Sentença de Amor
11 Capítulo 11
Capítulo 11: Você não sabe de nada!
O contato de Justin entrou na casa de JC aquela manhã, com um semblante sério e com uma pasta nas mãos. Vestindo um terno impecável, seus olhos eram vazios como se não importasse com absolutamente nada.
- Bom dia! Sou August Smith. O senhor Justin Carter me orientou a fazer uma investigação. Aqui está o resultado. — o homem entregou a pasta a JC.
Enquanto JC lia os documentos que o investigador havia conseguido sobre as transações de Ella e seu marido, uma verdade perturbadora começou a surgir. Cada detalhe que ele revisava, cada decisão financeira e cada esquema parecia cada vez mais direcionado a ele. Uma sensação de inquietação o tomou, e ele percebeu que as peças estavam finalmente se encaixando.
- O alvo... Sempre fui eu... — JC murmurou, incrédulo. Ele se levantou, os olhos fixos em um ponto distante, enquanto as memórias dos últimos cinco anos passavam rapidamente por sua mente. Ele pensou em todas às vezes em que desconfiou de Kate, todas as acusações que ela carregou, e de como ele a tratou todo esse tempo, cego por mentiras.
Mas agora a verdade era clara como água: Kate nunca foi a verdadeira culpada. Ella tinha jogado um jogo cruel, mas até mesmo ela era apenas uma peça. O verdadeiro mentor de tudo isso estava escondido à sombra de Ella, seu marido, o homem que sempre esteve por trás das cortinas, manipulando os eventos para destruir JC, usando Ella como um instrumento para seus próprios planos.
Sebastian entrou na sala naquele momento, percebendo o ar sombrio de JC.
- O que foi, JC? Você parece ter descoberto algo.
JC, ainda em choque, virou-se para Sebastian com os olhos cheios de fúria. Entregando a pasta para ele.
- Eu estava errado sobre tudo. Ella foi uma parte disso, sim, mas ela também foi usada. O marido dela... ele está por trás de tudo isso. Ele não queria apenas me roubar por causa dos negócios. Ele usou Ella para me destruir. Tudo, aquele roubo de informações da empresa, a queda das ações, o sequestro, até o roubo das obras de Kate. Foi tudo uma forma chegar até mim.
Sebastian, também surpreso, leu o documento e juntou as peças rapidamente.
- Então, o verdadeiro inimigo sempre foi ele. Ella foi manipulada tanto quanto Kate. — Sabastian gesticulou incrédulo.
JC sentou no sofá, com o peso da revelação ainda sobre seus ombros. Desacreditado que havia arrastado Kate para isso tudo.
- Ella estava obcecada em me atingir, mas, no fundo, ela estava sendo controlada. O marido dela estava movendo todas as peças. Ele queria me arruinar de dentro para fora, e conseguiu usar Kate para isso.
- Isso explica muita coisa. — Sebastian concordou, pensativo. — Ele criou uma armadilha perfeita. Enquanto você focava sua atenção em Kate, ele se movia nos bastidores, desestabilizando sua empresa, sua vida... tudo.
JC sentiu um nó se formar em sua garganta.
- E Kate... pagou o preço. Ela foi ameaçada, manipulada, e levou a culpa por algo que nunca fez. Ella pode ter agido contra mim, mas o verdadeiro vilão é ele. O tempo todo, eu estava lutando contra a pessoa errada. — JC se sentia frustrado.
- Não podemos deixar isso assim, JC, — Sebastian disse determinado. — Se ele é o verdadeiro arquiteto por trás disso, precisamos ir atrás dele, expor cada um dos seus movimentos.
JC assentiu, com um foco totalmente voltado para Hug Stan.
- Vou resgatar Kate e acabar com tudo o que ele fez. Não importa o quanto ele tenha manipulado o jogo, eu não vou perder para ele. Kate e Gwen merecem uma vida livre dessas mentiras.
Sebastian olhou para ele.
- Estamos juntos nessa. Vamos fazer ele pagar pelo que fez, não só a você, mas a Kate também.
O marido de Ella poderia ter orquestrado um plano cheio de armadilhas, mas JC estava pronto para enfrentá-lo de frente, custe o que custar. Dessa vez, ele lutaria com todas as suas forças para recuperar sua família e expor a verdade.
E ele não descansaria até que Kate estivesse em segurança e o responsável pelo o seu sofrimento ser levado à justiça.
[...]
Jenny chegou na casa de JC, movida pela raiva e frustração pelo que tinha acontecido com Kate, se não fosse por ter conseguido falar com Mary e ouvido que Kate estava desaparecida, não saberia o que havia acontecido com ela. Estava com tanta raiva que acharia JC até no fim do mundo. Queria tirar a limpo aquela história, não permitiria que JC mais uma vez mexesse com ela. Ao tocar a campainha andava de um lado para o outro nervosa.
- Olá, bem vida senhorita Jenny! — a senhora Mary abriu a porta com o semblante tristonho.
- Onde está Kate?! — questionou Jenny, e a velha senhora segurou as lágrimas.
Jenny se sentiu comovida, e abriu os braços para receber a senhora que parecia tão próxima de Kate.
- Acho melhor você falar com JC. — Mary disse com a voz embargada. — Entre!
Jenny acompanhou a senhora até a sala onde estava JC, Sebastian e um outro homem de terno.
- JC... — a voz dela morreu no meio do caminho.
- Jenny!
- O que aconteceu com a Kate? Onde ela está? — insistiu ela.
