Sempre Vou Te Amar
43 Errônea
Notas iniciais
Rachel me olhava como se visse um fantasma, os olhos escancarados, rosto ainda vermelho, respiração pesada, arfava sem comedimento. Comecei a me encolher. Minha fragilidade estava de volta. Meus olhos traíram-me lançando lágrimas mais uma vez. Não queria mais olhar para aquele misto de expressões que era Rachel. Sentei no sofá e me abracei.
Nada...
Fechei os olhos, tinha que me controlar.
Mais silêncio.
De repente uma música começa a tocar. Era piano... Era o celular dela.
Subi o olhar.
R: A-alô? — ... – Certo. — ... – Estou bem, Chego em alguns minutos. – Desligou e limpou uma lágrima que escorreu pelo seu rosto. – Eu vou indo. – Pera... O quê?
Q: Eu acabei de te contar que...
R: Sim... Que você está grávida! Meus parabéns, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Q: Como assim Rachel? Você faltou me matar quando disse o que tinha feito. Agora simplesmente vai embora assim? – Levantei.
R: O que você quer que eu faça? – Gritou perdendo o controle da voz devido ao choro. – Droga Quinn! – Soluçou.
Q: Rach por favor não fica assim. – Ok, estava perdendo o controle. – Foi um acidente... e...
R: Claro você estava bêbada! Deus... – respirou. – Sabe... por alguns segundos eu cheguei a pensar em perdoar você e até imaginar como seria caso isso acontecesse. Foram breves segundos. Mas agora sei que eles não irão se repetir.
Q: Então um bebê assusta você?
R: O bebê não! Você me assusta. – cuspiu as palavras apontando para mim.
Q: RACHEL!! PELO AMOR DE DEUS! EU SOU HUMANA! – Respirei a fim de me acalmar, enquanto o choro se intensificava. – Eu sou errônea assim como qualquer um. Fiz Burrada sim, mas não sou mais uma garota assustada. Sou uma mulher arrependida e que te ama. O que eu tenho que fazer mais para você pelo menos acreditar nisso? – Passei as mãos pelos cabelos. – Eu já o amo, não posso e nem quero tirá-lo da minha vida. – Toquei na barriga instintivamente.
Rachel me olhava e dessa vez não lutava para disfarçar seu pranto.
R: Eu nunca pediria para fazer isso.
Q: Eu sei. – Nos olhamos. – Me dá só uma chance Rach! Só mais uma. Por favor! Eu posso me redimir. É só você deixar. Deixe que eu faça meu próprio caminho dessa vez.
R: Quinn você terá um filho!
Q: Sim, eu terei. Somente eu. E se formos uma família? Eu sei que você me ama! Então vai amar esse bebê também.
R: As coisas não são assim. Temos muitas feridas, muitas coisas não resolvidas.
Q: Eu sei, eu sei. – Fui andando em sua direção. – Mas se você permitir, podemos cuidar delas até que sare, e recomeçar. Rach... – estava chegando perto. – Nosso amor pode tudo, eu sei disso, agora eu sei.
R: Q-quinn... – segurava seu ombro e colei nossas testas.
Q: Deus... como eu te amo! – Senti sua respiração quente. – Só me perdoa amor. – O gosto salgado da lágrima que emanava no meu rosto não impediu que eu fizesse o que a muito queria. – Não me afasta.
Tomei seus lábios sem pensar em mais nada.
QUINN POV OFF
Uniram os lábios de maneira intensa, como se a força que investiam neles fosse cessar toda dor sentida. Quinn segurou o rosto da morena com as duas mãos como se não acreditasse no ocorrido. Rachel atendeu o que lhe foi pedido e não a afastou, ela não queria. Uma mordida no lábio inferior abriu passagem para que Quinn entrasse com sua língua, soltando um franco gemido de ambas as partes. Arfavam e seguravam-se cada vez mais forte a medida que o beijo se intensificava. As mãos da loura se afastaram do rosto de Rachel e envolvendo a cintura da mesma, como em um abraço. Simultaneamente a morena enlaçou o pescoço da outra.
Q: Que saudade. – Conseguiu dizer entre as mordidas e sucções.
Rachel poderia ter parado ali, todavia não conseguia. Sim ela também estava com saudade, sim ela também queria mais, e não, ela não queria pensar nas consequências.
Os beijos continuaram. Nunca seria demais para elas. Se amavam, sentiam falta uma da outra, se desejavam. Desejo este que não passou despercebido no modo que se tocavam e uniam suas línguas.
A primeira a cortar o beijo foi Quinn. Pegou a mão de Rachel e colocou no seu coração. Fechou os olhos e sorriu suavemente.
Q: Sinta todo o meu amor. – chorou novamente ainda com os olhos fechados.
