Respirou fundo, abrindo os olhos.

Amava esses momentos silenciosos onde sua mente simplesmente não pensava em nada e o relógio corria horas que pareciam segundos.

Sentia as costas um pouco dormente por estar na mesma posição desde que deitou na cama. Mexeu os dedos com lentidão, provando a sensação de finalmente agitar a má circulação dos braços estendidos. Tirar esse tempo só para respirar fazia parte da yoga que aprendeu quando foi pra Índia, com um senhor de voz extremamente baixa e doce.

Geralmente fazia isso boiando na piscina ou deitada no gramado de trás da casa, mas hoje seu humor pedia o simples teto do quarto.

– Acordou? – ouviu a voz de Flávia ao seu lado.

– Não estava dormindo. – respondeu.

– Não? – confundiu-se. – Mas sua respiração tava tão lenda... e tá ai a um bom tempo.

Sorriu pequeno, finalmente mudando a posição e virando o corpo deitado para a assistente.

– Tá aqui a quanto tempo? – perguntou.

Flávia encarou aqueles olhos desenhados, analisando a voz calma que escapava pelos lábios sem cor.

Entendia porque Vanessa não conseguia superar o amor que sentia pela chefe. Sabia que tentava, mas uma mera cena como essa fazia todos os planos quebrarem como um vaso que colide com o chão.

Tinha os cabelos castanhos espalhados em uma linda bagunça pelo lençol roxo, uma simples lingerie preta cobria o corpo pálido e a voz rouca tão inconscientemente sexy que Flávia se pegou corando.

– Não sei. – admitiu.

– O que aconteceu?

– Nada. – desconversou.

– Vai, diz. – pediu. – Tu não aparece na minha cama sem um motivo concreto.

A assistente respirou fundo, abaixando o olhar.

– To cansada, só isso. – deu de ombros.

– Cansada de?

– Da Vanessa. – respondeu. – Sei que vai pedir pra eu insistir, mas já deu. Não sei viver um amor platônico. Não sei e não quero.

Marina a assistiu com atenção. O olhar triste de derrota mas decidido para uma vitória.

Tinha esperanças de que Vanessa se deixasse levar por Flávia, mas também conhecia a personalidade concreta da fotografa. Flávia era uma mulher prática, que só já planos no papel com o intuito de executá-los o mais rápido possível, e Vanessa tinha a casa já construída no mundo das ideias, com seus sonhos e formas perfeitas.

Marina apalpou o espaço entre elas e Flávia encaixou as costas em seu peito.

Sentiu a mão da artista se fechar em um carinho amigo no quadril coberto pelo jeans e um beijo singelo e demorado ser depositado em sua nuca exposta pelo coque mal feito que improvisou antes de deitar.

– Não vou te pedir nada. – sussurrou e percebeu o arrepio da assistente quando lhe soprou no pescoço. – Gostaria muito que ficassem juntas, mas te entendo perfeitamente.

Esquecer a ruiva seria difícil quando a situação lhe fazia vê-la todo dia e toda hora, dentro e fora do trabalho, mas ambas ali sabiam que Flávia não se tornaria o furacão que Vanessa é na vida de Marina.

A artista mergulhou os dedos na blusa da fotografa, os roçando com calma e naturalidade pelo contorno do tronco, do começo do short de cintura baixa até o ferro do sutiã.

– Quer tomar um banho? – Marina sugeriu. – A gente pode tomar juntas. – Flávia riu pelo nariz, achando graça da própria situação. – Hm? Que foi?

– Você é muito boa. – comentou mas demorou um pouco para a outra entender.

– Ah – riu junto com a assistente. –, juro que não fiz nada por mal.

– Eu sei. – continuou com um leve sorriso. – Mas o convite é tentador.

– Claro que é. – apoiou o queixo no ombro a sua frente. – Eu escolho o vinho e você a temperatura da água, o que acha?

– Onde aprendeu a ser persuasiva assim? – riu.

Aproximou-se do ouvido da assistente, apertando os dedos na cintura.

– Herança do papai. – sussurrou e atirou uma mordida forte na orelha.

Flávia gritou de dor e Marina riu alto, passando uma perna por entre as da fotografa.

