Senhor e senhora Holmes
2 Deixe o ar frio entrar.
Notas iniciais
Era um dia frio, Joan havia saído bem protegida, com um sobretudo preto, cachecol lilás e uma boina. Ela voltou para o sobrado, abriu a porta e entrou, tirou as luvas, esfregou uma mão na outra e foi até a sala, foi quando olhou para o chão e recuou alguns passos.
_ Mas o que está acontecendo?
Sherlock estava deitado no chão, de barriga para cima usando apenas roupa de baixo.
_ Watson você chegou.
_ O que está fazendo nu na sala?
_ Se você não percebeu, eu não estou nu, falta uma peça para isso. Estou fazendo um experimento, quero saber como a minha mente responde ao frio prolongado, quanto demoraria para se tornar lenta.
_ Aqui dentro está frio, mas não tanto e a “lerdeza” da sua mente vem acompanhado de muitos outros sintomas se você se submeter ao frio intenso, antes que pudesse concluir o experimento estaria morto.
_ Por isso eu esperei você chegar, assim antes que eu esteja morto, você pode comprovar o experimento e tentar me reanimar. Agora eu vou para o frio lá fora.
_ Se sair assim, eu não vou te tirar da cadeia.
_ Uma outra hora então_ Ele levantou e pegou uma pasta_ Tenho o endereço das casas as quais os Montgomery estavam encarregados de vender, então podemos visita-las como possíveis compradores e ao mesmo tempo sabemos quem tinha interesse na morte dos corretores.
Eles marcaram um horário com três corretores diferentes para visitar cinco casas, a primeira era uma casa grande, com um lindo jardim, piscina, quatro quartos, sendo o último o quarto de hospedes, os cômodos eram enormes, a sala era gigante , havia uma biblioteca, sala de jogos, a decoração era impecável.
_ Eu estou curiosa_ Disse Joan_ Porque uma casa tão grande, e tão bonita está com um valor abaixo do valor de mercado?
A corretora desviou os olhos dela, titubeou e disse.
_ Bem...Como vocês podem pesquisar, melhor que eu diga. Nessa casa aconteceu uma tragédia, vivia um casal, e o seu filho adolescente, pelo que entendi o jovem era gay e a família não aprovava, então ele subiu no corrimão da escada_ Disse ela, olhando para cima_ E pulou lá de cima, fraturou entre outras coisas o pescoço, a família vendeu a casa e se mudou.
_ Interessante_ Disse Sherlock.
_ Casas onde acontecem esse tipo de “acidente” normalmente são vistas com receio por novos compradores, na verdade vende-las é...Era o trabalho dos Montgomery, eu não sei como, mas Lisa e Dylan vendiam essas casas rapidamente.
Após visitar as outras quatro casas, Sherlock e Joan voltaram para o sobrado, Joan se jogou na poltrona.
_ Os corretores não tinham motivos para envenenar os Montgomery, eles não gostaram de ficarem com a responsabilidade de vender as casas.
_ Eu já havia descartado isso Watson, estou pensando na ligação que as casas tem, cada uma delas foi marcada por uma tragédia, quem poderia ter interesse em impedir que fossem vendidas?
_ Se quisesse comprar uma das casas poderia ter comprado através dos Montgomery em vez de mata-los.
_ Talvez ele não quisesse comprar, mas também não poderia deixar a casa ser vendida, ele poderia estar tentando solucionar o crime.
Sherlock saiu da sala e deixou Watson só, depois voltou com Clyd nos braços e colocou no chão, Clyd comia uma folha de alface.
_ Temos que leva-lo no veterinário pela manhã.
_ Não, você fará isso, eu tenho que me encontrar com a minha mãe.
_ Com certeza levar Clyd ao veterinário será mais necessário e proveitoso.
Joan levantou da poltrona.
_ Boa noite Sherlock, Clyd.
_ Espere, não está esquecendo alguém?
Joan arqueou a sobrancelha, enquanto olhava Sherlock com as duas mãos mostrando Clyd no chão.
_ Não, Clyd dormiu comigo ontem, hoje é a sua vez.
****************
Joan acordou apressada, procurou suas chaves, mas não achou.
_ Sherlock onde colocou minhas chaves?
_ Estão aqui.
Ele estendeu a mão e Joan pegou as chaves, que estavam cobertas por uma substância verde não identificada.
_ O que...
_ Não pergunte.
_ Estou saindo, irei encontrar a minha mãe.
_ Diga-me, ela estava muito brava quando ligou?
Joan olhou para ele como se dissesse “ Como sabe?”.
_ Pelo modo como está vestida, de um jeito um tanto formal, conclui que está tentando impressiona-la, mas faz um bom tempo que não tenta impressiona-la, por tanto algo mudou, e devido ao nosso encontro com a amiga da sua mãe...
Joan andou até a porta, mas voltou e virou-se.
_ Não pegue as minhas chaves para fazer seus experimentos.
Joan sentou, e fez seu pedido. A expressão no rosto da mãe não era agradável.
_ Sabe quem eu encontrei há dois dias? Adele.
Joan quis falar, mas sua mãe a interrompeu.
_ Ela disse que você estava casada com um homem excêntrico, isso nas minhas palavras e que tinha um filho.
_ Foi um mal entendido, eu estava passeando com o Sherlock e ele trata Clyd como um bebê.
_ Uma tartaruga em um carrinho de bebê. Joan, ela me perguntou se você está bem, recomendou um psicólogo.
_ Seria tão ruim assim se eu me relacionasse com o Sherlock?
_ Diga você, quem sabe quando me visitar traga a tartaruga, um coelho e uma iguana e me diga “ Seus netos estavam com saudades mamãe”.
_ O nome dele é Clyd.
_ Certo, Clyd_ Ela falou dando ênfase a palavra._ Se essa é a vida que você escolheu eu não posso fazer nada. Só quero saber se está feliz.
_ Estou feliz mamãe, mas eu e o Sherlock somos apena parceiros, foi apenas um passeio, Adele interpretou de forma errada, e o Sherlock também não ajudou. Estávamos passeando com o bebê... Com o Clyd e só.
Joan voltou para casa e logo que abriu a porta ouviu Sherlock gritar.
_ Watson se for você, tenho que avisar que estou na biblioteca imerso em uma banheira com gelo, estou usando menos roupas que da outra vez, na verdade roupa nenhuma. Como foi o encontro com a sua mãe?
_ Como sempre é.
_ Deixe a porta um pouco aberta para que o ar gelado entre.
Joan ignorou as palavras de Sherlock e foi se dirigindo para o seu quarto.
_ O Clyd está lá em cima, ele não gosta do frio.
_ Eu só quero dizer uma coisa, quando estiver sofrendo os sintomas da hipotermia não pense que vou tirar seu corpo gelado e nu da água para tentar salva-lo.
Ao ouvir os passos dela subindo as escadas, Sherlock contraiu os lábios em um tímido sorriso.
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