Sentimentos: Vento e Fogo
1 O Tribunal
Depois da guerra as coisas ficaram estranhas. Naruto finalmente achava que tinha conseguido salvar seu melhor amigo do rumo do mal, mas aparentemente as coisas entre eles ainda estavam estranhas, havia uma tensão no ar.
Aquilo doía muito. Aquele teto completamente branco, aquelas roupas completamente brancas, aquele cama branca, paredes, tudo ali era branco. Algumas pessoas poderiam achar que aquilo se parecia com o céu, mas Uzumaki só podia sentir a agonia. Sempre conseguira esconder sua dor e solidão num sorriso, sempre conseguira mandar embora a tristeza e ser otimista, mas não agora.
Agora que já fazia um mês que não via Sasuke, agora que já fazia um mês que estava prostrado numa cama de hospital. Aquele deveria ser o momento mais feliz da sua vida. Todos o reconheciam. Ele era um herói, prestes a se tornar uma lenda, mas não era assim que se sentia. Nunca esteve tão pensativo e pouco impulsivo.
Quando recebia visitas de seus amigos mais queridos conseguia ficar distraído, mas eles sempre cometiam o erro de perguntar sobre ele. Era um erro que ninguém sabia ser um erro até ver a feição nos olhos azuis de seu herói. Não era uma boa ideia falar daquilo.
Sasuke estava preso. Estava nas prisões de segurança máxima, onde somente o Hokage e os Anbu sabiam a localização. E as visitas estavam proibidas. Não que Naruto soubesse o que dizer para ele caso se encontrassem.
—Oi, Naruto! Como você está?
Era Sakura. Ela estava sendo a médica de Naruto, junto com Tsunade. Estavam refazendo seu braço perdido. Ela estava com os olhos inchados.
—O que aconteceu, Sakura? Não vai me dizer que entrou um cisco no seu olho hehe
Tentou deixar o clima leve, mas aparentemente não estava bom nisso.
—Não é nada.
—Desenbucha... – Naruto ficou impaciente.
—Lembra que você testemunhou a favor de Sasuke há um mês?
Como Naruto poderia esquecer daquele dia que retornava aos seus pensamentos. Uma semana depois do fim da maior Guerra entre os Shinobi e que destruiu todo o mundo como conheciam as coisas ainda estavam confusas, porém os crimes de guerra não poderiam ser esquecidos. E Sasuke era o maior dos criminosos, pelo menos o maior que permaneceu vivo.
No dia em que acabaram com o Tsuknoyomi Infinito, Sasuke estava realizado, com um sorriso no rosto, parecia em paz e Naruto fez de tudo para divertí-lo, apesar de toda dor da perda de um membro, apesar da incerteza do futuro, ele estava junto com ele, eles estavam finalmente juntos. Nunca deixaram de ser amigos, mas agora eram amigos apenas e não rivais.
Mas Naruto era inocente demais, não pensava que as coisas ficariam estranhas. No dia do julgamento, foi quando Naruto perdeu a alegria de ter salvado o mundo. Sasuke estava amarrado em uma camisa de força, apenas seu toquinho de braço pendia ao lado do corpo e ele usava vendas nos olhos reforçada e selada com jutsu para que não houvesse a possibilidade de usar seus poderes.
O choque de Naruto foi visível como sempre o loiro foi muito expressivo. Não conseguiu suportar vê-lo daquela forma. Sentou-se serrando os punhos e escutou as acusações ao amigo. O problema: todas eram reais.
—Agora o réu terá tempo para sua defesa.
—Meu cliente não deseja que eu apresente as provas, ele mesmo se pronunciará. – afirmou o advogado.
Depois de uma pausa dramática, Sasuke levantou o rosto fazendo com que o cabelo fosse para trás permitindo a visualização de seus hematomas.
—Não tenho nada para dizer em minha defesa, estou pronto para enfrentar a pena que me for delimitada.