Rachel a acompanhava no choro, e aproveitou o momento de cegueira da outra para observar seu rosto. Cada traço, cada detalhe...
“Quinn... a mulher que tanto amei e amo.” – pensou e se deixou sorrir. – “Deus estou perdida”.
Com esse pensamento, recolheu a mão presa, fazendo com que a loura abrisse os olhos, e enxugou as lágrimas.
Olharam-se.
Rachel pegou novamente a bolsa que agora estava no tapete, colocou no ombro, comprimiu os lábios formando uma linha reta, ajeitou os cabelos e encarou a mais alta.
R: Eu te amo Quinn. – Deu meia volta e saiu do apartamento sem olhar para trás.
Quinn sorriu como a muito antes não tinha feito. Se deixou cair no sofá e permitiu que os pensamentos lhe invadissem como um tornado.
“Ela me ama.”
“Eu já sabia, mas dessa vez ela admitiu.”
“Mas foi embora logo depois.”
“Deus... será que foi uma despedida?” – suspendeu o corpo bruscamente.
“Não... ela deve precisar de tempo para pensar, digerir tudo isso.” – voltou a deitar
Várias dúvidas rondavam sua mente, e pelo esforço destas, Quinn caiu no sono. Enquanto esta ressonava mais tranquila e cheia de esperança, a outra chegava em casa aos prantos procurando o amigo, que já se fazia presente e pronto para acolhe-la.
K: Estrelinha o que houve? – a aconchegou em seus braços. – xiii... xii... – alisava seus cabelos.
R: Eu a amo Kurt. A amo da mesmo forma de anos atrás quando só era uma garota.
K: Disso eu já sabia.
R: Eu também, mas estava tudo nublado para mim, mas hoje eu admiti, para mim e para ela.
K: Oraaaa oraaa... me conta.
Rachel contou tudo o que ocorrera, indagando inclusive o porquê do sumiço do rapaz. Este se safou muito fácil e ela continuou toda a história.
(...)
K: Omg... Grávida... – voltou a olhar para amiga que encontrava-se mais calma. – E vocês se beijaram!!! Isso é bom Rach!
R: Às vezes você é mais confuso que eu.
K: Rachel eu já dei minha opinião na nossa outra conversa, e sinceramente ela se fortaleceu depois de tais fatos.
R: Depois de saber que Quinn está grávida?
K: Não. Depois de saber tudo o que ela disse. – puxou ar. – Rach, ela está certa. Todos nós erramos. Você também errou nessa história.
R: OI?
K: Me dá sua mão. – ela o fez. – Quinn sempre foi covarde e isso eu sei bem. Mas quando ela decidiu que ia ficar com você ela enfrentou a mãe e estava até disposta a não estudar direito só para não ficar longe da mulher que amava. Mas você interferiu nisso e a encurralou, fazendo-a tomar uma decisão, que só forneceu mais prova de amor. – Rachel o olhou confusa. – será que você não ver que Quinn te amava tanto quanto você a amava a ponto de ficar distante só para você não cumprir a promessa de sair da NYADA? Ela suportou até onde deu, já que você insistia nisso.
R: Kurt, você me ajudou nesse plano.
K: Sim claro. Eu sou seu amigo te ajudo no que você precisar, mas não quer dizer que concorde ou que faria igual. Rachel, será que já não basta de tanta auto punição e raiva?
R: Ela desistiu Kurt.
K: Sim, esse foi o seu erro depois de muito tempo. Mas tenta ver o lado dela. Ela estava certa em dizer que ninguém é igual a ninguém, ninguém tem a mesma reação para cada situação. Ela errou e está te pedindo desculpa.
Olharam-se e ficaram assim por um tempo.
R: E quanto a gravidez?
K: Não era você a louca pro crianças? – sorriu.
R: Não brinca com isso. Ela se deitou com outra pessoa e engravidou dela.
K: Sim depois de 3 anos. E pelo que me lembro você também foi pra cama com outra pessoa. Você poderia estar com um filho agora se essa pessoa fosse um homem.
R: Eu tomaria cuidados.
K: Rachel por Barbra! Admita que quer se entregar ao seu amor, esqueça os erros, perdoe-a. Viva isso. Eu nunca vi uma pessoa ser tão certa para outra. Tirando eu e Blaine, lógico! – sorriram juntos. – vá descansar, pense melhor, mas não esqueça tudo que aconteceu hoje.
R: Estou precisando mesmo. Vai ficar por aqui? – indagou obtendo um “sim” como resposta.
K: Qualquer coisa é só gritar, vou ver uns filmes.
R: Amo você. — beijou-lhe a têmpora e retirou-se.
Em pouco tempo Rachel adormeceu. Um certo alívio tomava conta do seu ser, talvez uma conhecida euforia e dessa vez ela não pensou no famoso “não”. Na verdade, não pensou em nada, apenas adormeceu.
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