Set Fire To The Rain
3 Capítulo 3
Notas iniciais
nos vemos lá embaixo!!!
Capítulo 3
O silêncio era constrangedor. Elena sentia que naquele momento se qualquer palavra fosse dita não conseguiria mais segurar o choro. Tentou se concentrar no ronronar suave do motor do Audi para se esquecer de seus olhos inchados por trás dos óculos escuros. Mas a distração foi passageira. O carro parou e, com o barulho do tilintar das chaves, foi desligado. Encolheu-se mais na jaqueta de couro grande demais para ela. Virou o rosto para a sua direita e mirou a fachada branca com as venezianas de sua casa. O nó na garganta estava de volta, impossibilitando-a ainda mais de falar. Pôde sentir através do couro os dedos frios de Damon afagando seu ombro. Virou-se por reflexo. Ele não usava óculos escuros, então foi fácil ver a tristeza no seu semblante. Vestia um suéter de lã preto de gola alta com um blazer, também preto, por cima. Afastou os cabelos dela sem necessidade e prendeu uma mexa atrás da orelha. Deu um leve sorriso e destravou as portas encorajando-a a sair do carro.
Os dois saíram juntos do veículo, se dirigiram para a varanda e atravessaram a porta de entrada. O interior estava iluminado por luz artificial já que as janelas e as cortinas estavam fechadas, impedindo que o frio cortante do inverno entrasse e permitindo que o sistema de calefação aquecesse a casa. Um batuque de saltos altos contra o chão de madeira foi ouvido e Caroline, com seus cabelos loiros e rosto em forma de coração, apareceu no hall de entra. Usava um vestido escuro de mangas compridas, meia calça e sapatos fechados, que lhe davam um ar de seriedade incomum a ela. Abraçaram-se, a vampira tomando cuidado para não esmagar a amiga humana.
— Onde eles estão? – perguntou Elena no ombro de Caroline.
— Ali na sala. Vieram mais algumas pessoas além de Alaric.
Só então Elena percebeu uma movimentação na sala de estar. Entrou no cômodo e observou reconhecendo quem estava presente. Alaric estava sentado no sofá com a gravata frouxa e um copo de bebida na mão, e pelo seu rosto, não estava da primeira dose. Matt e Tyler conversavam aos sussurros em um canto. Alguns amigos do ano de Jeremy também estavam lá. Mas concentrou-se principalmente em Bonnie, que estava em pé ao lado do caixão de madeira. Elizabeth Forbes a consolava afagando os ombros e o cabelo da morena. Esta soluçava violentamente. Quando Elena se aproximou reparou nas profundas olheiras e nas bochechas encharcadas da jovem bruxa.
Elena estava pronta para abraçar-la, mas seu coração se apertou quando viu o rosto pálido e sem vida de Jeremy. Seus olhos estavam fechados e suas mãos entrelaçadas em cima do peito. Se o tórax estivesse se movimentando juraria que ele estava apenas dormindo. Mas não se movia. Não respirava nem tinha pulsação. Acariciou o rosto gelado do irmão, a temperatura era semelhante a de vampiros. O que era de se esperar já que estava morto. Ouvia agora os próprios soluços. Assim que começou a chorar, mãos grandes e frias a ampararam para que não desabasse sobre o corpo.
— O carro da funerária chegou. – sussurrou a sra. Forbes para Damon.
— Obrigado, Elizabeth.
Dois homens vestidos de preto da cabeça aos pés foram recebidos por Caroline, que os indicou o caixão. Depois de muita insistência, convenceram Bonnie a se afastar, mas não sem antes ela depositar um leve beijo nos lábios roxos de Jeremy.
— Eu te perdôo por tudo. E espero que também me perdoe, Jer. Desculpe por não ter aproveitado melhor nosso tempo juntos. Eu nunca vou me esquecer de você.
Beijou-o mais uma vez e deu espaço para que Elena se despedisse do irmão. Esta não conseguiu dizer uma palavra, apenas acariciou os cabelos de Jeremy e beijou-lhe a bochecha. Tudo o que saiu dos seus lábios foi um adeus incompreensível. Os funcionários da funerária fecharam o caixão e o carregaram com a ajuda de Damon e Alaric para o carro.
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As palavras do pastor não faziam sentido nenhum. Eram como sussurros longínquos. Elena não prestava atenção nem dava importância. Só tinha consciência das mãos de Bonnie e Caroline segurando as suas. Sendo que a primeira soluçava ao seu lado e a segunda limpava discretamente as lágrimas. Não conseguia mais chorar, seu corpo estava esgotado.Jeremy seria enterrado na cova reservada aos Gilbert, juntamente com seus pais e Jenna. Não fazia nem um ano e aquele buraco era reaberto. Sempre para se despedir de um membro de sua pequena família. Agora não sobrara mais ninguém. Era apenas ela. A última Gilbert.
Flores eram jogadas sobre o caixão junto com punhados de terra. Cada um dos presentes deixando uma última homenagem. Elena aproximou-se da cova sem soltar as mãos das amigas. Bonnie jogou uma rosa branca junto com um beijo soprado e Caroline repetiu o gesto da amiga, tirando a parte do beijo. Um volumoso buque de rosas vermelhas apareceu em frente o nariz de Elena, que virou rapidamente o rosto para ver quem lhe estendera as flores. Damon segurava os ramos induzindo-a a pega-los. Ela aceitou e imitou a bruxa e a vampira.