JC foi até o bar e serviu duas dose de uísque. Oferecendo uma a ela.
- Quando Gwen foi sequestrada quatro dias atrás, pela irmã de Kate... — começou ele. — Kate ficou muito abalada, enquanto esperávamos notícias. A irmã dela conseguiu entrar em contato com ela e a fez trocar de lugar com a filha...
- Mas que piranha! — Jenny disse um palavrão.
- Bem, consegui resgatar Gwen, mas Kate... Foi levada em seu lugar. — continuou ele. — Estou com uma equipe de busca para encontrar Kate.
- Onde está Gwennie? Irei levá-la! Se está pensando que vai tomar a menina de Kate está muito engando. — Jenny foi categórica. — Não vou deixar ela com você.
- Calma Jenny! — Sebastian interveio.
- Fica na sua! — ela o desafiou apontando o dedo para ele. — Onde ela está?
Sebastian levantou as mãos em sinal de rendição. Aquela baixinha não era alguém que ele poderia desafiar quando queria.
- Gwen está em um lugar seguro! — JC explicou. — Minha família... Sou filho de Robert Carter.
- O senador? — Jenny ficou boquiaberta.
- Sim, — admitiu a contragosto — Meu irmão Justin Carter levou Gwen para um lugar seguro... Estamos fazendo uma força tarefa para encurralar Ella e o marido que aparentemente estão por trás de tudo isso...
Sebastian pegou a pasta que o investigador de Justin havia trago e mostrou a Jenny. Após a leitura o olhos de Jenny encheram de lágrimas, lembrando dos últimos anos em que Kate e ela estava na cadeia injustamente.
- Cinco anos.... — foi tudo o que ela disse, e todos no local sabia do que se tratava.
Jenny leu novamente as informações dos crimes e como uma advogada viu algumas coisas que chamou a sua atenção. Tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, aquilo era algo que ela estava investigando recentemente para colocar seu ex atrás das grades.
Um nome lhe chamou muito a atenção.
- Hug Stan? — Jenny leu novamente.
- Você o conhece?! — dessa vez Sebastian lhe questionou.
- Na verdade, ele está em minhas investigações sobre meu ex, aquele inútil que me colocou atrás das grades em seu lugar.
- Quais materiais você tem dessa investigação? — Sebastian perguntou interessado.
- Vou pedir a minha sócia para trazer. Um momento! — ela se afastou pegando o telefone e indo fazer a ligação.
JC olhou para o investigador que agora tinha em mãos, a transações financeira que Sabastian tinha reunido, e as analisando com as suas próprias.
- Agora temos mais uma pessoa para nós ajudar a investigar... — Sebastian apontou para Jenny. — Será se isso vai dar certo?
- Ela se preocupa com Kate, apenas deixe-a! — JC deu mais um gole no uísque. — Apenas a mantenha por perto, não deixe que faça besteira.
Sebastian balançou a cabeça em afirmação.
Jenny se juntou a investigação com seus contatos e habilidades, começou a fornecer informações cruciais sobre as operações de Hug e os caminhos que ele havia usado para esconder os crimes. Sebastian, com sua experiência em análise financeira e jurídica, foi capaz de conectar as peças que faltavam. Juntos, começaram a formar um quadro mais completo dos crimes de Hug, que iam muito além do que eles imaginavam.
- Ele vinha usando várias empresas fantasmas para lavar o dinheiro. — explicou Sebastian enquanto apontava para uma série de transações. — Essas transferências parecem pequenas, mas, somadas, são milhões desviados da empresa original, escondidos em paraísos fiscais.
Jenny concordou, sua expressão séria.
- E tudo isso sob o nariz de Ella. Ela pode ter sido cúmplice, mas Hug foi o verdadeiro cérebro por trás da operação. Ele usou o desejo dela para seu próprio ganho.
- Exatamente. Hug sabia como manipular Ella, usando o rancor que ela tinha contra Kate para esconder seus próprios esquemas. Agora que sabemos onde procurar, conseguimos mapear tudo. — Sebastian entregou alguns papéis para o investigador.
Hug havia cometido uma série de fraudes empresariais, desvio de fundos e lavagem de dinheiro, usando várias empresas laranjas para ocultar suas transações. Ele também estava envolvido em negócios ilegais, como tráfico de drogas.
Com as provas acumuladas, Jenny e Sebastian conseguiram montar um dossiê completo sobre os crimes de Hug. O envolvimento de Hug em fraudes empresariais, contrabando e até mesmo suborno de autoridades locais foi exposto. Eles também descobriram conexões com a compra de obras de arte roubadas, as mesmas que Hug usou para encobrir suas movimentações financeiras.
Enquanto trabalhavam juntos, Sebastian e Jenny começaram a superar as mágoas do passado. As longas horas investigando, compartilhando teorias e descobertas, trouxeram um entendimento mútuo. Jenny, que inicialmente estava furiosa com Sebastian por seu envolvimento indireto no contrato de Kate, agora via nele um aliado sincero, disposto a corrigir os erros do passado.
Sebastian olhou para Jenny que estava concentrada, com sinceridade.
- Eu sei que cometi erros no passado... especialmente com o contrato que envolveu Kate. Mas quero que saiba que estou aqui para consertar isso, de verdade.
- Eu sei, Sebastian. E vendo como você está lutando para desfazer os estragos, percebo que também errei ao te julgar. Estamos nessa juntos. — Jenny, antes resistente, suspirou e respondeu com a voz mais suave.
