Notas iniciais
História nova, shipper lindo e divo!

Aproveitem... :)

Dor. Era ela sua fiel companheira nos últimos tempos. Era ela que o fazia sair da cama todos os dias em busca do ar fresco da manhã, que anestesiaria seu coração e sua alma por breves instantes. Era a dor que o fazia continuar lutando, buscando uma justiça que – ele esperava que – pudesse trazer um pouco de consolo e paz à sua vida.

Alice. A garota serelepe que ele amara desde moleque. Dona do sorriso mais perfeito e encantador desse mundo; generosa e carismática ao extremo; o ar que ele precisava para viver; a mulher de sua vida. Ela fora arrancada de seus braços de uma maneira tão dolorosa e estúpida que chegava a se perguntar, muitas vezes, se não estava apenas vivendo um cruel pesadelo.

Claire. Apenas a criança mais linda que ele já tivera a oportunidade de ter em seus braços. A verdadeira personificação da Branca de Neve. Dona de um olhar capaz de derreter até o mais gélido dos corações; um pequeno anjo enviado para iluminar cada um de seus dias; a prova viva de seu amor por Alice. Todas as oportunidades que a vida lhe ofereceria não passavam agora de grandes suposições: “como seria seu primeiro dia na escola?”, “quando cairia o primeiro dentinho de leite?”, “qual seria sua reação ao abraçar o Pluto quando tivesse idade suficiente para visitar a Disney?”. Claire não viveria nenhuma dessas experiências. Ela havia partido, junto com a mãe.


Jasper. O garoto que adorava subir em árvores, pegar o estilingue e derrubar latas vazias de cima do muro. Sempre disposto a ajudar os amigos e extremamente teimoso quando queria alguma coisa. Tudo o que ele mais amava no mundo fora tirado dele. As mulheres de sua vida não lhe trariam mais café na cama e nem sujariam seu rosto com massa crua de bolo de chocolate. Ele não poderia mais dar um beijo de boa noite e nem cobri-las antes de dormir. Não poderia mais levar Alice para dançar e muito menos entregar a mão de Claire em casamento para um rapaz de bem. Toda a vida feliz que ele havia planejado horas antes de seu próprio casamento fora arrancada dele sem mais nem menos. Todos os sonhos que tivera um dia não passariam disso: “sonhos”.

E agora, cada um desses “sonhos”, impossíveis de se tornarem reais, eram como adagas perfurando seu coração e fazendo-o falhar algumas batidas; como lâminas atravessando seus pulmões e impedindo-o de respirar. Seus antigos sonhos eram o combustível de sua dor.

Apesar de já terem se passado seis meses desde o dia do acidente, e de as investigações terem sido abandonadas, Jasper ainda buscava uma maneira de encontrar sua justiça. Ele sabia que, se um dia ficasse frente a frente com o assassino de sua esposa e sua filha, iria acabar reconhecendo-o, mesmo que só pudesse lembrar vagamente de seus olhos azuis e o sangue que banhava seu rosto. Porque, apesar de toda a dor, ainda se permitia ter um mínimo de esperança. Alice o ensinara a cultivar tal sentimento e ele não iria decepcioná-la.

* * * * *

Angústia. Caroline já não sabia mais precisar há quanto tempo esse sentimento a estava acompanhando, feito sua própria sombra em uma tarde ensolarada de verão. Ela, que sempre fora uma garota de bem com a vida, espontânea, meio estabanada, quase radiante. Agora, não passava de mais um ser sem voz em meio à multidão, uma daquelas pessoas que, quando caminham pelas calçadas, passam completamente despercebidas aos olhos dos outros. Tinha perdido sua essência; seu sorriso; sua alegria de viver.

Mas Caroline não fizera isso a si mesma. Não, claro que não. Havia um culpado, e seu nome era Damon. Damon Salvatore. Ele transformara sua vida num martírio. Ele havia tirado dela a liberdade de ser ela mesma.

Talvez ela fosse culpada também. Mas como ela poderia imaginar que aquele rapaz de olhos tão azuis e sorriso encantador pudesse se revelar um monstro cruel e sem coração? Como ela poderia prever que o rapaz que ela ajudou quando deu entrada no Pronto Socorro naquela noite, com um corte no supercílio e o rosto banhado de sangue, completamente amedrontado e atordoado, poderia machucá-la algumas semanas depois? Ela nunca teria como saber, é claro.

Quando aceitou trocar de horário com uma de suas colegas naquela noite, há exatos seis meses, jamais poderia esperar que a decisão fosse causar tamanha reviravolta em sua vida. Talvez, se pudesse ao menos vislumbrar algum sinal do perigo, poderia ter se afastado enquanto ainda era tempo.

Mas Damon não lhe deu muitas escolhas. Ele aparentava ser um cara legal e, depois de se conhecerem no hospital, veio vê-la todos os dias em que Caroline esteve trabalhando, durante as semanas que se seguiram. Ele era gentil, cavalheiro, simpático e educado. Trouxe até flores algumas vezes. E esse aparente cuidado, para uma menina romântica e sonhadora, era mais do que o suficiente para se apaixonar.

O namoro transcorreu aparentemente bem no primeiro mês, mas a partir daí as coisas mudaram. Drasticamente. Damon aparecia bêbado, às vezes até mesmo drogado, tanto na casa dela quanto no hospital. Os escândalos foram tantos que Caroline acabou demitida.

Amedrontada, mudou-se para outro apartamento e, por sorte, logo conseguiu um novo emprego. Estava tentando manter-se afastada do namorado, ou ex-namorado (afinal, nem sabia mais como nominar a situação deles), mas, numa noite, quando saía de uma lanchonete realmente acolhedora, foi abordada por Damon. Ele, ensandecido, agarrou-a pelos cabelos e a arrastou até um estacionamento já quase deserto, onde, depois de pontapés e tapas, ameaçou matá-la e à sua tia-avó Marie, que cuidava dela desde que era criança, caso Caroline tentasse fugir outra vez, desse queixa contra ele à Polícia ou a quem quer que fosse.

E foi assim que Damon Salvatore arrancou-lhe qualquer liberdade e perspectiva. Desde então, era nessa atmosfera de dor, medo, insegurança, angústia e solidão que Caroline vivia, ou melhor, tentava sobreviver. E para ela, era quase impossível encontrar uma luz no fim do túnel.

Notas finais
* Carinha do Gato de Botas mode On *

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xoxo