Sentença de Amor
5 Capítulo 05
Capítulo 05: Não seja grosseiro, admita que está errado.
No dia seguinte no horário marcado JC estacionou o carro em frente ao café e esperou, se ela não aparecesse sorte dele, azar de Gwen. Mesmo que uma parte dele estivesse totalmente em conflito, parecia a coisa certa a se fazer.
Ele verificou tudo sobre ela nos últimos dias, inclusive o vídeo que Gwen salvou ela de um possível suicídio quando elas se encontram pela primeira vez. JC não queria pensar nisso. Porque ele estava vacilando para todas as coisas que era sobre ela? Ele tinha as provas do roubo, de tudo, contudo, porque aquela imagem não encaixava de jeito nenhum.
Zangado por ele mesmo ter proposto aquele acordo, não gostava nada de estar em conflito com suas próprias decisões, parecia que algo estava prestes a mudar. Se algo acontecesse, certamente o contrato a mandaria para longe e isso era o que o matinha na linha de segurança contra Kathryn.
Kate se aproximou do carro e o viu perdido em pensamentos, ele tinha um rosto marcante: os cabelos eram bem alinhados no tom castanho escuro com algumas pontinhas rebeldes desalinhadas nas têmporas, as sobrancelhas acompanhava a cor do cabelo grossas e bem feita, e havia uma dobra entre elas fazendo uma marcação expressiva, deveria aparecer quando ele estava sério demais, ela sempre associava isso a ele. Os olhos negros profundos, às vezes ameaçador, ela lembrava disso na delegacia. O nariz era reto, com uma ligeira curva na ponta, dando um charme sutil ao seu perfil. As maçãs do rosto eram altas e bem definidas, acrescentando uma certa austeridade ao seu rosto. Os lábios eram finos e bem delineados, frequentemente comprimidos em uma linha reta que revelava sua natureza fechada. Quando falava, suas palavras saíam de forma precisa e cuidadosa, como se cada frase fosse pensada meticulosamente antes de ser pronunciada. Nunca tinha visto um sorriso genuíno. Resolveu tirar esses pensamentos da cabeça.
Bateu no vidro da janela do passageiro para chamar a atenção dele. Ele abaixou o vidro e destravou a porta, ainda sem abrir. Sentimentos não familiares o rondava e ele não sabia o porquê, tudo com essa mulher parecia complexo e sem solução. Balançou a cabeça para clarear a mente.
— Entre! — ele convidou de mal gosto.
— Posso colocar a minha bolsa no banco de trás?
JC balançou a cabeça afirmado e ainda culpando a si mesmo por colocá-los nessa situação. Ele saiu do carro e deu a volta ficando parado de frente para ela. Olhando no fundo dos olhos dela. A sensação era incrivelmente familiar e ao mesmo tempo não, ele se sentiu hipnotizado e sem reação. Os olhos dela naquele tom esverdeado pareciam esta suplicando somente para ele. De onde vinha esse pensamento? JC o ignorou completamente.
— Tem alguma coisa no meu rosto? — ela se preocupou tocando o próprio rosto.
JC saiu do transe e estendeu a mão para ela lhe entregar a bolsa. Assim que ela lhe entregou, ele abriu a porta de trás e colocou. Kate abriu a porta da frente e sentou-se, ele não tendo mais o que fazer, deu a volta novamente e entrou no carro e sem perder tempo deu partida saindo para a avenida principal.
Um silêncio mortal os envolveu. Kate não tinha vontade de falar com ele, e ele por sua vez estava com as mãos tensas no volante sem saber ao certo porque estava tão nervoso.
Para amenizar o clima cinzento dentro do carro, JC colocou uma música. Mas a música que tocou era uma balada romântica que deixou ainda mais estranho o ambiente fechado. Ele desligou e continuou calado. O percurso que ele levava geralmente vinte minutos, hoje esses vinte minutos pareciam horas.
— Você tem algo específico que quer que eu ensine a ela? — ela finalmente quebrou o gelo.
— Não. Só preciso que ela volte mais calma para a escola e não machuque os colegas de classe. — ele determinou. — De qualquer forma, ela não vai seguir desenhando, então só ensine o que ela quiser e a faça voltar para escola.
— Certo.
O silêncio carregado de ansiedade, voltou a pairar entre eles. Não durou muito, pois logo chegaram ao condomínio fechado de JC. O portão abriu automaticamente, e ele dirigiu para dentro, sendo cumprimentado pelo porteiro com um aceno cordial.
