Notas iniciais
Olá pessoal! Mais uma sexta-feira, e com ela, um novo capítulo! :)

Prometo que teremos uns momentos fofos nesses capítulo, ok? Além de trollar um pouco certo menino loirinho, só pra não perder o costume... rsrsrsrs

– Abra já essa porta, Marie! – grita Damon, esmurrando a porta – Abra agora!

– O que faz aqui há essa hora? – a senhora de cabelos grisalhos pergunta, espiando por uma das janelas do segundo andar.

– Onde ela está? – ele pergunta, num rosnado. – Ela não está em casa, então só pode estar aqui!

– Ela quem? Caroline? – Marie pergunta,confusa.

– Claro, quem mais seria?

– Não vejo minha menina há dias! – ela responde. – O que você fez com ela, seu estúpido?

– Nada que ela não merecesse – Damon responde, com um sorriso irônico. – Você vai abrir ou vou ter de arrebentar? – diz ele, chutando a porta com violência.

– Não vou abrir nada – diz a senhora. – Vou fazer melhor e ligarei para a Polícia.

– Não vai poder ligar para ninguém se estiver afogando em seu próprio sangue! – ele ameaça, tirando um revólver do cós do jeans e apontando-o para a fechadura da porta.

O rapaz só não puxou o gatilho, pois o brilho de luzes azuis e vermelhas surgia ao longe. Pelo jeito, um dos vizinhos foi mais rápido do que ele e chamou uma viatura policial.

– Eu vou encontrá-la, Marie! E quando eu conseguir, não serei nem um pouco delicado – diz Damon, os olhos ardendo de ódio. – Guarde minhas palavras! – completa, invadindo o jardim da casa ao lado e desaparecendo por entre os arbustos.

* * * * *

Jasper seguiu a Dra. Branson até o elevador, e depois de passar por alguns corredores, pararam em frente à porta com um grande “C23”. Lexi pediu licença por alguns instantes, para ver como estava Caroline, e entrou no quarto, deixando o rapaz sozinho no corredor.

Enquanto aguardava, uma ideia surgiu na mente de Jasper, mas, para sua frustração, havia deixado o celular em casa. Chegou a cogitar a possibilidade de verificar se, por acaso, Caroline teria um aparelho dentro da bolsa, que havia ficado com ele, mas achou que seria falta de educação de sua parte mexer no que não era seu.

Por sorte, pode avistar um orelhão há alguns metros dali, no lado oposto de onde ficava a ilha de recepção do andar em que estava. Dirigiu-se até ele e discou o número tão conhecido, mas ao mesmo tempo, pouco usado nos últimos tempos. Teve de esperar até o décimo toque para ouvir a tão familiar e sonolenta voz feminina ecoando do outro lado da linha.

– Alô?

– Oi Isa!

– Jazz? É você mesmo, irmãozinho? – a moça pergunta, surpresa.

– Claro! Afinal, quem mais te chama de Isa ao invés de Isabella ou Bella?

– Mais ninguém – Bella responde, com um sorriso. – Mas... Aconteceu alguma coisa? Você por acaso já viu que horas são? Não está bêbado, né? – ela pergunta, num só fôlego.

– Hei, calma aí! Eu estou bem e sóbrio, se é o que quer saber – responde Jasper, tentando tranquilizar a irmã. – Mas preciso de sua ajuda. Será que poderia ir até meu apartamento pela manhã, por volta das dez horas?

– O que está acontecendo? Se meteu em alguma confusão?

– Não, claro que não! Uma amiga precisa de apoio legal, e como você é a advogada mais durona que conheço, pensei que poderia nos ajudar.

– Uma amiga? – Bella pergunta, sem conter a curiosidade. – Eu a conheço?

– Acredito que não – ele responde. – Posso contar com você?

– Sempre! Estarei lá às dez.

– Obrigado! Até mais Isa.

– Até mais Jazz – diz ela, encerrando a ligação.

Jasper recolocou o telefone no gancho e dirigiu-se de volta ao quarto, onde Caroline estava, bem a tempo de ver a médica saindo dali.

– A Srta. Forbes está estável – diz a Dra. Branson. – Acabei de lhe dar um calmante, então logo ela estará descansando. Se precisar de alguma coisa, e só tocar a campainha e uma enfermeira virá até o quarto.

– Obrigado doutora!

