Sempre Foi Você
7 A Verdade

Pov. Katniss Everdeen
"Há verdades que machucam mais quando chegam tarde demais."
— Precisamos conversar mais, Katniss...
A voz de Peeta ainda ecoava na minha cabeça enquanto Willow mostrava, toda orgulhosa, o desenho do arco-íris para a tia Prim.
Olhei para ele e respirei fundo.
— Aqui não, Peeta. Vamos nos encontrar mais tarde...
Ele apenas assentiu.
Não insistiu.
Talvez porque percebesse que aquela conversa jamais poderia acontecer diante da nossa filha.
O sol já começava a descer quando encontrei Peeta perto do velho lago que ficava nos fundos do Rancho Everdeen.
Aquele lugar havia testemunhado nossos primeiros beijos. Nossos planos. Nossos sonhos.
E agora...
Seria testemunha da verdade.
O vento fazia pequenas ondas dançarem sobre a água. Nenhum de nós falou durante alguns segundos.
Foi Peeta quem quebrou o silêncio.
— Eu preciso entender, Katniss.
Sua voz estava cansada.
— Passei cinco anos acreditando que você tinha seguido em frente... e hoje descubro que tenho uma filha de quatro anos.
Engoli em seco.
— Eu tentei te contar.
— Agora eu sei que tentou.
Ele passou as mãos pelos cabelos.
— Mas isso não explica por que você nunca me procurou depois.
Olhei para ele incrédula.
— Você acha mesmo que eu não procurei?
Meu tom fez Peeta levantar a cabeça.
— Katniss...
— Não! — As lágrimas já queimavam meus olhos. — Agora você vai me ouvir.
Ele permaneceu em silêncio.
— Você foi embora para Nashville dizendo que voltaria logo. — Minha voz começou a tremer. — Depois as ligações diminuíram. As mensagens ficaram sem resposta. Os meses passaram...
Respirei fundo.
— Então descobri que estava grávida. — Vi seus olhos marejarem. — Eu fiquei apavorada. Com vinte e dois anos... Grávida... Sozinha... Sem saber se o homem que eu amava ainda fazia parte da minha vida.
Apertei os punhos.
— Mesmo assim tentei te contar. Todos os dias. Toda semana. Até perder as esperanças. — Peeta baixou os olhos. — Quando Willow nasceu... — Sorri entre as lágrimas. — Ela era tão pequena... Tão linda... Tinha os seus olhos. O mesmo tom de azul. O mesmo jeito tranquilo quando dormia.
Minha voz falhou.
— E naquele momento eu percebi que precisava ser mãe... e pai. Sozinha.
Peeta fechou os olhos.
— Katniss...
Balancei a cabeça.
— Não terminou. — Respirei profundamente. — Você sabe qual foi a primeira palavra dela?
Ele levantou lentamente o rosto.
— Não.
— "Papai."
Vi seu peito estremecer.
— Ela nunca tinha visto você. Só conhecia suas fotografias, porque mesmo que meu coração se partisse toda vez que pensava em você, não era justo ela não saber quem era o pai. Todos os dias ela apontava para um retrato seu e dizia:
"É o papai."
As lágrimas escorriam livremente pelo rosto dele.
Continuei.
— Porque durante cinco anos ninguém tinha escutado a minha dor. Os primeiros passos dela aconteceram na cozinha do rancho. Eu estava cortando maçãs para fazer a torta. Ela soltou minha mão... e caminhou sozinha. Olhei em volta procurando você. Mesmo sabendo que você não estava lá.
Minha voz quebrou.
— Eu chorei porque aquele momento deveria ser nosso.
Peeta levou a mão ao rosto.
— Meu Deus...
— Você perdeu cada momento importante...
Peeta desabou. Sentou-se na velha cerca de madeira e abaixou completamente a cabeça. Os ombros tremiam. As mãos cobriam o rosto. Nunca o tinha visto chorar daquele jeito. Mas eu ainda não tinha terminado.
— Você perdeu o primeiro aniversário dela. O primeiro Natal. A primeira febre. A primeira vez que andou de bicicleta sem rodinhas.
Minha voz saiu quase num sussurro.