– Não achei graça. – Flávia reclamou com um sorriso largo.

– Agora sim. – Marina falou. – Só gosto de ver minha cria sorrindo.

Flávia riu.

– Minha cria. – repetiu. – Só você mesmo, Marina.

– Mas topa o banho?

– Topo.

– Ótimo. – respondeu. – To com um sabonete novo que mandei manipular. Acho que vai adorar.

– Que isso? – ouviram uma voz atrás da cama e levantaram a cabeça.

– Ei Vanessinha, nem te vi entrando. – Marina sorriu para a amiga que assistia a cena de braços cruzados.

– Tá acontecendo alguma coisa aqui? – voltou a perguntar, tentando esconder a surpresa.

– Não. – a artista respondeu, franzindo a testa.

– Só estamos planejando um banho, por enquanto. – Flávia voltou a deitar, voltando a sentir o nariz da chefe na nuca.

– Banho? – a ruiva deu a volta na cama sem tirar os olhos das duas. – É que ouvi um grito.

– Provavelmente foi a Marina tentando arrancar minha orelha.

– Não reclama que eu faço de novo. – tentou morde-la novamente mas Flávia conseguiu tampar a orelha antes. – Espertinha. – se contentou com um beijo rápido no pescoço.

Vanessa abriu a boca já preparando o ar para o tom que queria, mas parou quando Flávia saiu do abraço da artista.

– Vou preparar o banho e você pega o vinho. – avisou já de pé e Marina assentiu sorrindo.

Quando os olhos voltaram para Vanessa seu sorriso caiu.

– Não me olha assim, pelo amor de Deus. – começou, apoiando-se nos cotovelos. – É a Flavinha. – falou óbvia.

Vanessa fechou os olhos, passando os dedos no cabelo ao respirar fundo.

– Não to aqui pra brigar. – levantou as mãos. – Na verdade vim pra te convidar pra sair. Quase esqueci depois daquela cena mas...

– Não começa. – repreendeu e a ruiva voltou a fechar a boca. – E obrigada pelo convite – suavizou. –, mas não vou.

Vanessa observou o rosto de sobrancelhas franzidas e corpo seminu.

– Porque não sai mais comigo? – perguntou baixo.

– Saímos semana passada. – lembrou. – A verdade é que não quero deixar a Flavinha sozinha. – admitiu.

– Aconteceu alguma coisa com ela? – preocupou-se.

– Não, não. – desconversou. – Só tá precisando de uma amiga.

– Vi muito bem o tipo de amizade. – revirou os olhos.

– Ah, qual é, Vanessinha. – riu. – A gente faz a mesma coisa e somos amigas. – explicou. – Dia sim dia não é tu me abraçando nessa cama.

– Eu que não vou me poupar de sair por causa de vocês. – foi saindo do quarto mas parou ao ouvir o celular de Marina.

– Pega pra mim. – a artista pediu apontando para a cômoda.

– Aqui. – olhou no visor e deu risada. – Ai, boa sorte. Qualquer coisa só me chamar que o convite ainda tá de pé.

Marina jogou um beijo no ar para a miga que fingiu pegar e guardar no coração. Voltou o olhar para o celular ainda tocando nas mãos.

– Marina. – ouviu Flávia da porta do banheiro. – Sabia que não tinha se mexido ainda. – Marina sorriu fraco e se jogou na cama novamente. – Epa, o que aconteceu? Brigaram de novo?

– Não. – negou. – É a Clara me ligando.

– Ah. – pareceu entender tudo. – E não vai atender?

Voltou o olhar para o aparelho e percebeu que a mulher não desistiria até cair na caixa postal.

– Oi. – finalmente atendeu. – Clara?

– Oi, Marina. – ouviu a voz meio agitada do outro lado da linha. – Tudo bem?

– Tudo. – riu da pergunta simples e assistiu Flávia sentar ao seu lado. – E você? – pensou que a pergunta a obrigava responder.

– Já jantou? – perguntou e Marina olhou confusa para a assistente.

– Hm, na verdade já. – mentiu. – Ando comendo cedo esses tempos.

– Ah... bem, eu tava pensando em te convidar pra jantar aqui em casa comigo. – admitiu – Mas se quiser só aparecer pra conversar ou algo assim. O que acha?

