Senhor e senhora Holmes
3 O casal de consultores.
Notas iniciais
Joan ouviu uma música alta e acordou, pegou o celular e viu a hora: Duas e meia. Joan pensou em descer e desligar a música, mas quando chegou à porta do quarto viu um papel preso a uma fita adesiva.
“ Watson, sei que a música está alta, mas como sabe, preciso de música clássica para me concentrar. Não é necessário que desligue, eu mesmo farei, como está tocando desde que foi dormir, provavelmente quando acordar faltará pouco para que eu desligue”.
Joan desceu usando uma camisa e short curto, ela achou estranho, normalmente teria que descer e travar uma “briga” com o parceiro para que a música fosse desligada. Antes de chegar á sala, tudo estava quieto, os únicos sons eram de vozes, uma era a de Sherlock, a outra ela não reconheceu. Quando chegou a biblioteca Sherlock estava na escada procurando um dos livros.
_ Tenho certeza de que está aqui.
Um homem com o cabelo grande preso em um coque, barba aparada, usando camisa azul, blazer cinza e calça cáqui, estava sentado na poltrona olhando para Sherlock.
_ Se você admitir publicamente que eu consegui resolver o mistério antes de você, pode ficar com o livro.
_ Besteira_ Disse Sherlock_ Foi um minuto de diferença, e eu tenho esse livro guardado apenas para ocasiões como essa.
_ Em que você conheça alguém mais inteligente?
_ Quando alguém interessado na mais sórdida podridão aparecer para leva-lo._ Sherlock procurou mais um pouco e pegou um livro de capa dura preto, sem titulo na capa_ Achei!
Quando desceu da escada e virou-se para entregar ao livro, seus olhos fitaram Joan, desceram por suas pernas a mostra e fizeram todo o caminho até o seu rosto, o homem sentado na poltrona levantou-se e foi até ela.
_ É uma honra conhece-la, meu nome é Angus.
Sherlock entregou o livro ao homem.
_ Watson, vejo que não percebeu o segundo escrito que deixei em baixo do Clyde, dizia “PS: Estou em reunião com um crápula, abusivo e que se veste como modelo, não desça”.
_ Ouvi falar de você, não por ele, claro. Me enganei com a sua aparência, pensei que fosse bonita, digamos que esse homem bizarro tem bom gosto, mas dessa vez ele acertou na sua escolha, você é bem mais que bonita, é linda, misteriosa...
_ Você veio pelo livro, e já que está com ele em mãos pode se retirar, é lógico que Watson não está interessada em transar com você.
Joan repreendeu Shelock com um olhar. Às vezes seu modo direto e rude de falar a incomoda.
_ Como consegue conviver com ele?
_ Sherlock tem seus momentos. Bem Angus, foi bom te conhecer, mas eu devo voltar a dormir.
O homem se aproximou beijando o rosto de Joan.
_ Novamente, foi um prazer conhece-la.
Joan se retirou da sala, e quando já estava na cama acomodando Clyde sobre a coberta, ouviu a porta ser fechada com violência, ela não sabia nada sobre Angus, mas Sherlock mantinha um profundo desprezo por ele.
Quando Joan acordou ela olhou para poltrona a sua frente, esperando ver Sherlock sentado nela, mas ele não estava lá. Ao virar ela viu o rosto dele ao lado do seu, os narizes se encostavam. Joan se assustou e gritou.
_ Watson, estamos muito próximos, não é necessário que grite nesse volume.
_O que está fazendo aqui deitado?
_ Estou aqui desde ontem.
_ O que!?
_ Depois do meu pequeno “banho” experimental, precisei de calor para me manter na temperatura normal, por isso deitei ao seu lado. Você sabia que fala enquanto dorme?
Joan olhava para ele incrédula.
_ Não quero que durma mais aqui.
_ Não se preocupe Watson, apesar de ser uma ótima fonte de calor, você se mexe muito e chuta. Vou preparar o café.
Watson permanecia perplexa enquanto Sherlock levantava-se da cama e saía do quarto. Logo que ela entrou na cozinha Sherlock entregou uma caneca com café quentinho.
_ A reunião é hoje á noite Watson_ Dizia ele empolgado_ Estaremos junto de pessoas que tem como passa tempo, a busca pela solução de crimes.
_ Pessoas como nós.
_ Não. No máximo amadores obsessivos.
Joan permaneceu calada tomando seu café, até que a curiosidade a obrigou a perguntar.
_ O seu amigo da noite passada, como o conheceu? Vocês são tão diferentes.
Ele apoiou os cotovelos na mesa e emoldurou o rosto com ambas as mãos.
_ Watson, eu não estou acostumado a ser elogiado logo pela manhã. E quanto a ser meu amigo, eu diria que Angus é mais um conhecido.
_ Ele é um homem educado.
_ O pai pagou o melhor internato do país. A fortuna do pai dele também explica seus trajes. Em suma, ele é um “boa vida” que banca o sagaz.
_ Ainda não me disse como o conheceu.
_ Eu estava investigando um caso, esperei na recepção até o suspeito sair do hotel em que estava hospedado. Quando entrei no quarto ouvi pessoas rindo, entre outras coisas, era Angus com três ruivas...
_ Já entendi.
_ Ele havia se aliado ao suspeito, buscando investiga-lo. Seus métodos não me agradam. Angus considera essas mentes criminosas como seres incríveis, ele não busca a justiça, prefere deixa-los livres, para ele é um jogo.
_ Qual livro ele levou?
_ Um guia de conservação de cadáveres.
_ Não pude ver o título na capa.
_ É porque não tem, mas nas páginas 7 a 21, existem letras ocultas que podem serem vistas sob uma luz especial, o título é “ Praticas incomuns de descoberta”.
_ Esse livro deve ser valioso.
_ Sim Watson, o original poderia ser vendido por 4,8 milhões, quase o mesmo preço da bíblia de Gutenberg. Todos acreditam que o original foi escrito em latim, quando na verdade o original é Alemão, e esse permanece na estante.
_ Como conseguiu um livro tão caro?
_ Em um jogo de gamão.
******************
Eles estavam em um táxi, Sherlock vestindo um smoking e Watson um vestido longo azul escuro e o cabelo preso. Sherlock puxava insistentemente a gravata borboleta.
_ Pare!
_ Não entendo porque esse encontro precisa sertão formal, vamos discutir crimes, não arrecadação de fundos para uma instituição filantrópica.
_ Me deixe arrumar sua gravata.
Shelock mantinha as mãos levantadas, enquanto Watson arrumava a gravata borboleta, Sherlock respirou forte.
_ Esse perfume tem uma fragrância maravilhosa Watson.
Joan, olhou para ele e sorriu. Quando chegaram ao prédio, quinze pessoas estavam sentadas em um círculo, o anfitrião levantou e foi cumprimenta-los.
_ Vocês são o casal de consultores da polícia.
Joan tratou de corrigir.
_ Sim, somos os consultores, mas não...
_ Desculpe o atraso, Joan demora muito a se arrumar.
Sherlock aproximou-se de Joan com a intenção de beija-la no rosto, ao mesmo tempo que ela virou-se para confronta-lo e os dois acabaram se beijando.
Fale com o autor