Ao percorrerem duas ruas, JC encontrou um lugar para estacionar. Ambos desceram do carro, e ele se dirigiu à parte de trás, retirando a bolsa dela. Seus dedos se roçaram brevemente, um toque sutil que fez o coração dela acelerar.
— Aqui estamos! — ele entregou a ela a bolsa e caminhou para a porta da frente.
— Espere... — ela disse hesitante, ele virou e a encarou. — Se ela voltar antes dos 3 meses, o contrato encerra antecipadamente?
— Encerra sim! — ele foi direto.
Ela fechou os olhos com força e respirou profundamente. Após alguns minutos, finalmente os abriu, aceitando a realidade de que viveria ao lado de sua filha sem jamais poder revelar sua verdadeira identidade.
— Tudo bem! Estou pronta.
JC conduziu-a pela entrada e abriu a porta fazendo um gesto para ela entrar. Era espaçosa, onde um grande lustre pendia do teto, iluminando suavemente o ambiente. A sala de estar era acolhedora, com sofás de couro macio dispostos ao redor de uma lareira elegante e estantes cheias de livros e lembranças de viagens.
A cozinha, moderna e funcional, tinha bancadas de mármore e eletrodomésticos de última geração, perfeita para preparar refeições simples ou um banquete. A mesa de jantar, de madeira, ocupava um lugar de destaque, rodeada por cadeiras confortáveis.
Em seguida, JC a levou à sala de diversão de Gwen, um espaço colorido e alegre, repleto de brinquedos, jogos e desenhos espalhados, refletindo a energia vibrante da criança. A piscina era coberta e parecia aquecida ficava no final de um corredor longo que levava a uma área de lazer adulto com churrasqueira, era um lugar sereno com poltronas confortáveis e uma grande janela que oferecia uma vista tranquila do jardim.
No andar de cima, JC guiou-a por um longo corredor decorado com quadros e fotos dele e Gwen, ela olhou as fotos emocionada, Gwen parecia tão feliz. De repente, ele parou no meio do corredor, virando-se para ela com uma expressão séria quando a viu olhando para as fotos.
— Aqui fica meu escritório, estou trabalhando em casa atualmente porque Gwen está suspensa, como você está aqui vou trabalhar três dias no escritório e dois em casa. — ele mostrou a porta do escritório e logo se encaminhou pra outro lado — Você pode me ligar no celular se precisar de alguma coisa. A senhora Mary que cuida dos afazeres da casa, mas não a incomode, se precisar de algo é para me falar.
— Certo. — ela concordou, não tinha intenção de mudar as regras, nem de falar com ele.
— Aqui é o quarto dela. — antes que ele abrisse a porta JC se impediu. — Vamos manter uma regra clara: não é pra contar a ela sobre a sua identidade, não vamos bagunça outras coisas, certo?!
Kate pela primeira vez na vida queria bater nele, ele despertava tudo de ruim que tinha nela. JC a lembrava de cinco em cinco minutos sobre a sua condição, ele mesmo iria acabar revelando isso sem ela nem abrir a boca. Ela respirou fundo e concordou com a cabeça. Sabia mais do que ninguém que esse período era só temporário, era um milagre que ela tinha conseguido.
— Vou para o escritório e volto a noite, não precisa esperar que eu volte, às 18h pode ir embora. Mary dará o jantar de Gwen. — ele disse isso e deu duas batidinhas na porta e Gwen saiu. — Vou para o escritório e você vai ter aulas em casa até a sua suspensão terminar... Tudo bem?
— Sim, papai. — a voz tristonha de Gwen partiu o coração da mãe.
JC abaixou na altura dela e mostrou o rosto esperando um beijo, a menina sorriu e beijou o rosto dele e o abraçou. Kate sentiu uma pontada de inveja, ela acabou olhando para outro lado. O que não poderia ser seu, não seria.
— Te vejo a noite. — ele se afastou deixando as duas sozinhas.
Gwen olhou para Kate com um ar surpreso. Após a suspensão, ela jamais imaginou que seu pai faria algo especial para ela até que seu castigo terminasse. No entanto, ele nunca havia quebrado uma promessa. Assim, ele trouxe a professora de artes. Sabendo que estava recebendo o que queria, Gwen decidiu cumprir o período de suspensão e depois voltaria para a escola.
— Oi. — Kate a cumprimentou.
— Oi. — ela devolveu com entusiasmo. — Eu sou a Gwen Carter
— Eu serei sua professora de artes, Kathryn Gregory. — ela se apresentou.
