Sempre Vou Te Amar
29 Judy Fabray
Notas iniciais
RACHEL POV
Não conseguia acreditar no que estava escutando. Respirei uma, duas, três vezes. Tudo parecia acontecer em câmera lenta. Não piscava. Tentei olhar para Quinn, mas quando virei a cabeça para o local em que ela estava, o período desta palavra se fez jus. Ela não estava mais lá. Foi tudo muito confuso. Quando caí em mim, Quinn estava em cima de Finn, no sentido literal da palavra.
“Mas como ela conseguiu derrubá-lo?”
Logo entendi.
Puck estava dando o que eu acho ser uma chave de pescoço em Finn, enquanto Quinn o esmurrava sem nenhum tipo de intervalo, e o senhor Shuester tentava tirar ela de cima dele, mas Mike e Sam estavam fazendo uma espécie de barreira.
Tentei respirar novamente. Fechei os olhos. Muito barulho. Senti minha pressão baixando.
Tudo ficou escuro...
QUINN POV
“FILHO DA PUTAAAAAA!!!!”
“DESGRAÇADO”
“INFELIZ”
“CORNO! ESPERA... corno?” – Não tive como não achar graça desse pensamento enquanto socava a cara desse animal.
Eu simplesmente saí de mim. Não conseguia me controlar. Assim que ouvi o que esse otário falou sobre a Rach. A minha Rach. Já estava voando pra cima dele quando tive auxílio de Puckerman. Era o que eu precisava. No momento exato que ele caiu com a chave de pescoço que Puck deu, eu me joguei no chão, em cima dele, e só conseguia pensar nesses adjetivos lindos a cima. Ouvi alguns gritos, senti um par de mãos em cima de mim tentando me puxar, mas sem sucesso. Até que ouvi Tina...
T: RACHEELL!? — Gritou parecendo assustada
Foi a minha trava. Levantei e me virei. Vi Rachel caída no chão desmaiada...
RACHEL POV
Abri os olhos, estava deitada e com uma dor de cabeça infernal. Fechei os olhos novamente por alguns segundos, e as lembranças retornaram como um furacão. Mais uma pontada forte na parte frontal da cabeça.
R: Aii... – Reclamei colocando a mão em cima do local da dor.
K: Pelos deuses... Você quer matar todo mundo?
R:Kurt! – tentei me levantar. – aaaauuu!
K: Calminha Barbra. – Falou me deitando novamente. – Você bateu a cabeça com força, tem que repousar.
R: Cadê a Quinn?
K: Depois falamos nisso, agora descanse, seu pai está vindo te buscar.
R: Kurt! Cadê Quinn? – Perguntei o fuzilando com os olhos.
K: Não adianta, não vou falar. A enfermeira disse que você tem que descansar.
R: Kurt desde quando você obedece a enfermeira da escola?
K: Não importa. Eu sou eu, você é você, e o resto é o...
R: Eu estou perdendo a paciência! – Falei o interrompendo
K: Conta uma novidade.
R: CADÊ QUINN? – praticamente gritei sentando na maca. – AAAiiiiii... – A dor estava muito forte, mas não me importava, estava começando a ficar preocupada.
K: Ok. Mas me prometa que independente de qualquer coisa você não vai levantar e ir atrás dela.
R: Você não está ajudando, e não eu não vou prometer.
K: Nossa, por que não estou surpreso? – Perguntou notando minha cara de preocupação e raiva. – Ok Rach. – engoliu. – ela está na diretoria com Finn, Puck... – Fez menção que ia continuar.
R: E????
K: Os pais. – falou de vez fechando os olhos.
R: OS PAIS? – Gritei. – Droga, droga, drogaaa. – Xinguei já ficando de pé.
K êpa! Nem pense nisso.
R: Kurt. – peguei nos seus ombros e olhei em seus olhos. – Você entende o que está acontecendo naquela sala agora mesmo? — ele confirmou. – E você acha mesmo que eu não vou apoiar o amor da minha vida nesse momento?
K: Droga Rachel! – respirou fundo. – Ok! Vamos, eu vou com você, vai que você tem outra recaída.
Saímos em disparada, minha cabeça doía muito. Mas eu não estava me importando. Essa dor não seria nada comparado ao que estava para acontecer. Acelerei meus passos o máximo que pude.
(...)
QUINN POV
Eu não conseguia falar nada. Aliás só quem estava falando era o retardado do Finn. O que ele estava falando? Tudo. Absolutamente! Tivemos que explicar a causa da briga. E adivinha quem fez as honras? O Finnútil é claro! E é claro que chegou na parte mais esperada por ele...
E eu? Covarde que sou não conseguia falar nada. Além da covardia natural, a preocupação com Rachel também contava.
“Mas que droga! Por que você é tão idiota Quinn Fabray?”
Fechei os olhos, quando a frase mais esperada do ano saiu da boca daquele imbecil.
F: Elas são namoradas agora.– Respirei.
Olhei para minha mãe, estava com os olhos cheios de lágrimas e mordendo o maxilar.
“Droga isso não é bom.”
Judy: Certo Finn. – Engoliu a saliva. – Diretor por favor, você pode dispensar todos e deixar somente nós três e o senhor aqui? – Perguntou referindo-se a ela, a mim e ao meu pai, que olhava para o nada.
