Será mesmo uma missão...?
2 Cap. 2 - Orelhas e caudas.
Rin se espreguiçava na sua cama. Olhou em volta e não havia ninguém. Kuro, Yukio e Mato não estavam. Levantou-se da cama e lavou o rosto e começou a tomar banho. Assim que terminou saiu do hotel com uma roupa fresca e percebeu que seu grupo de amigos se divertiam em uma das barracas de camarão.
– Ela é tão fofinha!
Ouviu o comentário de Shiemi, quem era fofinha?
– Pega Mato!
Berrou Bon que jogava um camarão no ar. E Mato pegava no ar.
– Ooh! — E todos batiam palmas. — Ah, boa tarde Rin. — Disse Yukio.
– Oi... o que estão fazendo aqui?
Perguntou sonolento.
– Estamos nos divertindo com as habilidades da Mato.
Rin espantou-se, Mephisto já havia resolvido tudo como Diretor?! Ele parecia se empaturrar de camarão, até que ele parecia ter se lembrado de algo.
– Ei! Mato!
Chamou ele. E a garota veio correndo em sua direção.
– O que foi Johann?
Só ela podia chama-lo assim. Nem mesmo seu irmão o chamava. Parecia estranho chama-lo de Johann.
– Esqueci de lhe entregar isso.
– Minha katana! Obrigada Johann! — E ela o abraçou — Senti tanta falta dela...
Todos ficaram boquiabertos, ela tinha tamanha habilidade para usar uma katana?
– O que foi?
Perguntou ela um pouco envergonhada.
– Nada.
Responderam todos em uníssono.
– Como sabe usar a katana?
Perguntou Rin desconfiado.
– Johann me ensinou, ele também me ensinou algumas coisas básicas para se fazer fora de casa.
E Mato sorri, ela parecia ser tão calma. Até que Rin notou suas orelhas e caudas.
– O QUE DIABOS É ISSO?!
– Ela é uma meia-youkai. Ela já não consegue mais esconder a cauda. — Explicava Mephisto. — Como eu e meu irmão, ela pode se transformar em um único animal. Uma raposa.
– Eeeh! — Todos ficaram maravilhados. — Gostariamos de ver! — Disse Shiemi animada.
– Desculpe, mas eu ainda não sei fazer isso.
– Ainda não sabe, mas Yukio e Rin irão ajuda-la no treinamento.
Dizia Mephisto, e este pegou mais um camarão e deu para sua prima. Deu alguns afagos em seus cabelos e os Okumura perguntaram:
– Treinamento? — Perguntaram os dois em uníssono. — Desculpe Mephisto, mas não era só para cuidar dela? — Perguntou Yukio.
– O treinamento faz parte. Mas não se preocupem, eu irei ensina-la a controlar sua transformação e daqui um tempo Mato estará entre nós no Colégio Vera Cruz.
Muitos ficaram animados com a noticia — principalmente Renzo -, menos Rin, ele queria paz!
– Muito bem, quando iremos começar com esse treinamento?
Perguntou Rin com desgosto.
– No começo do ano que vem.
Respondeu Mephisto. Aquilo não era problema algum para o Diretor e nem para os outros, exceto para Rin. No começo, o mesmo até aceitara a ideia de ter que tomar conta de uma garota — muito bonita -, só que não imaginava que iria durar tanto tempo!
***
Rin e Kuro tiveram que ficar no hotel para tomar conta da Kuroi, Kuro não se incomodava nem um pouco. Pois o gato recebia vários afagos e pestiscos da garota. Diferente de Rin, que não parava de resmungar.
– Desculpe.
Disse Mato que percebera o quanto ele estava incomodado com ela.
– Por quê?
– Porque estou estragando suas desejadas férias e nesse momento você queria sair com seu irmão e seus amigos, mas por causa de mim não pode... por isso, desculpa.
O semblante calmo e alegre, se tornou algo vazio e triste. Mato não fazia por mal.
– Se Mephisto não tivesse me acolhido...
– Eu que deveria pedir desculpas, estou te julgando antes mesmo de conhece-la.
– Eh?
Kuro saltou nos ombros da garota, ela dá um sorriso acolhedor e começa a dar carinho na barriga do gato, fazendo assim com que ele durma.
– Ele dorme rápido, não? — Comentou ela com uma pequena risada. — Quer conversar Rin? Miha irmã dizia que eu tenho uma habilidade de deixar as pessoas felizes com minhas conversas e brincadeiras, não sei se devo concordar... tenho medo de acreditar nas pessoas, mas se foi a minha irmã que disse, então irei acreditar nela.
– Está bem, do que gosta de fazer?
– Hum... eu gosto de me aventurar, ajudar as pessoas. As vezes eu escalo em uma árvore para poder ver a bela vista, essa é uma coisa que adoro fazer.
– E que tipo de comida gosta?
– Eu não sei, mas eu lembro que minha mãe fazia bolos com feijão dentro, era incrível como aquilo podia se tornar algo doce.
– Música?
– Mú...sica? O que é isso?
– Quando determinados instrumentos criam belas melodias. Eu já volto. — Rin se levanta e trás um rádio, algo que Mato nunca viu na vida. — Isso é um rádio, é um aparelho de som que você pode colocar em estações de rádio que transmite música para determinados lugares.
– Eh! Que maravilhoso!
– Sim, devo concordar.
Rin começou pelas músicas mais agitadas, o que não agradou muito a garota. Depois para um estilo de sertanejo, os dois começaram a rir, era um estilo muito estranho para Mato, parece que os dois encontraram algo em comum. Depois passou para as músicas clássicas.
– Deixe aí... — disse ela calma. — É tão sereno...
O coração de Rin começou a palpitar. Mato parecia tão concentrada na música, fechou os olhos e disse:
– Feche os olhos, parece que está no mar.
E assim ele fez. Os dois pareciam felizes, Mato nem percebera a aproximação do garoto.
– Rin... qual é o seu maior desejo?
– Eh?
Rin abriu os olhos, mas Mato ainda os mantinha fechados.
– O meu desejo é poder algum dia proteger alguém, quando esse dia chegar e me desejo se realizar, daí saberei que será a minha hora de ir...
– NÃO!
Gritou ele. Mato se assustou e perguntou:
– O que foi Rin?
– Você não pode ir, se você conseguir realizar seu desejo você terá de passar o resto de sua vida ao lado da pessoa, não é? Isso não significa que o ama? Não será ruim se deixa-lo?
Mato ficou deslumbrada com aquelas palavras, então ela sorri e diz:
– Você tem razão Rin, caso eu encontre essa pessoa, irei querer passar cada minuto ao lado dela.
Dito isso, Rin se sentiu aliviado.
– Graças a Deus, acho que eu já descobri o meu desejo.
– Sério?! Qual é?!!
– Passar cada segundo ao lado da pessoa que eu amar.
E ele sorri.
– Isso é lindo Rin, não sabia que você tinha sentimentos tão lindos... isso me faz querer chorar.
– HEH!? — Mato começou a soluçar. — N-NÃO CHORE!
– Obrigada Rin... não estou chorando porque estou triste. São lágrimas de alegria.
***
Enquanto isso Amaimon e Mephisto observavam tudo da sacada do aposento.
– Eu irmão, será que não terá problema?
Perguntou o mais novo.
– Vamos ver... isso parece que terá um final interessante.
Dito isso, os dois desapareceram. Que tipo de final o destino lhes reservou?
Continua.
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