Senhor e senhora Holmes
6 O namorado de Joan
Notas iniciais
Angus sangrava, ele cuspiu o sangue que estava na boca.
— Eu pensei que seu soco fosse leve, mas não tanto.
Sherlock tentou se aproximar de Angus novamente, mas Joan pôs a mão no seu ombro, ele olhou para a mão dela e depois para sua expressão assustada e parou.
— Eu posso lhe acusar por agressão.
— Angus eu e o Sherlock acabamos de voltar a sermos consultores da polícia. Sherlock irá lhe pedir desculpas.
Sherlock olhou para ela.
— Eu não pedirei desculpas a esse sujeito.
— Você vai, porque se ele lhe acusar, nem seu pai poderá nos ajudar dessa vez.
— Eu...Peço desculpas.
— Vou aceitar, mas farei pela Joan, ela não pode ser prejudicada cada vez que você espancar as pessoas.
— Angus, obrigada.
— Nos vemos por ai Joan.
Angus entrou no carro e foi embora. Joan abriu a porta do sobrado com a sua chave, ela foi até a cozinha e pegou um saco com gelo, Sherlock estava sentado na poltrona da biblioteca, ela sentou em uma cadeira de frente para ele e puxou sua mão sem dizer uma palavra, depois colocou gelo.
Sherlock olhava para as fotos evitando encara-la, eles estavam juntos e ao mesmo tempo separados, ambos sabiam que algo estava acontecendo e quando um dos dois começasse a falar tudo seria dito.
— O que deu em você? Qual motivo para tanta impulsividade?
— Aquele sujeito não me agrada_ Sherlock continuava olhando para o lado.
— Porque ele é tão perspicaz quanto você, tudo bem, ele não age como nós, Angus não usa seu conhecimento para ajudar as outras pessoas, o que não explica o soco que você deu nele.
Joan tocou o rosto de Sherlock e fez com que ele olhasse para ela.
— Quer me explicar o que está acontecendo com você?
Sherlock colocou a mão livre sobre a de Joan que ainda estava no seu rosto, eles foram se aproximando, estavam quase se beijando quando o detetive Bell mandou uma mensagem, Sherlock pegou o celular.
— As analises confirmaram que os Montgomery foram envenenados pela planta. Foi um bom trabalho Watson.
Ela levantou da cadeira.
— Continue colocando gelo, eu vou dormir, quer ficar com o Clyde?
— É a sua vez.
— Até amanhã Sherlock.
Joan colocou Clyde em um canto da cama, aconchegado no lençol, enquanto ela virava de um lado para o outro sem conseguir dormir, Joan levantou da cama e tocou a maçaneta da porta, depois largou novamente e andou em direção a cama, antes de chegar no entanto se dirigiu novamente a porta e pensou em abri-la, ir até a sala, resolver tudo, ela passou um tempo segurando a maçaneta, depois sentou de costas para a porta.
Do outro lado Sherlock também estava sentado, pensou em abrir a porta, mas não fez. Por quê? Era Joan, ela o conhece melhor do que qualquer outra pessoa, eles dividem o sobrado há alguns anos, é tão mais fácil com as outras.
Ele decidiu sair da porta e ir dormir no sofá.
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Sherlock estava na sala das televisões, Joan entrou calada e se posicionou atrás dele, que nem pareceu notar sua presença. Sherlock começou a falar, como ele sempre fazia buscando adivinhar a próxima programação.
— Seu jardim. Flores: O cravo vermelho significa respeito, amor e paixão. É oferecido como demonstração de admiração...
— Não era uma experiência era?
Ele virou e encarou Joan, enquanto o monitor exibia exatamente o que ele havia dito.
“ Seu jardim. Flores: O cravo vermelho indica...”
Joan sentou em outra cadeira do lado dele, olhando para os monitores.
— O que está acontecendo? Deveríamos estar trabalhando, em vez disso você bate no Angus e parece estar com raiva, está com raiva de mim?
— Não Watson, eu treinei você, eu quis que continuasse aqui comigo no sobrado, eu você e o Clyde como uma família. Eu estou protegendo você Watson, conheço o Angus, ele vai extrair o melhor de você e deixa-la quebrada. Se você quer sexo...
— O que? Diga!
Sherlock pensou em se oferecer, contudo sabia que Joan não aceitaria, talvez se ofendesse, poderia sair do sobrado.
— Existem outros homens.
Joan enlaçou os braços pelo pescoço do parceiro e o abraçou.
— Eu prometo que tomarei cuidado, eu estou apenas o estudando, só isso.
Depois que saíram do abraço, Joan olhou para ele, Sherlock parecia diferente.
— Tenho um convite para fazer. Minha mãe irá dar um jantar para a família, quer me acompanhar?
— Se eu recusar vai convidar Angus?
— Prefiro que você vá, mas não quero ir sozinha.
— Eu irei, sua família é bastante... agradável.
Sherlock se retirou, enquanto Watson ia atrás dele.
— Eu sei que quis dizer outra coisa.
Todos estavam sentados á mesa, Oren o irmão de Joan estava sentada ao lado da noiva Gabrielle, Mary a matriarca da família estava na cabeceira, Joan e Sherlock sentaram próximos e o padrasto de Joan não estava presente.
— Joan_ Disse Oren_ Mamãe me disse que você e o Holmes estão namorando.
Joan olhou para mãe, que lhe devolveu o olhar.
— Vocês formam um belo casal_ Falou Gabrielle_ Senti isso desde o outro jantar.
— “ Vai ser rápido, vai passar rápido, em pouco tempo estaremos no sobrado”_ Pensou Joan.
— Eu e Joan na verdade...
Sherlock sentiu ela tocar sua mão, ele olhou para ela, sutilmente Joan estava pedindo para que ele não desmentisse, por algum motivo ela queria que a sua família pensasse que eles estavam em um relacionamento.
Antes de terminarem o jantar uma forte chuva caiu, raios e trovões eram ouvidos, as luzes apagaram, os empregados espalharam velas pela casa.
— Joan, vocês vão dormir aqui hoje, não podem sair por ai nessa tempestade.
Joan quis discordar da mãe, contudo Mary estava certa. A governanta os guiou para o antigo quarto de Joan, ela entrou, e deixou um castiçal em cima da penteadeira.
— Espere! Sherlock precisa de um quarto.
— Porque senhorita Watson? Vocês são namorados não é?
— Sim, claro.
A governanta foi embora antes que Joan pudesse argumentar.
— Não se preocupe Watson, colocarei travesseiros e o edredom e dormirei no chão.
— Eu preciso trocar de roupa.
—Sinta-se a vontade.
Joan olhou para ele séria. Sherlock saiu do quarto e esperou ela o chamar. Os dois estavam deitados, tão próximos, Joan se mantinha acordada e Sherlock também, enquanto a chuva aumentava.
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