Senhor e senhora Holmes
4 O inescrupuloso, cabeludo.
Notas iniciais
Joan e Sherlock se afastaram assustados, no entanto eles tentavam conter o espanto para que o anfitrião não notasse. Eles sentaram nas suas cadeiras e um garçom passou servindo champanhe , Joan pegou uma taça_ Ela evitava beber, principalmente perto do companheiro, mas ela estava nervosa com o beijo_ Sherlock recusou.
_ Senhor Holmes, senhora. Eu me chamo Stephen Davis, coloquem seus crachás por favor.
Cada pessoa sentada no círculo tinha em seu peito um crachá igual, havia uma mulher de preto com uma Dália no cabelo.
_ A Dália Negra_ Disse Joan.
_ Sim, é um dos crimes que me inspiraram a participar do grupo. Meu nome é Gillian Vaillant.
_ Joan Watson.
_ Eu faria os detalhes da maquiagem, mas Stephen disse que é muito deselegante.
_ É isso que não entendo_ Disse Sherlock_ Crimes são sangrentos, brutais, muitas vezes sujos, porque toda essa elegância?
Antes que Stephen pudesse responder mais um convidado chegou.
_ Desculpem._ E olhando para Joan e Sherlock_ Esses são os novos membros?
_ Na verdade, estão apenas conhecendo.
_ Me chamo James Lanson.
_ Joan Watson.
_ Sherlock Holmes.
Stephen esperou todos se acomodarem e se pronunciou.
_ A reunião de hoje será novamente dedicada a assassinos sem rosto, como O jack estripador e o Assassino do zodíaco.
_ Com o perdão da palavra Stephen_ Joan olhou para o homem que proferiu essas palavras, era um homem velho, barba bem aparada e olhos verdes, com uma cicatriz a cima da sobrancelha_ Porque iremos discutir crimes antigos, se podemos discutir o assassinato dos Montgomery?
Um burburinho se formou.
_ Silêncio! Votamos por esse tema George.
_ Crimes do passado tem a mesma importância_ Disse Gillian.
_ Você é insana minha senhora, desenvolveu uma obsessão por essa atriz, não sabe falar de outro assunto. Eu acho que devemos debater sobre os Montgomery, aproveitando que temos dois possíveis suspeitos no nosso grupo, o advogado e o jardineiro da família.
Os dois homens se mexeram impacientes nas suas respectivas cadeiras.
_ Os dois tem álibis, o advogado estava em um bar bebendo, funcionários e clientes o viram lá até a meia noite, o crime aconteceu antes disso. O jardineiro se meteu em uma briga no transito e passou a noite na prisão._ Disse Sherlock.
Stephen pegou a deixa.
_ Com isso voltamos para o tema de hoje. Começamos com o Jack.
_ Perda de tempo!_ Esbravejou George.
Gillian fez sinal para Stephen.
_ Fale Gillian.
_ Eu sei que a maioria dos senhores aqui acredita que Jack é um homem, até mesmo por causa do nome, mas eu sei que era uma mulher, ela soube muito bem despistar a todos.
_Eu vivo dizendo que essa senhora é insana, como poderia uma mulher ter força para dominar e estrangular outra mulher? É claro que se trata de um homem, um médico, os órgãos de algumas vítimas foram retirados com precisão.
Joan observava todos no grupo, o jeito de falar, de gesticular, as expressões... Enquanto Sherlock _ Que já havia feito isso, pediu a palavra.
_ Nenhum dos suspeitos da época poderiam ser o Jack, é óbvio que ele era um médico, mas também um pilar da sociedade com um senso de moral deturpado , devido a ocupação das vítimas, além disso...
Eles chegaram ao sobrado, Joan sentou em uma poltrona próxima a lareira que foi acesa por Sherlock.
_ Mais uma vez nos fez sermos expulsos.
Ele sentou, em uma cadeira.
_ Não me diga que gostaria de participar daquele grupo Watson? No mais, eu consegui o que queria, não é necessário dividir nosso tempo com aqueles pseudo intelectuais.
Sherlock levantou e pegou seu violino, ele estava tocando enquanto Watson permanecia ali calada, apreciando a música e lembrando-se do beijo acidental.
_ Watson..._ Ela olhou para o parceiro_ Eu sei que disse que o casamento não é para pessoas como nós, contudo prefiro ver você casada, do que com uma Dália no cabelo, fingindo estar feliz.
_ Uma Dália... Está falando da Gillian.
_ “Insana essa senhora!”.
Os dois riram, Joan achava que era apenas algo da cabeça dela, mas Sherlock estava se tornando agradável, a desculpa pela música, considera-la da família, até piada ele havia feito.
