Sentença de Amor

10 Capítulo 10


Capítulo 10: Eu achei que você era meu pai.

A ausência de Gwen tornou-se um peso esmagador na vida de Kate. A cada minuto que passava, a culpa a consumia. Ela se sentia responsável por não ter protegido sua filha, por ter permitido Ella se aproximar de suas vidas novamente. O pânico e a angústia se transformaram em um estado de apatia profunda, e a arte, que antes era sua tábua de salvação, agora parecia um fardo. Só queria Gwen de volta. Queria dizer que a amava. Nunca tinha dito isso, estava perdendo de novo.

A busca por Gwen se intensificava, mas cada hora sem notícias dela era um lembrete doloroso do que Ella era capaz. Uma manhã inteira de silêncio e desespero, Kate passou a se fechar em seu mundo, isolando-se de todos, incluindo JC, que fazia tudo o que podia para trazê-la de volta à realidade. Mas ela estava sucumbindo de novo.

Ela se sentava em seu estúdio, cercada por telas em branco e pincéis não utilizados, os olhos perdidos em um abismo de desespero. As cores que antes a inspiravam agora pareciam apagadas, e as vozes que uma vez ecoaram com promessas de um futuro brilhante tornaram-se sussurros distantes. A ideia de voltar a pintar, de expressar seus sentimentos, parecia quase impossível. Sentia falta de Gwen e nada poderia fazer.

- Kate, precisamos conversar! — JC disse a tarde, sua preocupação em cada palavra. Ele se aproximou dela, tentando quebrar a barreira que a isolava. — Você não pode continuar assim. Gwen precisa de você. Eu preciso de você.

- Eu… eu não posso, JC. Eu deixei ela ser sequestrada. Se eu não consegui protegê-la, como posso ser uma mãe? — Ela olhou para ele, mas suas palavras cortaram o seu coração. Kate tinha tanta culpa dentro de si.

- Isso não foi sua culpa — ele insistiu, a frustração começando a transparecer em sua voz. — Ella é a responsável por isso. Você fez o melhor que pôde, e agora precisamos ser fortes por Gwen.

- Mas e se nunca a encontrarmos? — Kate sussurrou, a voz falhando. — E se ela não voltar? Eu não posso suportar a ideia de perder a minha filha de novo, JC. Ella tinha me avisado para não chegar perto de vocês, e eu não fiz o que ela queria... Ela levou Gwen de mim, como disse que faria.

Ele se agachou na frente dela, segurando suas mãos.

- Ela vai voltar, não existe: e se! Precisamos acreditar nisso. Você não pode se entregar agora. Gwen precisa saber que você está lutando por ela, que você a ama e que a espera. Ela é forte e vamos todos conseguir passar por essa!

Kate baixou os olhos, a culpa ainda pairando sobre ela.

- Eu não sei se tenho força para isso. Cada hora que passa, sinto que a esperança está se esvaindo. — Kate limpou com as costas da mãos as lágrimas insistentes. — Ella disse que se me aproximasse, Gwen pagaria o preço e a felicidade que vivi aqui me fez esquecer isso. Eu...

- Vamos encontrá-la juntos. Você não está sozinha nisso. Eu estou aqui com você — ele disse determinado. — Vamos fazer o que for necessário para trazer Gwen de volta para casa a salvo.

JC a abraçou e ela deixou-se ser abraçada recebendo o apoio e conforto dele. Somente ele entendia sua dor, ele também havia perdido Gwen. Ele nunca imaginou que iria passar por algo assim e queria que Kate também não. Eles passariam por isso, JC afirmou em pensamento. Ficaria juntos levasse o tempo que for.

Enquanto isso, Sebastian se esforçava ao máximo para reunir informações sobre o paradeiro de Gwen. Ele tinha sua própria equipe de investigadores e estava em contato constante com a polícia, a angústia de não poder fazer mais pesava sobre seus ombros. Mais um dia sem notícias.

- Kate, eu sei que você está passando por um momento difícil, mas você é forte. — Sebastian disse em uma das conversas que tiveram. Eles ficaram muito próximos. — Não se esqueça de quem você é. Você já passou por tanta coisa. Gwen precisa de você e você precisa dela.

- Pareço estar novamente na cadeia sem chance alguma de escapar. — Kate respondeu cheia de dor.

- Lembre-se da sua arte, Kate. É sua voz, seu poder. Se você conseguir canalizar essa dor em algo criativo, talvez consiga se reconectar e encontrar a força que está escondida dentro de você — Sebastian sugeriu.

Essas palavras, embora difíceis de aceitar, acenderam uma pequena chama de esperança em Kate. Em um momento de lucidez, ela decidiu que precisava tentar. Mesmo que fosse apenas um pequeno passo, era um passo na direção certa. Já que a espera e as buscas estavam longe de terminar.

Na mesma tarde, ela entrou em seu estúdio, onde as telas ainda estavam em branco, e decidiu que era hora de enfrentar seus demônios. Com um misto de tristeza e determinação, ela pegou um pincel e começou a traçar linhas, permitindo que a dor fluísse.

As cores começaram a surgir, Kate deixou que os sentimentos guiassem suas mãos. A cada pincelada, a culpa e o desespero se transformavam em algo mais, algo que ela poderia controlar. Sua arte começou a se tornar um reflexo de sua luta interna, uma maneira de canalizar suas emoções e encontrar uma conexão com Gwen, mesmo que à distância.

E, enquanto Kate lutava para se reencontrar, a busca por Gwen continuava, e a determinação de JC e Sebastian em trazê-la de volta se tornava mais forte.

- Onde está Kate? — JC pergunto quando só viu Sebastian sentado no sofá com seu notebook no colo.

- Consegui fazer ela ocupar a mente enquanto estamos sem notícias! — Sebastian apontou com a cabeça a porta do estúdio. — Consegui congelar as contas deles. Se tentar fugir vai dar trabalho.

- Alguma notícia da polícia? — questionou JC.

- Nada. — Sebastian revirou os olhos.

- Investigadores?

- Estão rastreando os locais em que Ella esteve, provavelmente até amanhã conseguimos a localização! — afirmou Sebastian.

Eles estavam determinados a estragar os planos de Ella. No fundo de sua dor, JC começava a se lembrar de que a esperança ainda existia e, com isso, uma nova determinação começou a florescer.

[...]

No cativeiro, a tensão no ar era palpável quando Ella decidiu que era hora de agir. Com a situação se fechando rapidamente e a pressão aumentando à medida que Sebastian continuava a reunir provas contra ela, suas contas estarem congeladas e sua localização poderia ficar comprometida, Ella percebeu que precisava encontrar uma maneira de contornar a situação. O sequestro de Gwen era uma jogada arriscada, mas ela acreditava que ainda tinha o controle da situação.

Com isso em mente, Ella ligou para Sebastian, sabendo que ele não estaria grampeado. Usando um número desconhecido, mantendo sua identidade em segredo.

- Sebastian Hidden... — disse ela com uma voz fria do outro lado da linha. — O cão de caça...

