Notas iniciais
Hey people! Aqui temos o capítulo que eu estava devendo... Divirtam-se!

Pisquei os olhos para ter certeza que não era sonho.

Daniel me olhou e sorriu tímido, olhou de volta para Lala e respondeu carinhosamente:

— Por enquanto é só uma amiga Lala, trouxe ela para conhecer vocês e a tia Lu.

Oi? Por enquanto? Vamos com calma meu amigo!

Sorri timidamente.

Lala desceu do colo de Daniel e veio até mim fazendo sinal para que me abaixasse.

Me abaixei e Lala me abraçou, retribui o abraço com a mesma sinceridade.

— Você é muito bonita! – Disse ela me olhando.

— Obrigada, você também é muito bonita parece uma princesa. – Falei.

Lala sorriu e saiu correndo.

— Me desculpe, mas ela é minha melhor amiga e adora fazer questionamentos. – Falou Daniel.

— Ela é linda! Sua melhor amiga? E que história é essa de “por enquanto só amiga”? – Perguntei.

— Sim, minha melhor amiga desde quando ela chegou aqui a dois anos atrás. Vou deixar para responder a segunda pergunta mais tarde. – Respondeu Daniel.

Se tem uma coisa que eu odeio é me deixarem sem respostas, tive vontade de dar as costas para Daniel e ir embora.

— Madrinha! – Falou Daniel acenando.

Olhei para a entrada lateral que Lala havia passado um minuto atrás e vi uma senhora alta, magra, de cabelos negros com algumas mechas grisalhas e expressão feliz vir em nossa direção.

— Meu filho, que bom que veio! – Falou ela.

— Trouxe uma amiga para conhecer o orfanato. – Falou Daniel.

A senhora me olhou, sorriu e se aproximou.

— Prazer, Betina! – Falei esticando a mão.

A senhora pegou minha mão e me puxou para um abraço.

— O prazer é meu Betina! – Falou a senhora me soltando.

— Essa é minha Madrinha Luzia, Betina! – Falou Daniel.

— Venham, vamos entrar. – Falou ela.

Daniel pegou minha mão e caminhamos atrás de Luzia.

O orfanato era um casarão colorido no fim da rua, tinha uma entrada central grande e uma lateral com portão de madeira, um jardim enorme atrás do casarão com mesas e brinquedos, onde tinham aproximadamente 10 crianças entre 4 e 9 anos e todas estavam bem felizes brincando.

— Oi crianças! – Disse Daniel assim que chegamos no jardim.

— Eeeeeeh! – Gritou as crianças correndo em direção a Daniel.

Daniel saiu correndo em direção às crianças com um sorriso no rosto e isso me deixou alegre, ele parecia uma criança também.

— As crianças adoram ele! – Falou Luzia parando do meu lado e cruzando os braços.

Ela riu e acenou para as crianças e Daniel que já estavam jogados no chão brincando.

— Percebi, ele vem sempre aqui? – Perguntei.

— A alguns anos atrás aqui era tudo o que ele tinha, mas aí meu menino tomou coragem e foi ver o mundo lá fora. Agora vem de vez em quando. – Respondeu Luzia um pouco nostálgica com sorriso no rosto.

— Entendi, e os pais de Daniel? – Perguntei.

— Ele ainda não contou? – Perguntou Luzia.

Balancei a cabeça em forma de negação. Não sei por que, mas eu estava apreensiva pela resposta.

— Bom, então acho melhor deixar que ele conte tudo... – Falou ela falhando a voz.

Nesse mesmo instante Daniel olhou para mim e sorriu, pude ver em seus olhos a alegria de estar com pessoas que ele ama, o despreocupar, a criança no seu interior e a suavidade ao atender cada criancinha.

Ele levantou do chão, disse que já voltava e então voltou correndo em minha direção.

— Vamos lá, você vai gostar deles! – Falou ele me puxando pela mão.

Não protestei, fui até as crianças com ele enquanto Luzia olhava de longe, sorrindo.

— Galera, essa é a Betina! – Falou Daniel.

— A namolada dele! – Disse Lala.

— Lala! – Advertiu Daniel querendo parecer bravo.

— Oi Betina! – Falaram em uníssono.

— Oi princesas e príncipes! – Falei sorrindo.

— Agora eu vou levar ela para conhecer a casa e depois voltamos para brincar com vocês! – Falou Daniel.

As crianças saíram correndo cada uma para seu lado voltando a fazer o que estavam fazendo antes de chegarmos.

— Madrinha, vou mostrar a casa para ela. – Falou Daniel.

— Tá bom, vou pedir para Fátima preparar um bolo para nós. – Falou Luzia.

Daniel fez sinal de afirmação com a cabeça e voltamos para a entrada central da casa.

