Sentimentos: Vento e Fogo
2 O Encontro
Sasuke não sabia quanto tempo havia ficado ali, parado olhando os portões. Seus sentimentos em relação a sua Vila natal eram tão ambíguos quanto os seus sentimentos pelo amigo loiro. Indiferença, pena, compaixão, companheirismo, parceria, amizade, rivalidade, inimizade, irmandade e quem sabe o que mais. Eram muitos pensamentos que invadiam sua cabeça e seu coração. E Sasuke só conseguiu se mexer quando o vento bateu bagunçando seu cabelo e fazendo ricochetear sua capa. Maldição, tudo lembra ele. Não queria esquecê-lo. Queria apenas dormir e não sonhar.
Receber liberdade por causa de Naruto não era algo que ele esperava. Tinha que lidar com isso. Deixar a Vila talvez fosse a melhor maneira.
...
—Ah que merda! Será que ele não tem mesmo coração?
Naruto gritou para o nada enquanto fugia do hospital. Tinha passado em casa voando para buscar algo importante, algo que precisava entregar a Sasuke. Não tinha tempo a perder, dependendo da pressa com que o moreno estivesse de fugir, ele já teria desaparecido há tempos, ainda mais com as novas habilidades de Sennin dele. E como Naruto conhecia Sasuke, ele sabia que o amigo costumava fugir, fugir para cortar os laços com que não sabia lidar. E claramente, Sasuke estava perturbado, sempre fora, mas agora mais do que nunca, Naruto tinha medo de perde-lo, de que ele voltasse ao caminho errado e Sasuke ainda estava com medo de seus laços.
Parecia desconfortável e ao mesmo tempo aliviado, em sua estadia na vila, apesar de estar preso. Isso acontecia principalmente na presença de Naruto. Mas o por quê? O loiro não sabia. Pretendia descobrir agora, se conseguisse encontra-lo.
Para a surpresa de Naruto, ele não tinha ido muito longe, na verdade tinha se afastado apenas 1km dos portões. Apesar dos ferimentos, Naruto conseguiu parar a corrida e aterrissar um pouco atrás de Sasuke, que estava virado de costas para ele.
—Ei, idiota! – berrou Naruto.
Sasuke virou assustado, porém com a expressão contida.
—E o que seria?
—Sério isso? Não ia se despedir?
—Você se apega demais ao que eu faço ou deixo de fazer, Naruto.
—Ora, seu... – Naruto se deteve. – Toma isso, é seu!
Dito isso, ele lançou a bandana antiga de Sasuke, aquela da primeira batalha deles no Vale do Fim. Sasuke suavizou o olhar e encarou Naruto vestido de branco. Aquele era um contraste que os definia bem. O Sol e as trevas. Eram opostos em tudo.
—Certo, vou guarda-la. Para quando nos encontrarmos de novo.
—Você e esse seu fetiche por distância. Não entendo porque você não pode sossegar um pouco. Ok que eu também dei voltas pelo mundo ninja, mas qual é, você tem fogo no rabo.
Sasuke enrubesceu. Não esperava que Naruto o tratasse assim, com tanta intimidade depois do tempo que passaram separados. Mas é claro, era Naruto, ele estava forçando aquela intimidade, mesmo sentindo a estranheza de Sasuke.
—Não tive coragem de te encarar depois do que fez por mim, me senti envergonhado.
—Falei algo errado aquele dia?
—Não, é só que... Ninguém nunca fez... Algo nesse nível por mim.
—Pois se acostume porque...
—Porque somos amigos, já saquei Naruto. – disse Sasuke mal-humorado.
Naruto arregalou os olhos, enquanto Sasuke sorria apenas com os lábios, aquele sorriso de canto, que viu tantas vezes no time 7 enquanto ele o chamava de moleque medroso.
Sasuke deu um passo a frente e ficou a um braço de Naruto.
—Desculpe. Até mais. Vamos voltar a nos ver.
E tocou Naruto na testa pressionando os dois dedos, assim como Itachi fazia com ele. E sumiu deixando o loiro sem respostas e mais confuso ainda.
...
—Que? O que está acontecendo, por que Naruto não está no quarto? – gritou Sakura no corredor do hospital. – Eu vou matar esse menino quando encontrar!
E saiu com mais uma enfermeira a procura de Naruto. Nunca duas pessoas saiam para procurar alguém, em geral, apenas uma enfermeira, quando acontecia, mas pensando bem Naruto era muito famoso agora, muito reconhecido.
Encontrou o loiro em seu banco na Academia Ninja.
Sakura soube na hora o que havia acontecido. Naruto viu Sasuke. Não podia culpa-lo de fugir, ela mesma faria isso em sua situação. Ela desistiu de agredi-lo, seu espírito maternal e de amiga falou mais alto. Sentou no chão mesmo ao lado de Naruto.
—Acho que você é pesado demais para sentar aí – comentou para descontrair.
—Mas agora que perdi o braço acho que compensa...
Ele não estava no clima para brincadeiras.
—Sakura, você ainda gosta do Sasuke? Não por causa de tudo que ele fez, quero dizer, ainda existe esse sentimento?
Sakura espantou-se com a pergunta. A pergunta que se fazia e não encontrava uma resposta adequada. Mas, depois de um tempo soube o que responder ao loiro.
—Não, não do mesmo jeito. Ainda quero todo o bem para ele e me preocupo com seus passos, mas não estou apaixonada. – disse ela esticando as pernas.
—Entendo!
—Era uma sensação ardente, que você acha que vai sufocar se não estiver com a pessoa e quando ela está, você consegue notar apenas ela e nada mais?
—Sim... é bem assim – respondeu pensando que ele estivesse falando dela.
—E você, Naruto? Não se sente mais assim por mim não é mesmo?
Naruto pareceu surpreso, pois o que sentia por ela era um pouco diferente, mas apenas respondeu.
—Não, não me sinto mais.
...
Sasuke não podia entender o porque, porque Naruto fazia isso sempre, ele sempre conseguia conquista-lo, atingi-lo como ninguém e Sasuke nunca soubera lidar com isso, nunca. Naruto sabia exatamente do que ele precisava. No tribunal, o moreno não iria se rebaixar, não iria pedir perdão perante a vila que matou seu irmão, ou melhor o enviou à renegação. Um dos maiores defeitos do Uchiha era o orgulho. Naruto, ao falar sobre Itachi no tribunal fez com que a vila o compreendesse, fez com que fosse reconhecido e entendido, era só isso que ele precisava para a redenção, já que não conseguia pedir pelo perdão. Naruto fez isso tão facilmente por ele.
O moreno não queria admitir, mas desde sempre Naruto chamou a sua atenção, porém agora seus sentimentos estão confusos, pois ele sente a necessidade súbita de abraça-lo de toca-lo, vontade há tempos suprimida.
Vontade que não podia mais ficar escondida, pelo menos não enquanto estivesse perto do amigo otimista.
...
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