- Quem é você?!

- Ella!

- Onde está Gwen?! — ele raivoso. — O que diabos você quer?

- Eu quero negociar. — Ella disse carregada de confiança.

- Negociar o quê? — Sebastian perguntou, cético.

- Eu quero fazer um acordo. Você e eu podemos resolver isso sem mais problemas, sei que você é o cão de caça de JC. Todas as provas estão com você! — Ella prosseguiu. — Eu estou com Gwen.

O coração de Sebastian disparou. Ele sabia que Ella era capaz de tudo, mas ouvir nome de Gwen ser mencionado de forma tão casual fez com que a raiva e o medo se misturassem. Gwen não era um produto.

- Onde ela está? Está bem? Onde você está se escondendo?

- Calma — Ella respondeu, quase com um sorriso. — Não estou aqui para machucar Gwen, ainda. Quero apenas garantir minha liberdade. Podemos trocar a menina pelas provas que você tem contra mim.

- Você não pode fazer isso — Sebastian disse, a voz tremendo de indignação. — Você acha que pode negociar com a vida de uma criança? Gwen não é uma moeda de troca.

- Se você realmente se importa com ela, fará o que for necessário para salvá-la — Ella declarou, a frieza em sua voz revelando a verdadeira natureza dela. — Se você me entregar as provas, eu entrego Gwen. Sem perguntas.

- Isso não vai acontecer. Eu vou expor você — Sebastian afirmou, sua determinação. — Você não pode simplesmente sair impune.

- Ah, mas eu posso. E você sabe que essa é a única maneira de garantir que ela esteja em segurança. Pense bem, Sebastian. Com uma simples ligação, você pode acabar com toda essa situação. O que é mais importante para JC: a verdade ou a segurança de Gwen?

Ele sentiu a pressão aumentando, a realidade de sua situação se tornando cada vez mais sombria. Embora quisesse desesperadamente salvar Gwen, ele também sabia que ceder a Ella significaria colocar em risco não apenas a segurança de Gwen, mas também permitir que ela continuasse impune em seus crimes.

- Você está perdendo tempo, Sebastian! Eu preciso que você mantenha JC sob controle, ou tudo vai por água abaixo! — disparou Ella.

Ele suspirou, esfregando a têmpora. As manipulações de Ella começavam a pesar em sua consciência, e ele não conseguia mais esconder seu cansaço.

- É fácil falar — respondeu, o tom carregado de irritação. — Você não entende o quanto é complicado lidar com JC. Ele não cede a ninguém…

Sebastian fez uma pausa, hesitando. As palavras escaparam antes que ele pudesse se conter.

- A única pessoa que pode controlar JC é Kathryn.

Houve um silêncio do outro lado da linha. Ele percebeu o erro tarde demais. A risada baixa e calculista de Ella ecoou pelo telefone, seguida por uma resposta carregada de malícia.

- Interessante... — disse ela lentamente, já arquitetando como poderia usar essa informação. — Muito interessante.

Sebastian sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

- Então você está disposto a correr o risco de perder Gwen para sempre? — Ella retrucou, a ameaça em sua voz. — Eu sugiro que você pense com cuidado, Sebastian. O tempo está se esgotando.

A ligação foi encerrada abruptamente, deixando Sebastian em um estado de frustração e desespero. Ele sabia que não poderia deixar Ella sair impune, mas a ideia de que Gwen estava em perigo o atormentava. O que ele deveria fazer? Ele não podia apenas ignorar as ameaças dela, mas também não queria dar a ela o que queria.

Sem saída, Sebastian saiu do escritório e procurou por JC, para contar sobre a ligação e a proposta de Ella. O desespero refletido em seus rostos. Ele se aproximou de JC e comentou sobre a ligação em seu ouvido. Sebastian não tomaria nenhuma decisão quanto isso sem falar com JC.

- Essa maldita deveria ter me ligado! — indignou-se JC. — Ela está desesperada.

- Ela não é confiável. Não importa o que ela diga, não podemos permitir que ela saia impune. Estamos próximos de conseguir a localização dela — Sebastian afirmou com determinação. — Mas precisamos pensar em um plano. Não podemos perder Gwen.

- Pelo menos sabemos que Gwen está bem. — JC acrescentou com alívio. — Precisamos encontrar uma maneira de resgatar Gwen. Antes de tudo.

- Eu vou continuar a reunir provas. Se conseguirmos manter Ella sob estresse, podemos descobrir onde ela está mantendo Gwen. — Sebastian sugeriu. — Eu tenho algumas conexões que podem nos ajudar a rastrear o telefone que ela usou para ligar.

Sebastian saiu para fazer uma ligação. JC olhou para a porta fechada do estúdio e prometeu silenciosamente, que Gwen voltaria para ele. Para eles!

[...]

A negociação entre Sebastian e Ella não havia dado certo, e a tensão pairava no ar, como uma tempestade prestes a estourar. O que deveria ser uma negociação simples, se transformara em um jogo de gato e rato, onde Ella tinha todas as cartas na mão.

Ella então arquitetou um novo plano. Com os contatos a mão ela fez uma ligação. Demorou algum tempo para ser atendida.

Kate estava sentada no estúdio os olhos inchados de tanto chorar, quando o celular vibrou em suas mãos. Ela olhou para a tela e sentiu o coração acelerar ao ver um número desconhecido. Hesitante, atendeu.

- Alô? — disse trêmula e confusa

A resposta veio carregada de frieza e controle.

- Sentiu saudades?

Kate congelou. Era Ella.

- O que você fez com minha filha? Onde está Gwen? — ela gritou, sua voz entrecortada por desespero.

Do outro lado da linha, Ella riu suavemente, um som que fez o sangue de Kate gelar.

- Calma, querida. Gwen está comigo, e está bem... por enquanto. Mas isso sempre depende de você.

- Porque você está fazendo isso comigo e com Gwen?! — Kate segurou o desespero.

- Precisamos conversar! — Ella sorriu. Sempre soube como controlar Kathryn. — Não está com saudades? Foram cinco anos longe...

- Me diga onde ela está! — Kate exigiu, as lágrimas ameaçando cair.

- Tão impaciente... Cinco anos não foi o suficiente? — Ella murmurou, como se estivesse saboreando cada palavra. — Se quiser vê-la, venha ao meu encontro temos muito o que conversar. Mas sozinha. Sem JC, sem a polícia. Eu vou mandar a localização em alguns minutos. Ah, e não tente ser esperta, Kate. A segurança de Gwen depende de você. Você se lembra de como você deve ser grata, certo?

Kate apertou o celular contra o ouvido, o desespero crescendo como uma onda.

- Não faça nada com ela! Eu vou. Só... só não machuque minha filha, por favor.

Ella sorriu do outro lado da linha, satisfeita.

- Boa menina. Estou esperando.

A ligação foi encerrada antes que Kate pudesse responder. Ela olhou para o celular, as mãos tremendo. Sabia que estava caminhando direto para a armadilha de Ella, mas não havia escolha. Salvar Gwen era tudo o que importava.

