Sempre Vou Te Amar
44 Never say Never ???
Notas iniciais
A claridade do dia ia despertando a diva, que murmurava em protesto. Espreguiçou-se e arriscou abrir os olhos, aos poucos, fitando o teto e repassando tudo o que tinha acontecido no dia anterior. Não sorriu, pois lembro de atos tais que o leitor já sabe, porém, não sentiu vontade de chorar também, por motivos que até esta desconhecia, ou pelo menos preferia pensar assim. Sentou na cama espreguiçando-se mais uma vez, buscou o celular na mesinha quando se deparou com um jarro cheio de flores. Lírios... brancos. O coração a pouco tranquilo, martelou forte no peito, causando a tão conhecida náusea. Naturalmente as tomou para si e inalou o cheiro que emanava. Avistou o bilhete pouco tempo depois.
Abriu, sentido o enjoo ficar mais forte.
“Sei que são as suas prediletas. Não me afaste, deixe-me tentar uma última vez.
Te amamos”
O verbo no plural fez Rachel ficar tonta. Sim, ela se referia a ela e o filho que carregava no ventre. Deixou-se sorrir levemente por meio segundo. Balançou a cabeça e seguiu para o banheiro a fim de realizar sua rotina matinal.
Depois de alguns minutos foi a cozinha para o dejejum encontrando seu amigo e o namorado arrumando a mesa.
R: Hummmm... O cheiro está delicioso.
B: Espero que o sabor também. – Sorriu e beijou a testa da baixinha. – Bom dia querida.
R: Bom dia Blaine. – Virou-se para o amigo e o abraçou. – Bom dia.
K: Bom dia Barbra. Vejo que está melhor.
R: Digamos que sim.
K: Já viu o que tem no seu quarto? – Perguntou obtendo a resposta positiva. – Hum. Interessante.
R: Lá vem você. – Bufou – Vamos só tomar café da manhã ok? Estou morta de fome.
Os meninos concordaram e pouco tempo depois estavam saciando o que tanto incomodava Rachel. Depois disto, Kurt lavava a louça enquanto a morena secava e Blaine guardava.
B: Vamos almoçar fora hoje, quer ir?
R: Pode ser. – Sorriu – Antes vou na livraria, preciso renovar meu estoque.
K: Ok, estaremos aqui te esperando.
Rachel escovou os dentes e saiu com destino a livraria. Fez suas compras e voltou para a casa, gastando mais ou menos 2 horas no total.
Abriu a porta animada ouvindo os risos dos rapazes e de... Q?
R: O que está fazendo aqui? – Perguntou com olhos espantados deixando a boca semiaberta.
Q: Bom dia Rachel. – Sorriu fraco corando levemente. – Primeiramente queria saber como estava já que não respondeu minhas mensagens, não que tenha obrigação, mas... – respirou.
K: Blaine amor, vamos ali no quarto. Estou com saudade. – Blaine entendeu o recado e retiraram-se do local.
As duas observaram a cena com certa graça. Kurt era péssimo ator. Voltaram a se olhar.
R: E-eu não peguei meu celular hoje ainda. – Corou sem entender o motivo de estar explicando-se, e recordou o motivo que desviou o objetivo de apanhar o celular mais cedo. “As flores”.
Q: Tudo bem. Bom... Vim também te entregar uma coisa que fiz durante a noite. – Falou percebendo a curiosidade nascer nos olhos da outra. – Mas queria te explicar antes, pensei em almoçarmos juntas.
R: Já marquei com os meninos.
Q: Jantar? – Indagou atropelando a diva que por sua vez não conseguiu sustentar o olhar.
O silêncio se instalou por alguns longos minutos. Quinn não quis mais esperar.
Q: 18:30PM estarei aqui para te buscar. Não vou te pressionar, te ligarei, se não atender saberei que não existirá jantar HOJE. – Enfatizou a última palavra dando o recado. – Até mais Rach. – Andou em direção a morena que ainda se encontrava como estátua, e depositou um beijo na bochecha, saindo logo em seguida.
Rachel assimilava tudo aos poucos. Ainda na mesma posição entendeu o que a loura quis dizer. Sim, mesmo que não fosse hoje, Quinn não desistiria.
QUINN POV ON
Frannie: Eu estou ficando tonta Quinnie!
Q: Não enche Frann.
F: Você precisa respirar, ainda faltam três horas. – olhei o relógio.
Q: É, você está certa. – bufei me jogando no sofá. – Eu só quero que chegue logo, e se ela não me atender?
F: Você não irá desistir. Rachel ainda está machucada Quinn.
Q: Eu sei, e não pensei em desistir.
Frannie me forneceu um olhar acolhedor e compreensivo e me joguei nos braços dela. Frannie tinha o poder de me acalmar, como uma mãe. Porém, a calmaria durou pouco, menos de uma hora eu já estava me direcionando ao banheiro para o banho. Ainda teria que escolher a roupa ideal.
Menos de uma depois estava pronta, escolhi um vestido preto tubinho, scarpins vinho combinando com o tom do batom. Coloquei na bolsa o essencial, incluindo o que entregaria a Rach, peguei as chaves do carro, me despedi da Frann e sai.
(SUGIRO QUE COMECEM A OUVIR A MÚSICA AGORA.)
Dirigi devagar, a mente indo e vindo, escutava a rádio e uma música que a muito não ouvia fez meu coração acelerar da mesma forma que a 4 anos e meio atrás.
“Some things we don't talk about
Rather do without
And just hold the smile
Falling in and out of love…”
Além da nostalgia, a emoção do momento me tomou, e eu me permiti sentir. Lembrei de Rachel cantando, foi quando tive a certeza do quanto ela mexia comigo.
