Será Que Serei Tão Julgada Assim?
6 1x06 - A Verdade Vazou
Notas iniciais
Andando pelo corredor ao lado de Puck com com direito a mãos entrelaçadas, percebo os olhares direto para nossas mãos e imagino o que estão pensando. Passo ignorando todos e ao chegar ao meu armário, o beijo. Senti-me estranha ao beijá-lo, não sei se é porque o gosto do batom de cereja da Rachel ainda permanecia, mas é assim que deve ser.
— Quinn, te vejo na sala do coral. — Diz Puck me beijando mais uma vez e vai em direção ao campo de futebol.
Sorrio para o mesmo e olhando atentamente aquela bunda gostosa se afastando de mim, volto a mexer no meu armário. Assusto-me ao ver uma mão fechando meu armário com uma força inacreditável, era Finn. O que ele queria? Não tenho mais nada com ele. Por que ele não me esquece. Pelo visto ele não vai largar do meu pé tão fácil que eu imaginava.
— Não acredito que você largou de mim pra ficar com o meu melhor amigo. Por que o Puck? O que ele tem que eu não tenho?
Ao ouvir isso, respondi mentalmente “Muitas coisas, nem te conto” e ele continuou o interrogatório chato e cansativo como sempre.
— Finn, nós transamos um dia antes de eu terminar com você. Não queria te iludir cada vez mais. E só pra constar, Puck tem pegada e eu gosto. — Viro a costa pro garoto e saio andando, mas logo volto minha atenção pro rapaz e continuo. — Ah, obrigada por fechar meu armário e vê se me esquece tá?! A Rachel está tão na sua.
As vezes me sinto uma completa de uma vadia sem coração. Eu tenho sentimentos pelo Finn, gosto dele como pessoa e tudo, mas a vadia que habita dentro de mim pede pra respirar as vezes.
Ao falar aquilo dou um sorriso sarcástico e encontro Santana e Brittany na pegação. Aquilo não seria de certa forma uma pegação, mas ficar abraçadas no corredor onde a escola vê a felicidade das duas ficou na minha cabeça o dia inteiro novamente. Ninguém estava lingando pelo o que estava vendo, ou aquilo já tinha virado rotina que ninguém mais se importava.
Estava demorando para a baixinha nariguda aparecer e estragar o meu dia. Lá vinha ela, “desfilando” no corredor com aquela cara de brava e sofrida como sempre. Apenas sorri e continuei andando, infelizmente na direção da garota que era para onde eu estava indo. Espero que ela não dê um escândalo e a escola inteira desconfie. Aproveitando que a garota estava se aproximando, dei uma olhadinha em volta pra ver se Jacob e sua câmera estava por perto.
— Por que o Puck? Você não gosta dele. Você gosta de mim. — Por mais que ela falou aquilo baixo, deu uma vontade de socar aquela cara. Respirei fundo, olhei pro lado, cruzei os braços e deixei que ela terminasse. — Você está fazendo um mal se escondendo de você mesma. Só por causa de um sexo casual com o Puck, todos vão acreditar que isso é verdadeiro?!
Fiquei nervosa e a joguei contra o armário.
— Cala a boca. Você não sabe nada de mim. Você não me conhece. E só por um beijo que não deveria acontecer você não pode me julgar. Se você está querendo uma relação com uma menina, se você gostou do que aconteceu, vá pegar a Tina ou ter um ménage 3 com Santana e Brittany porque eu gosto é de homem ok?! — Tentei falar o mais baixo possível, mas chequei se alguém estava ouvindo. Não havia ninguém cuidando da minha vida por incrível que pareça.
Segui o meu caminho deixando-a para trás, largada contra aquele armário. Minha vontade era de colocá-la num armário e a deixasse pelo resto do ano letivo, mas por outro lado era cuidar dela, protegê-la de tudo e de todos. Por que estou pensando nisso?! Chega, digo a mim mesma. Nunca irá acontecer Faberry, nunca.
No fim da tarde, ao começar a andar no corredor principal percebo olhares críticos voltados para mim. Não, não pode ter acontecido. Ninguém estava olhando tenho certeza. Nunca me senti tão envergonhada na minha vida, até quando eu era gorda feia cheia de acnes. Olhares e risadas, dedos todos apontados para mim como se eu tivesse voltado a ser gorda, só que dessa vez era muito pior. Santana e Brittany vinham em minha direção com o blog do Jacob aberto no celular de uma delas e me mostrou a noticia mais visualizada em menos de dez minutos. Rachel e Quinn, o novo casal gay do McKinley.
— Não se sinta envergonhada amiga, mas você deveria ter contado pra nós primeiro. — Diz Britt com ingenuidade total.
Lágrimas já começara a escorrer dos meus olhos, a única coisa era saber onde Rachel está. Como ela está. Puck me pegou por trás na frente de todos e me fez sentir mais mal do que já estava.
— Não acredito que você me fez de trouxa para esconder seu relacionamento lésbico com Rachel Berry.
Ao vê-lo gritando comigo e dando as costas para mim, bem na hora que eu mais precisava de alguém, aquilo me deixou muito, mais muito mal. Ninguém do clube estava ali para me ajudar a sair daquele tormento, deveria estar todos ajudando Rachel. Isso apenas durou cinco minutos, nem isso. No mesmo instante sai correndo, chorando, trombando em todos. Nunca mais quero voltar, nunca mais.
Ao chegar em casa, pedi pra minha mãe tirar o telefone da tomada e que não atendesse ninguém sem dar nenhuma explicação e subi para meu quarto, me trancando no mesmo. Minha vontade era de ligar pra Rachel, estava muito depressiva e queria ela comigo naquele momento. Passava pela minha cabeça se aquilo, um dia, ia afetá-la no mundo da Broadway. Mal passou alguns minutos ao pensar nela, recebi uma ligação da garota, mas não atendi e desliguei meu celular.
Fale com o autor