– Não precisa agradecer Sr. Whitlock. Afinal, este é meu trabalho. Tenha um bom fim de noite – diz ela, afastando-se dali.

O rapaz entrou no quarto de mansinho, e pode ver Caroline encarando o teto. Os olhos vermelhos, inchados e o rosto ainda úmido pelas lágrimas.

– Oi! – diz ele, aproximando-se da cama. – Como você está?

– Não sei ao certo – ela responde, ainda fungando. – Era só um “feijãozinho” ainda, mas sinto como se tivesse perdido uma parte de mim.

– Eu sei como é – diz Jasper, afagando o rosto dela e secando as lágrimas que teimavam em continuar caindo.

– Será que... Foi alguma coisa que eu... Fiz de errado? – Caroline pergunta, tristemente.

– Não, nem pense nisso. A culpa não é sua – responde ele, envolvendo as mãos dela nas suas.

– Por que está sendo tão gentil comigo, Jasper?

– Simpatizei com você! – diz ele, com um sorriso. – E olhe que isso não é muito comum, sabe? – completa, tentando animá-la ao menos um pouquinho.

– Acho que nunca conseguirei agradecer o suficiente. Mas vou tentar, prometo! – diz ela, com um sorriso fraco.

– Não se preocupe com isso, Caroline.

– Você vai ficar aqui?

– Essa é a ideia! – ele responde.

– E vai dormir naquele sofá minúsculo? – pergunta Caroline, com uma careta, depois de olhar em volta e não ver nada além de um sofazinho azul.

– Provavelmente – diz Jasper,olhando sem ânimo para o móvel aparentemente pouco confortável.

– Bem, sem querer parecer abusada, mas... Pode deitar do meu lado, se quiser, sabe? – diz ela, ajeitando-se para dar lugar a Jasper. – É meio pequeno, mas talvez seja mais confortável.

– Obrigado – ele agradece, deitando ao lado da garota com um pouco de dificuldade, cuidando para não machucá-la sem querer, – Agora descanse, está bem?

– Tudo bem – diz ela, fechando os olhos. – Até mais, Jasper.

– Até mais! – o rapaz responde, com um sorriso, antes de se entregar ao sono.

* * * * *

Caroline abriu os olhos lentamente, sentindo um leve incômodo devido à claridade que teimava em passar pelas venezianas. Ao olhar para o lado, notou que o espaço que cedera para Jasper estava vazio.

– Jasper? – ela chama, sentando-se na cama com cuidado.

Encontrou-o sentado no pequeno sofá ao canto do quarto, aninhado da melhor maneira possível, dormindo serenamente. Se não fosse pelas olheiras bem visíveis, Caroline afirmaria que se tratava de um dos anjos esculpidos por Bernini.

Na verdade, era assim que ela via Jasper: como um anjo colocado em seu caminho, uma tábua de salvação em meio ao seu mar de angústias.

A garota permaneceu ali, apenas observando-o dormir, até que algumas batidas na porta chamaram sua atenção. No instante seguinte, uma figura conhecida adentrou o quarto, trazendo um carrinho com uma grande bandeja de café da manhã.

– Olá Caroline! – diz a enfermeira, com um sorriso. – A Dra. Branson mandou trazer um café reforçado para vocês, e pediu pra avisar que, em uma hora, vai passar pra assinar sua alta. Agora... Como você está? – ela pergunta, deixando transparecer sua preocupação.

– Vou ficar bem, Angela – Caroline responde, olhando com carinho para a garota de cabelos escuros e lisos, e com feições doces. – Mas diga-me: o que faz aqui no “Hope Zion”? O salário no “County General” não estava de acordo com suas funções? – ela pergunta, tentando aliviar o clima triste.

– Bom, após sua demissão, Meg conseguiu o cargo de Enfermeira Chefe, e como nunca nos demos bem, pedi demissão e vim trabalhar aqui – Angela responde, olhando de Caroline para Jasper em seguida, sem conseguir conter a empolgação. – E quem é o bonitão? Diga-me que finalmente se livrou do mau caráter do Damon e que engatou um romance tórrido com esse Deus grego! – a morena completa, abanando-se teatralmente com as mãos.

– Angie! Tenha modos, sua maluca! – a loira a repreende, dando um tapa no braço da amiga, mas sem conseguir conter um sorriso. – Somos amigos, e só. Jasper tem me ajudado muito nas últimas horas... Muito mais do que eu mereço, na verdade. Muito mais do que poderei retribuir um dia.