— Sra. Gregory, muito obrigada por vir me dar aulas. Eu sei que eu aprontei na escola, por isso estou de castigo. — ela olhou para os pés envergonhada.
— Me chame apenas de Kate. — ela orientou. — Vamos esquecer sua suspensão e focar em aprender o que você quiser, quando voltar para a aula, vai dar tudo certo. Pegue seu material e a gente vai fazer nossa aula.
Gwen já nutria um grande carinho por ela, e o fato de que Kate não a repreendia sobre a escola era um bônus. Gwen entrou novamente em seu quarto. O quarto era decorado com pôsteres de seus desenhos favoritos e prateleiras cheias de livros e brinquedos. Ela pegou sua mochila, cadernos e materiais de arte, e seguiu Kate com um sorriso no rosto, sentindo-se aliviada por ter alguém que a compreendia ao seu lado.
— Qual a parte dessa casa que você mais gosta? — Kate quis saber.
— Eu gosto do jardim. — os olhinhos dela brilhando.
— Então vamos para o seu lugar... — Kate deu as mãos para Gwen para ajudá-la com os materiais.
Assim que chegaram no que parecia ser os fundos da casa, protegido para um murro de cerca viva, certamente o vizinho não veria o que passava ali. Kate procurou por uma sombra. Havia algumas árvores e elas foram até lá.
Acomodadas ali embaixo, Kate tirou da mochila alguns lápis e de tamanhos diferentes e entregou para Gwen. Sem entender muito bem a criança pegou.
— Vamos desenhar o que você está vendo. — a menina ficou ainda mais confusa.
— O que estou vendo?! — ela sabia o que Kate queria não sabendo como recusar, mas também não querendo.
Gwen era muito avançada para sua idade. Seu pai reconheceu cedo seu potencial e sempre investiu em seu desenvolvimento, proporcionando-lhe todas as oportunidades para crescer. Contudo, a maior parte de seu progresso se devia a seu talento natural. Apesar de sua inteligência, Gwen tinha dificuldades para entender os métodos tradicionais de ensino dos professores. Pelo jeito, achava que Kate também seria difícil de entender.
— Feche os olhos. — a menina fez. — Agora... Veja a grama e o vento balançando, como é o cheiro?
— Cheiro? — a menina perguntou abrindo um olho.
— Sim, feche os olhos. O que você sente?
Num primeiro momento Gwen ficou quieta com os olhos fechados, e apenas tentando identificar cheiros que viessem a mente... Tinha o cheiro do jardim... Mas nada além disso. Kate pegou a folha da arruda e passou perto do nariz dela, e ela sorriu. Depois Kate pegou uma flor amarela e novamente passou no nariz dela.
— Tem um cheiro bom de flor e meu pai! — Gwen abriu os olhos.
Kate estava rindo, sua menininha era muito sapeca e muito astuta.
— Porque está rindo? — Gwen questionou ofendida. — Tudo nesse jardim me lembra meu pai, ele que ficava aqui fora comigo e brincávamos, mas ele não quer mais brincar comigo e agora que eu fui suspensa ele não gosta mais de mim.
Kate bagunçou o cabelo dela e sorriu para ela a confortando.
— A coisa mais importante para seu pai é você! — Kate disse para ela.
Kate sabia que JC havia assumido Gwen como sua filha, e que, a essa altura, eles eram as pessoas mais importantes na vida um do outro. Ela entendia que nunca faria parte disso, por mais que desejasse. As consequências de tentar se aproximar mais deles seriam inevitáveis e pesadas. Decidida a deixar Gwen o mais confortável e feliz possível, Kate planejava partir logo depois. Ela já previa a dor de uma nova despedida, mas acreditava que tudo valeria a pena se Gwen ficasse bem.
— Você acha? Mas ele... — ela questionou pouco acreditada, Kate a interrompeu.
— Sei que você é muito nova ainda... — Kate começou, mas logo foi interrompida.
— Eu já tenho cinco, quase seis.
— Uma mocinha então... — Kate concordou. — Seu pai ele te ama demais, ele só quer que você seja feliz... Os pais, mesmo que fiquem um pouco distantes, eles continuam amando seus filhos. Talvez você possa pedir para ele brincar um pouco com você quando ele não estiver ocupado...
Gwen fez uma carinha triste.
— Ele tá sempre ocupado. — ela reclamou.
— Vamos fazer assim: brinca um pouco comigo... O que você gosta de fazer? — um pouco da tristeza sumiu daquele rosto e um sorriso abriu.