Agora, com o dossiê completo, estavam prontos para expor Hug publicamente e entregar as provas às autoridades. Hug, até então protegido por seu anonimato e seu relacionamento com Ella, estava prestes a enfrentar o peso da justiça.
- Temos tudo o que precisamos. — disse Sebastian, confiante. — Agora, é hora de colocar esse plano em ação e derrubá-lo de vez.
Jenny sorriu, com uma ideia ousada em mente.
- Podemos fazer algo maior... que tal jogarmos isso na internet? Com isso na mídia, o caso torna público e a opinião pública mais densa!
- Nesse caso, eu posso fazer isso! — JC disse com o telefone na mão. — Reúna tudo, vamos entregar aos jornalistas.
O cerco estava se fechando. Hug não tinha mais como escapar, e sua rede de crimes finalmente seria desmascarada.
[...]
Hug andava de um lado para o outro, seu rosto exposto na internet, tudo o que ele conquistou estava indo de água a baixo.
- Fomos pegos! — Hug se desesperou. Mas sem alterar a voz.
- O que quer dizer com isso? — Ella levantou do sofá alarmada.
- JC jogou tudo na internet, ele descobriu até os subornos, ele está derrubando a rede inteira. Temos que fugir... Se chegar em Gustav estamos ferrados!
- Não vamos fugir ainda, temos Kate para negociar nossa liberdade, podemos fugir para outro país! — insistiu ela. — Posso me passar por Kate e ir encontrar JC.
- Me parece arriscado demais!
- Vai dar certo, confie em mim.
- Certo! Se não conseguir, tente me avisar que vou tentar negociar com ele, usando Kate. — Hug ria por dentro, Ella era uma idiota, seria pega de qualquer jeito, que fosse em seu próprio plano.
- Se eu for pega, você pode até matá-la! — Ella sorriu.
Ella, sempre ardilosa e determinada a manipular os outros, decidiu jogar sua última cartada. Sabendo que o cerco estava se fechando sobre ela e Hug, e que suas opções eram cada vez mais limitadas, ela resolveu recorrer ao seu velho truque: se passar por Kate.
Ela conhecia cada detalhe da vida de sua irmã gêmea. Sabia como ela se vestia, como se comportava, e conhecia as fraquezas emocionais de JC. Agora, mais uma vez, ela estava disposta a usar essa semelhança para virar o jogo a seu favor.
Ella voltou à casa de JC, com sinais de agressões falsos, usando uma das roupas de Kate, sempre usava as roupas dela quando queria fazer algo errado. Sua aparência era idêntica à de Kate: o cabelo, o tom de voz dócil, a maneira como caminhava, havia treinado tempo demais se passando por Kate. Com os nervos de aço que a caracterizavam, ela se aproximou da porta de JC, confiante de que poderia enganá-lo mais uma vez.
JC estava na sala, distraído com os papéis da investigação, quando ouviu uma batida suave na porta. Ao abrir, foi tomado por um breve choque. Lá estava Kate, mas algo em seus olhos o fez hesitar por um momento.
Ela estava machucada e com os olhos cheiros de lágrimas. Parecia realmente abalada.
- Kate? — ele perguntou, confuso. — Você conseguiu escapar?
Ella sorriu, com a suavidade que sabia que sua irmã usava. Usou até mesmo um pouco de fragilidade.
- Sim, sou eu. Eu... JC. Consegui enganar os sequestradores e escapar. — Ella conseguiu encher os olhos de lágrimas.
Ela entrou sem esperar por um convite, movendo-se pela casa com a familiaridade de alguém que já havia estado ali muitas vezes. JC, ainda desconfiado, observava cada movimento. Algo não estava certo, mas seu coração queria acreditar que era, de fato, Kate diante dele. Que ela estava bem.
- Eles te torturam? — JC perguntou, tentando decifrar a situação. — Você sabe onde estava? Como consegui escapar.
Ella se aproximou, seu sorriso sedutor se ampliando.
- Eu percebi que não podia ficar longe de você. De nós. Lembra do que tínhamos, JC? Não precisamos mais nos afastar.
Ela tocou o braço dele suavemente, tentando quebrar sua resistência. Mas JC se afastou, sentindo uma tensão crescente. Ele podia sentir que havia algo de errado, algo no tom dela, algo que não encaixava com a verdadeira Kate.
- Por quê? — JC perguntou, estreitando os olhos. — Por que esse comportamento? Isso não parece com você.
Ella tentou disfarçar, inclinando a cabeça e dando um sorriso doce.
- Eu percebi que estava errada... sobre muitas coisas. Pensei que poderíamos recomeçar, esquecer esses problemas.
Ela deu mais um passo em direção a ele, sua mão alcançando o rosto dele com carinho, na tentativa de seduzi-lo e fazer com que ele abaixasse a guarda.
- Nós dois podemos fazer isso funcionar, JC. Somos bons juntos. — essas palavras não se encaixavam.
Mas JC, apesar de querer acreditar, finalmente percebeu. O olhar nos olhos de Kate não era o mesmo. Havia uma dureza, uma frieza que a verdadeira Kate jamais teria. De repente, todas as peças encaixaram no lugar.
- Você não é Kate! — acusou afastando-a.
