Sempre Vou Te Amar
41 Atitude... Mudança...
Notas iniciais
(…)
K: Você não acha que é melhor ir até lá? Já tem 3 dias desde aquele péssimo dia.
R: Eu não vou Kurt! Eu não consigo te entender. Agora está do lado dela?
K: Claro que não Barbra, deixa de drama. Eu acho que te fará bem esclarecer tudo. Deve tirar um peso de você. Você não parou para pensar nisso?
R: Já sim... Mas, olha só eu me conheço. Eu não posso ir até lá.
K: Rach... — se aproximou da amiga e entrelaçou suas mãos. — Eu sei que ainda ama a Quinn, assim como sei que não vai voltar para ela. Mas... Você já parou pra pensar que...
R: Eu não parei para pensar em nada e nem vou! Não me faça entrar nessa zona Kurt. Não mais.
K: Que zona?
R: Da ilusão! Já chega desse assunto. Vou tomar banho, preciso lavar meu cabelo. Fique com o meu celular caso o pessoal da produção ligue informando a nova data.
K: Ok.
Enquanto Rachel foi se banhar, Kurt ficou vendo TV. Estava quase pegando no sono quando ouviu batidas na porta. Levantou preguiçosamente, tentando afastar a sonolência. Abriu a porta e enxergou uma mulher alta, loira e....
K: QUINN??? — Exclamou com o tom de voz elevado, deixando qualquer vestígio do adormecimento para trás.
Q: Hey Kurt. Olha desculpa vim assim sem avisar, mas eu não podia esperar mais.
K: Como você conseguiu nosso endereço? — ainda mantinha o tom elevado
Q: Bom não foi tão difícil. Rachel é bem conhecida na NYADA... E....- Olhou para baixo. — Você não precisa gritar tanto; — sorriu — Eu não posso entrar?
K: Eu não sei Quinn. Olha, eu sinto muito por tudo isso, mas você fez por merecer. Eu não sei se posso deixá-la entrar. A Rachel pode me matar.
Q: Então você pode sair para comprar alguma coisa e vocês nunca trancam a porta. Então...
K: Entendi. — deu um meio sorriso. — Eu não sei exatamente o porquê de estar te ajudando, mas eu sinto que é o que deve ser feito.
Q: Muito obrigada Kurt.
K: Me agradeça não fazendo mais merda. Trate de ser adulta Quinn. — falou sério causando um rubor na loura. Bom vou adiantar, Rach tá no banho já deve estar acabando. Pode ficar aqui e esperá-la.
Q: Certo. Obrigada mais uma vez.
Kurt assentiu com a cabeça, e saiu.
Quinn entrou reparando na decoração que sabia ter sido coisa do Kurt. Se permitiu imaginar se fosse ela e Rachel se tudo tivesse saído como tinha planejado. Sentou no sofá concentrando-se, tentando inibir o enjoo e as tremedeiras que já se faziam presentes.
QUINN POV ON
Eu não sabia mais para onde olhar, e nem o que fazer para me controlar. Rachel sempre demorou no banho, mas dessa vez estava batendo o recorde.
“A não ser que ela resolveu ficar pelo quarto mesmo e dormir.” — pensei
“Droga... E agora?”
“ Vou lá”
“Não Quinn!!! Pode ser um passo errado.”
“Eu preciso tomar uma atitude! Eu vou lá, já chega de vocês pensamentos idiotas!”
Levantei no intuito de procurar o quarto dela. Mas não precisei dar um passo.
Ela estava ali, na minha frente. Cabelos molhados, olhos graúdos e brilhantes e com certeza perplexos. Segurava uma escova de cabelo e estava enrolada em uma toalha branca.
“Droga... Não foi bem assim que imaginei.”
Pisquei algumas vezes a fim de me concentrar.
R: Co-co-como você...
Q: Desculpa. Mas eu não podia esperar mais. Consegui seu endereço. Bati algumas vezes, mas como ninguém atendeu resolvi entrar. A porta estava aberta. Achei que não estava em casa e decidi esperar. — falei tudo de uma vez. Estava nervosa. Estava muito nervosa. — Eu preciso mesmo falar com você. — involuntariamente desci os olhos percorrendo o seu corpo ainda molhado.
R: Você não podia fazer isso Quinn. Por favor retire-se. — Deu as costas e começou a andar em direção ao corredor.
Q: Rachel por favor! — sem sucesso. Corri até seu encontro e a segurei pelo braço. Não podia deixar ela escapar. Não mais.
R: Me larga Quinn.- virou-se de frente para mim tentando tirar minha mão sob si. — Como você pode…?
Q: Rach! Eu não estou aqui só por mim. Eu preciso que você me escute. Nem que depois você me mande ir pro inferno. Eu vou! Mas me escuta por favor. Pode me bater, o que quiser, mas precisamos conversar, nem que seja para nos fazer seguir em frente.
Eu sentia sua resistência indo embora, ao mesmo tempo que tentava não pensar no seu corpo envolvido em uma toalha tão próximo a mim.
