Notas iniciais
Dica: Se você vê a série Orphan Black leiam minha fanfic "O quadro", se você ainda não vê então são duas dicas, porque a série é muito boa! Boa leitura, deixem seus comentários e preparem-se para esse capítulo.

Sherlock havia exposto às fotos na parede a cima da lareira, ele estava olhando diretamente para lá, parado em pé. No entanto a concentração do consultor não estava totalmente no caso, Sherlock desviava o olhar das fotos constantemente e olhava para cima, imaginando Joan dormindo, serena, às vezes ele sentava lá e a observava dormindo até que ela acordasse. Sherlock _assim como Joan_ Evitou falar sobre o beijo, ele não sabia o que dizer, o caso mais complexo que ele trabalhou, ainda seria mais fácil do que expor seus sentimentos, principalmente por temer se decepcionar como aconteceu com Moriarty.

Toda vez que Joan saia para um encontro Sherlock temia que ela encontrasse alguém, quando ela começou a namorar com o Andrew ele sentiu um aperto no peito, a morte dele não deixou Sherlock feliz, não era assim que ele esperava se livrar do rival, mas vê-la livre novamente ... Foi como se ele estivesse jogado em um quarto escuro e alguém abriu uma janela.

Sherlock já havia acordado Joan de várias maneiras, colocado Clyde na cama, um galo na porta, um bandeja de café da manhã... Contudo dessa vez ao acordar a mulher se surpreendeu, havia um círculo em volta da sua cama com jarros de vidro, cada um com buquês de cravos vermelhos. Joan fechou os olhos e abriu novamente, olhava para os lados confusa, até que resolveu levantar-se da cama e pegar um jarro, desceu as escadas com ele na mão e mostrou para o parceiro. Ela permaneceu calada exibindo o jarro, enquanto Sherlock olhava para as fotos fixadas a cima da lareira, ele virou-se e a encarou.

_ Watson, finalmente acordou.

_ É só isso que tem para me dizer? E quantos a estas flores?

_ Me diga exatamente o que pensou ao vê-las.

_ Bom, primeiro eu pensei que não era real, depois fiquei encantada com a beleza delas e fiquei confusa, foi você?

Sherlock pensou em dizer o real significado das flores, mas as palavras não saíram, não as que ele queria dizer.

_ Sim, estou testando um novo experimento.

Ela foi até a cozinha e colocou o vaso sobre a mesa, depois voltou para a biblioteca.

_ Esse seu novo modo de fazer experimentos... Me agrada._ Joan mudou de assunto rapidamente, temendo se aprofundar_ Descobriu alguma coisa?

_ Tenho algumas teorias, as fotos que Angus nos mandou _ Embora me custe admitir_ Foram de grande ajuda, eu só não entendo qual o interesse dele nisso tudo.

_ Ele prometeu nos ajudar em troca de um passeio.

Sherlock olhou para ela, ele não conseguiu disfarçar a confusão na sua mente e o ciúme que sentiu ao ouvir aquelas palavras saírem da boca dela.

_ Esse passeio ainda vai acontecer? Porque eu sugiro que não vá.

_ Na verdade, já aconteceu e não foi desagradável.

_ Watson, Angus só está interessado em você porque é diferente das outras mulheres, ele sabe que eu a treinei por um bom motivo, mas acredite, logo que conseguir o que quer, ele não se importará mais com você.

_ Obrigada por me dizer, porém já passou pela sua cabeça que eu também só esteja interessada no mesmo que ele? Você mesmo diz que sexo é apenas um exercício.

_ Angus não está interessado só em transar com você, ele é manipulador, ele desconstrói a mente das mulheres com quem se relaciona. Eu não permitirei que ele faça o mesmo com você.

_ Sherlock... Eu serei cautelosa, prometo.

_ Eu achei que Mycroft fosse o único homem infame com quem você poderia se relacionar, agora tenho que admitir que estava enganado.