Kate, consumida pelo desespero, assistia enquanto o mundo ao seu redor desmoronava. O que ela mais temia estava se concretizando: Gwen estava em perigo, e agora parecia que a única maneira de salvá-la seria entrar em um acordo com Ella.

Enquanto isso, Ella continuava com seu plano. Ela não estava disposta a esperar. Se a negociação não progredisse, ela se tornaria cada vez mais impiedosa, ligou para Sebastian novamente para despistar seu real plano.

- Você não tem ideia do que pode acontecer se não me entregar o que eu quero — ela ameaçou em outra ligação, em seu tom frio e calculista e logo em seguida desligou com um sorriso.

Ella mandou o endereço do encontro no celular de Kate, tinha salvar Gwen a qualquer custo. Kate se preparou para o que estava por vir. No fundo de seu coração, ela esperava que essa fosse a única chance de salvar Gwen.

Kate aguardou até que tudo estivesse silencioso na casa de JC. Ele estava em outro cômodo, ocupado com a polícia e fazendo ligações para tentar rastrear qualquer pista de Gwen. Aproveitando o momento, ela pegou sua bolsa, calçou os sapatos com cuidado para não fazer barulho e saiu pela porta dos fundos, o coração martelando no peito.

A noite estava fria, e o silêncio do lado de fora fazia o som de seus próprios passos parecer ensurdecedor. Kate pediu um carro no aplicativo e foi ao encontro de Ella. Assim que entrou no carro, ela verificou a mensagem de localização enviada por Ella. O endereço era um lugar isolado, fora da cidade. Kate engoliu em seco, mas disse ao motorista que seguisse a rota e seguiu rumo ao desconhecido, cada quilômetro parecendo uma eternidade.

Enquanto o motorista fazia o caminho, sua mente estava a mil. O que Ella poderia querer? Era óbvio que se tratava de uma armadilha, mas Gwen precisava dela. Só de pensar na possibilidade de não encontrar sua filha, lágrimas ameaçavam cair novamente, mas Kate respirou fundo, tentando manter a clareza.

Ao chegar ao local indicado, um galpão velho no meio de uma estrada deserta, o motorista pegou o dinheiro da corrida e tinha mais desespero em sair daquele lugar isolado, quando ela desceu do carro com as pernas trêmulas. O lugar parecia abandonado, as luzes apagadas, e o vento fazia as árvores ao redor balançarem sinistramente, Kate se dirigiu a entrada do local, seu coração disparando. Ella a esperava, com um sorriso arrogante nos lábios, confiante de que havia vencido mais uma vez.

O som de seus passos ecoou pelo lugar. Ella com sua figura elegante destoando do ambiente sombrio. Ela sorria tranquila como se tudo estivesse indo de acordo com o planejado, mas seus olhos traíam a intensidade de sua personalidade.

- Você veio. Como eu sabia que viria — disse Ella, cruzando os braços com um brilho de triunfo em seus olhos. — Eu sabia que você não resistiria ao chamado da maternidade.

Kate deu um passo à frente, a voz carregada de emoção.

- Onde está minha Gwen? O que você fez com ela?

Ella inclinou a cabeça, quase divertindo-se com o desespero de Kate.

- Calma, minha querida. Gwen está segura... por enquanto. Mas antes, precisamos conversar.

- Você sabe que vim pelo bem de Gwen. Quero ela de volta, e estou disposta a fazer o que for preciso para isso. — Kate respondeu, mantendo a voz firme, apesar do medo que a consumia. — Não tenho interesse em conversar com você!

Kate respirou fundo, sentindo a tensão crescer a cada segundo. Ela sabia que estava à mercê de Ella, mas também sabia que faria qualquer coisa para trazer Gwen de volta.

- Pode trazê-la! — Ella pediu para alguém.

Com o coração disparado, os olhos vasculhando cada canto em busca de Gwen. Um homem estranho trouxe Gwen e a faz sentar em uma cadeira ao lado de Ella. Seus olhos estavam marejados, mas ela parecia fisicamente bem.

- Kate! — Gwen gritou, tentando se levantar, mas Ella colocou a mão no ombro da menina, mantendo-a no lugar.

- Calma, pestinha. Sua mãe está aqui agora — disse Ella, mas antes que permitisse as duas se encontrarem destilou seu veneno: — Essa mãe que te abandonou enquanto era um bebê. Você a quer?

- Pare com isso Ella! — Kate gritou. — Gwen é inocente!

- Eu sei que Gwen não sabe que você é a mãe dela, mas eu contei, que ela tem uma mãe inútil. — sua voz fria e controlada, enquanto dava um passo para trás, permitindo que elas finalmente se encontrarem.

Gwen sentindo a pressão diminuir em seu ombro correu até Kate e a envolveu em um abraço apertado, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela segurou a filha como se pudesse protegê-la de todo o mal do mundo, ignorando completamente Ella por um momento.

- Está tudo bem agora, meu amor. Estou aqui — sussurrou, a voz embargada. — Prometo que tudo vai ficar bem.

- Você que é minha mamãe?! — ela perguntou com as lágrimas escorrendo no rosto pequeno, Kate limpou com o polegar.

- Não chora! — pediu ela. — Você vai ficar bem!

Gwen chorava baixinho contra o peito da mãe, agarrando-se a ela com força. Kate acariciava o cabelo da menina, tentando transmitir a calma que ela mesma não sentia.

- Que cena comovente, mas você não vai admitir que é a mãe dela? — murmurou Ella, quebrando o momento. — Gwen, está vendo que você tem uma mãe inútil? Nem com toda a verdade, ela admite que te abandonou!

- Não fala assim da Kate! — Gwen gritou ainda agarrada ao pescoço de Kate.

- Calma querida! — Kate alisou o cabelo dela. — Quer parar com isso Ella!

- Não se esqueça, Kate, você está aqui porque eu permiti.

Kate levantou o rosto, encarando Ella com um misto de raiva e determinação.

- Você tem o que quer, Ella. Agora deixe minha filha ir.

Ella sorriu enigmaticamente, como se ainda tivesse algo guardado.

- Talvez... mas ainda precisamos resolver algumas coisas. Não será tão simples assim. Você quer quebrar o trato de novo? Não combinamos de conversar?

- Diga logo o que você quer?

Kate apertou Gwen com mais força, sentindo que a batalha ainda não havia terminado, mas jurando a si mesma que não deixaria Ella vencer. Kate manteve Gwen firmemente nos braços, sem desgrudar os olhos de Ella. A presença dela, com seu sorriso enigmático e controle absoluto da situação, fazia cada segundo parecer uma eternidade.

- Kate, é tão simples — começou Ella, com a voz calculadamente doce. — Tudo o que quero é você. É um sacrifício que só uma boa mãe faria, não acha?

Kate franziu o cenho, protegendo Gwen ainda mais.

- Do que você está falando? Eu não vou deixar minha filha com você!

Ella deu alguns passos à frente, com calma.

