Sete Dias

2 Primeiro Dia


Notas iniciais
E o primeiro capítulo está aqui, trazendo o primeiro dia com Sakura e Gaara sob o mesmo teto! :) Muito obrigada pelos reviews, favoritos (♥) e acompanhamentos já no prólogo! ♥ Desejo-lhes uma boa leitura. ♥

Bem, as coisas estavam se saindo melhores do que o imaginado para Sakura, e ela não sabia se aquilo era bom ou ruim. Até mesmo porque era difícil tirar conclusões durante as cinco horas de Gaara em Konoha, e nem dez minutos dessas ditas horas foram passados com ela.

Mas de fato, os dez minutos em que Sakura teve a oportunidade de ver Gaara foram excelentes. Sem borboletas no estômago, sem flashbacks mentais de cinco anos atrás, sem qualquer constrangimento verbal ou físico... E era tão óbvio que seria assim, principalmente pela convicção da médica de que ela era uma adulta e que seus tempos de Sakura-fã-do-Sasuke-que-desmaia-a-cada-vez-que-ele-fala-com-ela haviam se dissipado por completo. Claro, ela ainda era o tipo de menina que chorava vendo filmes de romance, desabafava no ombro de Ino cada vez que um relacionamento com algum rapaz legal não dava certo e que acreditava no que os horóscopos diziam sobre o futuro amoroso do signo dela mas, felizmente, a época de se empolgar com qualquer contato com algum antigo interesse romântico já tinha passado.

Naquele fim de tarde, logo após acabar seu turno no hospital, Sakura passou no mercado e comprou o que achava necessário para preencher a geladeira e preparar o jantar daquela noite. Ao chegar ao apartamento, passou a preparar o cardápio da noite, decidindo acompanhar o sukiyaki com arroz, tamagoyaki, sopa miso e chá-verde.

Quando Naruto e Gaara chegaram, o silêncio feliz de Sakura foi tomado por muito barulho por parte do loiro, que nunca conseguiu entender o significado de falar baixo (ou calar a boca). Era até engraçado observar a tagarelice de Naruto em contraste com as monossílabas de Gaara, que era apresentado aos cômodos do lugar.

Após o retorno da dupla para a sala, que era dividida com a cozinha por uma bancada grande, Naruto soltou um muxoxo, lamentando algo que ele, com certeza, reclamaria para ela. Sakura já preparou os olhos para serem revirados...

— Poxa, Sakura-chan, por que você nunca faz esse monte de comida para mim quando estamos só nós dois aqui?

… e os revirou.

— Porque eu não sou sua empregada e você tem dois braços para fazer sua própria comida quando quiser. Pena que você nunca os usa e prefere comer ramen instantâneo, não é? Além de eu quase sempre comer no caminho para casa e não precisar preparar nada para mim. — Apontou os fatos enquanto erguia as sobrancelhas, desafiando-o a contestar. — E sem contar que hoje temos o Gaara aqui e eu não deixaria ele comer comida de microondas. Passou bem o seu dia? — perguntou ao hóspede.

— Tirando a parte das reuniões que sempre acabam em brigas desnecessárias por culpa do Conselho, passei. Obrigado pela hospedagem — respondeu com sua educação que chegava a ser incômoda.

— Que isso! Finalmente você aceitou o meu convite, depois de eu tanto insistir. Sabe, eu tenho até sorte que só vou virar Hokage quando a Vovó aposentar daqui uns anos, pois só de pensar nessa parte diplomática eu quase desisto. Eu preciso te contar de um sonho muito estranho que tive onde eu estava no meu escritório de Hokage e...

Sakura parou de prestar atenção no que Naruto dizia logo que ele voltou a tagarelar para o pobre Gaara e se focou em apagar o fogo da sopa, que quase ferveu demais por ela estar muito ocupada apreciando os olhos azuis do rapaz.