R: Ok! Eu vou me trocar e volto para a sala. Você vai dizer tudo o que quer dizer. Eu vou ouvir. E depois você vai embora daqui e não vai voltar nunca mais. Você vai me deixar em paz.
Rachel pronunciou tais palavras olhando nos meus olhos, sem piscar. Eu podia sentir sua fúria, sua mágoa, sua dor. Meu coração apertou e concordei rapidamente para que esta não visse as lágrimas que escorreram assim que a porta se fechou.
Controlei-me.
Não demorou muito para que ela voltasse. Sentou-se na mesa, e eu fiz o mesmo. Ficamos uma de frente para outra. Me perdi em seus olhos. Por pouco tempo.
R: Quando estiver pronta... — Pigarreei.
Q: Eu não sei por onde começar, mas vou simplesmente falar ok?! — continuou com o olhar incrédulo. — Eu sei que fui uma covarde terminando nosso namoro daquele jeito, ou de qualquer jeito que fosse. Eu sei que fui uma covarde quando sumi de da sua vida. Eu sei que fui uma covarde voltando para Nova York e não te procurando. Eu sei Rachel. Eu sei de tudo isso, e até mesmo quando fiz sabia. — Respirei fundo. — Nosso passado foi conturbado, e eu era imatura, não sabia como lhe dar com sua ausência. Eu queria voltar, queria ficar aqui do seu lado, mas você me ameaçou com tudo aquilo de largar a faculdade. Eu não podia deixar isso acontecer.
R: Então você desistiu.
Q: Sim. Foi uma desistência. E sim eu o fiz. — olhei para minhas mãos sob a mesa. — Mas eu só tinha 19 anos Rachel, não tinha nenhuma experiência com nada. Eu não estou tentando justificar os meus erros, mas tente ver pelo menos isso. Eu estava longe de todos, no Alaska, não tinha ninguém, eu te amava mais que tudo, e não aguentava mais, dia após dia chorar com sua ausência, ficar sem comer...
R: Então você desistiu! — Me cortou e soltou um riso falso. — Sabe Quinn, tudo o que você passou eu também estava passando. Eu também estava longe de todos, só tinha o Kurt! Eu também chorava todos os dias, eu também não era madura e eu tinha 18 anos.
Q: Mas você não sou eu! – Levantei revelando o meu desespero. — Não somos iguais Rachel. Ninguém é igual a ninguém! Cada um age de uma forma para a mesma situação. E eu infelizmente fiquei com a parte estragada da coisa.
R: Agora o quê? A culpa é do acaso? Ou do seu signo? Ou do que?
Q: A CULPA É MINHA! TODA MINHA! — apoiei as mão no topo da cadeira e respirei fundo para me acalmar. — É isso que você estava esperando ouvir? — O choro já se fazia presente. — Pois então alegre-se baby. Eu sou a culpada por tudo isso! Por tudo. Desde sempre. Eu só quero que pelo menos você me perdoe. Perdoe-me por ter sido uma covarde, uma criança. Por favor, me perdoe. — um choro compulsivo iniciou-se sem pedir licença. Coloquei as mãos no rosto e virei-me dando as costas para Rachel. — Me perdoa amor, não somos iguais. Vo-vo-você sempre foi a mais forte, eu não tinha como ter força, eu não sabia como.
Ouvi uma respiração forte, e o barulho da cadeira arrastando. Logo depois, senti suas mãos em mim.
R: Você quer água? – falou de forma suave. -Assenti com cabeça e senti o vazio da sua ausência.
Rachel demorou mais que o normal para pegar um copo com água e eu a agradeci mentalmente por isso. Tive tempo para me recompor, ou pelo menos tentar.
R: Aqui está. — me entregou copo me pegando de surpresa.
Q: Obrigada. — segurei o copo e olhei em seus olhos. Ela chorou, por isso a demora. Me senti mal.
Enquanto bebia em goles lentos, Rachel sentou-se no sofá e alisou os próprios braços. Coloquei o copo em cima da mesa e a observei. Ela fitava o chão. Ficamos assim por alguns minutos.
R: Você tem mais alguma coisa para me dizer? — perguntou ainda fitando o chão.
Seria uma boa hora? Dizer que estava grávida não ajudaria em nada. Não que eu estivesse me iludindo com uma possível volta. Mas o coração de quem ama não se importa nem um pouco com isso. Mentir também não era uma opção. Eu mudei e Rachel precisava saber disso.
Q: Tenho. — senti seus olhos em mim. -Mas não acho que seja uma boa hora.
R: Então nunca me contará Quinn. — engoli seco.
Q: Tudo bem Rach. Você quer que eu vá embora? Quer que eu fique? Quer que eu morra? Quer que eu venha morar aqui?- saiu sem eu perceber
R: E-e-eu não quero nada Quinn.
Q: Então eu fico.
R: Aqui? — percebi seu tom assustado.
Q: Calma Rach ignore minha última pergunta. Eu... eu só quero ficar perto de você por mais tempo.