Marina ficou sem palavras mas logo disfarçou ao limpar a garganta.

– Ah, sabe o que é... – começou. – Eu ainda to no estúdio e não vou conseguir sair. – Flávia percebeu as mentiras da chefe e cruzou os braços. – Mas se quiser vir aqui, sem problemas.

Convidou por formalidade, sabendo que Clara nunca viria sozinha a sua casa. Oferecer coisas impossíveis era a simpatia que compunha suas desculpas para não ficar perto da mulher.

– Ir ai? – percebeu a voz falha e sorriu para si mesmo. – Posso ver...

– Pois veja. – brincou. – Mas com certeza apareço qualquer dia pra esse jantar. – esperou uma resposta curta da outra mas a linha ficou muda. – Clara?

Clara não sabia exatamente porque estava tentando manter um contato com Marina. Esperou a ligação que a artista prometeu ao se despedirem pela última vez, mas não chegou a se surpreender quando não recebeu nem uma mera mensagem e agora tinha que escolher logo o momento errado para ligar.

– Estou indo ai, então. – falou e o sorriso de Marina caiu.

Ficou com medo da possibilidade de atrapalhar o trabalho da mulher, mas, afinal de contas, ela tinha recebido um convite.

– Então ótimo. – Marina fingiu alegria. – Vou ficar esperta na campainha.

– Até. – Clara despediu-se e Marina desligou o telefone.

– Ai, caralho. – tampou o rosto com as mãos ao jogar o celular na cama.

– O que?

– Ela tá vindo aqui. – respondeu e Flávia gargalhou.

– Você cheia de desculpas e ela simplesmente faz isso. – bateu palmas. – Vem agora? – Marina assentiu. – Então já era o banho?

– Nem ferrando. – respondeu óbvia, já levantando. – Ela que espere se chegar antes de terminarmos.

– Mas você disse que tava trabalhando.

– Acontece que eu estava super concentrada na minha mesa, planejando minha exposição – começou a contar a história. –, mas minha amiga querida me convidou para tomar um banho por que estava precisando de um ombro pra chorar. E eu, como a boa amiga que sou, me senti obrigada a largar o estúdio e ir paparicar minha assistente preferida.

– E devo interpretar que eu sou essa sua amiga ai, certo? – levantou, observando a chefe se aproximar.

– Certíssimo. – beijou o nariz da fotografa. – Agora vamos.

– Peraí. – Flávia a pegou pelo mão antes de se afastar. – Não tá esquecendo de nada?

Marina estranhou e Flávia riu, já saindo do quarto.

– Onde vai? – ouviu Marina perguntar.

– Pegar o vinho.

Não era a primeira vez que Flávia tomava banho com Marina, então conhecia bem o clima divertidamente sexy que montava sem perceber.

Era talentosa tanto no trabalho quanto na farra. Dedicava-se quase igualmente. Era uma escrava do vinho e boa música, fazendo quem a quiser como companhia também tornar-se um.

Meia garrafa depois, Vanessa aparece avisando que Clara havia chegado e Marina fechou os olhos com força.

Levava essas investidas de Clara quase como uma ofensa. Todo esse esforço que tinha de puxar para despistar a curiosidade e calar essa saudade no peito, e a carioca faz questão de entrar no raio que a coleira do cachorro avança.

Não entendia o que se passava na cabeça de Clara. Pensava que era óbvio a situação que se encontravam. O espaço entre elas não era um luxo que se podiam permitir escolher, mas sim uma necessidade. Clara sabia o que aconteceria se voltasse a pertencer a seu mundo e mesmo assim insistia em uma aproximação. Marina tinha vontade de descer aquelas escadas, pegá-la pelos ombros e implorar que ela desista, por que nunca seriam simplesmente amigas. E se Clara não fosse batalhar a favor da proteção desses dois mundos perfeitos que construíram para si, ela lutaria, assim como está lutando.

Bebeu o resto do líquido na taça e saiu da banheira.

Pediu que Flávia não mexesse um dedo e continuasse curtindo aquele ambiente leve, mas a assistente não deixaria a amiga passar por aquilo sozinha. Não sabia o que de fato estava acontecendo mas se fosse algo simples e tranquilo Marina não teria essa reação.