- Não vou machucá-la, claro que não. Eu sou uma pessoa razoável. — ela sorriu diabólicamente. — Mas a questão é que você, Kate, é quem eu preciso. Pense nisso: Gwen vai estar segura, livre disso tudo. Mas para isso, você precisa confiar em mim e deixar que ela vá embora enquanto você fica no lugar dela.

Kate hesitou, confusa e aterrorizada. Ela sentiu o olhar assustado de Gwen para ela.

- Mamãe, não... — sussurrou a menina, com a voz embargada. Em meio ao caos a menina estava aceitando-a como mãe. Ela ficou emocionada.

Ella aproveitou o momento para intensificar o controle.

- Vê? Você pode fazer isso por ela. Pode salvá-la. Não seria o maior ato de amor de uma mãe?

Kate olhou para Gwen, o coração apertado. Sua mente lutava contra o pânico, tentando encontrar outra saída, mas a lógica cruel de Ella parecia uma armadilha perfeita.

- Está bem — disse Kate, com a voz trêmula. — Mas quero ver Gwen sair daqui primeiro. Quero vê-la longe daqui e segura!

- Vamos fazer isso, mas tenha em mente: se você tentar alguma coisa, não hesitarei em machucar sua filha. — Ella abriu um sorriso satisfeito, como se já soubesse que esse seria o desfecho. — Claro, também sou uma mulher de palavra ou contrário de você!

Dois homens sob o comando de Ella se aproximaram para pegar Gwen, enquanto Kate a abraçava pela última vez.

- Escute, querida! Vai ficar tudo bem. Vou cuidar disso. Seja forte, tá? — sussurrou Kate, tentando soar convincente apesar do medo que consumia sua voz.

Assim que Gwen foi levada para fora, Ella se virou para Kate, o sorriso frio ainda no rosto.

- Você tomou sua decisão. Mas lembre-se... foi você quem escolheu isso.

Kate percebeu tarde demais o verdadeiro plano de Ella. Tudo havia sido manipulado para parecer que ela tinha trocado de lugar voluntariamente, mas era Ella quem sempre estivera no controle. O medo deu lugar à determinação. Se era isso que Ella queria, Kate faria de tudo para virar o jogo, mesmo dali de dentro.

Ella observou Kate por um momento, como se estivesse avaliando suas intenções.

- Você é corajosa, mas não pense que isso vai acabar bem para você.

Kate respirou fundo, o coração pesado com a decisão que havia tomado.

- Mas eu gosto do seu espírito. — continuou ela.

[...]

JC andava de um lado para o outro na sala, as mãos passando pelos cabelos em sinal de frustração. A ausência de Kate estava começando a consumir sua paciência. Ele havia vasculhado todos os cômodos da casa, mas ela não estava em lugar nenhum.

- Kate não está em casa! — disse JC aflito. — Já procurei em todos os lugares.

Sebastian saiu do escritório de JC com a gravata frouxa e o semblante cansado.

- Isso não faz sentido! Ela jamais sairia assim, não agora — murmurou para si mesmo, pegando o celular e ligando para ela novamente.

O telefone tocou apenas duas vezes antes de cair direto na caixa de mensagens.

- Ela sumiu. Não está em casa, e não me avisou nada. Algo está errado. Preciso saber onde ela está — JC explicou, a preocupação evidente em sua voz.

- Talvez eu tenha uma pista — Sebastian se sentia culpado. — Deixei escapar para Ella que Kate tinha controle sobre você!

- O que? — JC voltou-se para ele.

- Naquela ligação mais cedo. — disse Sebastian.

- Ah merda! Preciso que rastreie o telefone de Kate agora! — exigiu JC, ignorando o tom de irritação.

- Estava fazendo isso quando começou a procurá-la. — disse ele. — Recebi um ligação de um dos investigadores, Ella ligou para Kate e mandou algumas mensagens e uma localização. Kate deve ter ido para lá.

Sebastian hesitou por um momento, mas o tom grave de JC o fez ceder.

- Encontrei a localização. Está a cerca de 20 km daqui, em um lugar afastado.

- Vamos atrás dela agora! — gritou JC desesperado.

JC encarou o celular, o coração disparando. Ele sabia que algo estava terrivelmente errado. Sem perder mais tempo, pegou as chaves do carro e saiu em disparada, determinado a encontrar Kate e entender o que estava acontecendo.

Um sentimento estranho passou por ele. Sentia raiva de Kate por não ter falando com ele e também de si mesmo por não ter previsto isso. Tudo estava escapando de suas mãos sem que tivesse controle.

Aquele lugar não era um ponto de encontro aleatório, tinha certeza de que já ouvira falar dele em suas investigações envolvendo Ella, pensou Sebastian.

- Isso vai dar problema — murmurou para si mesmo, pegando o casaco. Ele decidiu ir atrás de JC. Se Ella estava envolvida, ele sabia que precisaria estar por perto para controlar os danos.

O carro de JC derrapou na estrada de terra ao se aproximar do galpão abandonado. Seus faróis iluminaram a estrutura velha e sombria, enquanto ele saía do veículo com pressa, os músculos tensos e o coração batendo rápido. Com a localização em mãos, ele sabia que Kate e Gwen estavam ali, e que o tempo era seu maior inimigo.

JC entrou no galpão sem hesitar, os olhos ajustando-se rapidamente à penumbra. Ele ouviu um leve som de choro vindo de uma sala nos fundos e correu na direção. Ao abrir a porta, viu Gwen sentada no chão, abraçando os joelhos, com o rosto cheio de lágrimas.

- Gwen! — JC chamou, sua voz forte, mas com um tom de alívio.

A menina levantou o olhar e correu para os braços dele, soluçando.

- Kate... ela está com a mulher má! — Gwen disse, entre lágrimas, apontando para outra porta do galpão.

JC pegou Gwen nos braços, tentando acalmá-la. Ele olhou em direção à porta que ela indicava, sabendo que precisava agir rápido.

Antes que Kate pudesse reagir, Ella fez um sinal para o homem, que se lançou sobre ela com uma força implacável. A luta foi rápida, e antes que Kate pudesse gritar por ajuda, ela foi arrastada para o carro, enquanto Ella se certificava de tudo havia saído conforme planejado.

De repente, JC ouviu o som de pneus cantando do lado de fora o que chamou sua atenção. Ele correu até a saída com Gwen, apenas para ver um carro preto arrancar em alta velocidade. Ele sabia quem estava lá dentro.

- Droga! — JC exclamou, cerrando os punhos.

Ele olhou para Gwen, que ainda tremia em seus braços.

- Eu te prometo, pequena, vamos trazer Kate de volta.

Com Gwen a salvo, JC sabia que não podia perder tempo. Ele ligou para Sebastian imediatamente. Sebastian estacionou o carro atrás do dele, ele desligou o telefone e foi até Sebastian.

- Ela levou Kate! Preciso saber para onde estão indo. Use os contatos que você tem e rastreie aquele carro! — ordenou, sua voz carregada de determinação.