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O jantar foi mais normal do que poderia se esperar: Naruto encontrando diversos assuntos, ele e Sakura levando a maior parte da conversa e Gaara parecendo se divertir com o contraste dos dois amigos.

A garota estava lavando a louça (Naruto havia fugido com a desculpa que precisava ajudar Kiba com “um negócio”, aquele idiota) e pensando nos biscoitos que ela precisava assar para Hinata como forma de agradecimento por aquele pedaço de bolo divino que a Hyuuga havia dado para ela quando sentiu a presença de mais uma pessoa na cozinha.

— Eu vi que você tinha muita louça para lavar e vim ajudar — explicou Gaara, se aproximando.

— Deja vú — brincou a outra, dando espaço para que ele pudesse enxaguar a louça já ensaboada. — Era para o Naruto fazer isso, mas ele sempre consegue fugir.

— E você briga com ele sobre isso?

— Não, mas ele percebe que eu não estou nem um pouco feliz quando ele sente a morte lenta vinda do molho de pimenta que eu coloco em cada uma das cuecas dele. Ele tem que lavar uma por uma com as mãos, pois ele tem medo da máquina de lavar desde que conseguiu inundar ela duas vezes — disse, orgulhosa. — Ele limpa a casa por umas três semanas por pura vontade própria, depois disso.

— Cruel, porém efetivo. — O maior deu um sorriso discreto, porém divertido. — A Temari uma vez se vingou do Kankurou tirando fotos dele em momentos constrangedores, fazendo várias cópias e espalhando pelos postes e paredes da vila. Ele nunca mais fez nada para aborrecer ela depois disso.

Sakura riu, divertida. Ela podia ser vingativa, mas Temari era bem pior, fosse com seus inimigos ou com o seu próprio irmão.

— Seus ensinamentos médicos ajudaram muito em Suna. Depois que você foi lá, a quantidade de pessoas interessadas em aprender ninjutsu médico aumentou consideravelmente — Gaara contou casualmente.

Okay, Gaara estava tentando puxar assunto, coisa que ele não havia feito nunca, nem mesmo com Naruto na presença dos dois e fazendo o possível para conversar sem parar. Tal ato deixou Sakura atônita por alguns segundos, encarando Gaara por mais tempo do que ela deveria, porém ela logo recuperou a compostura. Se uma pessoa de poucas palavras tentava conversar mais, quem era ela para negar os pequenos prazeres da vida?

— Fico feliz em ter ajudado. Eu também aprendi bastante enquanto estive por lá. Conhecer um pouco mais da fauna medicinal de Suna ampliou bastante os meus conhecimentos sobre farmácia — disse a garota — espero que, no futuro, novos intercâmbios possam acontecer entre ninjas mais jovens que querem aprender sobre todas as áreas de jutsu.

— Seria ótimo para ambas as vilas.

E, novamente, o assunto morreu.

Os dois terminaram de lavar e secar a louça em silêncio e Gaara observou Sakura sair da cozinha enquanto ela dizia um “fique à vontade”, pegar um livro médico em sua bolsa e se sentar em uma poltrona para lê-lo.

O Kage observou os movimentos graciosos que a mulher de cabelos róseos fazia, seja colocando o cabelo atrás da orelha, umedecendo os lábios com a língua ou trazendo as duas pernas para caberem inteiras na poltrona do jeito que ela estava sentada. Ele já havia reparado, cinco anos antes, que Sakura era muito bonita e que atraía a atenção das pessoas por onde passava com a sua inteligência e gentileza e agora, tanto tempo depois, ela parecia estar ainda mais encantadora do que antes. Se ele pudesse conhecê-la melhor durante esses sete dias...

Piscou um par de vezes ao perceber o quanto sua cabeça estava viajando para pensamentos desnecessários. Tentando focar sua mente em outras coisas, Gaara saiu da cozinha com a intenção de tomar um banho quente e dormir. Ele teria um longo dia amanhã na Torre da Hokage, afinal.