R: Por que Quinn? Por que agora é mais fácil? — Não consegui não rir. E percebi sua expressão de chateada. Amava o biquinho que ela fazia. Ok, concentre-se Quinn! — O quê? Agora isso aqui é um show de comédia?
Q: Desculpa Rachel, mas se tem um nível em que minha vida não está é fácil. Principalmente para nós.
R: Não existe nós. Nunca mais ouvirá esse termo quando o assunto for eu e você. — Sentia sua raiva saindo pelos poros. Porém, tudo aquilo que exalava junto com esta era amor. Rachel ainda me amava e enquanto eu soubesse disso nada me faria parar. Já passou da hora de agir diferente.
Q: Tudo bem Rachel.- Puxei ar. — Só preciso saber. Você me perdoa? Você pelo menos pode tentar? Só me perdoar.
R: Se eu te perdoar você vai embora? – Percebi um tom de dúvida e tristeza na sua voz.
Q: Na verdade não.
R: Não? — levantou e veio na minha direção com o dedo apontado. — Você não pode...
Antes que ela terminasse e eu me arrependesse do que estava prestes a fazer, segurei seus braços, girei nossos corpos e a pressionei na mesa. Cheguei próximo, próximo demais do seu rosto:
Q: Eu não vou te beijar agora porque não é o certo a se fazer. — falei entre dentes. — Não sei como anda sua vida amorosa Rachel, mas eu sei que ainda me ama. Eu vi seu vídeo, eu vi como você cantou, você me ama Rach. Mas agora eu quero acertar com você. — Ela me olhava com olhos esgazeados e a boca semiaberta. — E pode ter certeza que eu te amei, eu te amo e eu sempre vou te amar.
Dito tais palavras, me afastei antes que me apossasse daqueles lábios que tanto me perturbavam. Peguei minha bolsa, ajeitei os cabelos. E olhei para ela novamente.
Q: Eu vou agora, pois não quero deixá-la desconfortável. Mas eu não vou embora da sua vida. Só se você olhar dentro dos meus olhos e dizer que tudo o que falei aqui foi mentira e que você já não me ama. — Virei-me e parti.
Podia ter pego um táxi, mas preferi andar. Andava sem pressa, sentindo o vento no rosto como nunca antes. Fisicamente falando eu estava um caos, vomitei 2 vezes no caminho e a fraqueza só aumentava. Porém, uma chama de esperança se acendeu dentro do meu coração. Eu vi nos seus olhos assim que quase a beijei. Ela queria... Deus! Ela me queria tanto quanto eu! Eu posso está sendo ridícula, mas não vou esquecer o que vi dentro daqueles olhos castanhos, dos olhos da mulher que eu amo.
Q: Espero que me perdoe meu amor. — sussurrei para mim mesma.
QUINN POV OFF
RACHEL POV ON
K: Calma Rach, vai ficar tudo bem. — Kurt me envolvia em seus braços tentando me acalmar.
R: E- e-ela não podia ter me desestruturado dessa forma. — chorava copiosamente.
K:shhhhii; Não fale nada, só respire e coloca isso tudo ai pra fora.
Assim que Quinn saiu eu entrei em desespero, suas palavras rondavam a minha mente, se o Kurt não tivesse chegado menos uns 10 minutos depois, não sei o que seria de mim. Estava tudo tão... todas as sensações voltando de forma violenta. Eu não sabia mais o que pensar, mas por alguns míseros segundos a esperança se alojou no meu peito...
R: PORRA! Nãooo... – Me livrei dos seus braços e bati a mão na cabeça.
K: Rachel!!! – me repreendeu.
R: É só ela aparecer e falar qualquer coisa eu já me permito... me permito...
K: Acreditar? Querer? – me desfiz e confirmei. – Rachel eu posso dar uma opinião sincera?
R: Claro, você é meu irmão.
K: Quase irmã baby. – rimos juntos. – Vem aqui. – bateu a mão no sofá, me sentei ao seu lado. – Rachel, tem gente que nunca acha alguém para amar, ou alguém que o ame. E tem outros, pouquíssimos que encontram. Você faz parte dessa mínima porcentagem.
R: Eu não...
K: Posso terminar? – acenei com a cabeça. – Não estou dizendo acredite, perdoe, corra para os braços dela. Não! Não faça isso, eu sei pelo que você passou. Mas será que a Quinn também não passou por uma barra? Será que ela já não aprendeu com os próprios erros, assim como todos os seres humanos? Será? Será? Você pode morrer com essa dúvida Rachel. Então sinceramente... Não a impeça. Deixe-a pelo menos tentar fazer o que quer que ela esteja pensando. Faça isso por você!
Não consegui responder a isso. Só fitei o vazio por muito tempo e quando dei por mim estava só na sala. Não sei quanto tempo fiquei assim. Na verdade naquele momento não sabia de nada. As palavras de Quinn e de Kurt se fundiam cada vez mais e eu achei que ia pifar, mas de uma forma estranha acabei pegando no sono...
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