Quando JC finalmente percebeu que a mulher à sua frente não era Kate, algo dentro dele se partiu. Ella, furiosa por ter sido desmascarada tão facilmente, perdeu a paciência. O disfarce perfeito que havia montado desmoronou, e sua expressão mudou drasticamente. Seus olhos, antes doces e manipuladores, agora estavam carregados de ódio e frustração. Ela riu, com uma frieza calculada.
- Então, dessa vez você percebeu!
- Por que está fazendo isso, Ella? — JC perguntou tenso — Já não causou danos suficientes? O que você realmente quer?
Ella o encarou, os olhos brilhando com uma mistura de desafio e arrogância.
- Eu quero o que sempre quis, JC. Eu queria subir na vida, e acabar com Kathryn. E, por um tempo, eu consegui. — ela riu com humor. — Mas você... Você é sempre uma pedra no meu caminho.
Ela balançou a cabeça, como se falando mais consigo mesma do que com ele.
- Mas ainda assim, eu queria ter o controle. Queria que você a odiasse, mesmo que só por um momento. E se você tivesse acreditado em mim, isso teria me dado a vantagem que eu precisava. — criticou ela com desprezo.
JC a olhou com tristeza e decepção.
- Você destruiu tantas vidas, Ella. Tentou destruir a sua própria irmã, me fez acreditar que ela era a culpada por tudo. Mas no fundo, você nunca foi a verdadeira responsável. Hug te usou o tempo todo.
Ella tentou manter a compostura, mas por um breve momento, uma sombra de dúvida passou por seu rosto. Ela engoliu em seco.
- Hug está te usando da mesma forma que você usou Kate nesse jogo sujo. — JC jogou a verdade na cara dela. — Ele está atrás de mim... E tá te usando para isso! Onde Kate se encaixa é que eu não sei ainda.
- Eu estava no controle de tudo, JC. Eu realmente acreditei nisso. — confessou ela. — Mas você está sempre lá para me atrapalhar.
Mas agora, ela sabia que seu plano havia falhado. JC não seria enganado novamente. E, talvez estivesse começando a perceber que ela mesma havia sido uma vítima de sua própria ambição e das manipulações de Hug.
JC deu um passo para trás, deixando claro que ela não tinha mais poder sobre ele.
- Acabou, Ella. Não tem mais como continuar com seus jogos. — ele apontou para fora da casa onde policiais estava no quintal esperando a ordem.
Ella o encarou por mais um momento, sabendo que havia perdido essa batalha.
- Talvez, mas isso não significa que desisti. — ela riu mais uma vez, sua voz afiada como lâmina. — Mas quer saber? Já que você descobriu, vou te contar a uma verdade. Vou acabar com essa sua ilusão de vez.
JC ficou em silêncio, seus olhos fixos nela, sentindo que o que viria seria devastador.
- Seis anos atrás... você acha que tudo o que aconteceu foi culpa da Kate, não é? Mas a verdade é que fui eu. Eu manipulei tudo.
- Eu já sei de tudo! — ele disse com raiva.
Ela deu um passo à frente, o olhar vingativo.
- Você não sabe de nada! Naquela noite... eu droguei vocês dois. Você e Kate. Vocês nem perceberam. Tudo estava sob meu controle, e aquele encontro, aquela noite de paixão que você dois tiveram, foi tudo orquestrado por mim!
JC sentiu um nó se formar em sua garganta, seu coração batendo acelerado.
- Do que você está falando, Ella? — ele gritou.
Ella riu, amarga.
- Estou falando sobre sua queridinha Gwen. Ela é fruto daquela noite. Kate nem se lembra do que aconteceu, ela acha que Gwen é filha de Mac, porque eu a apaguei, assim como você. Eu fiz isso para garantir que você ficasse preso a ela, preso a uma mentira que você nunca iria saber, imagina criar a filha de alguém que nunca seria sua?! Kate acha que entrou em um quarto errado, mas é mentira! Eu que fiz tudo de caso pensado.
JC cambaleou para trás, como se tivesse levado um golpe no estômago. Ele olhou para Ella, incrédulo, tentando processar a enormidade da revelação.
- Você... você fez isso? Por quê?
- Por que eu fiz isso? — Ella perguntou, sarcástica. — Porque eu sempre odiei o quanto você e Kate eram parecidos, o quanto vocês pareciam feitos um para o outro, sem nunca terem se cruzado. Eu queria destruir vocês dois. E a melhor forma de fazer isso foi jogando você contra ela, te fazendo acreditar que ela não era digna de confiança. Fazendo você colocá-la na cadeia.
JC sentiu a raiva crescendo dentro dele, uma mistura de revolta e desespero. Tudo o que ele havia acreditado sobre seu passado, sobre sua relação com Kate, estava sendo destruído naquele momento.
- Você usou a sua própria irmã... e Gwen... como ferramentas em seu jogo doentio?
Ella se aproximou, seu olhar desafiador.
- Sim. Eu fiz o que eu queria. E eu não me arrependo. O que importa agora é que você saiba a verdade. Tudo que você pensava ser real, toda a dor que você sentiu, foi por minha causa. E isso nunca vai mudar!
JC ficou imóvel, processando cada palavra de Ella. A mulher diante dele, que havia causado tanto caos em sua vida, tinha manipulado os momentos mais importantes de sua história sem que ele soubesse ou tivesse controle.
- Você destruiu tudo. — JC murmurou, a voz pesada de tristeza. — E por quê? Apenas por vingança? Para me controlar?
Ella apenas gargalhou.