Ela saiu correndo para dentro de casa, Kate vendo que a aula de artes pouco importava agora, esperou até que ela retornasse, ela começou a recolher os materiais. Uma senhora saiu da casa e foi em direção a ela. Sem saber muito o que fazer com essa aproximação Kate se encolheu um pouco de vergonha. Seu passado estava sempre deixando ela em desvantagem com qualquer pessoa.
Vendo o desconforto dela Mary parou alguns metros dela e perguntou:
— Tudo bem a gente conversa um pouco? Eu sou Mary, estou com JC desde que ele era um menino.
Kate alinhou a postura e soltou os lápis que ela nem perceberá está segurando com muita força.
— Tudo bem! — Kate concordou. — Pode me chamar de Kate.
— Você é solteira, Kate? — Kate olhou para a senhora e balançou a cabeça afirmando. — Sei que JC pode ser um pouco cabeça dura, mas o coração é derretido que nem manteiga.
Kate não entendeu muito bem. Ela olhou para a senhora um pouco confusa.
— JC nunca trouxe uma mulher pra cá então estou um pouco animada. — Mary não ia dizer que achava outras coisas, mas queria se dar bem com aquela moça. — Vou preparar um lanche pra vocês duas enquanto brincam.
— Não precisa se preocupar comigo — Kate se lembrava das regras de JC.
— Vamos nos dar bem, já que tudo está indo nessa direção. — Mary piscou enigmática.
Ela apressou em se afastar e nem dando tempo pra Kate dizer nada.
— Não é isso que esta pensando.... — mas era tarde demais, Mary já tinha entrando na casa e Gwen tinha saído com alguns brinquedos.
Kate brincou com Gwen de chá da tarde, passeio com a barbie, amigas que vai no shopping e maquiagem.
A senhora Mary levou lanche para elas. Gwen já mostrava claros sinais de cansaço, mas se recusando a descansar por que não queria parar de brincar com Kate.
— Ela sempre tira uma soneca esse horário. — Mary explicou o comportamento um pouco irritadiço dela.
— Gwen, que tal entrar um pouco pra descansar? — quando Kate a chamou ela não relutou mais. — Vamos recolher seus brinquedos primeiro e depois eu te ajudo a tomar um banho.
Com muita relutância ela guardou os brinquedos que trouxe para fora e seguiu Kate com os brinquedos para dentro. Ela num precisava recolher brinquedos, mas se Kate queria ela iria fazer, mesmo não querendo.
Kate ajudou ela no banho e também a vestir roupas.
— Kate, você tem família? — a menininha perguntou enquanto passava a escova de cabelo para Kate.
— Eu tinha há muito tempo atrás. — Kate penteou os cabelos para trás e fez um penteado com tranças.
— Vocês se separaram? — Gwen lhe passou o prendedor de cabelo.
Kate ficou em silêncio um tempo para amarrar o cabelo dela e colocar uns prendedores coloridos.
— Olha como ficou? — Kate passou o espelho para ela.
— Ficou certinho o que eu queria. Sabia que meu pai não consegue fazer tranças?! Ele disse que é mais prático só amarrar pra cima. — Gwen riu. — Mas eu gosto de tranças a minha amiga da escola diz que a mãe dela que faz, deve ser por isso que nunca fiz, sabia que eu não tenho mãe...
O coração de Kate apertou tão forte que ela teve que segurar as lágrimas com muita força de vontade. Só queria que sua filha tivesse uma vida normal e sem infelicidade, mas ela dizer que não tem mãe com a naturalidade de quem já aceitou tudo, a machucou um pouco. Não tinha como mudar o passado e também não tinha poder de mudar o futuro, só tinha que aceitar as coisas como eram.
Não poderia oferecer nada a Gwen e nem a si mesma. Ela queria com desespero ficar ao lado de sua filha, mas esse tempo era limitado e restrito. Com esforço ela apenas guardou os prendedores e a escova de cabelo na penteadeira. Pensou seriamente no que dizer a Gwen sem se entregar.
— Que tal vermos TV? Você tem um desenho favorito?
Gwen já achando normal que sobre esse assunto ela sempre seria ignorada. Ela olhou mais uma vez para o espelho, estava linda.
— Tenho sim...
As duas foram para a sala de estar e Gwen ligou a TV colocou um filme de princesas. A senhora Mary levou pipoca enquanto elas sentaram no tapete da sala fizeram a refeição e não passou meia hora de filme Gwen deitou nas pernas de Kate e dormiu. Kate continuou vendo o filme, mas acabou adormecendo também.