– Não sei se consigo acreditar nessa história de “só amigos”, sabe? – diz Angela, fazendo aspas com os dedos. – Bem... Ao menos me chame para ser a madrinha quando casarem! – completa, sem conseguir conter os risos.

– Angela!

– Hei... Não se exalte! – diz a enfermeira. – Deixe-me tirar essa agulhinha do seu braço e poderá dizer adeus ao soro... Prontinho! Agora vou voltar para o meu plantão, antes que Susan mande fazer uma varredura no prédio à minha procura. Fique bem, Care! – diz ela, abraçando a loira e saindo em seguida.

Ao ver a porta do quarto se fechar, Caroline desceu da cama com cuidado e se aproximou se Jasper, tocando seu ombro levemente.

– Jasper... – diz ela, baixinho, temendo assustá-lo. – Jasper...

– Caroline? – diz ele, sonolento, ao abrir os olhos. – O que está fazendo de pé? – ele pergunta, erguendo-se num pulo e envolvendo a cintura dela com um dos braços.

Com a aproximação repentina, Jasper acabou perdendo o equilíbrio e caiu sentado no sofá, trazendo Caroline consigo, o que fez com que seus rostos ficassem distantes apenas por alguns centímetros. A proximidade fez com que a garota suspendesse a respiração por alguns instantes, permitindo-se mergulhar no verde dos olhos do homem à sua frente.

– Me... Desculpe – diz Jasper, com uma certa dificuldade, ainda muito próximo dela. – Você está bem? Eu te machuquei? – pergunta, o olhar carregado de preocupação.

– Estou bem – Caroline responde, sem se afastar. – A enfermeira trouxe nosso café da manhã. Está com fome?

– Faminto! – diz ele, ajudando-a a colocar-se de pé, e erguendo-se em seguida. – Venha, vamos ver o que temos de gostoso nessa bandeja – completa, guiando-a até a cama e a auxiliando a sentar.

Assim que Caroline estava devidamente acomodada, Jasper colocou a bandeja sobre a cama e sentou-se de frente para a garota, no lado oposto da cama. Tirou a tampa que cobria a bandeja e a depositou sobre o carrinho, revelando pequenos sanduíches, salada de frutas, fatias de bolo, uma jarrinha com suco e um bulezinho de café com leite.

– Bom apetite! – diz ele, com um sorriso encantador.

* * * * *

Lexi acabara de deixar o quarto de Caroline após assinar a alta da garota, mas não sem antes enchê-la de recomendações para que repousasse por alguns dias e que voltasse ao hospital imediatamente caso notasse qualquer alteração, além de explicar que ela poderia tentar engravidar novamente em poucos meses, o que deixou Caroline corada no mesmo instante.

– Estou livre! – diz a garota, com um suspiro. – A dúvida agora é: como vou sair daqui se não trouxe nenhuma roupa extra, e ainda estraguei a que você me emprestou?

– Para sua sorte, eu já resolvi isso pra você! – responde Jasper, apanhando uma sacola lilás que deixara ao lado do sofá e entregando nas mãos dela. – A moça da loja me ajudou a escolher.

Curiosa, Caroline desfez o bonito laço que enfeitava a sacola rapidamente, e tirou dali um vestido azul royal, acompanhado por um par de sapatilhas amarelas e um cinto delicado da mesma cor. Colocou-os sobre a cama e tirou mais um embrulhinho de dentro da sacola, mas antes que pudesse abri-lo, foi interrompida por Jasper.

– Bem... Hã... Essa parte foi a moça que escolheu – ele começa a explicar, levemente corado. – E só para que saiba... Eu nem toquei nisso!

– O quê? – ela pergunta, sem entender nada.

A garota deu de ombros ao ver que ele não diria mais nada e abriu o pacotinho, espiando lá dentro para descobrir qual o seu misterioso conteúdo. Não teve como não sorrir ao ver o que deixara Jasper tão encabulado.

– Não precisa ficar tão sem jeito, Jasper – diz Caroline, colocando o pacotinho junto com os outros presentes. – A menos que eu resolvesse desfilar só de calcinha e sutiã pra você ver como as peças ficam em mim! – completa, sem conseguir conter as risadas ao ver o espanto tomar o rosto dele. – Hei! Só estou brincando... Já pode voltar a respirar agora!