— Você perdeu tudo, Peeta...
Ele levantou os olhos completamente vermelhos.
— Eu não sabia...
— Eu sei que não sabia!
Minha resposta saiu mais alta do que imaginei.
O silêncio voltou. Pesado e doloroso.
Respirei fundo.
— Mas eu sabia. Eu vivi cada segundo. Cada pergunta. Cada noite em que ela sorria enquanto dormia, assim como você.
Vi Peeta prender a respiração.
— Ela faz isso?
Assenti.
Ele começou a chorar novamente.
— Eu teria voltado. Katniss... Eu juro que teria voltado.
Olhei para o homem que um dia foi o amor da minha vida. E percebi que aquela dor nunca havia sido apenas minha.
— Eu passei cinco anos com raiva de você. Acreditando que tinha escolhido a fama. Enquanto você passou cinco anos sem saber que existia uma menina que era nossa.
Nenhum de nós disse nada por um breve momento. Não éramos vilões daquela história. Havíamos sido vítimas da mesma mentira. Da mesma distância.
Peeta deu um passo em minha direção. A voz saiu embargada.
— Existe alguma chance... de recuperar o tempo que perdi?
Olhei para o lago. Depois para o céu que começava a ganhar os tons dourados do entardecer. Por fim, voltei a encará-lo. As lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto.
— O tempo perdido... ninguém devolve, Peeta. — Fiz uma pausa. — Mas talvez... Talvez ainda exista tempo para Willow conhecer o pai que ela nunca deixou de esperar.
Peeta permaneceu em silêncio por alguns instantes. Os olhos ainda brilhavam pelas lágrimas. Então deu mais um passo em minha direção.
— Me perdoa... — Sua voz saiu quase inaudível. — Eu sei que esse pedido não apaga cinco anos. Não devolve os aniversários que perdi... nem os primeiros passos da nossa filha... mas, Katniss... me perdoa.
Fechei os olhos por um instante. Porque ouvir aquilo era tudo o que eu havia desejado durante anos. E, ao mesmo tempo...
Era tarde demais.
Quando voltei a encará-lo, vi o mesmo garoto de dezessete anos escondido atrás do homem que a fama havia transformado.
— Nunca houve um único dia em que eu deixasse de amar você. — Meu coração vacilou. Ele sorriu sem alegria. — Nem nos palcos. Nem nas entrevistas. Nem quando o mundo inteiro dizia que eu tinha tudo.
Baixou a cabeça por um instante.
— Porque eu nunca tive a única coisa que realmente importava.
Respirei fundo, tentando conter as lágrimas.
— Peeta...
— Me dá outra chance.
Balancei a cabeça lentamente.
Não.
Não porque não o amasse, mas porque ainda doía demais.
— Eu não consigo... — Minha voz falhou. — Passei cinco anos aprendendo a viver sem você. Construí uma vida para proteger a Willow. Levantei muralhas dentro de mim. Não posso simplesmente fingir que nada aconteceu.
Vi a decepção atravessar seus olhos.
Ainda assim...
Ele sorriu.
Um sorriso pequeno. Esperançoso.
— Tudo bem.
Franzi a testa.
— O quê?
— Você não precisa me dar uma resposta hoje.
Ele respirou fundo.
— Mas eu não vou desistir de vocês.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Peeta virou-se de costas.
Afastou delicadamente a gola da camiseta.
Logo abaixo da nuca...
Meu nome.
KATNISS.
A tatuagem em uma caligrafia cursiva.
Passei a mão sobre a boca, surpresa.
— Você...
Ele voltou a me encarar. Depois ergueu o braço esquerdo. No pulso, o pequeno tordo de asas abertas. O mesmo desenho que eu fazia desde adolescente.
Meu apelido.
O jeito como ele sempre me chamava.
— Passarinha...
Sorri entre as lágrimas.
Fazia cinco anos que ninguém me chamava assim.
— Fiz essa tatuagem quando gravei meu primeiro álbum. — A voz dele era serena. — Toda vez que pensei em desistir... olhava para ela. — Depois tocou o próprio pescoço. — E você sempre esteve aqui... Bem perto do meu coração.
