Sempre Vou Te Amar
18 Capitulo 18 - Desespero
Notas iniciais
R: Co-co-co-como assim o que está acontecendo?
F: Rachel! Você permitiu que eu viesse aqui hoje, quando eu cheguei você não me deixou entrar, e ainda se comunicou comigo com a porta fechada, inventou uma história ridícula com o nome dos seus pais. Logico que você escondia alguém aqui dentro, o que eu não estou entendendo é por que esse alguém é a Quinn, e o porquê de você querer esconder isso de mim.
R: Finn, não é nada disso. A Quinn chegou a pouco tempo.
F: É mesmo Rachel?
R: Sim! Não é Quinn? – direcionei meu olhar para Quinn, e ela ainda estava na mesma posição de antes, como se tivesse sido paralisada. –QUINN!
Q: Sim, oi... Sim eu cheguei a pouco tempo. Nossa Rach eu achei que era um ladrão, acho melhor eu subir e colocar isso no lugar.
F: Então vocês agora são amigas? Vocês não tinham brigado hoje por causa daquele desenho que eu tenho certeza que foi você quem fez, por causa do seu amigo-primo ou sei lá o quê? – ele parou um pouco relaxando as expressões faciais. – então é isso Rachel!? Você está com o amigo-primo da Quinn e brigou com ela hoje pelo desenho que podia entregar tudo?
R: Fiin! Eu não sou esse tipo de mulher!
Q: É, ela não é mesmo!
F: Cala a boca que eu perguntei para ela.
Quem ele achava que era pra mandar a Quinn calar a boca?
R: Não fala assim com ela!
F: O que é isso tudo? Vocês não se odiavam até poucas horas atrás? Agora estão nessa proteção toda. Por que?
R: A gente nunca se odiou Finn! Você está viajando!
Q:Completamente, olha eu vou subir para guardar isso, se seus pais chegarem não vão entender muita coisa ainda mais eu segurando isto!
Quinn se virou para subir as escadas. Seu cabelo estava de lado, deixando o outro lado do pescoço completamente nu, sendo inevitável não ver a marca que a burrinha aqui tinha deixado. Eu gelei, e desviei meu olhar para me certificar de que o Finn não olhava na direção dela. Engano. Nossos olhares se encontraram.
F: E-eu-eu não acredito... claro! Como eu pude ser tão burro? – o comentário fez Quinn parar e se virar novamente. – não existe um amigo-primo da Quinn não é mesmo? – Eu e Quinn nos olhamos, ela surpresa e desesperada e eu perdida.
R: O que quer dizer com isso?
F: É ELA! – Falou praticamente cuspindo as palavras e em um tom elevadíssimo, apontando para Quinn.
R: Não grita Finn, você está na minha casa e eu não sei ao que está se referindo!
F: Rach você não sabe? – falou andando em direção a Quinn.
R: Não!
F: E que maca é essa? – segurou o pescoço de Quinn, deixando a marca mais visível.
R: Larga ela!
F: Calma eu não vou fazer nada – falou obedecendo ao meu pedido. – Só não queria correr o risco de você acabar dizendo que não está vendo nada.
Eu não consegui me mover nem falar nada. Eu estava em estado de choque, era a primeira vez que sentia o medo em mim. Pelo menos relacionado a esse assunto. Não me permitia sentir nada de negativo, principalmente o medo, mas naquele momento, eu não conseguia nem abrir meus olhos. Sim, eles estavam fechados. Eu comecei a pensar que Quinn poderia estar brava, pois não sabia da existência daquela marca, porém, para minha surpresa a Quinn foi quem disse as primeiras palavras.
Q: Como você sabe que a minha pele estava sem essa marca? Estava me observando Hudson?
F: Sem essa Quinnie! E eu sei que você não chegou a pouco tempo, pois eu não saí daqui desde de que cheguei mais cedo, e ninguém entrou ou saiu dessa casa.
Q: Impossível! Nós ouvimos a partida do carro. – “Omg, Quinn acabou de estragar tudo” pensei no exato momento em que o Finn abriu aquela maldita boca.
F: Mas olha só... Como você ouviu isso se não estava aqui? – jogada de mestre. – Rachel! – se virou para mim. – eu exijo uma explicação.
Eu só conseguia olhar para Quinn, ela tentava me dizer algo com os olhos, mas eu estava com tanto medo que não conseguia interpretar, nem mesmo sair da inercia. Depois de alguns segundos de silêncio, ela finalmente entendeu que eu estava em estado de choque, e uma nova Quinn, surgiu... então ela pensava que nem eu!? Quando uma está fraca, a outra precisa ser forte. Quando uma tem medo, a outra precisa ser o porto seguro! Eu não sabia que Quinn também pensava assim, e melhor, agiria assim!
Q: Não tem o que explicar Hudson! É tão claro quanto à luz do dia! – Ela finalmente achou a coragem perdida.
F: Então vo-vo-você está confirmando tu-tudo o que eu disse aqui?
Q: Sim! A Rachel é minha!
