Senpai, Você É Incrível
9 Hira, de Seirin
Notas iniciais
-Senpai... Senpai...
A voz estava perto. Abri os olhos na mesma hora que Kasamatsu, o garoto já olhando ao redor com os punhos fechados.
-Aomine? O que diabos... — perguntei, sentando.
-Sou eu. O Kagami está meio mal lá embaixo.
O moreno estava com a roupa toda amarrotada e o rosto meio marcado, parecia cansado. Mesmo estando escuro, conseguia ver uma mancha escura na camiseta dele, bem na barriga.
-O que você quer dizer com “meio mal”? — Yukio perguntou.
-Ele está vomitando e parece que não vai parar tão cedo. — bocejou.
-Cuide dele, então, oras. — Yukio reclamou – Nós estamos dormindo, pelo amor.
-Não dá, estou indo embora. Só achei que deveria avisar, caso de amanhã vocês acordem e achem o chão todo vomitado. Até mais.
O garoto saiu pela porta. Simplesmente saiu pela porta.
-Qual o problema dele? — Yukio perguntou pra mim.
-Não sei. — afastei as cobertas, colocando as pernas pra fora da cama – Tenho que ir ver o Kagami agora...
-Eu te ajudo – ele suspirou.
Descemos a escada, acendendo as luzes. A luz do banheiro estava acesa, e eu ouvia alguém murmurando baixinho.
-Kagami-kun? — perguntei. Kasamatsu pegou na minha mão – Kagami-kun, está tudo bem?
-Rin-chan? — ele perguntou do banheiro, então ouvi algo batendo na água.
Com a ponta do pé, chutei a porta do banheiro. Kagami estava sentado no chão, com os braços ao redor da privada e o rosto muito pálido.
-Ah... O filha da puta do Aomine foi acordar vocês, não foi? Maldito...
-Yukio-kun, espere aqui com ele um segundo.
-Tá.
Corri para a cozinha, e enchi um copo com água. Busquei um remédio no armário, e uma comida também. Voltei para a sala, e obriguei o ruivo a engolir o remédio e tomar toda a água. Obriguei-o também a comer um pouco, pois ficar com a barriga vazia não adiantaria nada. Ele me agradeceu.
-Pode passar a noite aqui, se quiser. Se bem que já está amanhecendo... — olhei pela janela.
-Ah... Valeu, Rin-chan.
-Vou pegar uma coberta, volto num segundo.
Yukio ajudou o ruivo a deitar no sofá, e eu peguei um travesseiro e uma coberta para ele. Quando cheguei, ele já estava roncando de novo, e Kasamatsu tirava uma foto com o celular dele.
-Isso é raro; posso até ganhar uma grana daqui uns anos – ele justificou.
-Claro, claro...
_____
Não acordei muito tarde. Preparei o café e deixei-o na mesa para quando Yukio acordasse. Kagami não estava mais lá quando desci. Tomei um suco, e fui para a quadra de basquete no final da minha rua. Fiquei jogando sozinha por um tempo, tentando imaginar novas jogadas a serem utilizadas nas semi ou até mesmo as finais. Mas o que mais me preocupava era o fato de não termos nenhuma reserva. Se alguma de nós se machucar, ficaremos sem time. Como capitã, precisava encontrar duas ou mais reservas. Mas quem? Quando estava recrutando gente para o time feminino, saí perguntando na escola inteira e só essas quatro garotas toparam fazer o teste. Todas as outras são frescas demais. Que merda.
Fechei os olhos, imaginando uma quadra de basquete e algumas adversárias. Yuko era baixinha que nem eu, e ótima em roubar a bola. Poderíamos então ficarmos todas paradas na frente, enquanto o outro time pegava a bola e corria, deixando-nos desimpedidas. Yuko ficaria na defesa, então roubaria a bola e passaria para nós, que estaríamos livres lá na frente. Eu poderia ajudar a garota se precisasse... Passando para Karin pelo ar, ela enterraria a bola com a mesma graça com que se enterra uma flor na terra, e voilá, dois pontos para nós. Tá certo que esse plano só funcionaria uma, sendo bem otimista duas, na partida inteira, mas ainda vale a pena tentar. O Plano B ainda não estava totalmente pronto para ser usado.
-Oi, você aí!
Abri os olhos rapidamente, olhando para a direção da voz. Uma garota de aparência fofa, cabelos tão claros que pareciam cinzas, olhos mais claros ainda e até que de uma boa altura estava parada atrás da cerca verde que separava a quadra da rua. Ela sorria.
-Eu? — apontei para mim.
-Você mesma! — ela veio andando até mim — É a Rin, não é? Já te vi em Seirin.
-Quem é você mesmo? — perguntei, parando de bater a bola.
-Meu nome é Hira, sou de Seirin, assim como você. — ela arregalou um pouco os olhos, então mirou na bola — Soube que você e mais algumas meninas formam o time feminino de basquete de Seirin, e queria saber se podia fazer parte. Não sou muito boa, mas queria aprender um pouquinho mais.
-Já jogou antes? — perguntei, coçando a cabeça.
-Só nas aulas de Educação Física na outra escola.
-Então você é nova? Nunca tinha te visto na escola.
-Acabei de me mudar, e a primeira coisa que fiquei sabendo é que as meninas do basquete iriam jogar as pré-eliminares. Fui até lá, vi vocês jogares e fiquei com vontade...
-Entendo. Escute, nossos treinos são todas as segundas, quartas e sextas, lá no ginásio do colégio, do meio-dia e meia até uma e quarenta. Dá uma passada por lá, e a gente te avalia. Pode ser?
-Ah, que legal! Então tudo bem, estarei lá. — ela abriu um sorriso enorme — Prazer em conhecê-la, Rin. Até segunda!
-Até.
Ela saiu saltitando alegremente pela calçada. Suspirei, e arremessei a bola na cesta. Ela bateu na tabela e entrou, quicando logo abaixo da cesta. Peguei a bola e fui até minha mochilinha. Olhei no celular e já eram 9:30. Melhor ir para casa, Yukio pode acordar qualquer hora. Coloquei-a nos ombros e fui de volta para casa.
A rua ainda não estava muito cheia, somente uns carros passavam de vez em quando, mas tirando isso não tinha mais ninguém. Cheguei em casa mais rápido do que o previsto, e quando abri a porta vi que Kasamatsu descia as escadas, com a roupa toda amassada e coçando um dos olhos. O cabelo dele estava uma zona.
-Ah, então você está aqui.
-Desculpe, eu fui só jogar um pouco — mostrei a bola laranja pra ele.
-Tudo bem. Comeu?
-Não muito. Posso te acompanhar? — coloquei a mochila ao lado da porta.
-Claro que pode.
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