Sete Dias
3 Segundo Dia
— Gaara e Sakura-chan, me desculpem mesmo!
Naruto, com as palmas das mãos juntas e cabeça abaixada, pedia desculpas aos dois amigos. Tsunade havia requisitado sua presença em seu escritório uma hora antes e deu-lhe uma missão de emergência: Jiraiya precisava dele o mais rápido possível no sul do País do Fogo para resolver algo que ele não podia contar para Sakura ou Gaara.
— Tudo bem, Naruto, você não tem culpa. Só tome cuidado na missão e me prometa que não vai fazer nenhuma loucura, ok? — pediu Sakura com um sorriso neutro.
— Certo. Cuida do Gaara enquanto eu estiver fora! Volto em cinco dias. Tchau, Gaara!
Sem dar tempo para que os dois respondessem, o rapaz entregou a chave de casa dele nas mãos de Gaara, colocou sua mochila nas costas e saiu de casa com uma pressa preocupante.
Ok, agora a situação havia ficado muito estranha. Sakura e Gaara ficariam sozinhos por cinco dias, por mais que na maior parte do tempo eles não fossem nem sequer se ver. Mesmo assim, quem deveria manter um clima amigável e fluído era Naruto, que agora estava partindo para uma missão que duraria quase que o tempo inteiro que o Kazekage fosse ficar em Konoha.
Os dois jovens se encararam e desviaram o olhar rapidamente, pensando na mesma coisa. Deram desculpas esfarrapadas de que tinham coisas para fazer – e de fato, tinham, mas o sol tinha acabado de nascer e eles tinham mais algumas horas antes de precisarem ir trabalhar – e foram para os seus quartos, um tanto quanto constrangidos com a situação.
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Sakura saiu do hospital sem pressa no fim da tarde. Ela passaria na Pedra Memorial, como fazia sempre, para prestar condolências à Anko, que havia morrido meses atrás. Fora uma época difícil para a kunoichi, que perdeu duas pessoas importantes em um curto espaço de tempo.
No caminho até o campo de treinamento onde o monumento se encontrava, Sakura identificou os cabelos vermelhos de Gaara andando pela direção oposta. Ele também a viu e esperou a iryou-nin se aproximar.
— Estava voltando para casa? — perguntou ao rapaz logo depois notando como aquilo havia soado estranho. Aquela não era a casa dele, afinal. Gaara não pareceu reparar naquilo.
— Estava. Você não?
— Eu ia daqui a pouco, mas quero passar na Pedra Memorial antes. Quero prestar respeito a uma amiga — explicou ao outro.
Gaara ficou em silêncio por um tempo longo o suficiente para ser desconfortável, mas também não pareceu querer voltar a andar. Quando Sakura começou a ensaiar uma despedida sem graça, ele finalmente voltou a encará-la.
— Você se importaria se eu fosse com você?
A pergunta pegou a kunoichi de surpresa. Sem entender ao certo o que Gaara queria fazer na Pedra Memorial, disse que não se importaria.
Os dois fizeram o caminho até o lugar em um silêncio que, daquela vez, não os incomodou. Ambos repararam nisso, porém não se importaram em saber o motivo e apenas aproveitaram para se perderem em seus próprios pensamentos.
Ao chegarem na frente do monumento, Sakura se ajoelhou e, em silêncio, conversou por uns bons momentos com Anko. Também prestou respeito aos pais de Naruto, aos antigos colegas de time de Kakashi e ao Terceiro Hokage. Mesmo que o nome de Sasuke não estivesse gravado na pedra, ela rezou por ele, como sempre fazia.
Quando terminou suas homenagens, abriu os olhos e moveu-os para Gaara, que ainda prestava seu respeito por seja lá quem fosse. Ela esperou pacientemente que ele terminasse e, quando ele também abriu os olhos, mostrou-se pronto para ir embora.
A dupla se levantou dali e, logo quando começaram a andar, Sakura resolveu tirar suas dúvidas.
— Gaara, você tem algum ente querido com o nome cravado no monumento?
— Não, eu não tenho — ele respondeu. Vendo que Sakura não queria uma resposta plana, voltou a falar. — Quando você disse que vinha até aqui, eu achei uma boa oportunidade para prestar minhas condolências aos shinobis que foram mortos no ataque de oito anos atrás, no Exame Chuunin. As coisas se ajustaram depois e Suna e Konoha até mesmo se tornaram aliadas, mas eu sei que grande parte daquilo foi culpa minha e achei que eu mesmo deveria rezar pelas vidas que foram perdidas.
Sakura viu o desconforto de Gaara ao falar abertamente sobre aquilo, principalmente com ela. Os dois se lembravam perfeitamente do ataque de Oto e Suna à Konoha, em especial o confronto mais pessoal do Time Sete contra um Gaara cheio de ódio e sede de sangue. Eles se lembravam que o Kazekage havia quase matado Sakura, sem nenhum medo, e que aquela era a principal fonte da dificuldade do homem de conversar sobre isso com ela.
Ela não guardava rancor algum, no entanto. Sakura nunca fora alguém amargurada ou que guardava mágoas e, vendo a atitude nobre do shinobi de Suna e o quanto ele havia se redimido e mudado (por mais que já soubesse de tal fato desde quando foi para a vila no meio do deserto), abriu um sorriso verdadeiro. Um daqueles sorrisos que fazem os olhos fecharem um pouco e as maçãs do rosto se acentuarem, que mostram o quanto uma pessoa está feliz com alguma coisa.
Uma sensação engraçada tomou conta do interior de Gaara e fez o seu coração bater um pouco mais rápido. Ele entendeu, com aquele gesto, o que Sakura não conseguia colocar em palavras. Sem perceber, ele sorriu de volta.
Sakura era tão bela por dentro quanto por fora.
— Eu sei que você já teve ter comido ramen no Ichiraku todas as vezes que você veio aqui por causa do Naruto, mas que tal jantarmos lá hoje? — a garota propôs, aproveitando a mudança de clima repentina deles.
— Tudo bem. Eles ainda têm aquele com porco, ovos e brotos de bambu?
— Tem, sim! Também é o meu favorito. — Sakura sorriu pela coincidência e os dois caminharam até o Ichiraku.
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— Olhe só, a Sakura-chan trouxe um convidado especial hoje! Onde está o Naruto? — perguntou Teuchi com o sorriso gigante de sempre.
— Ele está em missão, Tio. Daqui alguns dias ele aparece aqui de novo — Sakura explicou, igualmente sorrindo. — Por hoje, somos só eu e o Gaara.
— Vocês estão namorando?
— Ah, não! — Sakura abanou suas mãos em sinal negativo, vermelha como sua blusa. Gaara parecia tão sem graça quanto ela. — Nós não estamos…!
— Ah, sim. Bem, vocês fariam um casal muito bonito. Parecem se dar bem. — Prosseguiu Teuchi, inabalado pelo desconforto da dupla.
Os dois jovens se encararam e, entre as bochechas coradas de vermelho e vergonha, sorriram desconcertadamente um para o outro.
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