Sebastian, já estava em ação. Tinha anotado a placa do carro quando passava por ele, e quase sofrerá uma acidente.

- Vou descobrir. Não se preocupe, JC, nós vamos pegá-la antes que ela possa fazer mais alguma coisa.

Enquanto segurava Gwen, JC respirou fundo, lutando para manter a calma. Ella tinha conseguido levar Kate, mas ele não permitiria que ela vencesse dessa vez. Essa batalha estava longe de terminar.

[...]

De volta à casa, JC colocou Gwen no sofá e a cobriu com um cobertor. A menina ainda tremia, agarrada a um travesseiro, os olhos perdidos. Ele sentou-se ao lado dela, passando a mão gentilmente por seu cabelo.

- Está tudo bem agora. Você está segura aqui comigo — disse ele, tentando manter a voz firme, apesar da tempestade que se formava dentro dele.

Gwen olhou para ele com os olhos marejados.

- E a mamãe Kate? Ela vai voltar?

JC respirou fundo, sentindo o peso das palavras dela.

— Vou trazer ela de volta. Eu prometo.

JC levantou-se e caminhou para a cozinha, pegando seu celular. Ele olhou para o aparelho por alguns segundos, hesitante. Era uma decisão difícil, mas ele sabia que não podia fazer isso sozinho. Engolindo o orgulho, discou um número que não usava há muito tempo.

Após alguns toques, uma voz firme atendeu.

- Jamie? O que aconteceu? — perguntou o irmão mais velho, surpreso com a ligação inesperada.

JC respirou fundo antes de falar.

- Preciso de ajuda. É sobre Kate... e Gwen.

Do outro lado da linha, houve um breve silêncio. Era raro ouvir JC pedindo ajuda, e isso dizia muito sobre a gravidade da situação.

- Onde você está? — veio a resposta, direta.

- Em casa. Mas a situação é complicada. Ella... ela levou Kate. Preciso de todos os recursos que pudermos reunir para encontrá-la.

O irmão de JC, sem hesitar, respondeu:

- Estarei aí em 20 minutos. E vou trazer mais gente. Vamos resolver isso.

JC desligou e passou a mão pelo rosto, sentindo um misto de alívio e apreensão. Ele odiava depender de outros, mas sabia que, para salvar Kate, não havia espaço para orgulho. Enquanto esperava, ele olhou para Gwen mais uma vez.

- Vamos Kate de volta, pequena. Não importa o que eu tenha que fazer.

Quando Justin chegou à casa de JC, o ambiente estava tenso. Ele entrou com sua postura autoritária de sempre, os olhos analisando o local antes de se dirigir ao irmão.

- Você finalmente engoliu o orgulho e me chamou — disse Justin, com um meio sorriso, enquanto se sentava no sofá. — Isso significa que a situação é mais grave do que imaginei.

JC cruzou os braços, mantendo o olhar firme no irmão mais velho.

- Não tenho tempo para suas provocações, Justin. Ella levou Kate. Preciso da sua ajuda para encontrá-la.

Justin arqueou uma sobrancelha, recostando-se no sofá.

- Claro que vou ajudar. Mas, como você deve imaginar, nada é de graça.

JC cerrou os punhos, sabendo exatamente onde isso iria parar.

- Diga logo o que você quer.

Justin sorriu, satisfeito.

- Volte para o Grupo Carter. Você sabe que sua ausência tem sido um problema para mim. Preciso de você ao meu lado para manter nossa influência e expansão.

JC respirou fundo, lutando contra o orgulho que gritava dentro dele. Voltar para o Grupo Carter significava abrir mão de sua independência, de tudo o que ele havia construído sozinho. Mas, olhando para Gwen no sofá, ele sabia que não tinha escolha.

- Tudo bem, eu volto — disse JC, sua voz grave. — Mas com algumas condições.

Justin estreitou os olhos, curioso.

- Estou ouvindo.

JC deu um passo à frente, sua postura imponente.

- Primeiro, eu volto apenas como sócio, não como um subordinado. E vou continuar com meu projeto independente.

Justin inclinou a cabeça, avaliando.

- Continue.

- Segundo, você me dá total controle sobre as operações que envolvem o setor imobiliário. Quero liberdade para tomar decisões sem interferência.

Justin sorriu, claramente impressionado.

- Sempre negociando. Tudo bem, aceito.

- E terceiro — JC adicionou, sua voz mais dura — Você vai colocar todos os recursos da família nisso. Quero Ella exposta e Kate em segurança. Não mediremos esforços.

Justin levantou-se, estendendo a mão para o irmão.

- Negócio fechado. Você tem minha palavra, JC. Vamos encontrar Kate e acabar com Ella.

JC apertou a mão do irmão, o peso da decisão ainda em seus ombros. Ele sabia que estava voltando para um mundo que tentara deixar para trás, mas, por Kate e Gwen, faria qualquer coisa.

JC observou Gwen, agora sentada no sofá, os olhos cansados e inquietos. Ela estava visivelmente abalada, ainda tentando processar tudo o que havia acontecido, mas confiava nele como sua única segurança naquele momento. Ele sabia que, ao falar sobre sua mãe, não poderia deixá-la desmoronar mais do que já estava.

Ele se aproximou, sentando ao lado dela, com uma expressão mais suave do que o habitual. Gwen olhou para ele com aqueles olhos grandes, buscando respostas, esperando entender mais.

- Gwen, eu preciso te contar algo muito importante — disse JC docemente. Ele sabia que aquilo mudaria tudo, mas não podia mais esconder.

Ela olhou para ele com um olhar curioso e, ao mesmo tempo, ansioso.

- O que é, papai? — perguntou trêmula, como se tivesse medo de mais uma verdade dolorosa.

JC respirou fundo, sua mente focada em como explicar de forma que ela entendesse, sem causar mais pânico.

- Gwen, — ele começou, sua voz baixa, hesitou por um momento, buscando as palavras certas. — Kate… ela é sua mãe!

Os olhos de Gwen se arregalaram, uma mistura de surpresa e confusão estampada em seu rosto.

- Mas… eu achei que você era meu pai!

- Sim, eu sou seu pai, mas a mamãe… a mamãe é Kate. Ela te ama muito, e eu também. — JC respondeu, tentando transmitir segurança, mesmo com o coração apertado pela incerteza.

Gwen olhou para ele, processando a informação.

- Então, aquela mulher má disse que a Kate era minha mamãe... E ela vai sumir de novo?

- Não, não é isso, — JC apressou-se em dizer. — Ela vai voltar, e vamos encontrá-la. Mas agora precisamos garantir que você esteja segura... Sua mãe... A Kate...

O silêncio pairou no ar por um momento. Gwen piscou algumas vezes, claramente tentando processar as palavras de JC. Ela olhou para ele, como se procurasse mais alguma explicação que ele pudesse dar.

- A Kate… é a mamãe de verdade? — Gwen perguntou, as palavras saindo quase em um sussurro. Seus olhos começaram a se encher de lágrimas.