Os funcionários do cemitério terminaram e tapar a cova e as pessoas começaram a ir embora. Elena continuava encarando a lápide do irmão ainda com Bonnie e Caroline agarradas às suas mãos. Damon estava um pouco afastado, respeitando o momento do trio. Uma corrente fria de ar chamou a atenção de Elena fazendo-a erguer a cabeça. Reparou em uma figura esguia a uns 20 metros a frente. Por um momento pensou que seus olhos a estavam enganando e que era tudo fruto de sua mente perturbada. Mas não. Era Stefan observando o pequeno grupo. Usava uma roupa não muito apropriada para o tempo que estava fazendo. Uma camiseta com um leve cardigan por cima. Tinha as mãos preguiçosamente dentro dos bolsos da calça jeans e passava o peso do corpo de uma perna para outra, um sinal de nervosismo. Encarou Elena quando percebeu que ela o tinha visto. A jovem estava paralisada, os músculos tensionados. As memórias cobriram os seus olhos com a imagem de Stefan.
>Flashback
— Vocês não aprendem mesmo. – disse Klaus com sua voz soturna. – Estou sempre a um passo à frente.
Estavam no salão de festas da mansão dos Lockwood. Rebeka tinha conseguido convencer Tyler a chamar Klaus para um encontro de emergência. Ela se voltou contra o irmão desde que descobriu que ele assassinara seus pais. Estava sendo muito útil trabalhando como “agente dupla”, segundo Damon. Elijha e o resto da família também concordaram em se vingarem. Afinal de contas, Klaus os prendera em um caixão durante séculos. A emboscada deveria ser feita com o mínimo de pessoas possível. Em um lugar que não fosse público, evitando que Klaus conseguisse escapar ou ameaçar promover um massacre. Ele acreditou no chamado de Tyler e da irmã e inocentemente não trouxe os híbridos como guarda costas. Mas sempre tinha um truque na manga.
Stefan tinha o olhar vidrado. Seus caninos estavam expostos e havia várias veias escuras abaixo dos olhos. Bufava como um animal faminto que avista a presa, que neste caso era Jeremy. Estava caído de joelhos com as mãos atadas para trás. Seus olhos estavam aflitos e a respiração descompassada, gotas de suor escorriam por sua testa. O silêncio era mortal, tanto que Elena jurava poder ouvir os batimentos desesperados do coração do irmão. Os dentes do vampiro compelido estavam quase rasgando a pelo do humano. Uma ordem de Klaus e seria o fim.
— Solte o garoto, Klaus! Ameaçar matar-lo não vai nos impedir de destruí-lo. – disse Elijha num tom autoritário.
— Não é o que pensa a jovem Elena, não é mesmo minha querida? – perguntou enquanto rodava despreocupadamente o anel de Jeremy nos dedos.
Virou-se para Elena com um sorriso sarcástico e ela não respondeu. Não a estava ameaçando. “Quem ameaçaria a galinha dos ovos de ouro?” pensou ela ironicamente. Instintivamente, Damon postou-se na frente dela protegendo-a com o corpo. Ela esticou o pescoço para observar a situação. Rebeka estava a alguns passos atrás de Klaus, fingindo estar o apoiando. A vampira sabia muito bem conter suas emoções. Olhava a todos sarcasticamente assim como o irmão. “Uma verdadeira atriz”. Escondida em suas vestes estava uma adaga feita da madeira do carvalho branco, que Elijha conseguiu com muito esforço já que incendiaram a árvore séculos atrás. Apenas dois objetos desse foram fabricados, a que foi destruída junto com Mikael e a que estava com Rebeka, guardada a sete chaves durante anos pelos ancestrais de Bonnie. O plano era perfeito, até que Klaus hipnotizou Stefan e tomou Jeremy como refém. Não poderiam dar um passo em falso. Tinha que ser rápido, precisavam apenas de um segundo de distração.
- Eu vou matar... ou melhor! Stefan vai matar seu irmão e você não diz nada?
- Rebeka! – gritou Elijha.
- Agora! – ordenou Klaus virando-se para Stefan.
Durou menos de um segundo. Os olhos humanos de Elena captaram apenas vultos pela sala. Damon ainda a protegia, não ousou sair de perto. Gritos animalescos escapavam das gargantas dos vampiros e um intenso de dor vindo de Klaus. Tão rápido quanto começou o tumulto se dissipou. Klaus estava estirado no chão com a estaca cravada profundamente no peito. Sua pele adquiriu um tom cinza, de aspecto putrefato, e algumas rachaduras, como de um cadáver seco. Tyler era contido por Caroline e outro vampiro da família de Elijha, mas depois que seu amo foi morto ele se acalmou, comprovando que sua relação de servidão estava acabada. Elena voltou seu olhar para Stefan e se arrependeu no mesmo instante. Sangue escorria de seus lábios sujando a camiseta, sangue que não o pertencia. Ele olhava horrorizado para suas mãos encharcadas com o líquido vermelho. Seus olhos voltaram ao normal com o fim da hipnose. Agora eles expressavam as suas emoções, horror, choque. Mas esta foi de longe a pior cena que vira naquela noite. Inerte, aos pés de Stefan, estava o corpo sem vida de Jeremy.
>Fim do Flashback
Notas finais
espero que tenham gostado!
até o próximo e não se esqueçam de deixar um comentário!!!
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