Senhor e senhora Holmes

19 Eu sou a pessoa certa para você


Notas iniciais
Esse é o penúltimo capítulo, aqui teremos uma conclusão e o 20 vai ser o último, eu poderia ter concluído a fanfic com esse, mas decidi fazer um capítulo fofo e romântico para vocês leitores, esse tem sangue e violência eu não poderia misturar as duas coisas. Espero que gostem e esperem o último, porque eu não irei demorar para postar.

Sherlock estava deitado no chão há exatamente quinze minutos, mas para ele parecia uma eternidade, Joan ainda não havia acordado, a mente das pessoas funcionam de uma forma curiosa e as lembranças também. Sherlock lembrou de um dia quando um homem procurou os dois para investigar o suicídio da sua namorada, ao qual ele tinha certeza se tratar de um homicídio .

“_ Vocês são namorados e por tanto sabem que é terrível perder a pessoa que se ama, e principalmente quando essa pessoa está sendo taxada como suicida.”

“_ Na verdade nós não sabemos_ Disse Joan_ Ele não é meu namorado”.

“_ Creio que seja um absurdo de sua parte considerar tal hipótese_ Sherlock completou de forma seca”.

“_ Porque seria um absurdo?_ Joan se sentiu incomodada, Sherlock havia dito aquelas palavras de uma forma dura, como se ela e ele não pudessem ter um relacionamento.”

“_ Ora Watson, meu estilo de vida não combina com você, você é...

“_ Eu que deveria achar um absurdo, você é estranho, inacreditável, você me acorda a qualquer hora, você houve música clássica no meio da noite, você traz várias mulheres para o sobrado, e suas experiências... Não preciso cita-las”.

Joan se retirou da sala e Sherlock seguiu os passos dela com os olhos, ele não sentiu raiva, talvez merecesse claro que eles poderiam ser um casal, mas Sherlock não achava que fosse suficiente para Joan, não queria prende-la a ele. Quando terminou de falar com o cliente já era noite, ele entrou na biblioteca e se deparou com Joan sentada em uma poltrona, ela estava lendo, Sherlock achava que Joan ficava ainda mais linda usando óculos, ela passa a página do livro, sem perceber a presença do homem ou ignorando, ele entra na sala e toca o ombro dela, que se encolhe e coloca o rosto sobre as costas da mão dele, quando Joan retira o rosto, Sherlock contorna a poltrona ficando de frente para ela e lhe entregando uma caneca com café, ela aceita a caneca e leva a boca.

“_ Acredito que nos excedemos à tarde”.

“_ Desculpe, eu exagerei, na verdade todas essas características fazem de você quem você é, e caso a gente realmente fosse um casal eu acabaria gostando de todas elas, contanto que você parasse de me acordar_ Joan sorriu, então Sherlock soube que tudo estava bem entre eles”.

Ele não respondeu nada, pegou o violino e tocou para ela, adorava esses momentos onde ambos ficavam em silêncio se olhando e aproveitando a música.

Pensar que depois desse dia não poderia mais ter Joan em sua vida, fez duas lágrimas silenciosas rolarem pelo seu rosto, mesmo sem poder se mexer a dor era evidente, e a expressão dele faria qualquer um se comover. Joan abriu os olhos desorientada, ela olhou para frente, balançou a cabeça para que os cabelos saíssem do rosto, tudo era um borrão, ao poucos ela foi lembrando-se do ataque, olhou para os lados e entendeu que estava em um sala, tentou mover as mãos, mas estava presa a uma cadeira, olhou novamente para frente e gritou quando viu Sherlock com os olhos abertos imóvel e sangrando, ela pensou que ele estivesse morto e tal pensamento fez com que Joan gritasse pelo homem. Ele piscou o olho.

— Meu Deus! Você está vivo! _ Joan soltou o ar de vez, as batidas do seu coração continuavam rápidas, mas ao menos eles estavam bem, estavam juntos_ Esse sangue é seu?

Sherlock piscou duas vezes dizendo que “não”. Joan olhou para o lado e viu o corpo de uma mulher muito parecida com ela, havia um ferimento causado pela entrada da bala na cabeça dela, e na mão direita uma seringa.

— Ela fez algo com você? Usou o conteúdo da seringa?

Ele piscou uma vez, dizendo que “sim”.

— Que bom que você acordou Joan_ A voz vinha de um alto falante_ Estava ficando preocupado e cansado de esperar, eu sou um homem que gosta de ação.