- Para me divertir. E agora que você sabe a verdade, não pode desfazer o que aconteceu. Gwen é fruto desse meu plano. E não importa o quanto você tente, isso nunca vai mudar.
JC respirou fundo, tentando manter o controle de suas emoções. Ele sabia que tinha que proteger Gwen, proteger Kate, e agora mais do que nunca, precisava manter Ella longe de suas vidas. Mas a dor de saber que toda sua vida havia sido manipulada por uma vingança cruel o consumia.
- Você não vai me vencer, Ella. — ele disse determinado, apesar da dor. — Eu vou concertar todo esse estrago que você fez! Vou proteger Gwen e Kate de você e de Hug. Pode ter certeza!
Ella sorriu novamente, mas dessa vez, havia uma sombra de incerteza em seus olhos. JC não estava mais disposto a ser manipulado, e ela sabia que seu poder sobre ele estava desaparecendo.
- Veremos. — foi tudo o que ela disse.
Quando a polícia entrou na casa, a tensão no ar era palpável. JC observava em silêncio enquanto os policiais detinham Ella, algemando-a. Ela não resistiu fisicamente, mas seus olhos queimavam de ódio e sua boca estava pronta para atacar da única maneira que lhe restava: com palavras.
Enquanto a arrastavam para fora, Ella lançou um último olhar para JC, um sorriso frio e venenoso se espalhando em seu rosto. Ela sabia que, mesmo com sua prisão, poderia feri-lo com a verdade que tinha acabado de revelar. E, como sempre, ela não iria embora sem plantar mais uma semente de caos.
- Você acha que isso acabou, JC? — disse Ella, a voz carregada de malícia. — Acha que me prender vai resolver seus problemas? Não seja ingênuo.
JC permaneceu em silêncio, mas seu olhar não desviava do dela, determinado a não se deixar abalar novamente.
- Você pode até tentar proteger Gwen, mas ela sempre será fruto das minha manipulações. — continuou Ella, saboreando cada palavra. — E um dia, ela vai descobrir. Vai descobrir como foi concebida. Como você e Kate foram meras peças no meu jogo. E o que você vai dizer a ela então? Como vai olhar para a sua filha sabendo que ela nasceu da minha diversão?
A cada palavra, JC sentia o peso das implicações do que Ella estava dizendo, mas ele se manteve frio, decidido a não deixar que suas palavras o destruíssem.
Ella então voltou o olhar para os policiais que a segurava, mas antes de ser levada, lançou seu último ataque.
- E não se esqueça, JC. Kate nunca vai se livrar de mim. Eu sou uma parte dela, goste ou não. Onde quer que ela vá, sempre haverá um pedaço de mim... uma sombra na sua vida, na vida de Gwen. Vocês nunca estarão completamente livres.
Ela foi levada pelos policiais, mas suas palavras ficaram reverberando na mente de JC. Ele sabia que Ella não tinha mais o poder físico sobre sua vida, mas as cicatrizes emocionais que ela havia deixado continuariam ali. Contudo, JC também sabia que agora, com Ella fora de suas vidas, ele teria a chance de reconstruir o que foi destruído, de proteger sua família e, acima de tudo, de finalmente contar a Gwen a verdade de maneira cuidadosa e amorosa.
[...]
Kate estava fraca, não sabia se estava lúcida dessa vez, acreditava que sim, sentada no chão, com marcas visíveis das agressões que havia sofrido nas mãos de Ella. Seu corpo doía a cada movimento, mas sua mente ainda estava ativa, buscando uma saída. Hug andava de um lado para o outro, claramente inquieto. Sua impaciência era evidente, refletindo a tensão no ambiente. Ele olhava ao redor, como se esperasse que algo ou alguém aparecesse a qualquer momento.
- Isso saiu de controle. — Hug murmurou para si mesmo, sua voz tensa, andando de um lado para o outro — Ella foi pega. Não era para ser assim...
Kate, com dificuldade, ergueu o olhar para ele. Ela estava machucada e fraca, mas tentava se manter a lucidez. A dor física era real, mas sua força interior continuava intacta. Tinha que escapar.
- Você sabia o que ela ia fazer. — Kate consegui dizer. — Você sabia e deixou acontecer.
Hug parou de andar por um instante, virando-se para encará-la. Seu rosto mostrava um misto de frustração, hesitação e a raiva que foi ocultada instantaneamente.
- Ella tem uma maneira própria de resolver as coisas. — Hug sorriu. — Mas isso foi longe demais.
Ele começou a passar a mão pelos cabelos, claramente agitado. O plano que ele e Ella haviam traçado estava escapando de suas mãos, e a pressão estava começando a pesar. Ele sabia que JC estavam se aproximando, que o cerco estava se fechando como fogo alastrado.
Kate o observava atentamente. Mesmo na sua condição, ela sabia que Hug estava perdendo o controle da situação. JC provavelmente estava próximo.
- Vocês não vão escapar disso. — disse Kate tentando se manter acordada. — A verdade vai aparecer, e vocês terão que responder por tudo o que fizeram.
Hug a encarou, desta vez com um olhar mais frio que normalmente ele era capaz de expressar.
- Você acha que sabe de tudo, mas não faz ideia de como as coisas funcionam. Eu fiz o necessário para manter tudo o que construímos. — ele voltou a caminhar de um lado para o outro, claramente dividido entre ansiedade e frustração.
A tensão dele estava começando a rachar a fachada que ele mantinha por tanto tempo.
Kate, mesmo ferida, ainda acreditava que havia esperança. Ela sabia que JC estava por perto, que ele não a abandonariam.