As lágrimas escorreram sem que eu conseguisse impedir, mas balancei a cabeça mais uma vez.
— Ainda não, Peeta.
Ele assentiu.
Sem insistir.
— Então vou começar pelo lugar onde realmente preciso estar.
Sorriu de leve.
— Na vida da nossa filha.
Os dias seguintes transformaram Meadowville de uma maneira que eu jamais imaginei.
Peeta aparecia todas as manhãs no Everdeen Farm Stand. Às vezes trazendo pães de queijo quentinhos da padaria dos Bell. Outras vezes apenas para perguntar se Willow queria ajudá-lo a alimentar os cavalos do rancho O Girassol.
No começo, ela era tímida.
Observava tudo escondida atrás de mim, mas bastaram alguns dias para começar a correr em direção a ele sempre que sua caminhonete estacionava em frente à loja.
— Papai!
A primeira vez que ouvi aquela palavra dirigida a ele... Meu coração parou. Peeta ajoelhou-se imediatamente e a abraçou com força, escondendo o rosto entre os cabelos dourados da menina. Os ombros dele voltaram a tremer. Dessa vez... De felicidade.
As tardes passaram a ser diferentes.
Willow aprendia a montar a cavalo sob os cuidados atentos do pai. Peeta caminhava ao lado dela o tempo inteiro, segurando as rédeas com uma das mãos.
— Muito bem, meu girassol...
A menina ria alto.
E o som daquela risada fazia os campos de Meadowville parecerem ainda mais vivos.
Vieram as feiras agrícolas da cidade. As competições de torta de maçã. Os festivais de música na praça. Peeta fazia questão de estar presente em cada momento. Nunca chegava atrasado. Nunca cancelava. Nunca olhava para o celular enquanto Willow falava.
Era como se tentasse recuperar cinco anos em poucas semanas. Sabíamos que isso era impossível, mas ele nunca deixava de tentar.
Sem perceber...
Também comecei a observá-lo outra vez. O jeito como ajudava meu pai na colheita. Como ria das piadas de Prim. Como passava horas reformando o rancho O Girassol com as próprias mãos. Não era o astro da música que aparecia nas revistas.
Era apenas...
O Peeta.
O garoto que um dia sonhou construir uma casa cercada por girassóis.
Aos poucos, a desconfiança foi cedendo lugar à confiança. Ele cumpria cada promessa. Cada horário. Cada visita. Sem falhar uma única vez.
E, por mais que eu lutasse contra isso...
Meu coração começou a reconhecer novamente aquele homem. Os sentimentos que passei cinco anos tentando enterrar não estavam mortos. Apenas adormecidos.
E, a cada sorriso de Willow... A cada pôr do sol compartilhado... A cada lembrança reconstruída... Eles despertavam um pouco mais.
Pov. Peeta Mellark
Passei a noite inteira sem conseguir dormir. Eu estava dormindo sozinho na casa onde estava reformando.
As palavras de Katniss ecoavam na minha mente como uma canção triste.
“Você perdeu tudo, Peeta...”
Cada lembrança que ela descrevera era uma vida inteira que eu nunca viveria.
Na manhã seguinte, entrei na caminhonete e segui até a fazenda dos pais.
Meu pai estava no celeiro, verificando alguns sacos de milho antes da próxima entrega.
Assim que me viu, sorriu.
— Achei que só apareceria no almoço.
Não consegui retribuir o sorriso. Parei diante dele.
— Preciso fazer uma pergunta.
Ele percebeu imediatamente o peso na minha voz.
— O que aconteceu?
Respirei fundo.
— Por que o senhor nunca me contou que a Katniss estava esperando um filho meu?
As mãos dele pararam sobre a corda que amarrava um dos fardos. Lentamente, levantou os olhos para mim.
— Você me procurou, não se lembra?
Franzi a testa.
— Não... — corrigiu ele, com tristeza. — Eu fui até você.
O silêncio tomou conta do celeiro.
— Quando a Katniss descobriu a gravidez, ela veio até mim completamente desesperada. Achava que você não queria mais falar com ela. — Meu coração acelerou quando ele fez uma pausa antes de continuar. — Algumas semanas depois fui até a gravadora. Você estava ensaiando. Esperei quase duas horas para falar com você.