“ Eu conheço essa voz”_ Pensou Joan.

— Essa foi a mesma sala onde mantive Anna Kimberly por duas semanas, agradável não? Ah, não se preocupe ele não está morto, só não pode se mexer, ficará assim por umas duas horas, enquanto isso vamos jogar. Sherlock você sabia que Joan escreve diários no seu notebook? Eles começam desde o dia que ela o conheceu, quatro anos escrevendo esse diário, eu diria que se publicado renderia cinco livros.

Sherlock olhou fixo para ela.

— Eu iria te mostrar quando estivesse pronta.

Não saber o que o homem que ama, estava pensando sobre os diários deixou-a nervosa.

— Como ela não mostrou, eu lerei alguns trechos. “ Sherlock encontrou uma tartaruga em uma cena de um crime, ele disse que fará uma sopa com ela, mas eu sei que não, ele irá adotar o animal, mais um membro para essa ‘família’ que acabamos nos tornando”. Não é fofo? _ Disse Angus em um tom de voz debochado_ Outro trecho “ Descobri porque Sherlock se tornou um viciado, ele perdeu alguém especial, o nome dela é Irene Adler. Irene na verdade está viva e Sherlock a trouxe para o sobrado, começo a considerar a possibilidade de me mudar para que os dois possam ficar a sós” . Agora vamos para um trecho mais recente, esse é sobre mim “ Angus é misterioso, charmoso e atraente, eu simplesmente me deixo levar, nosso primeiro encontro foi diferente, eu pensei que como todos os outros ele me levaria para um restaurante, mas não o fez. Sherlock parece estar com ciúmes, vive pedindo para que eu me afaste do Angus, então vamos ver até onde vai esse ciúme”. Que feio Joan, me usando para causar ciúmes nele, esperava mais de você.

Havia se passado uma hora, desde que Sherlock estava deitado imóvel no chão, Joan o encarava, se mantinha concentrada nos olhos dele, ambos choravam.

— Bom, eu não tenho muito tempo, por tanto vamos ao enigma, você já sabe, para sair daqui tem que desvenda-lo_ Joan olhou para um telão, a sua esquerda e viu as palavras, ela sabia que o enigma era exatamente igual ao jogo

que ela e Sherlock costumavam jogar, letras aleatórias que formavam palavras e as palavras formavam frases_ Darei um tempo para você, enquanto isso Rachel vai lhe dar água.

Rachel entrou na sala com um copo de água e um canudo, se aproximou de Joan e colocou o canudo em seus lábios, a consultora sugava a água rapidamente quase engasgando.

— Com calma, aos poucos.

Quando terminou de beber Joan olhou para Rachel, os olhares da consultora incomodaram Rachel.

— O que?

— Síndrome de Estocolmo.

— Não entendi.

— Essa síndrome Rachel é o que faz uma vítima passar a nutrir sentimentos positivos pelo seu agressor, o seu amor pelo Angus não passa de um distúrbio psicológico.

— Você não entende a nossa relação, por tanto não pode afirmar isso.

— Como exatamente funciona essa relação? Angus trás várias mulheres para essa casa, e o objetivo dele é encontrar uma mulher brilhante que o entenda e que possa viver com ele, então qual o seu papel nisso tudo? Eu pensei que você fosse a escolhida, você foi a primeira a desvendar esse enigma, foi escolhida e no entanto está sendo descartada agora.

Rachel jogou o copo no chão e andou até a consultora. Ela abaixou e segurou o queixo de Joan.

— Não me importa nada do que você diz, porque dentro de algumas horas você vai morrer e eu ficarei aqui para ajuda-lo e ama-lo.

— Então ele vai sequestrar outra, porque você não é o suficiente.

Rachel deu um tapa na cara de Joan e saiu da sala. Joan sentiu o sangue nos lábios e ao olhar para frente percebeu a cara de preocupação de Sherlock.

— Eu estou bem, não se preocupe. Você consegue se mexer?

Sherlock piscou duas vezes. “Não”. Sherlock estava mentindo, ele já conseguia mexer os dedos das mãos, mas ele sabia que Angus estava vendo tudo o que eles estavam fazendo através de câmeras e não poderia arriscar perder o elemento surpresa.