JC a olhou profundamente, o coração apertado.

- Sim, querida. Ela é sua mãe. E ela vai voltar para você. Vou fazer tudo o que for preciso para trazê-la de volta. Eu prometo.

Gwen ficou em silêncio por alguns segundos, e então a expressão no rosto dela mudou, uma mistura de alívio e confusão. Ela parecia estar entendendo, mas ao mesmo tempo, o medo da situação ainda a dominava.

- Mas… Ela vai voltar logo? — perguntou Gwen, com a voz abafada pelas lágrimas.

JC a puxou para mais perto, abraçando-a com carinho, tentando transmitir uma sensação de segurança, apesar de tudo. Ele sabia que ela precisava de mais que promessas, mas aquelas seriam as únicas que ele poderia oferecer naquele momento.

- Ela vai voltar, eu vou trazê-la de volta, Gwen. Nada vai nos separar. Eu não vou deixar que nada aconteça com ela. Você está segura aqui, mas agora vamos ter que esperar. Precisamos ser fortes, tá bom?

Gwen aninhou-se no peito de JC, um pequeno suspiro escapando de seus lábios, enquanto ela tentava, com dificuldade, lidar com a realidade. Ela agora sabia a verdade, mas o caminho para a segurança de Kate ainda estava distante.

Justin entrou na casa com sua postura confiante, com um plano traçado, os olhos observando cada movimento. Ele sabia que a situação era perigosa e, para garantir a segurança de Gwen, precisava agir rapidamente.

- Jamie temos que ser pragmáticos aqui — disse Justin, olhando para o irmão. — Ella tem Kate, e enquanto você lida com isso, a prioridade é proteger Gwen. Não podemos arriscar mais nada.

JC franziu o cenho, mas ele sabia que o irmão estava certo. Gwen não deveria ficar exposta em uma situação como aquela.

- Eu vou ficar com ela — JC respondeu, um pouco resistente. Não queria perder a proximidade com Gwen, principalmente agora, que ela começava a processar tudo o que acontecia ao seu redor.

Justin não hesitou.

- Não. Ela vai ficar comigo. Eu tenho mais recursos, mais proteção. Você vai atrás de Kathryn, mas enquanto isso, Gwen precisa de segurança total. Você sabe disso.

JC olhou para Gwen, que estava sentada no sofá, os olhos inchados de tanto chorar. O medo ainda estava estampado em seu rosto, e ele sabia que não poderia deixá-la sozinha. Mas, ao mesmo tempo, ele compreendia a necessidade de mantê-la protegida enquanto ele se focava na missão de resgatar Kate.

Gwen levantou o olhar quando ouviu o que ele teria que ir com Justin.

- Eu quero a mamãe! — Gwen disse, lágrimas começando a escorregar por seu rosto.

- Eu sei, querida. E eu também quero. Mas precisamos garantir que você esteja segura primeiro. — JC respondeu, sentindo a dor dela em seu coração. — Você é forte, e vai ficar bem. Vou cuidar de tudo.

- Onde você vai me levar? — perguntou chorando e olhando para Justin, ainda confusa sobre o que estava acontecendo.

Justin, vendo o medo nos olhos da menina, abaixou-se para ficar à sua altura, tentando ser o mais gentil possível.

- Você vai ficar em um lugar seguro, com proteção, Gwen. Eu não vou deixar nada acontecer com você.

Ela olhou para JC, como se procurasse algum tipo de confirmação, mas ele não tinha outra escolha a não ser concordar.

- Confie nele, Gwen... ele é o irmão do papai... — disse JC, forçando um sorriso suave, tentando passar uma calma que ele estava longe de sentir. — Vai ficar tudo bem. Eu vou encontrar a mamãe. E depois, todos estaremos juntos de novo.

Com isso, Justin pegou a mão de Gwen, levando-a para fora. JC observou-os saírem, sentindo um aperto no peito. Ele sabia que sua prioridade agora era Kate, mas deixar Gwen com Justin o deixava com um gosto amargo. No entanto, ele também sabia que o irmão seria capaz de proteger a menina como ninguém mais poderia naquele momento.

Enquanto Justin e Gwen se afastavam, JC se preparava para enfrentar Ella e resgatar Kate. Ele não descansaria até que ela estivesse de volta, segura em seus braços.

Ele se sentou em seu escritório, os olhos fixos no telefone. A incerteza e o medo o consumiam, mas ele sabia que precisava permanecer focado. A cada segundo que passava, a ansiedade aumentava. O silêncio se tornava ensurdecedor, e ele se perguntava se poderia confiar na próxima ação de Ella.

No dia seguinte, enquanto aguardava notícias, JC preparou um plano. Ele fez contato com Sebastian e outros membros do Grupo Carter para discutir os próximas passos.

- Precisamos estar prontos quando ela entrar em contato. — ele disse, seu olhar determinado. — Não podemos deixar que ela nos engane novamente.

Finalmente, após quase um dia de expectativa e desespero, o telefone tocou. JC atendeu imediatamente, seu coração batendo forte. A voz de Ella soou do outro lado, fria e calculista.

- Você está ansioso para ver Kathryn novamente?

- Onde está ela? — JC exigiu saber, apesar do medo que o consumia.

- Isso depende de você, JC. Podemos fazer um acordo, mas quero que você saiba que não haverá mais jogos. Você vai me ajudar a desaparecer, e então, talvez, eu deixe Kate ir. — Ella disse, seu tom arrogante.

JC sentiu a raiva borbulhar dentro dele.

- Nunca vou deixar você fugir. O que você está fazendo é errado, e você vai pagar por isso.

- Isso é algo que você vai descobrir em breve. — Ella respondeu, a frieza em sua voz era inconfundível. — Mas, por enquanto, lembre-se: o tempo está correndo. A escolha é sua.

Com isso, ela desligou, deixando JC com uma sensação de urgência e desespero. Ele olhou para o telefone, determinado a não deixar Ella ganhar. Agora, ele tinha um objetivo: descobrir onde ela estava mantendo Kate e colocar um fim nas ações dela. Ele não descansaria até ter Kate de volta em seus braços e, finalmente, colocar um ponto final na tirania de Ella.

[...]

Sebastian e JC estavam na sala da casa cercados por documentos e gráficos que mapeavam as operações do VBank, a empresa de investimentos do marido de Ella. JC estava nervoso e determinado, enquanto Sebastian analisava os papéis à sua frente, em busca de qualquer pista que pudesse levá-los a Kate.

- Ela tem que ter um motivo para estar envolvida com o VBank. — Sebastian disse, passando os dedos pelos documentos. — Se o marido da Ella estiver envolvido em algo suspeito, isso pode ser a chave para encontrá-la.

- Precisamos descobrir quais transações eles estão realizando. — JC respondeu, sua mente girando. — Ella está desesperada, e isso significa que eles devem estar em um lugar vulnerável.

Enquanto analisavam as contas e transações, Sebastian encontrou algo que chamou sua atenção.