[...]
Jenny finalmente conectou as peças que faltavam. Ela passou a tarde inteira revisando documentos, rastreando transações e seguindo pistas que a levaram de volta ao seu próprio passado sombrio. Foi quando a verdade começou a se revelar: Hug, o marido de Ella, estava diretamente envolvido com seu ex, o mesmo homem que a havia traído anos atrás e a colocado na cadeia. O choque da descoberta a atingiu como um raio, mas também acendeu sua determinação.
O ex de Jenny, agora atendia pelo nome de Gustav estava envolvido em um esquema de tráfico de drogas e operações ilegais de casas de aposta, um submundo perigoso que Hug parecia ter usado para financiar suas atividades ilícitas. Jenny sabia que não poderia deixar isso passar. Ela já havia perdido anos de sua vida por causa de mentiras e manipulações, e agora, essa era sua chance de acabar com tudo, tanto para ela quanto para Kate.
Jenny se aproximava do que procurava: o esconderijo de Hug. Era um lugar bem escondido, fora do radar, onde Hug e seu círculo mais próximo operavam longe dos olhos da polícia. Ela sabia que encontrar esse local seria crucial para derrubar de vez o império de corrupção que Hug e Ella haviam construído. Enquanto lia relatórios que August Smith trouxera e cruzava informações com os seus próprios, Jenny finalmente encontrou o ponto exato. Era uma antiga fábrica abandonada nos arredores da cidade, aparentemente desativada, mas usada como base para as operações de Hug. Ela mal podia acreditar, mas tudo se encaixava.
Jenny imediatamente saiu do escritório de JC e chamou Sebastian, discretamente
- Eu encontrei o esconderijo. — ela disse mostrando os papéis da fábrica. — Hug está envolvido com meu ex. Gustav está operando no tráfico de drogas e apostas ilegais.
Sebastian ficou em silêncio por um momento, absorvendo a gravidade da informação.
- Temos que ser cuidadosos, Jenny. Isso pode ser perigoso, mas agora temos o que precisamos para acabar com Hug de uma vez por todas. Vou falar com JC.
JC andava de um lado para o outro na sala, a mandíbula travada, o olhar afiado. Gwen estava segura, mas Kate continuava nas mãos de Hug.
Sebastian entrou apressado, todos os olhares se voltaram para ele.
- JC… Jenny descobriu onde Hug tem uma operação de tráfico de drogas e apostas — disse ele determinado.
JC virou-se de imediato, indo até ele.
- Tem certeza? — perguntou, e o tom não era de desconfiança, mas de alguém que não podia lidar com esperanças vazias.
Jenny se aproximou de JC, abrindo a pasta sobre a mesa.
- Quando sai da cadeia, montei uma investigação particular sobre o homem que me colocou na prisão, graças a investigação do senhor August Smith consegui descobrir que eles estão juntos no esquema. — ela sorriu orgulhosa de si mesma, por ser útil. — É um galpão antigo, no limite norte da cidade. Registros de caminhões entrando à noite, câmeras desativadas por dentro...
JC analisou as imagens rapidamente. As informações coletadas.
- Se ele está lá, é possível que Kate também esteja sendo mantida no mesmo local… ou que Hug saiba onde ela está. — JC planejou uma estratégia.
- Precisamos montar a operação imediatamente — disse ele, virando-se para August Smith, que observava tudo. — Eu preciso de homens. Dos melhores.
August não hesitou.
- Já estão a caminho. Você vai ter tudo o que precisar. Justin me deixou a cargo de qualquer coisa que você precisar!
- Justin nunca decepciona, quando podemos começar?
- Vinte minutos... — o homem devolveu.
Jenny observando a movimentação do lado de August, ela mostrou mais uma informação.
- Só que tem um detalhe, JC. O local é um labirinto. A estrutura foi construída para ser um armazém de armazenamento profundo, cheio de compartimentos ocultos. Você vai precisar de alguém que conheça os pontos cegos — ela ergueu os olhos, determinada — E eu vou com você.
- Não! — dessa vez Sebastian interveio antes de qualquer pessoa. — Você já fez a sua parte, fique aqui e vamos lhe dar notícias.
- Sebastian... — Jenny insistiu.
- Dessa vez não Jenny, por favor! — ele lhe lançou um olhar. — Você não pode simplesmente se por em perigo. Eu e você ficamos aqui.
JC hesitou por um segundo, mas sabia que Jenny era mais do que capaz. No entanto, Sebastian não cederia, o conhecia bem demais para tentar persuadi-lo.
- Sebastian tem razão Jenny, eu prometo que você será a primeira para quem eu vou ligar! Você é Sebastian ficam aqui.
- Consegui uma mapa desse galpão! — August Smith anunciou.
Após receber a localização do esconderijo de Hug, JC decidiu que não podia mais ficar parado. Precisava agir.
Com todos da equipe tática a postos, JC dirigiu até a antiga fábrica abandonada, o coração acelerado e a mente cheia de preocupações. Ao chegar, observou a área ao redor, atento a qualquer sinal de movimento. A entrada estava coberta por caixas e entulhos, sugerindo que aquele lugar tinha sido escolhido por Hug pela sua natureza isolada.