Ninguém, nem mesmo o advogado e principalmente Naruto não acreditaram naquilo que ouviram. Sasuke não ia dizer nada, não ia jurar seu arrependimento. Como? Por que? Por que estava se punindo daquela forma? A pena por seus crimes seriam perétua ultrapassava seu tempo de vida somando tudo que havia feito.
Os crimes poderiam ser perdoados devido sua “ajuda” fornecida à Folha ao matar Itachi e principalmente ao terminar a Guerra.
—Droga! Você é burro, Sasuke? – gritou Naruto socando a bancada a sua frente.
Se pudessem ver os olhos de Sasuke, eles claramente estariam arregalados de surpresa e talvez felicidade ou êxtase. Não sabia que Naruto estaria ali. E vê-lo, ou melhor, ouví-lo já era mais do que ele podia pedir na sua existência miserável na prisão. Deu um suspiro de alívio e um sorriso murcho surgiu em seus lábios, estava aliviado por Naruto continuar explosivo, tinha medo de que ao compartilharem a dor, ao compartilharem as perdas, ele mudaria e ficaria triste.
—A decisão do réu foi acatada.
—O que? Que palhaçada é essa? –gritou Naruto
—Decoro! Silêncio no tribunal! O senhor deve se controlar, por favor, Uzumaki. Agora ouviremos a testemunha
Sasuke abaixou a cabeça novamente, não estava interessado pelo que a testemunha falaria, com certeza, Kakashi ou Sakura que choraria para libertá-lo. Entretanto, Naruto foi até o palanque, com sua roupa branca de hospital e seus curativos no rosto. Olhou para todos os rostos, tantos conhecidos e tantos desconhecidos. Naruto, aquele que sempre teve palavras e respostas prontas para tudo, parou sem saber o que falar. Encarou Sasuke e fechou os olhos, respirando fundo.
—Sasuke...
Quando o moreno ouviu a voz de Naruto levantou o rosto abruptamente boquiaberto.
—Sasuke e eu somos amigos há muito tempo. Mesmo antes de sabermos que éramos amigos, nós já compartilhávamos a mesma dor. Nós carregamos o peso da aldeia em nossas costas. Nós carregamos o ódio de cada um de vocês, nós éramos temidos, cada um a sua maneira. E isso doía. Porém, Sasuke sempre foi superior, seu modo de lidar com a solidão foi se tornar um gênio e o meu modo foi me tornar um palhaço. Cada um tem o seu jeito. Mas vocês podem ver? O importante é que vocês é que causaram esse sofrimento a ele, não podem condená-lo por isso.
Sasuke estava chorando tentava disfarçar, abaixando o rosto mas pingava em seu colo. Naruto prosseguiu.
—Tudo que Sasuke quis, depois de descobrir e entender o segredo de Itachi. – Todos arregalaram os olhos. – Sim, isso mesmo, o segredo de Itachi Uchiha, aquele que mutilou o clã pela Aldeia da Folha. A verdade que foi escondida de todos. Depois disso, a vontade de Sasuke foi proteger a todos, a sua maneira, sim, mas ele estava disposto a suportar todo o ódio, para garantir a felicidade do mundo inteiro. Então, eu peço, se eu sou importante, eu peço reduzam a pena dele.
Voltando de sua lembrança o loiro respondeu à Sakura:
—Claro que eu me lembro, por que?
—Ele foi solto.
—O que.?
Naruto sentiu que quase desmaiou.
—Sim, — Sakura fungou – Seu depoimento foi convincente e Kakashi assumiu a responsabilidade por ele.
—Onde ele está agora?
—Acabei de me dispedir dele, ele saiu da vila.
—Ele saiu?
—Sim.
Naruto sentiu uma pontada de dor. Como Sasuke saiu sem se despedir dele. Naruto estava ferido agora. Um ferimento bem pior.
—Entendo. – disse o loiro sem entender o porque
—Vou buscar o seu remédio
Mas Naruto não estaria lá quando ela retornasse
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