Sempre Vou Te Amar
42 Battlefield
Notas iniciais
Fazem três dias desde a visita de Quinn, e eu estava relativamente mais tranquila. Não sabia como, nem porquê, ainda mais que a produção do Funny Girl me ligou no dia posterior informando a nova data do meu teste. Ainda sentia o estômago revirar quando lembrar dela e das suas palavras, quando recordava suas expressões de dor, e principalmente quando percebia que estava querendo acreditar nela. Não! Tudo menos isso.
K: Está pronta?
R: Humrum. — falei pegando a bolsa.
K: Por que você não quer me contar o que vai cantar?
R: Porque não, e vamos logo.
K: Azeda! — rimos.
Fomos em direção ao auditório, pois dessa vez estávamos na hora certa. Cheguei e logo fui chamada. Entrando na sala me deparei com um cenário interessante. Parecia mais um local de show que de teste.
Jurado1: Boa tarde senhorita… Rachel Barbra Berry.
R: Boa tarde.
Jurado 1: Me chamo Jeremayah e estes são meus colegas, Mayanna e Peter. Você deve está estranhando o cenário.- sorriu de leve e assenti com a cabeça. — Bom, a nossa intenção aqui é achar a pessoa perfeita para interpretar o papel da Fanny Brice. E como vamos fazer isso em um teatro e posteriormente na televisão precisamos observar, além da sua voz, sua presença de palco e o seu comportamento diante das câmeras. — Minha tranquilidade estava indo embora, admito. — Então, tudo bem pra você?
R: Claro, achei muito interessante. — abri um sorriso amarelo.”Droga!”, pensei.
Jurada: Que bom Rachel. Então o que vai apresentar para nós?
R: Sei que pode parecer audacioso da minha parte, mas decidi cantar uma música autoral. — observei suas expressões que eram de surpresa a descrença.
Jurada: Quando compôs essa música Rachel? — Engoli em seco.
R: Tem dois dias. — respirei fundo.
Jurado1: Ok. Se estiver pronta… — confirmei com a cabeça, entreguei as cifras aos músicos junto com o tempo de melodia.
A melodia começou a soar, e me amaldiçoei por ter tido aquela ideia estúpida. Escrevi uma música em um momento de dor, e para piorar aquele momento era muito recente.
Respirei fundo.
It’s easy to fall in love, but it’s so hard to
(É fácil se apaixonar, mas é tão difícil)
Break somebody’s heart
(partir o coração de alguém)
What seemed like a good idea has turned into a battlefield
(O que parecia uma boa ideia se transformou em um campo de batalha)
Once lust has turned to dust and all that’s left’s held breath
(Uma vez que a luxúria se transformou em poeira e tudo o que resta nos sufocou)
Forgotten who we first met
(Nos esquecemos de quem conhecemos)
What seemed like a good idea has turned into a battlefield
(O que parecia ser uma boa ideia se transformou em um campo de batalha)
We both know it’s coming
(Nós dois sabemos que está vindo)
Does illusion count for something we hide?
(Será que a ilusão conta como algo que tínhamos?)
The surface tension’s gotta break
(A tensão na superfície deve ser quebrada)
One drop is all it takes to flood out this lie
(Uma gota é o bastante para que a mentira seja derramada)
You and I, we have to let each other go
(Você e eu, nós temos que deixar o outro ir)
We keep holding on, but we both know
(Continuamos esperando, mas nós dois sabemos)
What seemed like a good idea has turned into a battlefield
(O que parecia ser uma boa ideia se transformou em um campo de batalha)
Peace will come when one of us puts down the gun
(A paz virá quando um de nós abaixar a arma)
Be strong for both of us, no, please, don’t run, don’t run
(Seja forte por nós dois, não, por favor, não corra, não corra)
Eye to eye, we face our fears unarmed on the battlefield
(Olho no olho, enfrentamos nossos medos desarmados no campo de batalha)
We seemed like a good idea
(Nós parecíamos ser uma boa ideia)
We seemed like a good idea
(Nós parecíamos ser uma boa ideia)
Abri os olhos para encarar as câmeras, afinal estava ali para ganhar o papel principal. Foi tudo muito natural. Havia uma pessoa que imaginei está assistindo, e isso me ajudou. Não permiti que o líquido quente e sôfrego escorresse então voltei a fechar os olhos.
No blood will spill if we both get out now
(Sangue não será derramado se desistirmos agora)
Still it’s hard to put the fire out
(Ainda assim é difícil apagar o fogo)
What seemed like a good idea has turned into a battlefield
(O que parecia ser uma boa ideia se transformou em um campo de batalha)
Feelings are shifting like the tide, and I think too much about the future
(Sentimentos estão indo e vindo como as ondas e eu penso demais sobre o futuro)
What seemed like a good idea has turned into a battlefield
(O que parecia ser uma boa ideia se transformou em um campo de batalha)
We both know it’s coming
(Nós dois sabemos que está vindo)
Does illusion count for something, we hide?