Sim, ela falou exatamente o que acabou de ler. Se eu já estava em estado de choque antes, naquele momento eu estava sustentada somente por anjos! É a única explicação lógica que tenho para provar o porquê de eu não ter despencado no chão. Nunca imaginei que essa simples frase fosse me deixar tão emocionada, frágil. Minha vontade era de jogar-me nos braços dela, encher de beijos, e falar uma porção de coisas lindas, inclusive o quanto eu a amava. Mas eu não podia...
Q: Algum problema?
O Finn estrou em um estado bem parecido com o meu, a única diferença era o seu olhar. Um olhar igual ao de uma criança quando um coleguinha rouba um brinquedo ou um doce da sua mão. Uma mistura de raiva com tristeza.
Quinn veio para o meu lado e me abraçou...
Q: Rach você está gelada, está tudo bem? – desde quando a tranquilidade e segurança fazia parte dela?- Rach olha pra mim. – obedeci, e ela ia me dizer algo, mas o Finn interrompeu.
F: Isso é um absurdo! Seus pais sabem disso Rachel? E os seus Quinn? Aposto que a pastora da cidade ia adorar saber que tem uma filha lésbica.
R: Pastora?
F: Vai dizer que você não sabia? Ohio é pequeno Rach, mas parece que não pra você.
Olhei para Quinn tentando entender tudo aquilo que o Finn dizia. Mas encontrei a antiga Quinn, com medo, fragilizada...
Q: O que você vai fazer? Não ouse...
F: NÃO OUSE O QUE? CONTAR PARA SUA MAMÃE? ISSO NÃO É NADA COMPARADO AO QUE VOCÊS FIZERAM COMIGO!
R: Não dramatiza Finn. A gente só saiu algumas vezes, e até o ano passado, você não se importava muito comigo. Que sentimento de posse é esse agora?
F: Sentimento de posse? É o que você acha?
R: Sim!
F: Ok! Já chega! Se preparem pois esse segredinho sujo acaba aqui.
R: Você não tem esse direito!
F: Há eu tenho sim! Por que está tão preocupada Rachel? Seus pais são gays, eles não vão te odiar nem te expulsar de casa!
Então ouvi praticamente um sussurro da Quinn: “Mas os meus sim...”
Meu coração doeu, e doeu muito. Pela primeira vez consegui realmente me colocar no lugar dela, sentir o desespero dela, a angústia, enfim... Senti tudo de uma vez, ouvir aquelas palavras foi cortante, estava gritante o sofrimento dela. Eu não consegui não sentir dor. Antes eu não entendia, mas hoje eu sei que quando a gente ama, o que um sente o outro também sente, pelo menos nos casos de amores recíprocos, e unicamente verdadeiros. Eu tinha que fazer algo a respeito.
R: Finn não faz isso, por favor! Eu faço o que você quiser! Mas não conta para os pais da Quinn, não conta pra ninguém, isso é sério. Por favor. – falei praticamente em 1 segundo.
F: Haaaaa, então é com ela que está preocupada?!
R: Não importa Finn, só não faz isso. Pede o que você quiser! Tem que haver algo. Você quer dinheiro? Quer os solos no coral? Quer que eu mude de escola?
F: Não Rachel! Não quero nada disso!
R: Então o que você quer?
F: Eu quero você!
Fiquei um pouco zonza, e tive que me segurar em Quinn. Eu não conseguia acreditar que o Finn ia fazer isso. Ele não podia!
R: Como assim Finn?
F: Você entendeu Rachel. Não sei se conseguiria ficar calado, então pra garantir quero você do meu lado. E por favor, não me olhe assim, eu não sou um monstro, mas me conheço e só com um bom motivo para eu conseguir não abrir o bico. Imagine eu te vendo todo dia na escola com ela, e sabendo de tudo o que sei? Sabendo que você está com ela ao invés de estar comigo.
R: Isso não justifica Finn. Você me quer mesmo sabendo que isso não é recíproco? Vai me forçar a ficar com você?
F: Não estou forçando, você tem a opção de não ficar, mas vai ter que sofrer as consequências com isso. Eu quero você Rachel, eu investir nisso e não vou aceitar um não de qualquer jeito.
R: O que agora eu sou um negócio?
F: Não é nada disso Rach. As pessoas vão querer saber o porquê de você não estar comigo, e eu terei que dizer, a menos que você esteja.
R: Eu não estou acreditando.
F: Olha pense direitinho, eu quero a resposta amanhã, se não já era esse segredo imundo. Desculpa por isso, mas é necessário. Até mais.
Finn saiu deixando eu e a Quinn sem palavras, sem ação e principalmente sem direção. Eu tentei não olhar para ela, mas foi impossível. Nos encontramos com o olhar mais sofrido que imaginado. A Quinn foi em disparada ao encontro dos meus braços. E ali se iniciava um choro, um choro derramado de desespero, medo, dor, e principalmente indecisão. Sentamos no sofá e choramos por um tempo consideravelmente grande. Não falamos nada, não precisávamos disso. Sabíamos o que estava para acontecer, uma decisão que ditaria os nossos rumos, as nossas vidas. Comunicávamo-nos apenas pelas lágrimas e olhares. Na minha mente? Eu tentava enxergar meu futuro sem ela, e a resposta? Eu não conseguia.
Fale com o autor