Sherlock pegou seu cachecol e saiu do sobrado, deixando Joan espantada com a reação do parceiro. Ela sentou na poltrona e olhou para as fotos, e assim como Sherlock sua mente estava dividida entre o trabalho e tudo que estava acontecendo, primeiro às flores no quarto, depois aquela discussão, Joan só queria pelo menos uma vez poder saber o que se passa naquela mente caótica e ao mesmo tempo brilhante.

Ela ficou algumas horas sentada na poltrona com Clyde no colo, até que ouviu o celular tocando e atendeu, era o detetive Marcus Bell.

_ Joan, estamos na casa dos Montgomery, Sherlock pediu para ver alguns detalhes, estamos te esperando.

*************

Joan entrou e foi até a sala de jantar, Sherlock olhava em baixo da mesa onde o casal estava jantando quando morreram, os pratos, copo e talheres estavam posicionados do mesmo modo. Sherlock cheirava o chão, uma empregada da casa repassava informações para Bell.

_ Então como eu já disse para um policial, a senhora Lisa e o seu marido Dylan não tinham inimigos, eles não estavam envolvidos em nada ilegal. Eles eram amados por todos, planejavam fazer um jantar de natal aqui, todos os dias quando voltavam para casa experimentavam um prato novo e decidiam se faria parte do jantar.

_ Eles estavam fazendo isso quando foram envenenados.

_ Sim.

Sherlock foi até a cozinha, seguido por Bell, Joan e a empregada. Ele abriu as gavetas do armário, abriu a geladeira e cheirou o conteúdo de alguns potes. Joan e Bell observavam a cena, Marcus viu um pote com frutas cristalizadas, frutas brancas com um ponto preto no centro, muito parecido com um olho, ele abriu o pote e cheirou a fruta, tinha um cheiro doce, pareceu bom, antes de levar a boca Joan deu uma forte tapa na sua mão o que fez a fruta cair no chão.

_ Não coma isso! É Actaea Pachypoda.

_ O que? –disse Bell acariciando a mão.

_ Olho de boneca, a baga é venenosa.

_ Acha que foi assim que os Montgomery foram envenenados?

_ Tenho quase certeza, essa baga possui uma toxina chamada carcinógeno, o efeito é sedativo quase que imediato no coração, a morte é instantânea.

_ Detetive Bell_ Disse Sherlock_ Sugiro que leve para analise.

_ Claro, eu aviso quando tiver os resultados.

Bell recolheu o pote e a baga que havia caído no chão, quando estava saindo tocou o ombro de Joan.

_ Obrigado.

Ela sorriu e virou-se para encarar Sherlock, ficaram os dois se olhando calados por alguns segundos, até que Sherlock quebrou o silêncio.

_ Não havia rótulos no pote, não pode ter vindo de uma empresa, parecia algo caseiro, o assassino entregou o pote diretamente a uma das vítimas.

Sherlock encarou a empregada.

_ A senhora Lisa chegou um pouco mais tarde do que o senhor Dylan e trouxe esse pote , mas ela deixou para provar essa semana, porque assim provaria outras frutas cristalizadas.

_ E você não sabe quem entregou?

_ Não, e o senhor Dylan não a viu entrar, por isso ele não perguntou sobre o pote.

Os dois consultores voltaram para o sobrado e encontraram Angus esperando na porta.

_ Joan.

_ Angus, o que faz aqui?

_ Eu pergunto o mesmo disse Sherlock.

_ Pensei em te levar para jantar.

Antes que Joan pudesse recusar o convite, já que estava cansada, Sherlock respondeu por ela.

_ Watson não está interessada.

_ Ela pode responder sozinha, você não é o dono da Joan.

_ Sherlock ele tem razão. Angus hoje foi um dia cansativo, podemos sair outro momento.

_ Claro Joan, eu só espero que a sua recusa não seja por causa desse homem bizarro.

Sem pensar em nada Sherlock deu um soco no rosto de Angus, o homem recuou alguns passos, o lábio sangrando. Joan olhava para o parceiro assustada.

Notas finais
Olho de boneca existe, é uma planta nativa da América do Norte.