Será?
32 Fast-food
Notas iniciais
***
Eu tive um fim de tarde bem agradável. Brinquei bastante com as crianças, conheci muito mais sobre Daniel e tive uma conversa bem legal com Luzia.
Já fazia quase 1 hora que Daniel tinha me deixado no hotel, eu já tinha tomado banho e estava assistindo às aulas que Eduardo havia gravado para mim.
— Depois de tudo que foi visto eu quero que vocês pensem sobre o que trouxe vocês aqui e o que é informação no seu ponto de vista. – Disse Thales, o professor de humanidades I.
— Isso seria bem mais legal na aula! – Pensei alto.
“ I don't care
I love it
I don't care
You're on a different road, I'm in the Milky Way
You want me down on Earth, but I am up in space...”
Me celular tocou.
Pausei o vídeo e atendi.
— Alô! – Falei.
— Ah, até que fim! Pensei seriamente em mandar a polícia atrás de você. – Falou Raissa brava.
— Por que não respondeu as nossas mensagens? – Perguntou Clarice.
— Me desculpem! Eu estou bem, meu celular estava carregando e eu estou vendo os vídeos das aulas que Edu gravou. – Respondi.
— Então sobreviveu? – Perguntou Rai.
— Sim, e muito bem diga-se de passagem. – Respondi.
— Pode começar a contar, tudinho! – Falou Clari.
— Ele não é um monstro, pelo contrário é tão fofo e sensível. Em uma palavra: adorei! – Falei.
— Qual o nome? Já investigou a vida dele? – Perguntou Raissa. – Não vá confiar sem conhecer viu?! –Completou.
— O nome dele é Daniel Springer, 23 anos, já viajou o mundo e adora crianças. – Respondi. – Ah, ele é órfão. – Completei.
— Nossa, fez bem a lição de casa! – Disse Rai.
— Sim, sim. – Falei rindo. – Tenho mais uma coisa para contar. – Fiz uma pausa dramática.
— FALA LOGO! – Falou Clari.
— Eu saí ontem com o carinha que trabalha aqui no hotel, aquele que disse para vocês outro dia. – Falei.
— NÃO ACREDITO! – Gritou Rai.
— Acredite! Me diverti bastante, mas hoje com o Daniel foi tão bom... Acho que ter saído com Pedro vai estragar toda a amizade já construída. –Falei.
— Betina, como assim você está pegando dois de uma vez? – Perguntou Clari.
— Primeiro: não estou pegando ninguém ainda e, segundo: eu saí com um de cada vez. – Falei rindo no final da frase.
— Sei, sei... – Disse Clari.
— É sério, eu estou aqui a trabalho! – Falei.
— Tá bom, vamos fingir que acreditamos que a possibilidade de beijar pelo menos um dos dois não passou por sua mente! – Falou Rai.
— Pode até ser que por uma mini fração de segundos eu tenha pensado, mas... – Falei.
— Mas nada, eu te conheço muito bem Betina! Você está indecisa, né?! – Falou Rai.
— Olha, eu tenho mais o que fazer, ok?! Então depois nos falamos. – Falei querendo acabar com aquela conversa.
— Não quer ouvir as novidades? – Perguntou Clari.
— Fala! – Falei.
— EU ESTOU NAMORANDOOO!. – Cantarolou Clari.
— Sério?! –Perguntei.
— Sim, fui pedida em namoro ontem em um jantar super fofo! – Respondeu ela.
— Parabéns! Só avisa para ele não te decepcionar, se não vai se ver comigo! – Falei.
— Tá bom. – Falou Clari.
— Agora vou voltar a fazer minhas lições, porque já estão atrasadas. – Falei.
— Ok bitch! – Falou Rai.
— Beijo vadias! – Falei.
— Beijo! – Falou Clari.
Desliguei a ligação e fechei o notebook.
***
Abri os olhos e ainda estava escuro lá fora.
