Sentimentos insanos
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Sábado,
10 de Julho de 1953
Caro Confidente,
São tantas novidades que me perco ao te contar, acho que vou começar pela mais deliciosa, eu comi meu primeiro hambúrguer depois de um ano, fui ao paraíso, sério, estava delicioso. Preciso dizer que engordei desde que fugimos do hospício? Pois é, já engordei dois dos quinze quilos que perdi, pretendo engordar apenas mais três, com todas as guloseimas que ando devorando isso não será uma tarefa difícil. Tenho outra novidade que acredito que você irá gostar, a cor de meu cabelo, meus fios castanhos agora são negros como os de Tom, aproveitei quando fomos ao cabeleireiro acertar nossos cortes mal aparados para pinta-los, daqui em diante eu serei John Learmann, irmão mais novo de Samuel Phillipe Learmann.
Infelizmente nem tudo é um mar de rosas, Tom e eu passamos por vários sufocos, felizmente dinheiro compra quase tudo nesse mundo, então nos reerguemos. Na estrada conhecemos um casal de velhinhos, Anthony e Mary, eles nos acolheram em sua casa como dois filhos que nunca tiveram, eles no deram muito mais do que um teto sobre nossas cabeças e comida em nossos pratos, nos deram carinho. Foi com eles que deixamos Thor, o cavalo que puxava nossa charrete, demos esse nome ao animal devido a sua garra, ele parecia entender que precisávamos chegar o mais longe possível no menor período de tempo, ele é com certeza um de nossos anjos da guarda, votaremos para buscá-lo assim que atingirmos estabilidade.
Tom e eu estamos em Vegas, por algum motivo essa cidade faz parte do passado do meu parceiro, confesso que tenho vontade de voltar suas páginas, ler tudo que ele lhe escreveu, contudo, fizemos um pacto e não sou eu quem irá quebra-lo, acontece que o homem já recuperou quase todo o dinheiro que pagamos a Edwin e ao enfermeiro desde que chegamos aqui, tudo isso com jogos, você consegue imaginar? Ele é uma incógnita na minha vida. Se não bastasse isso, assim que chegamos fomos acolhidos por Gabriel, um amigo de Tom, com toda certeza ele é um mau elemento, mas gosto disso nele, o homem tem um galpão no subúrbio da cidade onde leciona boxe, mas isso serve apenas de fachada para o seu negócio verdadeiro, ele trabalha com documentos falsos, e é disso que Tom e eu precisamos, não viemos para Las Vegas curtir as nossas férias permanentes do hospício Marshall. Uma nova vida requer novos nomes, novas identidades, só não digo novos ares porque a ideia de vingança está fixa em minha mente, voltarei para cidade onde vivi a minha infância, onde a minha desgraça teve seu inicio...
Se não bastasse Thomas ser um homem de sorte e bastante inteligente, ele também lutava boxe antes de parar no manicômio, é um ótimo lutador o que explica seu físico extremamente definido, e Harry é tão cativante que me fez interessar por algo que eu condenava, luta. Tom não gostou da minha atitude em aprender tal arte marcial, tentou me convencer de tudo quanto é forma a voltar minha atenção para o seu jogo de cartas, contudo, para mim não existe nada mais tedioso, mesmo que ele possua diversos truques.
No meu primeiro dia fui um desastre desde o aquecimento até os primeiros golpes.
– Tampinha, você está pulando corda, não precisa tentando apanhar as estrelas, não precisa dar pulos tão altos – zombou ele de mim logo no aquecimento.
– Fica na sua, Thomas, meu professor é o Gabriel! – rebati imediatamente.
– Ih, Thomas, arrumou alguém para te desafiar, pensei que nunca presenciaria essa cena – brincou Gabriel entre risos com o amigo de longa data, parecia que ele se divertia comigo...
– Espera só até eu aprender a lutar, vou acabar com ele no ringue! – relatei cessando meu movimento, o sedentarismo havia consumido toda a minha disposição, em menos de cinco minutos de treino já havia visto a morte.
– Se você me prometer que nunca vai subir ao ringue para lutar, exceto em casos de treinos, eu te ajudo na preparação – ofereceu ele um tanto preocupado, conheço-o como ninguém, ele não havia gostado da ideia de me ver lutando, como se eu não fosse capaz de vencer, e esse excesso de proteção da parte dele já estava me irritando, Tom parecia uma leoa defendendo sua cria, o que é patético, eu estava só no hospício Marshall até ele aparecer e que eu me lembre fui eu quem o ajudou.
– Prometo! – menti, não queria fazer isso, não com Tom, eu precisava de um pouco de adrenalina percorrendo as minhas veia, acho que nada de pior pode me acontecer.
– Tá certo... presta atenção, vou bater a corda bem devagar e você vai dar um salto curto comigo – explicou ele me envolvendo por trás, suas as mãos foram as minhas que seguravam a corda já trêmulas devido a sua proximidade, seu simples toque fizera fizera uma corrente elétrica percorrer todo o meu corpo. Droga. Por que fazer isso comigo, Tom? O que eu posso dizer? Depois dessa cena deplorável de fraqueza da minha parte, peguei o jeito da coisa, acredite, e estava até que lutando bem, os elogios demasiados de Gabriel me fizeram acreditar que já estava na hora de marcar a minha primeira luta. Ela será em instantes, estou aproveitando que Tom foi passar a tarde em um dos cassinos para cometar a minha loucura saudável, isso está no meu sangue, eu não posso simplesmente ignorar, não me reprima, caro confidente, você tem que me apoiar. Você vai torcer por mim? Eu sei que sim!
Até breve, meu querido e fiel companheiro
Jack Learmann
Fale com o autor