. – Não queria fazer aquilo, ainda mais para esse cara, que sem ao menos ter a obrigação, me recebeu em sua casa de bom grado. Mônica sempre reclamava das mesmas coisas, vivia resmungando igual uma velha pela casa que eu era um acomodado que apenas dava despesas e mais nada. Isso, para a minha linda felicidade, piorou bastante quando descobriu que meu hobby era agarrar outros homens. Além de alga, também virei um viado que só sabia dá bunda.

Humilhante, né?

Abaixei meu olhar, fitando o colo de Diego sem realmente vê-lo. As coisas dentro de mim martelavam, flashs dos quais eu tinha certeza ser lembranças da minha mãe me mandando ser alguém e viver a vida sem empatacar com a dela. Estava fazendo o mesmo com o ruivo aqui, do mesmo jeito que fiz com a mãe, eu estava fazendo com ele. A diferença é que Mônica, sendo mãe, aguentou vinte dois anos, já o homem que nada meu é, perdeu a paciência em duas semanas. Bem justo, não acha?

Subi meus olhos cinzentos para os seus castanhos claros para depois fecha-los e respirar bem fundo e abri-los novamente, disse: “O que posso fazer? Sabe, pra não te encher? Você é um cara legal...” cocei a parte de trás da cabeça em nervosismo e tentei continuar, “Não quero te dar trabalho – Você nem tinha que me ter aqui, morando com você e... Desculpa.”.

Diego levantou em piscar de olhos e foi ate a televisão ligada e a desligou. Virou para mim em um rodopiar de corpo, tirou os óculos que usava esfregando a mão livre nos olhos que estavam descobertos e mais uma vez voltou para mim. “Que tal, pelo menos, você arrumar um emprego?”.

“E-emprego?” Odiava essa palavra. Como as pessoas conseguiam fazer isso, essa coisa que começa com E? Me dava arrepios no corpo todinho só de pensar em trabalhar. Era cansativo e chato, ninguém tinha tempo para nada depois que entrava nessa... Parada. – Ain credo!

“Lucas, você não pode ficar aqui sem fazer nada, arrume um emprego de meio período e volte para a faculdade.” Ele só pode estar brincando, certo? “Você com certeza não ficara aqui à toa.” E com isso deu meia volta e foi ate o corredor mais uma vez, provavelmente indo ao quarto, mas antes de sair da sala virou a cabeça para mim e disse serio, sua voz nada além de um sussurro rouco e curto: “Ou você arruma um emprego de tempo integral ou arruma um de meio período e volte para a faculdade. Diferente da Dona Mônica, eu não vou sustentar um pirralho.” E, enfim, saiu.

Eu poderia ignorar ele como fazia com a mamãe, não seria difícil. Mas alguma coisa dentro de mim dizia que isso não seria a coisa mais inteligente a ser feita e também... Eu não sei o porquê, mas não queria desaponta-lo ou decepcioná-lo.

Tombei a cabeça para trás apoiando no encosto do sofá com singelo panft. As garrafas no teto dançavam devagar com o vento e a luz refletida da janela, agora aberta, começavam a me dar sono. – Faz duas semanas que sai de casa. Duas semanas que não vejo nem sombra de Guilherme e nem de Eduardo, meu pai, e Mônica. E só agora, no silencio do momento, cheio de caraminholas na cabeça, que percebi que estava com saudades. Faz apenas duas semanas. Nesse período curto de tempo um cara que quem olhasse de fora pensaria que era um metido a artista que queria a dependência da alma humana ou maluquices assim, gritou comigo ate não ter mais fôlego.

Foi um ultimato. Emprego de oito horas ou emprego de metade e ainda faculdade. – Sorri. Ele nem me conhecia e já estava conseguindo fazer o que ninguém em toda a minha existência conseguiu.

Meu sorriso aumentou nos lábios, quase chegando aos olhos.

Não tinha reparado antes, mas ele era ruivo. Tipo, ruivo de verdade. – É claro que dava para perceber que tinha o cabelo claro, mas parecia um castanho dourado meio chocolate quando cheguei ou quando ele ia com o Gui ate lá em casa, nesses dias eu percebi que não. São vermelhos, quando a luz forte bate da para ver direitinho que são vermelhos. Fios longos ate a nuca vermelhos, as pontinhas que batiam no pescoço levemente enrolados. Combinam com a pele dele, assim como as pintinhas de sardas que tinha pelos ombros largos ou as que, mesmo claras, podia ser vistas na ponta do nariz e das bochechas.

Creme com flocos e calda de melado. – Meu sorvete favorito.

Não resistir, o riso que estava preso na garganta foi solto ate que virou uma gargalhada.

Eu definitivamente gostava de vermelho.


...

Notas finais
Bem, desculpe pelos erros, eu acabei de escrever esse capítulo, dei uma revisada, mas como é quase uma da manhã eu to meio grogue já - uhsuahsuha'. Esse capítulo não era para sair hoje e sim quinta, mas como a ideia ta brotando, postei esse agora e depois posto um sexta, pode ser?
Obrigada a Hinata Uchiha, Vee, Mililika, Hello Sunshine (tomara que você tenha recebido o meu MP com a resposta do review ): ), Vivi chan e xGoldenFairy por comentar, acompanhar e pelo carinho. Beijocas especiais a vocês! xx ~