A cortina e a porta da varanda estavam abertas, um vento frio vinha lá de fora e isso me fez encolher debaixo do edredom.
Fechei os olhos para voltar a dormir, mas minha mente se recusava a se esvaziar e focar no sono. Algumas imagens surgiam em minha cabeça me fazendo agarrar o travesseiro ao meu lado.
A imagem de Daniel, eu e Pedro no meio do nada me assombrava. Escolher entre um e outro seria a pior coisa da minha vida, eu sinceramente já havia me acostumado com Pedro e Daniel me deixava tão bem que não ter mais nenhum dos dois seria terrível.
No entanto uma hora eu teria que voltar para minha vida antiga e eles ficariam aqui, a parte boa é não precisar escolher nenhum dos dois, porém a falta de tê-los perto me consumiria.
— Para de pensar nisso! – Me obriguei em voz alta.
Por que eu estava pensando em Daniel e Pedro sendo que tudo que preciso me preocupar é meu trabalho?
Eu e Diego não tínhamos avançado quase nada, Gustavo e Roberta também não. A bendita boate que eu tenho certeza que vi Jasmine tinha um alto padrão de segurança e sem convite é impossível entrar lá.Tentei alguns contatos, mas nada, ninguém conseguiu me colocar lá dentro.
Meu celular vibrou em cima da mesa de cabeceira me tirando de meus devaneios.
“Está dormindo?” – Perguntou Daniel por mensagem.
Olhei a tela do celular, o relógio marcava 03:15 da madrugada hesitei por um instante.
“Não” – Respondi um minuto depois.
“Insônia?” – Perguntou Daniel.
“Não, na verdade eu dormi cedo demais e acabei acordando agora.” –Respondi.
“Entendi, está com fome?” – Perguntou ele.
“Oi?! É madrugada né, de lei ter fome, mas não vou incomodar o pessoal do hotel. O que faz acordado?” – Escrevi.
“Estava aqui pensando em uma mulher menina, ela não me contou quase nada sobre ela e mesmo assim já estou com saudades. Quer ir comer alguma coisa agora?”– Escreveu Daniel.
“Hmmmm... Sair agora? Eu estou quentinha aqui!” – Escrevi.
“Não seja por isso. Compro e levo para comermos aí.” – Respondi ele.
“Você não vai desistir né?” – Perguntei.
“Não está nos meus planos!” –Respondeu ele.
“Tudo bem, você vem até aqui. Tá frio lá fora e eu estou de pijama, só traz algo que eu coma kkkk.” – Escrevi.
“Fast-food?” – Perguntou ele.
“Pode ser!” – Respondi.
“Ok, chego aí em 30 minutos. Avisa que irei subir.” – Escreveu ele.
“Pode deixar. Estou te esperando.” – Escrevi.
O que eu estava fazendo da vida? Daniel no meu quarto não parece ser bom.
Levantei em um pulo e liguei a luz.
Por mais que eu tentasse ser organizada, não conseguia. Tinha roupas sujas pelo chão, livros e papéis espalhados por todo lado.
— Por quê? – Perguntei olhando no espelho da sala de entrada.
Meu cabelo estava bagunçado e o rosto amassado pelo travesseiro.
Fui até o banheiro, lavei o rosto e arrumei o cabelo. Voltei para o quarto e peguei as roupas do chão, fui até a sala e arrumei os livros e papéis num canto.
— Bem melhor assim falei! – Pensei alto.
Fui até a cama, peguei o telefone e liguei para a recepção.
— No que posso ajudar? –Perguntou um homem.
— Meu nome é Betina do 104, só para avisar que estou esperando uma visita. – Falei.
— Qual o nome da pessoa senhora? – Perguntou o recepcionista.
— Daniel. – Falei.
— Ok, já deixei liberado. – Falou ele.
— Obrigada. – Falei e desliguei.
Quase 15 minutos depois Daniel bateu na porta.
— Oi! – Falou ele assim que abri a porta.
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