– Juro que, por alguns instantes, acreditei na história do desfile! – ele confessa, ainda corado.

– Bobinho! – diz ela, com um sorriso. – Agora, se me der licença, vou tomar um banho rapidinho. Volto em poucos minutos, ok?

– Tudo bem. Estarei aqui – Jasper responde, voltando a sentar no sofá.

* * * * *

Cerca de dez minutos depois, Caroline saiu do pequeno banheiro, com os cabelos presos num coque frouxo, e fazendo os últimos ajustes para que o cinto ficasse exatamente no lugar onde ela queria.

– Como estou? – ela pergunta, dando uma voltinha na frente de Jasper.

– Está... linda! – ele responde, sem conseguir disfarçar o encantamento.

– Obrigada! Nem sei como agradecer por isso – diz Caroline, com um sorriso luminoso.

– Não precisa. O sorriso em seu rosto já é suficiente. Aliás, você nem parece a mesma menina assustada que ajudei ontem...

– Bom... A Caroline que você conheceu ontem foi moldada pelo namorado possessivo. A que está na sua frente é a garota que eu costumava ser antes de conhecer o Damon.

– Estou gostando mais da que está aqui comigo.

– Devo isso ao “Efeito Jasper” – diz ela, corando levemente.

– Efeito Jasper?

– Sim... Me sinto livre e segura para ser a Care quando você está por perto – a garota confessa, sem coragem de encará-lo.

– Então, devo estar sob o “Efeito Caroline” – responde Jasper, erguendo o rosto dela com delicadeza. – Você pode não se dar conta, mas está me ajudando desde o momento em que olhei em seus olhos pela primeira vez – continua, diminuindo o espaço entre eles. – Quando estou perto de você, a angústia, a dor e o desespero passam a ser obstáculos transponíveis. Me sinto mais... vivo – completa, agora tão próximo da garota que podia sentir o hálito quente dela tocando seu rosto.

Jasper estava a poucos milímetros de ter os lábios de Caroline juntos aos seus, quando a porta do quarto foi aberta e uma agitada Angela entrou, sem nem ao menos pedir licença.

– Vocês ainda estão aqui, que sorte a minha! – diz a enfermeira, – Ah... Interrompi alguma coisa? – ela pergunta, vendo-os se afastar um do outro rapidamente, um tanto constrangidos.

– Não... Não interrompeu nada – diz Caroline. – Bem... Jasper, essa é Angela, amiga e ex-colega no “County General”. E, Angie, como eu lhe disse mais cedo, este é Jasper.

– Prazer em conhecê-la, Angela – diz Jasper, estendendo a mão para cumprimentá-la.

– Acredite, o prazer é todo meu! – a morena responde, piscando descaradamente para ele. – E desculpe dizer, mas se dormindo você já é bonito, acordado é um espetáculo!

– Angie! – a loira a repreende, envergonhada pela atitude nada polida da amiga.

– Obrigado, eu acho – o rapaz responde, encabulado.

– Bom... Eu só vim para me despedir. Vê se não some outra vez garota! – diz a enfermeira, puxando a amiga para um abraço. – Aqui estão meu telefone, endereço e e-mail – continua, entregando um papelzinho cor de rosa nas mãos da loira. – Agora não terá mais nenhuma desculpa para me deixar sem notícias suas.

– Vou tentar manter contato, prometo.

– Acho bom mesmo! E quanto a você... – diz Angela, aproximando-se de Jasper. – Não sei bem o que está fazendo, mas continue, está bem? Não a vejo assim há tempos.

– Pode deixar – ele responde, tentando manter-se sério.

– Ótimo! Agora vou indo, os doentinhos me esperam – diz a morena, encaminhando-se até a porta. – Cuidem-se crianças... E não façam nada que eu não faria! – completa, ao sair do quarto.

– Mas Angie... não há nada que você não faria!

– Eu sei disso, querida! – diz a enfermeira, espiando pela porta. – E foi exatamente isso o que eu quis dizer – completa, voltando ao trabalho em seguida.

– Me desculpe por isso. Angela é um tanto espontânea demais.

– Tudo bem, Care – diz Jasper, afagando o rosto da garota com delicadeza. – Podemos ir agora?

– Claro, podemos sim – Caroline responde, unindo sua mão à dele timidamente.


Notas finais
Espero vocês nos comentários, ok?

Até mais...

xoxo