D: Sim Sra Fabray. Meninos por favor, podem se retirar, depois eu cuido de vocês.
Os meninos saíram, e por incrível que parece notei um certo ar de arrependimento no Finn, mas não quis alimentar tal sentimento.
Minhas mãos suavam...
Minha mãe continuou sem olhar para mim. Acompanhei a saída deles com o olhar. E então pelo vidro da sala eu a vi... Rach. Olhando para mim. Já estava chorando. Fiquei com a visão embaçada. Ela estava um pouco longe, e como a porta estava fechada acredito que ela não ouviu o monólogo de Finn. Virei-me... Olhei para o diretor, para minha mãe... Suava frio. Passei a mão pelos cabelos, me inclinei para frente, e então ouvi...
J: Como faço para transferir Quinn?
(...)
RACHEL POV.
Senti seu olhar sobre o meu, e somente isso já foi o suficiente para me acalentar. Bom, pelo menos por alguns segundos. Pouco depois que Quinn se virou, a vi levantando da cadeira, colocar a mão cabeça e falar alguma coisa. Meu coração acelerou. E mais... e mais... Não, eu não podia desmaiar novamente. Vi o diretor pegar seu braço e a conduzir até a cadeira. A mulher loira, que devia ser sua mãe, falou alguma coisa, Quinn respondeu, olhei para Kurt, engoli o bolo que se formava na minha garganta, voltei a olhar para a sala. O homem de cabelos grisalhos nada dizia, nada fazia.
Quinn levantou novamente, passou a mão pelos cabelos, a mãe falou mais alguma coisa para ela, agora com o dedo apontado para sua face. Fechei os olhos. Abri... Quinn estava olhando para mim, estava chorando. Já era demais. Fiz menção de entrar. Ela negou com a cabeça. Agora quem me encarava era sua mãe. Pude sentir o ódio através daquele olhar frio, emitindo tristeza e dor através do azul cor de céu. Ela se virou, falou alguma coisa para o diretor, o diretor respondeu, apertaram as mãos. Quinn continuava me olhando. A dor na cabeça aumentava a cada segundo. A porta se abre. Viro uma estátua. As duas saem.
J: Você não tem culpa. – Dirigiu tais palavras a mim. – Com a criação que teve era de se esperar. – Meu sangue ferveu, olhei para Quinn.
Q: Não fale assim com ela.
J: Já Chega Quinn! – Gritou. – Vamos embora.
R: Embora como assim? – falei ignorando aquela mulher e olhando para minha namorada.
J: Hoje, somente para casa.
R: Como assim Quinn? – a ignorei mais uma vez.
Q: Vou ser transferida. – Quinn falou quase sem som.
R: O QUE? – gritei. – Não, não, não! Quinn. – Segurei seus ombros. – Lembra de tudo que a gente conversou, olha onde chegamos.
J: Largue minha filha... – Senti suas mão sobre mim.
R: Ou o que? – Perguntei finalmente me dirigindo a minha querida e amável sogra – Vai colocar ela pra fora de casa? – Cuspir as palavras, junto com as lágrimas. Kurt tentou me afastar, sem sucesso.
J: Você não me conhece menina. Tenha modos.
R: Não senhora. A senhora que não me conhece. Não sabe nada sobre mim, e parece também não saber muita coisa da sua própria filha. Não falto com respeito, mas tenha dó. – Minha voz já estava elevada.
J: Você conhece Quinn a pouco tempo e já acha que a conhece? Isso é uma fase. Quinn sempre gostou de meninos.
R: Só uma fase? – Me virei para Quinn novamente. – Diz Quinn! – Ela me encarava desde o início da discussão. – Diz pra ela se é só uma fase! – Silêncio(...)
Minha respiração voltou a ficar curta, algumas pessoas que estavam na sala de espera da diretoria assistiam a cena. Não seria a primeira vez, então danem-se.
R: Quinn! Diz a ela! – Nada. – Quinn!?
J: Não vou mais perder meu tempo. Vamos para casa Quinnie, seu pai irá cuidar da papelada. – Pegou a mão de Quinn e a puxou. Ou pelo menos tentou. Quinn não saiu do lugar. Ainda me olhava. – Quinn?!
Q: Não é uma fase mãe.
J: Mas o que...? – Quinn olhou para ela.
Q: Não é uma fase. – Voltou a chorar. – Podemos conversar? Em casa?
Respirei aliviada. Quinn conseguiu. Mesmo com uma pequena frase, ela conseguiu, e eu não podia estar mais feliz. Olhei para a mãe, e juro que a mulher só faltava colocar fogo pelas ventas.
J: Ok Lucy! Conversaremos em casa. Agora podemos ir? — Quinn confirmou com a cabeça. Chegou mais perto de mim e me abraçou. – Estou esperando no carro. – Saiu.
R: Meu amor, tenha força, eu estou aqui não se esqueça. – falei ainda abraçada com ela.
Q: Não sei o que vai acontecer. Só preciso que tenha certeza de que amo você.
R: Eu já tenho essa certeza. – Saiu dos meus braços. – Você vai ficar bem ta bom?
Ela olhou nos meus olhos, tentou sorrir, aquele sorriso lindo de canto de boca, e disse:
Q: Não tranque a porta.
(...)
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