Será Que Serei Tão Julgada Assim?
7 1x07 - Apenas Um Motivo Para Continuar Viva
Não queria levantar na manhã seguinte, tudo estava acabado pra mim, mas tinha uma coisa que fazia me sentir mais forte, ser líder de torcida das Cheerios. Tentei no máximo não pensar em outra coisa a não ser na competição das Cheerios que acontecerá daqui duas semanas. Pronta para ir pra escola, sento um pouco de enjoo, coisa que nunca senti antes, nem ligo. Não é nada, pelo menos eu pensava dessa forma.
Ao começar andar pelo corredor principal do McKinley percebo que não há olhares maldosos voltados para mim então continuo agindo normalmente, como se nada havia acontecido. Até quando eu percebo que Becky estava atrás de mim.
— Treinadora Sue quer te ver agora! — Acompanho a garota até a sala da Treinadora.
Fiquei imaginando o que ela queria comigo. Se for pra saber por que eu e Finn não voltamos ainda, ela precisa ter calma. Não era isso. Ao entrar, Sue já se levantou e Santana e Brittany também estavam na sala.
— Nunca permiti o relacionamento entre Santana e Brittany dentro das Cheerios e todos sabem que Brittany é meio batida da cabeça e por isso precisa da Santana, mas agora saber que minha líder de torcida também joga no mesmo time é pra acabar. Vão pensar o que das minhas Cheerios?! Que todas são lésbicas? — Ela começou a falar e minha cabeça já estava surtada. Não conseguia mais permanecer naquela sala, mas Becky estava na porta então ela continuou a falar. — Bom Quinn, — ela respirou fundo – Você está fora das Cheerios e Santana te substituirá no campeonato.
— Mas Treinadora Sue, — chorando e revoltada tentei pelo menos dar uma explicação, mas ela não aceitou.
— Tire o uniforme e até o fim da tarde quero vê-lo na minha mesa. Agora se retire da minha sala.
Ao perceber que Becky estava com a porta aberta, eu saio correndo. Dei uma passada nos Achados e Perdidos, peguei um vestido que tecnicamente servia em mim e fui para o banheiro.
Ao sair do banheiro, os corredores estavam desertos. Todos os alunos já estavam em aula, apenas eu permanecia pra fora então resolvi não assistir nenhuma aula naquele dia e fui esfriar a cabeça no campo.
Fiquei ali por horas e horas, até que deu o ultimo sinal de troca de aula, que queria dizer, clube do coral. Resolvi também não assistir essa aula, mas eu percebi algo errado, alguns garotos do time de futebol estavam aprontando e com quem seria. Artie Abrams. Eles estavam levando o garoto até o banheiro masculino do campo e eu resolvi ir dar uma conferida de perto.
— Ei, parados. Deixe-o em paz. — Falo ao me aproximar dos meninos cruzando os braços. — Por que vocês não mexem com alguém normal. Não querendo te ofender Artie, mas você me entende, — Artie balança a cabeça respondendo que me entendia — então larga ele agora.
— Shane você ouviu isso? A cheerio lésbica querendo que a gente deixe esse aleijado quieto. Olha aqui lésbica gostosa ele veio porque ele quis, — Artie fala algo baixo, mas eu consegui entender ‘sobre ameaça qualquer um vem’ — então vai dando um fora que esse assunto é nosso.
Ficamos alguns segundos quietos, sem falar um nada, mas logo um deles que não conheço quebrou o silencio:
— Shane, acho melhor prender ela junto com o aleijadinho também. Não vai adiantar a gente prender ele e depois ela soltar.
— Você está certo. Trás ela. — Ao ouvir aquilo, dois grandalhões me pegou bruscamente tampando minha boca.
Eu fiquei me remexendo toda só que não adiantou nada. Eles me jogaram no banheiro junto com o Artie e trancou. No começo fiquei um pouco assustada e comecei a gritar, mas Artie falou que aquilo não adiantaria e só ia o fazer ficar com dor de ouvido então eu parei. Eu comecei a me sentir mal, com ânsia e não tive escolhas, levantei a tampa do vaso sanitário, me ajoelhei perto do mesmo e pedi que Artie virasse o rosto e que tampasse o nariz e então, coloquei tudo pra fora, vomitei.
— Me desculpa. Hoje senti mal o dia inteiro, por isso não fiquei nas aulas. — Me explico para o garoto.
— Não precisa se desculpar, apenas preciso que você nos ajude a sair daqui. — Enquanto eu vomitava horrores, ele estava atrás de uma maneira que nos tirasse dali e que, finalmente ele achou. — Está vendo aquele parafuso, eu acho que é um parafuso, solto ali em cima?! Então, se você puxar com tudo talvez a porta se abra.
— Está bem Artie. — Me levanto e tento puxar o parafuso com toda a minha força. Da primeira vez eu não consigo, tento de novo e que finalmente eu consigo. Artie empurra a porta com uma mão para ver se abriu e o que o garoto pensava estava certo. A porta abriu.
Ao sair do banheiro Artie me perguntou se eu vou pra sala do coral, respondi que não e fui sentar na arquibancada. Artie veio atrás de mim.
— Que foi Quinn?
— Nada, pode ir pra aula. — Começo a pensar em tudo que aconteceu nesse ultimo ano e já começo a chorar.
— Quinn, se você não quiser contar, não precisa, mas quero que saiba que você poderá confiar em mim pra tudo viu?! — Ao ouvir aquilo uma parte de mim fez-me sentir um pouco mais segura e ele virou as costas.
— Espera Artie, — Não confiava totalmente, mas precisava colocar tudo pra fora. — Preciso de um, apenas um motivo para continuar viva. Sue me expulsou das Cheerios, terminei com o Finn, não deu certo com o Puck, os boatos com a Rachel. Esse último ano está sendo o pior, preciso ter o Finn de volta se não...
— Se não o que Quinn? — Ao travar na frase fico em duvida se conto ou não conto, mas fazer o que, contei.
— Ou Finn assume ou terei que abortar.
Levanto-me e saio correndo sem dar chance para Artie falar algo. Ultimamente não estou querendo ouvir ninguém, nem sei por que contei, mas precisava disso. Precisava contar para alguém. O duro é que eu confio muito rápido nas pessoas que não são tão próximas de mim, espero que eu possa confiar nele pelo menos, ou vou ter que voltar a ser aquela garota durona e rebelde como sempre fui.
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