Senpai, Você É Incrível
6 Aquecidas
Notas iniciais
–O que mais? Ah, sim, mamãe foi viajar e eu estou sozinha em casa agora. Mas relaxa, vou me comportar.
Olhei para o relógio de cabeceira. Já eram 1:30. Precisava ir.
–Escuta, meu jogo começa em duas horas e eu tenho que ir agora. Preciso passar umas orientações para as meninas. — levantei da cadeira – Deseje-me sorte e um bom jogo, pai!
Dei um beijo em sua mão e saí do quarto. Peguei o ônibus até Seirin, e chegando lá encontrei todas sentadas no chão, conversando.
–O QUE QUE É ISSO?! — gritei – DAQUI A POUCO NÓS TEMOS UM JOGO IMPORTANTE E AS VADIAS ESTÃO CONVERSANDO?!
–Calma, Rin-san... — falou a ruiva, Aki – Estamos discutindo uma estratégia.
–Sim, estou vendo a estratégia. — apontei para Kori e Yuko, que se pegavam loucamente mais afastadas.
–Hehehe... Então, Rin-san – chamou Karin – Estávamos pensando em não jogar com tanto esforço dessa vez, já que o outro time é bem fraco.
–NEM PENSAR! — minha voz ecoou de um jeito assustador, até Kori e Yuko pararam de se beijar e olharam para mim. Deve ser por isso que eu era a capitã do time – Só porque o time é fraco não quer dizer que devemos jogar fraco também. Temos que mostrar que Seirin é forte, não importa qual o adversário. Caso vocês não saibam, outros times também estarão lá, e temos que botar medo neles agora. Seirin não joga pra perder, Karin.
–É essa determinação que eu quero ver em vocês, meninas! — o técnico falou, entrando pela porta com três bolas nas mãos – Como o ginásio não fica longe, vamos nos aquecer agora e depois vamos andando para lá. Peguem essas bolas – ele as jogou na nossa direção – e corram de um lado para o outro.
Fizemos o pedido. Era bom ouvir o barulho dos tênis na madeira polida da quadra de basquete. Eu estava super animada. Depois, o técnico nos mandou jogar um pouco, e Karin e Aki, as mais altas, tentaram nos bloquear. Já estávamos suando e aquecidas. Meu relógio apitou.
–Técnico!
–Que foi, Rin?
–Esta na hora de irmos. — falei, soltando o cabelo.
–Certo. Garotas, ponham seus casacos, não vão esfriar, hein! Quero que vocês vão pulando até lá para preparar os joelhos, porque as garotas da defesa do outro time são bem grandes.
–Hai! — gritamos.
Colocamos os casacos e pegamos nossas mochilas. Saímos pelos portões, e então fomos pulando por duas quadras até chegarmos no ginásio. Mesmo longe, podíamos ouvir o barulho da multidão.
Normalmente o basquete feminino não atraía tantos espectadores assim... Ainda era uma categoria pouco reconhecida, mas até que tinha bastante gente dessa vez. Fomos ao vestiário terminar de nos preparar. Ainda restavam vinte minutos.
–Meninas, venham aqui. — o técnico falou. Fomos para perto, fazendo um círculo ao redor dele – Ouçam. As meninas da defesa são grandes, por isso precisamos de um ataque rápido. Rin, você e a Yuko, como são as menores e mais rápidas, vão no ataque. Kori, como você é a estrategista, fique no meio. Karin e Aki, na defesa.
–Técnico – chamou Kori – Queria permissão para tentar executar o Plano B.
–O Plano B?! Está louca? — exclamou Yuko – Nós nem treinamos direito ainda!
–Kori – falei, colocando a mão em seu ombro – Esse adversário não é tão forte a ponto de precisarmos usar o Plano B. Deixe isso para as semifinais ou até mesmo as finais. Por enquanto estamos só nas pré-eliminatórias, não há necessidade.
–Ela tem razão, Kori. O Plano B ainda precisa ser treinado mais um pouco antes de ser posto em prática oficialmente. — Kori suspirou, mas retomou a pose – Deixemos isso para depois, ok? Agora vamos entrar, está na hora.
–Meninas – chamei – Quero ver todas dando o máximo de si hoje, sem preguiça! Vamos mostrar para Touou quem é que manda!
–HAI! — todas gritaram de volta, empolgadas.
Saímos do vestiário e fomos para a quadra. Fiquei impressionada com a quantidade de gente. Sentados no meio da arquibancada, podia ver Kagami, Kuroko e o resto do time masculino. Eles vieram! Eles acenaram para nós, e acenamos de volta.
Prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo alto, e joguei o casaco para o lado. Meu corpo estava firme e quente, esperando para ser usado. Minhas mãos tremiam um pouco.
–Rin-chan! Rin-chan! — ouvi alguém gritando ao longe.
Sentados na arquibancada, um pouco mais para o lado dos meninos, estava Kasamatsu e seu time, todos acenando para nós. Um sorriso se abriu no meu rosto no mesmo instante que vi a cabeleira negra de Yukio.
–Eles vieram! — Aki comentou comigo, acenando também – É o time do Yukio-san, não é?
–É, sim. — passei os olhos pela arquibancada, analisando cada pessoa presente – Ei, meninas, veem aquilo? — apontei para um grupo de garotas de casaco rosa, todas exatamente iguais – Aquele é outro time, o de Kaijo. E aquele ali – apontei para garotas na primeira fileira, todas de branco – é o time de Teiko.
–Elas são grandes. — comentou Yuko, engolindo em seco. A mais baixa estava assustada.
–Não se preocupe, somos melhores – Karin chegou – Estão vendo aquele moreno ali no canto? Ele é o Aomine Daiki. Dizem que é o melhor jogador de todos.
Então aquele era o Aomine. Era alto, moreno e tinha cabelo azul escuro. Ela olhava para nós com certo interesse e um pouco de tédio. Kagami e Kuroko sussurravam um para o outro e olhavam para o moreno. Eu sentia a ferocidade dele daqui.
–Certo! — chamei a atenção delas – Vamos lá então!
O sino tocou, indicando o início da partida. Nosso uniforme, branco com listras em preto e vermelho nas laterais e o shorts preto era contrastante contra o azul claro no uniforme das nossas oponentes.
Eu, como capitã do time, cumprimentei a outra capitã, uma garota alta, de cabelos laranjas presos em marias-chiquinhas e olhos bem escuros. Ela tinha um sorriso zombeteiro no rosto. O juiz disse para nos posicionarmos no centro da quadra. Karin, como era a mais alta, foi disputar a bola com uma garota da mesma altura que ela. Elas se olharam ferozmente, então o juiz apitou.
A bola foi lançada para cima, e Karin saltou o mais alto possível. Naquele instante, imaginei que meu pai e minha mãe estavam sentados na arquibancada. Quase pude vê-los com o canto dos olhos. Virei para a direita, vasculhando a arquibancada, mas nenhum sinal deles.
–RIN!
Virei num segundo, e a bola laranja voou em minhas mãos. Duas garotas de azul já estavam em cima de mim, e eu me vi cercada. Dei uma olhada rápida ao redor, fazendo um sinal mínimo para Aki. A ruiva começou a correr para perto da cesta, e eu corri junto, passando no meio das duas altas de azul. Outra delas tentou me bloquear pela direita, mas abaixei e passei por baixo de seus braços erguidos. Com força, arremessei a bola na direção de Aki. A bola foi girando no ar, e foi pega pelas mãos da ruiva, que já estava em pleno salto, e por fim enterrou a bola de um jeito magnífico.
Seirin 2, Touou 0.
O jogo estava apenas começando.
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