JC chegou em casa passava das 20h, todo o trabalho acumulado da semana parecia ter sido tudo adiado para hoje, estava cansado e com fome, não se lembrava de quando foi a última vez que comeu.
Ele foi até a cozinha e a senhora Mary estava vendo sua novela, que nem percebeu a sua chegada.
— Mary?!
— Oh JC, você chegou. — ela desligou a TV. — Deixei o seu jantar no microondas, não tinha ideia de quando chegaria...
— Maravilha... Vou só jogar uma água no corpo e já venho comer, como foi tudo aqui hoje? Gwen?
— Acho melhor você vê com seus próprios olhos.
JC achou estranho o que ela disse, mas não questionou, apenas a seguiu até a sala de estar, onde a TV estava ligada bem baixinha e aquela imagem o pegou desprevenido. Mãe e filha, deitadas abraçadas no chão da sala, parecia confortável e acolhedor deitar ali no meio delas e ficar. JC culpou o cansaço, nada naquela situação era confortável.
— Elas dormiram depois de brincarem a tarde inteira. — Mary o informou.
— Ela disse algo de estranho para Gwen? — ele questionou.
— Eu fiquei de olho como pediu e ela até confortou Gwen quando ela disse que você não gostava dela, a moça disse que ela era coisa que você mais amava, depois disso Gwen só sorriu. — Mary queira dizer outras coisas, mas se conteve quando viu o olhar raivoso de JC.
— O que será que ela quer com isso? Ela não vai ter nada! — ele virou as costas e saiu.
Alguns minutos depois JC desceu, Mary estava com a cara feia pra ele.
— O que houve agora?
— A moça foi um doce o dia todo. — Mary sabia julgar uma pessoa só com o olhar, e Kate estava mais assustada que tudo. Ela parecia uma criança que precisava de proteção.
— Ela fez sua cabeça agora? Quer criar um fãnclube? — ele se recusava a ceder.
— Não seja grosseiro, admita que está errado.
JC simplesmente ignorou tudo isso, foi até a cozinha abriu a porta do microondas e fechou novamente ligou o temporizador resmungando igual uma criança birrenta.
— Você tem cinco anos? — Mary o repreendeu.
— Não. — ele acabou cedendo.
Só quem o deixava calmo era essa velha fofa e intrometida que sempre estava lá para trazer ele para a realidade.
— Quando você vai parar de ser irritante hein? — ele apertou a bochecha dela.
— Quando você parar de ser cabeça dura? — ela deu um tapa na mão dele o afastando. — Agora leve Kate para o quarto porque amanhã a coitada vai sentir dor nas costas.
— Quarto? — JC perguntou confuso.
— O que está pensando?! — Mary o olhou desconfiada. — Não disse o seu. Coloca ela junto com a Gwen.
— Tá tá! — ele saiu da cozinha e foi até a sala.
Ele tirou a coberta que estava por cima de Gwen e afastou a mão protetora de Kate. E levou Gwen para o quarto. Retornando a sala ele pensou no que faria. Se ela acordasse no meio do caminho, ele a levaria para casa. Se não ela dormiria lá com Gwen mesmo.
Ele afastou a coberta dela e quando a pegou ele sentiu o corpo dela febril. Ele tocou na testa dela e ela estava queimando de febre. Com agilidade ele a levantou do chão.
— Gwen. — ela choramingou procurando algo. — Gwen.
— Shh... eu vou te levar pra ela. — ele andou mais rápido que pôde.
Ao invés de entrar no quarto de Gwen ele a levou para o dele. Em seus pensamentos, só pensou em combater a febre latente e no quarto de Gwen a menina ia acordar, era mais prático cuidar dela longe de Gwen. Ele foi se justificando até deita-la em sua cama. Quando ele ia retirando o braço do pescoço dela ela o segurou com muita força.
— Eu vou fazer o que você quiser, não toque na minha filha, por favor. — ela delirou. — Eu vou sumir, não vou mais procurar por ela, por favor.
— Calma! — JC tentou contê-la, mas foi inútil.
— Eu vou ficar na cadeia, não direi nada. Deixe Gwen em paz. — ela murmurava.
O aperto em seu braço ficou ainda mais firme, enquanto Kate, completamente tomada pelo pânico, tremia e suava intensamente. Ele a puxou para um abraço forte, envolvendo-a com os braços em um gesto protetor. Sentindo a vulnerabilidade dela.
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