(Será que a ilusão conta como algo que tínhamos?)
The surface tension’s gotta break
(A tensão na superfície deve ser quebrada)
One drop is all it takes to flood out this lie
(Uma gota é o bastante para que a mentira seja derramada)
You and I, we have to let each other go
(Você e eu, nós temos que deixar o outro ir)
We keep holding on, but we both know
(Continuamos esperando, mas nós dois sabemos)
What seemed like a good idea has turned into a battlefield
(O que parecia ser uma boa ideia se transformou em um campo de batalha)
Peace will come when one of us puts down the gun
(A paz virá quando um de nós desistir)
Be strong for both of us, no, please, don’t run, don’t run
(Seja forte por nós dois, não, por favor, não corra, não corra)
Eye to eye, we face our fears unarmed on the battlefield
(Olho no olho, enfrentamos nossos medos desarmados no campo de batalha)
We seemed like a good idea …
We seemed like a good idea …
Sim eu consegui acabar! Sentia as lágrimas querendo espaço, mas consegui controlá-las. Olhei para os jurados com os olhos marejados, Notei diversas expressões, inclusive da Mayanna que apresentava os olhos vermelhos. Comprimi os lábios em linha reta como uma forma de entendimento e a mesma repetiu o gesto. Mayanna era uma mulher muito bonita de cabelos negros e olhos claros, quase acinzentados. Deixei que o pensamento se afastasse pela voz de Jeremayah.
J: Muito bem Rachel, entraremos em contato seja qual for o resultado. Obrigada.
R: Obrigada pela oportunidade. — sorri para os três e sai em direção a porta.
Quando fechei a porta atrás de mim, achei que ia ficar mais calma e até feliz pela conquista de conseguir terminar a música. Mas o sentimento foi reverso, quando me deparei com Quinn encostada ao lado da porta com os braços cruzados.
R: O que você está fazendo aqui?
RACHEL POV OFF
QUINN POV ON
Q: Vim te ver, oras. — cocei a cabeça ficando claramente corada.
R: Como sabia que eu estava aqui?
Q: Faço parte dos seus seguidores no Facebook, você anunciou sobre o teste e eu sabia onde era... então...
R: Quinn, você não...
Q: É o que sente?
R: Como é? — franziu o cenho
Q: A música lá dentro. É realmente o sente? — observei Rachel engolir seco. — Eu ouvi Rach, e a vi também. — Falei agradecendo mentalmente pelo vidro na porta.
R: Você não tem esse direito. Cadê o Kurt? — Começou a andar para longe de mim.
Q: Rachel, você pode parar? — Nada. — Você acha mesmo que deveríamos nos deixar ir? — perguntei sem pensar duas vezes, fazendo ela parar.
R: Você já me deixou ir. — virou-se para mim. — Por que é tão difícil para você agora repetir tal ato?
Q: Porque eu mudei Rachel. Meu amor por você é o mesmo, mas eu cresci, você também, não precisamos ter essa conversa aqui.
R: Já tivemos essa conversa, e ela não vai se repetir.
Q: PARA! Pelo amor de Deus! Para! — puxei ar. — Eu entendo que está machucada e magoada comigo, mas por favor para de tentar fugir do que tem que acontecer. Você ainda me ama, por que não me perdoa? Por que não tenta ver o meu lado tambpem nisso tudo?
R: Seu lado? — bufou. — Não preciso disso aqui, estou indo.
Segui Rachel que saia do prédio em disparada ainda procurando Kurt, mal sabendo que este tinha me ajudado novamente. “Bendito seja Kurt Hummel” — pensei.
Q: Rachel você está andando rápido demais. — falei ainda a seguindo e sentindo a fraqueza chegando. — Pode… por favor… esperar? — perguntei já parando ofegante. “Droga … não posso fazer muito esforço.” — Só um pouco. — senti seus braços nos meus ombros. — Deixa eu... só... respirar.
R: Quinn você está bem? — balancei a cabeça em afirmação, recuperando o fôlego.
Sentamos no último degrau do prédio para que eu me recuperasse.
Q: Olha pode ir se tiver algum compromisso.
R: aaa, qual é? Você vem aqui me ver e agora quer que eu vá? — sorri sem que ela visse.
Q: Não disse que quero, disse que você não precisa ficar aqui porque eu vou ficar bem. — olhei para ela.
R: Parece que não vai não, você está pálida Quinn! — colocou a mão na minha testa no intuito de verificar minha temperatura, e tentei aproveitar aquele gesto. — Não está com febre.
Q: Já disse eu vou ficar legal. — lhe dei um meio sorriso e nos olhamos. Olho no olho, como no dia em sua casa. Vi seu amor novamente. Meu coração pulava como um louco e eu soube! Eu tinha que contar a ela. — Rachel eu preciso te contar uma coisa.