Ao entrar, o silêncio era profundo, quebrado apenas pelo som de seus passos ecoando nas paredes vazias. Ele avançou cautelosamente, ouvindo atentamente qualquer ruído que pudesse indicar a presença de Hug ou de Kate. O lugar realmente era um labirinto, um depósito com muitas coisas. A equipe tática se mantinham em silêncio atrás dele, prontos para agir. O plano estava sendo executado com precisão… até que uma voz cortou o ar, fria e debochada.
- Você não vai sair daqui viva. — dizia Hug. — Se você fizer qualquer movimento em falso, não vai gostar do que acontecerá.
A adrenalina disparou em JC. Ele precisava agir rapidamente e tentar negociar com Hug. Sabia que essa poderia ser a única chance de salvar Kate.
Finalmente, ao contornar uma pilha de caixas, avistou Hug. Kate estava amarrada sentada no chão, ao ver JC, seus olhos brilharam de esperança.
Hug virou-se ao seguir o olhar de Kate, colocando-a na frente dele.
- Não se aproxime, JC. Você não sabe com quem está lidando. — disse Hug, segurando Kate com um braço em volta de seu pescoço e uma arma pressionada contra seu rosto.
O mundo de JC parou por um segundo.
Kate estava ali, pálida, mas viva, os olhos arregalados. O rosto ensanguentado e a respiração curta denunciavam o tempo que havia passado sob tensão. Ela não dizia nada, mas os olhos imploravam por ajuda.
JC ergueu a mão, sinalizando para que ninguém atirasse. Seu rosto endureceu.
- Solta ela, Hug. Isso não vai acabar bem pra você.
Hug riu, um som baixo e sarcástico.
- Você sempre foi o herói, não é, JC? O homem que resolve tudo, que protege todos… Mas hoje, você não vai salvar ninguém. — ele apertou o braço ao redor de Kate, que soltou um pequeno gemido. — Se der mais um passo, eu atiro.
- Hug, precisamos conversar. — JC disse, tentando manter a calma. — Solte Kate e vamos negociar.
Hug arrastou Kate um pouco para trás.
- Escute, eu não quero briga. — JC continuou, tentando acalmar a situação. — Vamos discutir isso como homens. Não precisa haver mais violência.
Hug hesitou, e JC viu a oportunidade de pressionar.
- Solte-a, e podemos encontrar uma solução que funcione para ambos. Ninguém precisa se machucar.
Hug parecia hesitar, a luta interna visível em seu rosto. JC sabia que tinha que aproveitar esse momento.
- Vamos negociar, hah?! — pediu JC novamente com as mãos para cima.
Hug parecia estar reconsiderando suas opções. JC permaneceu firme, esperando que Hug entendesse que uma negociação poderia ser a melhor saída para todos.
Enquanto ele segurava Kate, JC sentia a raiva crescendo dentro dele, uma tempestade de emoções que quase o fazia perder a compostura. Ele não podia permitir que Hug fizesse mal a ela, mas a frustração e o desespero o consumiam.
- Você não entende, não é? — Hug gritou carregado de ressentimento. — Você viveu a vida que eu nunca pude ter! O maldito do meu pai cedeu a pressão da compra do nosso hotel para a família Carter e perdeu tudo em jogos. Nós ficamos na pobreza enquanto você desfrutava do luxo! Pobre garoto rico.
JC recuou um pouco, Hug tinha uma história com a sua família.
- Isso não é um jogo. Larga ela, e você talvez saia daqui respirando. — JC avisou.
Hug olhou ao redor, como se calculasse as opções. Mas ele estava desesperado, e JC sabia disso.
- Ela é a única coisa que me impede de tomar um tiro agora mesmo. E você sabe disso. Se você se importa tanto com ela… vai me tirar daqui ou nós dois vamos juntos para o inferno. — ameaçou Hug. — Quero que você sofra tanto quanto eu!
JC olhou nos olhos de Hug, percebendo a dor que havia moldado aquele homem. Sabia que o grupo Carter poderia sim ter pressionando o pai dele a vender o hotel. Mas o que ele tinha a ver com isso.
- Mesmo que minha família tenha feito algo contra a sua, você deveria ter ido para a justiça e não vindo atrás de mim... — irritou-se JC.
- Me diz uma coisa: como você chegou aqui? Quem é essas pessoas que você está escondendo atrás? Essas pessoas não são do grupo da sua família? Acha que sou burro de acreditar em você? — Hugo gritou de volta. — Sua família é uma desgraça sobre a terra!
- Isso não justifica o que você está fazendo! Você não precisa continuar esse ciclo de vingança. — JC mudou de tática, sua família tinha lá sua fama, mas o que poderia fazer a respeito disso era absolutamente nada.
Kate tentou falar, mas Hug apertou ainda mais, fazendo com que ela fosse silenciada. JC deu um passo à frente, os olhos fixos nos de Kate.
- Eu prometi que ia te tirar daqui, e eu vou! — ele disse, quase num sussurro, só para ela ouvir.
Hug sorriu, vitorioso por um segundo. Mas o que ele não percebeu foi o leve movimento de Kate com a mão direita. Um sinal sutil. E JC entendeu.
- Vingança não vai resolver nada! — continuou JC.
- Vingança? — Hug riu, um riso amargo. — Não, isso é apenas o começo. Eu prometi que tomaria tudo de você. A sua vida perfeita, a sua felicidade, eu vou arrancar isso de você e fazer você sentir a mesma dor que eu senti! A miséria de passar, fome, frio e credores atrás de você como um criminoso!
A revelação da verdade por trás do ressentimento de Hug atingiu JC como um soco no estômago. Ele havia crescido em um mundo de privilégios, enquanto Hug enfrentava desafios inimagináveis.