Um gancho desceu do teto e ficou do lado de uma bandeja, a mesma bandeja com instrumentos de tortura a qual Angus usou para extrair o dente de Anna Kimberly. Joan olhou novamente para o telão, ela sabia o que estava escrito, contudo o enigma se revelou ser outro enigma.

“ Na grande cidade flamejante Lúcio toca arpa.

O flor que diz ser o mais venusto, se olha na água.

Não se corta uma cabeça sem que outra nasça.”

— Sherlock_ Disse Joan sussurrando_ Eu sei o que é, quando Angus me soltar, mesmo que eu não consiga escapar eu pedirei ajuda ao Bell, e a polícia virá até aqui, ok?

Ele piscou duas vezes, mas Joan já estava decidida.

— Eu sei, desvendei o enigma.

— Espere um pouco, tenho um presente para você, caso esteja falando a verdade.

Já havia se passado duas horas, Sherlock tinha total controle do seu corpo, apesar de se sentir tonto. Angus entrou com uma caixa de joia, ele abriu e mostrou uma gargantilha para Joan.

— Será sua, isso e todo o meu dinheiro se você desvendar o enigma provando que merece ser a minha esposa. Quais são as respostas Joan?

— Roma está queimando enquanto Nero toca arpa. Narciso se olha na água. Não se corta a cabeça de uma hidra sem que outra nasça.

— Eu sabia, desde que descobri sobre você e ti vi naquela noite quando fui pegar o livro, eu sabia que você Joan Watson era a escolhida. Vamos tirar esse colar ridículo com pingente de abelha e colocar a gargantilha.

Antes que Angus pudesse se aproximar Sherlock socou seu rosto, o homem deu alguns passos para trás e derrubou o presente no chão.

— Vamos disputar a dama no braço como ogros? Se é o que você quer.

Angus socou o ar, Sherlock desviou e acertou novamente o rosto dele, outro soco do estômago fez Angus cuspir sangue, mas a luta foi parada por Rachel, ela entrou armada.

— Não se mecha Senhor Holmes.

Sherlock parou arfando, Angus aproveitou e socou o rosto do consultor.

— Você também Angus, fique parado.

— O que está fazendo Rachel?

— Anos ao seu lado e sempre me tratou como uma prostituta, essa mulher aparece do nada e você já a chama de esposa? O que irá fazer comigo, me descartar depois de ter acabado com a minha vida? Até aquela criptografa você tratou melhor que eu.

Rachel atirou na perna de Angus que gritou de dor e segurou a coxa tentando conter o sangue, ela se aproximou dele e prendeu sua camisa no gancho, Angus ficou suspenso e ela usou um controle para o gancho subir e deixar o homem na altura do seu rosto. Rachel beija Angus.

— Você não precisava ter feito tudo isso, a mulher que você queria estava aqui o tempo todo e agora iremos ficar juntos meu amor.

Rachel tocou o rosto de Angus e colocou o revolver em sua testa, ela atirou matando o homem, depois virou-se para os consultores e jogou uma chave para Sherlock que pegou o objeto no ar.

— Para que vocês saiam. Joan Watson, obrigada por me fazer ver que eu sou a pessoa certa para ele.

Rachel colocou a arma na boca e disparou caindo no chão em seguida. Sherlock desamarra Watson e a abraça, o sangue do seu rosto sujando o rosto dela, ele a apertava com força para ter certeza que ela estava segura e de que tudo era verdade.

— Eu te amo Joan, foi aflitivo ficar imóvel e ver aquele homem te beijar, pensar que ele pudesse levar você...

Joan beijou ele.

— Ei, estamos bem, só precisamos sair daqui.

Os dois saíram da casa, Joan ajudava Sherlock a andar, o primeiro rosto que viram foi o do detetive Bell.

— Como chegou aqui?_ Perguntou Sherlock.

— Achei seu celular tocando no lixo e li os e-mails.

Os dois entraram em uma ambulância e foram para o hospital, as mãos entrelaçadas.

— Watson...Tem muito sobre mim no seu diário?

— Em todas as páginas_ Ela sorriu_ Você foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos quatro anos Sherlock_ Os dois se abraçaram novamente.

Notas finais
Espero que tenham gostado, Tsubasa Watson, agora eu mereço uma recomendação né, Joan tá bem o Sherlock também, Angus e Rachel morreram e com certeza você vai gostar do capítulo final que será o próximo. Só tenho uma coisa para dizer do próximo: Pote de açúcar.