Meu peito começou a apertar.
— E...?
Ele respirou profundamente.
— Vi você sair cercado por empresários, fotógrafos e seguranças. Havia um rapaz ao seu lado o tempo inteiro... Seneca.
O nome fez algo estremecer dentro de mim.
— Eu pedi para falar com você. Ele disse que você estava ocupado demais. Que não podia ser interrompido.
Olhei para meu pai sem acreditar.
— O senhor insistiu?
— Insisti.
Ele respondeu imediatamente.
— Disse que era um assunto de família. Muito importante, mas ele sorriu e respondeu que você tinha escolhido uma nova vida... e que pessoas do interior só iriam atrasá-lo.
Senti o sangue ferver.
Meu pai continuou.
— Mesmo assim esperei e bati na sua porta. Você parecia tão distante daquele garoto que saiu de Meadowville... — Ele baixou os olhos. — E foi naquele momento que percebi que aquele homem diante de mim... não parecia mais meu filho.
Engoli em seco. Cada palavra era uma facada.
— Achei que você tivesse mudado. Que realmente tivesse escolhido deixar tudo para trás.
Fechei os olhos. As lágrimas voltaram.
— Pai...
— Eu errei. Devia ter insistido mais. Devia ter esperado. Contado a você sobre a Katniss e a filha de vocês que ela carregava. No entanto, achei que você já tinha feito sua escolha.
Aproximei-me dele e o abracei após todos aqueles anos
— Quem errou fui eu. — Minha voz saiu embargada. — Eu deixei que aquele mundo me transformasse em alguém que nem o senhor conseguiu reconhecer.
Horas depois, sentei sozinho na varanda do rancho Girassol.
O vento balançava lentamente o campo de girassóis. Meu celular descansava sobre a mesa de madeira. Olhei para ele durante longos minutos.
Então...
Uma lembrança surgiu. Pequena. Quase insignificante, mas suficiente para fazer meu coração disparar.
Seneca.
Ele sempre carregava meu celular. Antes das entrevistas. Durante as viagens. Depois dos shows.
— Deixa comigo, Peeta. Eu respondo o que for importante. Seu telefone não para de tocar. É só mais um fã. Depois você vê isso...
As frases começaram a voltar uma após a outra. Como peças de um quebra-cabeça. Lembrei-me de inúmeras vezes em que pedi meu aparelho de volta. E ele sempre tinha uma desculpa.
— A bateria acabou. Está carregando. Esqueceram no camarim. Ficou no ônibus. Já respondi as mensagens importantes.
Meu estômago embrulhou. Levantei-me de repente.
Não... Não podia ser.
Ou podia?
Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos.
E se...
E se Katniss realmente tivesse ligado?
E se tivesse enviado mensagens?
E se tivesse gravado áudios?
E se tudo tivesse passado primeiro pelas mãos de Seneca?
Meu coração disparou.
Lembrei-me de algo que, durante anos, considerei apenas uma coincidência.
Sempre que eu perguntava sobre Katniss...
Era Seneca quem respondia.
— Ela seguiu em frente meu rapaz.
Fechei os punhos. A raiva tomou conta de mim.
Por um momento, enxerguei uma possibilidade que jamais havia considerado.
Talvez...
Talvez eu nunca tivesse abandonado Katniss.
Talvez alguém tivesse decidido, por mim, cortar todos os caminhos de volta para casa.
Se isso fosse verdade...
Seneca não havia destruído apenas um relacionamento.
Ele havia roubado cinco anos da minha vida. Cinco anos da vida da minha filha. E eu descobriria toda a verdade. Custasse o que custasse.
A viagem até Nashville pareceu durar uma eternidade. Durante todo o percurso, apenas uma pergunta martelava minha cabeça.
Por quê?
Assim que entrei no prédio da gravadora, fui direto para a sala de Seneca.
Ele levantou os olhos do computador e sorriu como se nada tivesse acontecido.
— Peeta... não esperava você por aqui.
Bati as duas mãos sobre a mesa.
— Você sabia.
O sorriso desapareceu.
— Do que está falando?
— Katniss...
O silêncio foi curto, mas suficiente.