- Eu sinto muito pelo que aconteceu com você. — JC disse, sua voz mais suave, tentando apelar para a humanidade que ainda poderia existir em Hug. — Mas fazer mal a mim ou a Kate não vai resolver nada. Não vai apagar os seus anos de miséria.
Hug hesitou por um momento, mas a raiva logo tomou conta novamente.
- Você não pode entender! Eu não posso deixar isso passar. A única maneira de me sentir livre é tomando tudo o que você ama!
- Se você continuar com isso, apenas criará mais dor, não só para mim e Kate, mas para você também. — JC insistiu, buscando uma maneira de reverter a situação.
- Não vou deixar você entrar na minha cabeça e me confundir como sua família fez! Você realmente é um filho da puta Carter! — esbravejou ele.
Enquanto Hug segurava Kate com fúria, JC viu o olhar de desespero em seu rosto, e isso apenas aumentou sua determinação. Ele precisava manter a calma, mesmo diante da explosão de raiva de Hug.
- Você não pode continuar assim, Hug. Não vai trazer de volta o que você perdeu.
Hug soltou uma risada sarcástica.
- Você realmente acredita que eu quero isso de volta? O que eu quero é justiça! Eu quero que você sinta a mesma humilhação que eu senti quando a sua família nos abandonou à própria sorte. Eu era uma criança e vi você brincar com os brinquedos que eu nunca tive, vestir as roupas caras e frequentar escolas nível máximo. Você não pode imaginar a dor que isso causou! Estar desesperado a ponto de querer se sufocar.
- Eu não posso mudar o passado. — JC respondeu, mantendo o foco em Hug. — Essa vingança só vai te levar ao caminho de destruição.
Hug hesitou, sua raiva parecendo vacilar por um momento diante das palavras de JC.
- Você não entende. Eu não posso deixar isso passar. A minha família viveu na pobreza por sua causa. Cada dia foi uma luta! E você estava lá, vivendo no luxo, enquanto nós morríamos de fome!
- Eu sinto muito por isso. — JC disse sinceramente, percebendo que Hug carregava um fardo imenso de dor e ressentimento. — Mas não é justo usar Kate como uma arma. Ela não tem nada a ver com isso.
- Você realmente acha que eu me importo com a vida dela? — Hug respondeu, sua voz cheia de raiva e desdém — Ela é apenas um meio para um fim! O que eu quero é fazer você sofrer e me vingar de tudo o que sua família fez à minha!
JC respirou fundo, tentando se acalmar e pensar em uma maneira de mudar a situação.
- Hug, isso não vai te dar paz. Vingança não preenche o vazio, apenas o aumenta. Pense no que você realmente deseja para o seu futuro. Existe outra forma de seguir em frente.
O olhar de Hug vacilou novamente, como se estivesse lutando contra uma maré interna de emoções. Por um breve momento, a raiva pareceu dar lugar a um vislumbre de dúvida.
Kate, amarrada, observava, seu coração apertando-se. Ela queria acreditar que Hug poderia ser persuadido a desistir de sua vingança, mas ela sabia que esse tipo de ódio cultivado há anos, não poderia ser aniquilado apenas com uma conversa.
Hug olhou para Kate, depois para JC, seu rosto contorcido em ódio e raiva.
- Você realmente acha que pode me convencer a desistir? — ele perguntou, a raiva borbulhando na superfície, mas agora misturada com confusão.
- Eu sei que você pode. Mas não vai conseguir isso ferindo os inocentes. O que você deseja pode ser alcançado de outra forma.
Enquanto as palavras de JC pairavam no ar, Hug parecia dividido, um verdadeiro conflito entre a raiva e uma possível mudança. JC deu um passo a frente e isso enfureceu Hug.
- Não dê mais nenhum passo! — gritou ele. — Caso contrário você vai chorar em cima do corpo dessa idiota. Ella tinha razão, vocês são ridiculamente fáceis de enganar, por isso que eram nosso brinquedo favorito.
Enquanto Hug se distraía com as suas próprias emoções e palavras débeis, ela começou a pensar em uma forma de escapar. Na cadeia havia se virado muito bem, poderia usar isso ao seu favor.
Em um momento de desatenção, Hug afrouxou o aperto, permitindo que Kate o empurrasse com força, e ele ainda tentou segurá-la pelo cabelo arrancando algumas mechas. Ela conseguiu se jogar contra a parede o que fez com ela batesse a cabeça, o tudo o que ouviu foi um disparo.
JC viu quando Kate conseguiu escapar de Hug se jogando contra a parede, foi nesse momento que ele puxou a arma atrás de suas costas e disparou em Hug
Kate e Hug estavam no chão, ambos haviam levado um tiro, enquanto o de Kate havia pego de raspão, JC havia atirado em na cabeça de Hug.
- JC? — August Smith chamou.
O som da polícia e homens correndo para todos os lados tentando escapar do galpão foi algo que JC mal registrou, ele apenas foi até Kate e pegou em seu colo.
- Acabou! — sussurrou ele segurando o rosto dela.
- A polícia já levou todos os homens envolvidos no esquema e Hug está morto! — afirmou August checando os sinais vitais de Hug — Kathryn aparentemente está bem, mas precisa ir para o hospital o tiro foi de raspão.
- Avise o Justin para me encontrar no hospital! — JC levantou com Kate e saiu daquele lugar sombrio.
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