— Melhor começarmos do início. – Falou ele.

— Opa! – Falei animada.

Ele abriu a porta da sala e me surpreendi pela modernidade e sofisticação do lugar.

As paredes eram verdes clara, tinham dois sofás brancos enormes, mesa de centro redonda, uma estante colorida com várias fotos, TV e outros enfeites.

— Nossa, que lindo! – Falei.

— Eu sempre morei aqui, meus pais compraram quando minha mãe descobriu que estava grávida de mim. Aqui estão eles. – Falou Daniel.

Ele pegou um porta retrato da estante e estendeu-a.

— Essa é minha mãe. – Falou ele apontando para uma moça aparentando ter 25 anos, estava com um bebê em seu colo. – Esse é meu pai. – Falou ele apontando para um homem que aparentava ter a mesma idade da moça, ambos estavam felizes. – Esse sou eu. – Daniel apontou para o bebê.

— Seus pais são lindos! – Falei.

— Sim, eles eram lindos. – Falou ele um pouco triste.

Consegui sentir a mudança na voz e fiquei preocupada, mas ele continuou falando:

— Eles morreram quando eu tinha 13 anos. Desde sempre essa casa foi lotada, com família e amigos, meus pais tinham um orfanato em outro lugar da cidade e nós passávamos bastante tempo lá. – Falou Daniel.

— Você não precisa contar. – Falei.

— Tudo bem, eu já me acostumei e quero te contar tudo. – Falou ele.

— Você que sabe! – Falei.

— Acho que meus pais já pressentiam que iriam morrer. Um pouco antes eles fizeram testamento, me emanciparam e fizeram minha madrinha prometer que iria cuidar de mim e do orfanato. Depois do acidente minha madrinha trouxe as crianças para cá e veio morar aqui também. – Falou Daniel.

— Nossa! – Falei.

— Bom, vamos ver os quartos. – Falou ele indo em direção as escadas.

Subimos dois lances de escada e viramos à direita.

— Esse primeiro quarto é o das meninas. – Falou ele abrindo uma porta rosa e mostrando um grande quarto com várias cores e camas. – Esse é o dos meninos. – Ele abriu uma porta azul na frente do quarto das meninas.

Os dois quartos me chamaram muita atenção por serem enormes e bem alegres.

— Ali fica o da minha madrinha e mais dois de visitas, aquele último é o meu. – Falou ele indo sem direção a seu quarto.

Segui ele.

Daniel abriu a porta e fez sinal para mim. Seu quarto também era grande e estava arrumado. O quarto de Daniel não era colorido igual os outros, tinha mais cara de adulto. Uma escrivaninha, cama de casal, guarda roupas, estantes de livros e muitos desenhos em uma das paredes. Desenhos assinados pelas crianças que brincavam lá embaixo.

Na parede em cima da escrivaninha tinha um grande mapa com algumas anotações em alguns países.

— Uau! Que lindo! – Falei.

— Obrigada. Esse é meu cantinho quando quero colo. – Falou ele. – Tenho um apartamento na Paulista, mas quase nunca fico lá. Estou sempre viajando ou estou aqui com as crianças. – Completou ele.

— Entendi. Bom, você não vai se importar se eu xeretar seu quarto né?! – Perguntei.

— Não, pode ficar a vontade! – Respondeu ele.

— O lado jornalista fala mais alto e a curiosidade ataca. – Falei.

— Então quer dizer que você é jornalista? – Perguntou Daniel.

— Sim, mas depois eu te conto sobre mim. Hoje é sobre você! – Respondi.

Daniel se sentou na cama e eu comecei a percorrer seu quarto, olhei seus livros, as fotos nos quadros, na estante perto dos livros, os desenhos das crianças e por fim cheguei à escrivaninha. Olhei o mapa e vi as anotações sem entender o que estava escrito, cada anotação estava no idioma de seu respectivo país.

— O que quer dizer? – Perguntei apontando para as anotações.

— É uma frase ou algo que eu tenha gostado do lugar que visitei. – Respondeu ele.

— Ah sim! – Falei passando a mãos nas coisas da escrivaninha.

Mexi em alguns desenhos que lá estavam e comecei a folhear um por um.

— São lindos! – Falei.

— Sim, feito por artistas. – Falou ele.

O último desenho me fez parar, era uma noiva jogada no chão com as mãos no rosto e cachos volumosos.

— Você que fez? – Perguntei.

— Esse... hmm... é... – Falou ele.

— Não entendi. – Falei.

— Foi eu que fiz sim. – Falou Daniel pegando o desenho da minha mão. – Vamos para a cozinha! – Completou ele dobrando o papel e colocando no bolso.

Notas finais
Amanhã tem mais sim! Até às 23:59 ainda é terça-feira. Obrigada por ler! Até amanhã!!