Ele desviou os olhos.
— Então você descobriu...
Meu sangue ferveu.
— Você escondeu minhas mensagens?
Seneca respirou fundo antes de se recostar na cadeira.
— Fiz o que precisava ser feito.
— Precisava? — Minha voz ecoou pela sala. — Eu destruí a vida da mulher que amava!
— Não — respondeu ele, friamente. — Eu salvei sua carreira.
Senti minhas mãos fecharem em punhos.
— Você era um garoto desconhecido de uma cidade do interior. Estava prestes a assinar o maior contrato da sua vida. — Levantou-se. — Uma namoradinha grávida do interior teria acabado com tudo.
— Ela não era “uma namoradinha”! — Minha voz saiu carregada de raiva. — Era a mulher da minha vida!
Seneca deu de ombros.
— Hoje você é um astro internacional. Tem tudo o que quer. Prêmios. Milhões na conta. Foi o preço do sucesso.
Naquele instante perdi completamente o controle. Avancei em sua direção. Meu punho já estava preparado para acertar seu rosto quando dois braços me seguraram.
— Peeta!
Virei-me.
Finnick.
Ele me segurava pelos ombros.
— Não vale a pena.
Continuei encarando Seneca.
Pela primeira vez, vi medo em seus olhos.
Respirei fundo. Depois outro. E mais um. A raiva continuava ali. Entretanto, não lhe daria a satisfação de me ver destruir tudo outra vez.
Olhei diretamente para ele.
— Você não roubou apenas cinco anos da minha carreira. — Fiz uma pausa. — Roubou cinco anos da vida da minha filha. Cinco anos da mulher que eu amo.
Aproximei-me apenas o suficiente para que somente ele ouvisse.
— Nunca mais me procure.
Virei as costas e saí sem olhar para trás.
Dois dias depois, eu estava novamente em Meadowville.
Encontrei Katniss no pomar, entre as macieiras. Ela percebeu imediatamente que algo havia mudado.
— Você foi até Nashville...
Assenti e contei tudo. Desde a conversa com meu pai. Até o confronto com Seneca.
Quando terminei, Katniss permaneceu em silêncio. As lágrimas escorriam lentamente por seu rosto.
— Então... eu nunca fui ignorada.
Balancei a cabeça.
— Nunca. — Aproximei-me devagar. — Eu teria atravessado o país por você. Por vocês duas.
Ela fechou os olhos por um instante. Quando voltou a me encarar, havia anos de dor naquele olhar, mas também esperança.
Estendi minha mão.
— Vem comigo.
Dirigimos alguns quilômetros até o rancho Girassol.
A casa ainda estava em reforma. Tábuas empilhadas. Lonas protegendo parte do telhado. Ferramentas espalhadas. O cheiro de madeira recém-cortada preenchia o ambiente.
Katniss observava tudo em silêncio.
— Você realmente comprou este lugar...
Sorri.
— Lembra da promessa que fizemos aos dezessete anos?
Ela assentiu.
Caminhei até a grande janela da sala. Dali era possível enxergar os campos iluminados pelo pôr do sol.
— Comprei o Girassol para você... — Minha voz falhou de emoção. — Para construirmos nossa família.
Ela me olhou com os olhos marejados. A distância entre nós desapareceu lentamente. Segurei seu rosto entre as mãos.
— Eu não vou embora nunca mais.
Ela encostou a testa na minha. Por um longo instante, nenhuma palavra foi necessária. Então seus lábios encontraram os meus em um beijo intenso, carregado de saudade, perdão e esperança.
Abraçados no silêncio daquela casa que ainda seria reconstruída, deixamos que cinco anos de dor começassem, enfim, a ficar para trás.
Enquanto o sol desaparecia atrás dos campos de Meadowville, fiz uma promessa em voz baixa:
— Vou amar você pelo resto da minha vida. Vou cuidar de você. E da Willow. Todos os dias. Sem exceção.
Katniss sorriu entre lágrimas e me abraçou ainda mais forte.
— Vai ter que me compensar pelos cinco anos perdidos.
— Claro que vou, meu amor...
E de repente, O Girassol já começava a se parecer com um lar.

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