Clara observava o estúdio como se fosse a primeira vez, ainda surpresa de como um lugar assim podia ser considerado ambiente de trabalho, presa naquela ideia conservadora de que emprego de verdade é atrás de um computador.

Pela mesa, havia montinhos organizados de fotografias reveladas e seus olhos se prenderam no o único colorido, um post-it identificando como “Red Libs” em uma letra que não identificou.

Pegou a primeira foto e tentou descobrir o que estava acontecendo.

– Caralho. – Juliana falou a suas costas. – Que lugar...

Não conseguiria vir sozinha para a casa de Marina e acabou pedindo esse favor para a tia, que aceitou desconfiada.

A menina na foto tinha os olhos fechados e os lábios borrados de batom vermelho, o enquadramento da câmera tão perto que só aparecia dos ombros pra cima na parede branca ao fundo e a uma mão que parecia do próprio fotografo lhe agarrava o pescoço com suavidade.

– Lindo? – ouviram a voz da porta vermelha e pesada. – Maravilhoso? Inspirador?

Uma Marina de lábios puxados e cabelos bagunçados apareceu segurando uma garrafa de vidro escuro. Vestia uma blusa branca que parecia um pijama oriental e um short curto do mesmo tecido leve.

– Tudo isso. – Juliana respondeu sorrindo.

Parecia que tinha uma ligação tão mais próxima com Marina do que na verdade se encontrava. Não sabia se essa sensação era fruto das várias fotos da casa da irmã e histórias nas conversas de fim de tarde ou desse empenho direcionado a investigar esse buraco entre a artista e a dona de casa. Mas agora admitiu um leve frio de nervosismo ao focar a mulher frente a frente, encarando os olhos surpresos e simpáticos que percorreram seu corpo.

A cabeça de Juliana não tinha como superar as reações da sobrinha quando se tratava de Marina, cutucando cada vez mais aqueles fatos mal contatos que Felipe e Helena responderam quando tentou perguntar algo relacionado àquelas duas.

– Demorei muito? – Marina desceu os degraus. – Querem um pouco? – colocou a garrafa na mesa de centro entre os sofás. – Tomei metade no banho e não sou de guardar vinho na geladeira. Gosto na temperatura ambiente.

– Menos quando se trata de um dia ensolarado da piscina. – Flávia entrou trazendo três taças mas parou ao perceber uma pessoa a mais. – Ah, deixa eu pegar mais um copo...

– Não, não, precisa. – Clara a parou. – Não estou bebendo.

– Verdade! – Marina pareceu lembrar. – Olha a gente querendo embebedar a grávida.

– Que horror. – Flávia riu ao ajeitar as taças para a chefe servir.

– Flavinha, essa é a Juliana, tia da Clara. – Marina apresentou. – Ju, essa é Flávia, minha namorada.

Clara quase engasgou com a própria saliva e Flávia pareceu ter a mesma reação.

– Cala a boca. – a fotografa arregalou os olhos, batendo no braço da chefe. – Amiga e assistente de estúdio. – corrigiu para as duas

Juliana assistiu a mulher de lábios fartos a sua frente perguntando-se se ser bonito estava na lista de exigências para trabalhar ali.

– Mas tia da Clara? – a assistente pareceu surpresa. – Parece tão nova.

– Só pareço. – Juliana brincou, aceitando o copo oferecido pela artista.

– Senta, gente. – Marina convidou e Juliana sentou em uma das poltronas giratórias, mas Clara voltou a abaixar o olhar.

Marina observou a carioca entretida e tomou um gole forte da bebida, se aproximando ao perceber a conversa que a assistente puxou com a mais velha.

– O que achou? – perguntou e Clara ergueu os olhos.

– É bem... vivo. – tentou descrever as cores.

– Nem é tão alegre – falou. –, mas dá essa impressão no meio do preto e branco. – pegou mais uma foto do mesmo bloco.

Clara percebeu que a única coisa que mudava eram as pessoas.

– O que exatamente tá acontecendo? – perguntou interessada, pegando a foto de um senhor já de meia idade.