Ela adormeceu na cadeira e percebeu que estava coberta, sorriu ao imaginar Sherlock a cobrindo. Recebeu uma mensagem, olhou para o celular.
“ O que acha de um passeio?” A.
“ Não sei.”
“ Porque? Por causa daquele homem bizarro?” A.
“ Como conseguiu esse número?”
“ Tenho minhas fontes, se vier, ajudo vocês com o caso que estão trabalhando” A.
Joan estava indecisa, gostaria de saber mais sobre aquele homem, ao mesmo tempo temia a reação do parceiro quando soubesse do encontro. Sherlock passou por ela apressado.
_ Vai sair?
_ Sim, agora que estamos trabalhando novamente como consultores da polícia, devo repassar as informações que temos e conseguir cópias das cenas do crime de cada casa que deveria ser vendida pelos Montgomery.
Outra mensagem roubou a atenção dela.
“ Estou esperando...” A.
“ Tudo bem eu irei, mas isso não é um encontro”.
Joan vestiu uma roupa comum, ela precisava deixar claro para Angus que aquilo não era um encontro. O táxi parou e Angus_ Que já estava no local marcado_ abriu a porta, eles estavam à frente de um restaurante. O homem como sempre estava bem vestido, camisa azul com um colete por cima, calça jeans preta, o cabelo castanho não estava preso, mas devidamente penteado, seus olhos verdes e seu sorriso prenderam Joan, até que ela teve que desviar o olhar para que ele não percebesse.
_ Pronta para andar Joan?
_ Desculpe, pensei que fossemos almoçar.
_ Eu planejei um passeio diferente, almoçar pode ficar para uma outra oportunidade. Tudo bem para você?
Joan estava intrigada, foi pega de surpresa, não sabia para onde iam e nem o que fariam.
_ Sim_ Disse ela sorrindo.
Os dois andavam lado a lado, até chegarem a um prédio. Eles entraram e iam andando através dos corredores, Joan olhava para todos os detalhes, e fora o fato de ser um prédio antigo, inclusive preservando o mobília original, não havia nada de tão surpreendente.
_ Esse prédio é um dos que mais gosto da cidade_ Falou Angus_ Ele é grande e pouco visitado, como você pode ver, não foi difícil conseguir permissão para entrar. O fato de ser vazio a maior parte do tempo é que a maioria das pessoas não sabem sobre a sua história.
Eles chegaram a uma parede, não havia funcionário naquela parte do prédio.
_ Joan, veja essa parede.
Ela olhou para a parede e não viu nada incomum, mas ao passar a mão sentiu uma diferença em um dos tijolos de pedra.
_ Parece que esse tijolo está solto.
_ Sabia que iria perceber. Um ladrão chamado Vicent Elloy trabalhou na estrutura desse prédio, Elloy certa vez roubou convidados de uma festa luxuosa, todos portavam joias caras, Elloy sofreu um ataque cardíaco dois dias depois, quando a policia finalmente descobriu sua identidade e endereço, o corpo estava em um avançado estágio de decomposição, a casa foi vasculhada, porém as joias não foram encontradas. Eu visitei a casa de Elloy e achei seu caderno com as notas de roubo, havia um código para descobrir a localização das joias, existem dez lugares espalhados por esse prédio com as joias.
_ O que tem atrás desse tijolo?
Angus retirou o tijolo e pegou uma enorme esmeralda.
_ Segure Joan.
Joan olhava impressionada para a pedra.
_ Você a quer?
_ Não Angus, isso tem que ser colocado de volta no lugar, ou você tem que dizer a localização das pedras para que sejam recuperadas.
_É o que deseja?
_ Sim.
_ Então eu farei, logo que chegar a minha casa farei uma denúncia anônima , mas dependem deles acreditarem.
Angus colocou a esmeralda no lugar e aproximou-se de Joan, os dois permaneciam em silêncio até que ele se aproximou, e a beijou, Joan não fez esforço para sair do beijo, na verdade mesmo sem querer ela gostou.
Quando estava deitada na sua cama Joan ouviu passos na escada.
_ Watson recebi fotos das casas, fotos diferentes das que foram fornecidas pela policia, elas parecem conter mais detalhes sobre as cenas dos crimes e advinha quem enviou? O inescrupuloso cabeludo.
Ela sorriu ao ouvir que Angus cumpriu a promessa de ajuda-los, ouviu Sherlock descer a escada, depois subir novamente.
_ Quer se juntar a mim e analisa-las?
_ Não, deixarei que se divirta sozinho.
Sherlock pensou em argumentar, mas calou-se, encostou a cabeça na porta e ficou assim por alguns minutos, ao contrário do que Joan pensava ele não gostava de ficar sozinho, a presença dela era essencial para ele.
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