- Olha isso, JC. Este depósito de grande valor foi feito para uma conta offshore em um país que frequentemente abriga criminosos. Não é uma coincidência.

JC se inclinou para olhar mais de perto.

- E isso é recente? Quando foi feito?

- Sim, parece que foi feito três dias atrás, logo após o sequestro de Gwen. — Sebastian confirmou, sua expressão ficando mais séria. — Se eles estão lavando dinheiro, isso pode significar que Ella e seu marido estão tentando cobrir suas pistas.

- Precisamos descobrir para onde esse dinheiro está indo. — JC disse, sentindo a adrenalina subir. — Isso pode nos levar diretamente a Kate.

Sebastian imediatamente começou a fazer ligações, contatando alguns contatos no setor financeiro para rastrear a origem do dinheiro. Enquanto ele trabalhava, JC começou a pensar no que fazer.

- Se Ella e o marido dela estão envolvidos em atividades ilegais, precisamos usar isso a nosso favor. — ele disse.

- Concordo. Se conseguirmos juntar as peças, poderemos pressionar a polícia e forçar Ella a agir. — Sebastian respondeu, digitando furiosamente em seu notebook. — Além disso, podemos usar essa informação como arma para conseguir uma negociação mais favorável para a libertação da Kate.

Algumas horas se passaram enquanto eles analisavam dados e faziam ligações. A tensão no ar era palpável. Finalmente, Sebastian voltou com uma nova informação.

- Eu consegui rastrear um encontro. Ella e o marido dela têm uma reunião marcada em um hotel da cidade para discutir alguns ‘negócios’.

JC sentiu uma onda de esperança.

- Isso pode ser a nossa chance. Precisamos ir até lá e descobrir o que está acontecendo. Se conseguirmos capturar algumas evidências do que estão fazendo, isso pode ser a arma que precisamos para derrubá-los.

- Então, vamos. Prepare-se, porque eles não vão hesitar em proteger seus segredos. — Sebastian alertou.

JC assentiu, já se preparando mentalmente para a possibilidade de um confronto. Ele sabia que essa poderia ser a oportunidade que esperava para encontrar Kate. Com a determinação, eles deixaram a casa de JC e seguiram em direção ao hotel.

Chegando ao local, eles se posicionaram estrategicamente, observando a entrada. O coração de JC batia acelerado, pensando em Kate e na necessidade de resgatá-la. Quando finalmente avistaram Ella e seu marido entrando no hotel, a adrenalina tomou conta.

- Lembre-se, precisamos agir com cautela. — Sebastian sussurrou. — Não podemos deixar que eles percebam que estamos aqui.

Enquanto se moviam em direção ao saguão do hotel, JC sentiu a pressão aumentar. Eles se escondiam atrás de colunas e móveis, escutando fragmentos de conversas, tentando juntar informações.

- Eu não posso continuar com isso por muito mais tempo. — Ella disse, sua voz baixa mas cheia de tensão. — A situação está se tornando incontrolável, e precisamos de um plano de saída. Não vou cair sozinha.

- Não se preocupe, tudo vai dar certo. — o marido dela respondeu. — Eu tenho contatos que podem nos ajudar. Basta manter a cabeça baixa e agir naturalmente.

JC trocou um olhar significativo com Sebastian, ambos compreendendo a gravidade da situação. Eles precisavam se aproximar e obter provas do que estava acontecendo.

Quando Ella e seu marido se dirigiram para uma sala de conferências, JC e Sebastian aproveitaram a oportunidade para se infiltrar. Com cuidado, eles se aproximaram da porta e ouviram a conversa.

- Você não entende o que está em jogo aqui. Se JC descobrir o que fizemos, tudo estará perdido. — Ella disse, claramente nervosa.

- Ele nunca vai saber. Estamos a salvo. — o marido dela respondeu. — Basta que continuemos com o plano e nos mantenhamos um passo à frente.

A revelação deixou JC em choque.

- Plano? Que plano? — ele murmurou para Sebastian, sua mente começando a correr.

- Precisamos entrar e ouvir mais. Se conseguirmos captar o que estão tramando, isso pode ser o que precisamos para salvá-la. — Sebastian sussurrou de volta, sua expressão determinada.

Antes que pudessem se mover, um grupo de seguranças começou a rondar a área.

- Precisamos ser rápidos. Vamos nos afastar e planejar uma entrada. — JC sugeriu.

Os dois recuaram para um canto, planejando como poderiam obter as informações sem serem descobertos. A tensão era palpável. Enquanto o relógio continuava a contar, JC sabia que cada segundo contava. Eles estavam prestes a expor os segredos de Ella e de seu marido e, finalmente, ter a chance de trazer Kate de volta para casa.

Um alvoroço começou a acontecer e JC e Sebastian tentaram voltar ao saguão, mas Ella e o marido haviam desaparecido.

[...]

No cativeiro, a tensão era palpável. Hug estava furioso, andando de um lado para o outro enquanto Ella o observava, tentando manter a compostura.

A situação estava fora de controle, ao ver JC no saguão do hotel os seguranças do grupo Carter, Hug não teve outra escolha a não ser parar a negociação com o grupo de traficantes.

- Você percebe o que fez, Ella? — Hug gritou, parando abruptamente e lançando-lhe um olhar cheio de raiva. — Todo o dinheiro que tiramos das contas laranjas, todas as transações... tudo está em risco agora! Não conseguimos passar o montante porque JC está na nossa cola.

Ella cruzou os braços, tentando manter o controle.

- Eu sei o que fiz, Hug! E fiz para garantir que JC caísse. Todo esse dinheiro que roubamos foi parte do plano. Mas você está tão obcecado em controlar tudo que esqueceu da nossa segurança!

Hug riu com desdém, suas mãos tremendo de frustração.

- Segurança? Você está brincando? Se não fosse por mim, você teria sido pega anos atrás! Eu fiz todo o trabalho sujo, enquanto você brincava de gato e rato com sua irmã.

Ella cerrou os dentes, se aproximando dele.

- Não venha me culpar! Você também concordou em usar Kate naquela época e beneficiou do dinheiro. Cada centavo que roubamos foi para garantir o seu império! E agora está me culpando por algo que fizemos juntos?

Hug se virou, a raiva ainda fervendo em seus olhos.

- Se você não tivesse sido tão imprudente, JC e Sebastian não estariam na nossa cola agora. Esse seu jogo pessoal contra Kate colocou tudo a perder.

Ella, não querendo admitir a culpa, rebateu com frieza.

- Não foi só por mim! Você queria destruí-lo tanto quanto eu. Não finja que estava fora disso. Você esqueceu o que a família dele fez com a sua?

Hug a encarou, um silêncio pesado caindo entre eles.

- Nós dois sabemos que não se trata só de dinheiro. Eu queria o dinheiro, sim, mas você... você sempre quis vingança. — Ella continuou.

- E agora, graças a essa obsessão por dinheiro, estamos à beira de perder tudo. — Hug berrou.

Ella sentiu o peso das palavras dele, mas se recusou a ceder.