– Essa foi uma ideia que tive na época que queria me explorar do outro lado da lente. – começou. – Fiz uma pesquisa e percebi que todas as minhas entrevistas tinham alguma nota ou menção do meu batom vermelho.

– Dai passou nas outras pessoas?

– Sim. – pareceu considerar a tentativa da mulher. – Mas não somente passei nos lábios dos mais variados tipos de pessoas, como também as beijei. Por isso não tá certinho. – apontou para os papeis nas mãos de Clara.

– Essa é sua mão, então. – percebeu.

– Isso.

Havia vários gêneros e orientações entre os jovens e velhos que foram publicamente beijados por Marina para o sucesso dessa ideia, no intuito de não só registrar ainda mais a marca da artista mas também fixar a mentalidade de igualdade, amor ao próximo, liberdade de expressão e até um certo humor que criava uma sensação reconfortante por meio das cores e expressões faciais. Uma sensação de que o mundo não deveria ser levado tão a sério e ainda havia esperança.

– É muito...

– Diferente. – Marina completou, colocando as fotos no bloco novamente. – Diferente do que estava acostumada.

– Um diferente bom. – apontou. – O que a crítica falou?

Marina pegou o ar para responder, mas parou quando Clara se esticou para guardar as fotos onde tinha pegado. Viu uma mancha roxa já meio esverdeada no interior do úmero que nem a manga ligeiramente comprida da blusa conseguia cobrir totalmente o comprimento.

– Clara. – os olhos da artista saltaram e a outra se assustou, pulando no lugar. – O que aconteceu aqui?

Juliana levantou-se diante da voz preocupada da anfitriã.

– Clara? – ouviu a voz da tia.

Viu o braço preso pela mão de Marina e a primeira coisa que conseguiu pensar foi do hematoma que notou em sua perna a um tempo atrás. Perguntou o que havia acontecido e a sobrinha contou da estante que caiu em sua coxa enquanto a limpava. Disse ter apoiado muito nela ao se pendurar para alcançar a última prateleira e acabou caindo, quebrando o vaso de argila que Luiza tinha feito no ateliê do pai especialmente para seu aniversario.

Assistiu Clara levar a mão exatamente onde lembrava ser o machucado da estante. Recordou-se de como respondia as perguntas com tranquilidade entre as bolachas que comiam com café, mas agora sentiu uma ligeira hesitação em seu olhar. Não lhe parecia aflita ou preocupada, só hesitante.

O rosto preocupado de Marina tomou a atenção de Clara, percebendo que havia seguido seu movimento impensado.

– Ai, gente. – revirou os olhos. – Cai limpando o banheiro. – justificou com simplicidade. – Em cima do rodinho, ainda por cima. Acabei machucando feio.

– O que tem no bolso? – Marina perguntou, intrigada pelo reflexo da carioca.

– Que? – tentou disfarçar, alisando naturalmente a área do hematoma coberto.

– Tu apalpou a calça como se algo estivesse caindo – falou, esticando o braço e passando a mão por fora do bolso vazio. –, mas não tem nada aqui.

– Ah, Marina. – saiu do toque novamente. – Para de paranoia, pelo amor. Não posso nem coçar a perna? – viu o peito da dona da casa se encher mais uma vez mas cortou. – E não se atreva a colocar as mãos na cintura! – a artista parou, percebendo que Clara havia lido seu próximo movimento antes mesmo de fazer. – Só cai, bati o braço e a perna, pronto.

A cabeça de Juliana apitou na contradição de histórias.

Marina assistiu o rosto indignado e óbvio, soltando o ar que prendia.

– Tem razão. – concluiu. – Só fiquei preocupada. É muito grande.

– Não comentou que tinha se machucado nem nada. – Juliana comentou e Marina percebeu o tom apreensivo.

Juliana entendeu que Marina estava tentando descobrir o porquê da desconfiança no exato momento que os olhares se encontraram. Olhos astutos e espertos que talvez precisaria fugir, já que Clara fugia.

– Achei desnecessário. – deu de ombros. – A gente esquece essas coisas.

Notas finais
Ei, pessoal, desculpa a demora mas vocês precisam saber que minhas aulas da faculdade voltam nessa segunda, então provavelmente a escrita fique um pouco atrasada. Porém, vou me esforçar, prometo. O que estão achando?