R: Então para você é a hora certa?
Q: Se segundo você nunca chegará a hora certa, então… — tentei levantar, percebendo enquanto estava tonta. Sentei novamente.
R: Não você não vai ficar legal. E não você não vai me contar nada agora.
Q: Mas Rach...
R: Frannie está em casa?
Q: Não, no trabalho.
R: Então vou te levar no hospital.
Q: Não precisa. Isso é normal. – percebi sua cara de confusão.
R: Como isto pode ser normal Quinn?
Q: É o que tenho para te contar. Mas eu queria conversar em um outro lugar Rach. – Olhei para baixo.
R: Claro, claro... Mas... Quinn? Você não está doente nem nada assim não é? – então eu percebi além do olhar preocupado ela estava pálida e com a boca seca. Meu peito apertou.
Q: Rachel! Não precisa se preocupar, não estou morrendo! Pelo menos não por enquanto.
R: Co-co-como assim? — Sorri e segurei seu queixo.
Q: Estou brincando baby. – só então percebi o quanto foi natural a minha atitude e o apelido carinhoso que costumava chama-la. Nos olhamos mais uma vez. Pigarreei e soltei seu rosto. – Então podemos conversar na minha casa? Ou na sua?
R: Não pode ser um restaurante, uma cafeteria?
Q: É muito pessoal Rach. – ficou um pouco pensativa.
R: Como não sei onde o Kurt está, então vamos para sua casa, ele pode estar na nossa.
Q: certo. – esbocei um sorriso infantil.
R: primeira e última vez ok?
Q: Isso eu já não posso garantir. – Pisquei e ela apenas ignorou.
Caminhávamos pelo Central Park, pois meu prédio ficava do outro lado. Rachel não disse nada, nem eu, mas podia me sentir melhor. Ela já me permitia ficar ao seu lado e estava indo para minha casa. “Ok Quinn, você terá que se controlar.”
“Como vou começar a falar?”
Pensamentos como esses rondavam minha cabeça e quando percebi já nos encontrávamos na porta do apartamento de Frannie.
Q: Pode entrar.
Rachel assentiu e quando o fez, observou toda a decoração. Era um apartamento luxuoso, a Frann sempre gostou de luxo, diferente de mim.
R: Você realmente mora aqui?
Q: A depender, por pouco tempo. – olhou para mim sem entender. – Esse apartamento é da Frannie, e eu estou aqui até decidir o que faço com o meu diploma e onde faço.
R: Hummm
Q: Você quer alguma coisa?
R: Quero. Que você vá direto ao ponto e me conte logo de uma vez o que é isso que te deixa assim.
Q: Ok. Acho melhor sentar-se. – depois de feito, sentei ao seu lado no sofá e só consegui respirar fundo. – Bom eu achei que não era um bom momento pois estamos numa batalha, como você mesmo descreveu na sua música, o que fodeu meu coração. – ela já ia rebater, mas não permiti. – Se for para ficar bloqueando meus sentimentos eu não vou falar. — bufou. – Eu vou ter que voltar ao passado para te explicar e eu só peço que não me interrompa.
R: ok Quinn.
Então eu fiz, falei tudo o que tinha falado com a Frann, falei do sofrimento, das bebedeiras, do carinha... Expus tudo o que sentia, sem medo, sem vergonha. Eu precisava daquilo. Deixei muito claro que eu teria ficado com ela em nova Iorque pois meu sonho era ela e não o curso de direito ou desenho, ou nada disso. Falei que ela não tinha o direito de decidir isso por mim, o que não justifica meus erros, mas que era importante ela saber disso. Rachel ouviu tudo, percebi o misto de emoções ao decorrer do meu resumo. Algumas vezes me deixei chorar, causando vermelhidão nos seus olhos. E então cheguei ao momento crucial(...)
Q: Enfim... Aquele cara que eu tinha tentado um relacionamento voltou depois de alguns anos de formado. Como eu disse ele era legal, me fazia rir muito e por alguns minutos eu esquecia minha dor. Então quando ele voltou fomos a uma festa e tomamos todas. Como eu sempre fazia. – respirei. – a diferença foi que nesse dia, nós... – olhei em seus olhos. – fomos para cama. – despejei.
R: Como é que é? – bravejou levantando do sofá com os olhos cheios de fúria.
Q: Rachel, não nos falávamos tinha três anos, eu estava bêbada e nem lembro direito como foi.
R: Me poupe dos detalhes Quinn. Eu acho melhor eu ir, não vou ficar aqui ouvindo como foi boa sua noite de sexo com um cara qualquer! – pegou sua bolsa se livrando dos meus braços que tentava contê-la. Não tinha mais tempo...
Q: Eu estou grávida!
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