“Deus, não imaginava naquele dia o quanto eu a amaria.”
Q: Te amo tanto meu amor... – me deixei sussurrar aos ventos.
A música continuava e minhas lágrimas não tinham fim, não as limpei, não as amaldiçoei. Simplesmente deixei que escorressem.
Cheguei ao meu destino, a música ainda se fazia presente, olhei as horas faltavam 40 minutos ainda. Parada dentro do carro, encarava a porta como se por algum milagre Rachel fosse sair desta. Resolvi retocar a maquiagem, precisava ficar impecável.
18:05
Bufei impaciente...
QUINN POV OFF
Dentro da casa Kurt andava de um canto a outro sem saber o que fazer.
B: Calma amor, ela já deve ter adormecido.
K: Eu sei, só não gosto de vê-la assim. Depois de quatro anos convivendo com isso ainda não me acostumo. Também, a última vez que ela teve uma cólica tão forte foi em dezembro. – analisou pensativo. – Vou lá ver se ela melhorou.
O Best Friend de Rachel se direcionou ao quarto da mesma. Bateu na porta, mas não obteve resposta. Resolveu entrar assim mesmo.
Rachel estava deitada de frente para a parede, com um travesseiro entre as pernas. Algumas cartelas de remédio na bancada ao lado, acrescentando com uma xicara contendo um pouco de chá, um copo pela metade com água e o celular.
K: Rach? – silêncio. Foi até ela sentando-se na cama. – Rach? – tocou-lhe o ombro. Esta soltou palavras desconexas. – Estou na cozinha qualquer coisa ok?
R: Humrum...
Kurt levantou-se a fim de sair do ambiente, mas foi impedido quando avistou o celular da diva acendendo a luz revelando um número que não conhecia. Ia ignorar o que foi visto mas lembrou que Rachel estava esperando resposta da produção de funny Girl. Pegou o celular e saiu do quarto.
K: Alô... – Atendeu assim que fechou a porta atrás de si.
“Kurt, é a Quinn”
— Quinn?? O-oi...
“Onde está Rach?”
— Hmmm... Deitada.
“Dormindo?”
— Humrum
“Haaa... – suspirou. – Ok. Então já tenho minha resposta.”
— Resposta?
“Eu falei que ligaria para ela quando chegasse aqui, se ela não atendesse ela não ia jantar comigo, mas já era de se esperar.”
— Jantar? Haaammm... só um minutinho, não desliga.
Kurt correu até a cozinha e resumiu ao seu namorado o ocorrido.
B: Ué... fala a verdade pra ela. Rachel está com cólica desde cedo, e está dopada de remédios.
K: Rachel pode me matar.
B: Ela não vai, ela quer isso Kurt, você sabe.
O mais baixo ficou um pouco pensativo... Tirou o celular do mudo e o levou ao ouvido.
— Quinn?
“hummm”
— Olha, a Rachel está dopada de remédio.
“O que ela teve Kurt? O que aconteceu?”
-Respira que você deve ter a mesma coisa
“Hammm? Mas o que...?”
— Ela está com cólica. Desde cedo. Tomou muitos remédios e acabou apagando.
Quinn soltou a respiração que estava presa como forma de alívio. Fez-se silêncio pelos segundos posteriores...
“Kurt”
— estou aqui.
“Me deixa cuidar dela...”
— Quinn você sabe que isso passa dos limites.
“Eu estou aqui na porta de vocês, vai me deixar aqui a noite toda? – prendeu o riso.”
— Isso não vale. Entre no seu carro e volte para casa, amanhã você tenta falar com a Rach.
“Você que sabe, vou ficar aqui na sua porta até amanhã.”
— Eu não acredito em você. Vou desligar. Tchau e boa noite.
Desligou o celular e fitou Blaine.
K: Ela disse que está aqui na porta e não vai sair até eu deixa-la entrar.
B: Kurt, não dificulte as coisas. Aprenda comigo.
Blaine levantou chegou próximo a porta e encostou o ouvido, conseguiu ouvir os passos da outra em forma de impaciência.
K: O que está fazendo?
B: Nada querido – falou mais alto que deveria, fazendo com que o outro adquirisse uma expressão de confusão. – Você esqueceu que vocês não trancam a porta? – Praticamente gritou.
Kurt entendeu na hora o intuito do namorado e não pôde deixar de rir.
Blaine se afastou da porta, e meio segundo depois esta foi aberta por uma loira com os olhos avermelhados e uma expressão leve no rosto.
Q: Ops...
K: Vocês dois vão causar minha morte.
Q: Kurt! Ninguém abriu pra mim. – piscou. – estou te devendo uma. – sussurrou para Blaine.
B: Segunda porta a esquerda. – Sorriu de ponta a ponta.
Q: Eu amo vocês dois sabiam?
K: Suma em três segundos antes que me arrependa.
Quinn correu e entrou de vez no quarto escuro e sorriu ao sentir cheiro que tanto conhecia e amava. Deitou ao lado da amada aspirando o perfume dos cabelos e depositando um beijo.
Q: Você nunca mais estará só. – sussurrou deixando outra lágrima escapar. Pegou o cobertor e cobriu a enferma até a cintura.
Depois de um longo tempo em silêncio, saiu do devaneio tenaz e decidiu cantar baixinho, sabia que a outra não a ouvia, mas queria realmente fazer aquilo...
Q: You can never say never while we don't know when – afagava as madeixas escuras. — but time and time again. Younger now than we were before
Don't let me go…
Don't let me go…
Don't let me go…
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