- Se ao menos você tivesse mantido o plano original, em vez de tentar dobrar as apostas ao trocar Kate por Gwen, não estaríamos nessa situação.

Hug bufou, exasperado.

- O plano original? O plano era roubar o suficiente para sairmos de cena antes de sermos descobertos. Mas você nunca soube quando parar, não é?

- Eu estava fazendo isso por nós dois! — Ella gritou, finalmente perdendo o controle. — Mas você só pensa no JC.

- Eu queria destruir JC porque ele sempre foi o obstáculo, e você sabia disso. Mas em vez de me apoiar, você só pensa no dinheiro!

Hug a observou, seus olhos se estreitando.

- Dinheiro é a única coisa que nos mantém no jogo, Hug. Sem ele, somos apenas dois criminosos fugindo de nossas próprias armadilhas. E agora, estamos encurralados.

Hug sabia que Ella estava certa, mas não suportava admitir. Eles haviam chegado longe demais, e agora não havia mais como voltar.

- Vamos nos acalmar primeiro! — ao dizer isso ele saiu e deixou Ella sozinha.

[...]

Kate ouvia os gritos e se sentia cada vez mais desamparada. O lugar era sombrio, com paredes frias e um cheiro de mofo no ar. Ela tentava manter a calma, mas a sensação de claustrofobia a envolvia, enquanto aguardava. Ela estava com as mãos e os pés amarrados e amordaçada. Sentada em uma cadeira, não sabia se e era dia ou noite. E sentia fome.

Ella entrou no quarto, com um olhar carregado de fúria. Parecia a ponto de cometer um crime.

- Porque você tem tudo sem fazer absolutamente nada? Tudo que você tem agora: Gwen, JC foi eu quem permitiu, acha que pode escapar de mim, Kate? — Ella gritou, avançando em sua direção. Kate virou o rosto para o lado. Ella arrancou a mordaça. — Se eu te dei tudo, também posso tirar.

Kate tentou manter a calma. Ella segurou seu rosto fazendo-a encara-la e com ódio Ella levantou a mão e deu um tampa.

- Ella, isso não precisa acabar assim. Podemos resolver isso de uma maneira diferente. — Kate disse ainda sentindo a ardência do tapa.

Ella soltou uma risada fria.

- Resolver? Você realmente acha que eu me importo com o que você quer? Você destruiu minha vida, e agora vai pagar por isso.

Antes que Kate pudesse responder, Ella com raiva de ter sido pega por JC lhe deu outro tapa.

- Você sempre foi a artista perfeita, a filha inteligente, a mãe ideal mesmo quando você nem sabia com quem tinha dormido, a mulher que todos amam. Mas, na verdade, você é uma criminosa!

As palavras de Ella atingiram Kate como um golpe, mas ela sabia que precisava manter a compostura, porque nada daquilo era sua culpa.

- Por que você está fazendo isso? O que eu fiz para você? — perguntou, tentando entender a obsessão da irmã.

- Quer saber o que eu fiz para você? Te droguei naquele dia e você entrou no quarto errado, quando na verdade era para você ter dormido com Mac, ele não saia do meu pé então fiz com que ele tivesse minha outra versão. — Ella sorriu quando viu que Kate tinha ficado perdida.

- Mas... Você tinha me chamado para te buscar... Eu achei que tinha sido um acidente! — Kate sentiu a garganta de fechando.

- Vamos falar sobre a morte de Mac. — Ella disparou, seu tom de voz revelando a raiva reprimida. Ella se afastou de Kate. — Ele estava prestes a descobrir tudo, quando viu você grávida. Sabia que você não era a eu, porque tínhamos nos encontrado um dia antes e você estava prestes a dar a luz. Ele me mandou uma mensagem com sua foto e ele disse que iria te seguir.

- Porque...

- Mac... Era um inútil... Queria saber a verdade. Mas quando ele chegou na sua casa eu já estava lá. — confessou Ella com uma risada.

- Você matou Mac. — Kate afirmou, a indignação dominando suas emoções. Ela sempre havia pensado que ele era o pai de Gwen — Ele não fez nada de errado!

- Claro que fez! — Ella exclamou, perdendo a paciência. — Ele estava prestes a me entregar! E você? Estava lá e levou a culpa! Você sempre soube e nunca disse nada!

- Eu achava que ele era o pai de Gwen...

- Ele também achava! — Ella riu.

A revelação a atingiu em cheio. Kate se lembrou da noite em que Mac foi encontrado, da confusão e do desespero que se seguiram. Ella havia conseguido manipulá-la, fazendo com que ela assumisse a culpa.

- Você me forçou a fazer isso! — Ella gritou, seu tom raivoso. — Você sempre teve tudo! Mas agora, você vai pagar!

Kate sentiu uma onda de desespero.

- Você não pode simplesmente me culpar pelo que aconteceu! Você é a responsável. Você me usou e usou Mac nesse seu jogo doentio.

Ella se aproximou novamente, e de ódio lhe deu outro tapa com raiva. O que aquele rosto tinha que ela não tinha igualmente?

- Você não entende. Eu fiz o que precisava para sobreviver. Mas agora você está aqui, sozinha e vulnerável. — o rosto de Ella se tornou sombrio.

Kate sentiu as lágrimas escorrem pelo rosto, mas não se deixaria abater.

- O que você fez é inaceitável, Ella. Você não pode continuar assim. — sussurrou Kate.

Ella se aproximou ainda mais, com uma expressão de desprezo.

- Você acha que está segura aqui? Ninguém vai vir te salvar. Você é apenas uma marionete nas minhas mãos.

Kate tentou ignorar suas provocações, concentrando-se em encontrar uma saída. A situação era insustentável.

- Você pode tentar me intimidar, mas a verdade sempre vem à tona. — Kate respondeu, respirando fundo para se manter firme. — As pessoas descobrirão o que você fez. Mesmo que eu esteja morta.

Ella soltou uma risada amarga.

- E você acha que isso me importa? Vou me livrar de você, e então tudo estará resolvido!

Kate sentiu seu coração acelerar ao perceber a determinação de Ella. Era claro que ela estava disposta a tudo. Kate sabia que precisava resistir e encontrar uma maneira de escapar, mas para isso, precisaria de ajuda e um plano.

- Você pode me prender aqui, mas nunca vai me derrotar. — Kate declarou, reunindo toda a coragem que tinha. — A verdade sempre prevalece, e não vou deixar você me destruir até o fim.

A fúria de Ella se intensificou, e ela se aproximou mais, pegando uma lâmina no bolso de sua jaqueta e riscando o rosto de Kate.

- Você não é nada sem mim, Kate. E agora você vai pagar!

Nesse momento, Kate percebeu que a única saída era resistir. Ela precisava encontrar uma maneira de escapar e lutar pela liberdade, não apenas para si mesma, mas também por sua filha, foi tudo o que ela pensou antes de ficar inconsciente, após levar vários socos no rosto.

Notas finais
Comente o que achou... Até a próxima!