Sempre ELE!
6 Por favor, seja meu.
Notas iniciais
On. Pov Armin.
– Jean... – sussurrei paralisado, de repente era como se todo o sangue tivesse se desvairado de meu corpo.
Ele estava ali. Parado com a boca entreaberta. Meus olhos encontraram-se com os seus e só pude ver uma coisa ser transmitida através da dor obvia em seu rosto: Ele estava quebrado.
Eu o quebrei.
Mas isso não fazia sentido. Por que eu o havia quebrado? Nós não tínhamos nada mais do que uma relação carnal, então eu não estava fazendo nada de errado... Não é?
– Droga, ele viu. – resmungou Eren. – ei, Armin... – seus olhos se arregalaram. – o q-que foi? – tocou meu rosto. — por que está chorando?
Encostei a palma da mão na bochecha, um liquido quente escorria ali.
– N-Não é nada... – minha voz falhou.
– Não chore. – Entre separou minimamente nossos corpos e beijou meus olhos. – não gosto de te ver chorar. – enxugou minhas lagrimas. – o que há entre você e o Jean?
Meu rosto queimou ao lembrar-me de nossa relação. Tudo o que havíamos feito, e como havíamos feito...
– Armin, responda.
– N-Não temos nada! – gaguejei.
– É mesmo? – uma de suas mãos escorregou até meu cabelo, afastando-o da nuca. – então o que são todas essas marcas de mordidas e chupões?
– E-Eu caí! – tapei rapidamente o pescoço com a mão. – foi só isso!
– Não minta para mim! – aproveitou-se da posição em que estávamos e me jogou na maca, subindo por cima de mim. – você... Você e o Jean já fizeram aquilo?
Novamente a tsunami de memorias inundou minha mente, fazendo-me corar ainda mais.
– Vocês fizeram. – não era mais uma pergunta, e sim uma afirmação.
– Eren eu...
– Se vocês fizeram, nós também podemos fazer não é? – podia ouvir o desespero em sua voz.
Ele tomou uma de minhas mãos entre as suas e encostou o nariz suavemente as costas dela.
– E-Eu... Eu não sei explicar o que está acontecendo comigo... Me desculpe... Não consigo mais me controlar... Eu acho que te amo então, por favor... – plantou um beijo em minha mão. – Seja meu.
Off. Pov Armin.
On. Pov Marcoh
Eu estava saindo do vestiário após a aula de educação física (milagrosamente, ainda vivo, pois após a corrida de “obstáculo” Hanji-sensei nos mandou dar trinta voltas ao redor da escola), quando ouvi um soluço muito baixo ecoar no corredor escuro e vazio.
Que estranho, já estava quase anoitecendo, a escola não deveria estar vazia? Por que ainda haveria alguém aqui?
Segui até o final do corredor, seguindo o som até dobrar a esquerda e me deparar com algo que eu pensei que nunca veria:
Jean chorando.
Ele estava encostado ao parapeito da janela do segundo andar que tinha uma vista privilegiada do jardim dos fundos da escola. O cotovelo apoiado ao mármore que rodeava a janela, com a mão apertando os cabelos e a outra fechada com tanta força que seus dedos já estavam brancos pela falta de sangue. O sol estava se pondo, dando ainda mais destaque ao refletirem pelas grossas lagrimas que escorriam por seu rosto.
– O que houve? – perguntei.
Jean se assustou e se virou tão rapidamente que pensei que sua cabeça fosse se deslocar do pescoço.
– O que você tá fazendo aqui? – perguntou zangado enquanto limpava bruscamente as lagrimas com as costas da mão.
– Estava indo para casa... – encostei-me na parede ao seu lado, enquanto ele se voltava pra a janela, tentando inutilmente esconder os olhos inchados. – quer desabafar?
– Por que porras eu ia querer desabafar? – perguntou com o mau humor piorando.
– Hm... – encostei a cabeça à parede e olhei para cima. – não sei... Talvez por que seu amor por Armin não seja reciproco? – olhei para ele com o canto dos olhos, a tempo de ver sua expressão abismada.
– Como você...
– Está meio que na cara. – fechei os olhos. – o modo como você olha para ele, age com ele, cuida dele, e se refere a ele... Não se preocupe, não acho que os outros perceberam, eu apenas presto um pouco de atenção demais. – respirei fundo. – quer desabafar agora?
Jean enterrou o rosto em ambas as mãos e finalmente caiu em desespero, sem controlar mais as lagrimas que me rasgavam como se fossem navalhas.
– Não sei mais o que fazer! – disse com a voz embargada pelo choro. – eu o amo tanto que chega a ser insuportável! Por que ele faz isso com a minha cabeça? Não entendo aquele pirralho!
– O que ele fez afinal? – virei-me e encostei a mão em seu ombro.
– Ele... – Jean engoliu seco. – ele gosta do Eren... Eu o vi... Com o Eren... – por Kami-sama, a cada palavra que ele dizia parecia que estava se despedaçando.
Isso me machucava demais, não conseguia vê-lo sofrer daquele jeito.
Não podia deixa-lo sofrer daquele jeito.
Mesmo que isso me quebre, eu vou o fazer.
– Jean... – movi a mão de seu ombro até os cabelos e afaguei de leve. – você realmente o ama, não é?
Ele respirou fundo antes de responder, tentando controlar o tremor de seu corpo, segurando os soluços que agora estavam altos.
– S-Sim. – respondeu.
– Você o que ver feliz, não é?
– Quero...
– Acha que pode dar a felicidade que ele merece?
– E-Eu não sei...
– Jean – respirei fundo mais uma vez. — já pensou em deixar o Armin partir?
Off. Pov Marcoh
On. Pov Armin.
–… Seja meu.
Não conseguia responder, a voz parecia ter entalado na garganta e se recusava a sair.
Eren também me amava? Meu amor era correspondido?
Um calor tomou meu coração de tal forma que achei que nunca achei que conseguiria sentir-me tão bem.
E ao mesmo tempo, tão mal.
Ele tomou meu silencio como um sim e pousou minha mão sobre a cama, tomando meu queixo e puxando-o com cuidado em direção aos seus lábios. Não estava mais me agarrando com o fogo de antes, mas sim sendo cuidadoso, como se estivesse com medo de que eu fosse sumir de suas mãos.
– Armin... – gemeu ele entre o beijo.
Suas mãos foram até meu abdômen, subindo a regata por onde passava. Minha pele se arrepiou ao sentir seus dedos acariciarem as linhas em meu corpo.
– Eren... – minha respiração estava ofegante.
– Você é tão fofo... – sussurrou ele beijando minha testa. – e tão lindo...
Corei violentamente enquanto suas mãos retiravam minha regata. Ele me olhava como se eu fosse a mais bela obra de arte, enquanto seus lábios desciam por minha clavícula.
Agarrei-me aos lençóis da maca quando senti seus lábios se apossarem de um dos meus botões, sugando-o com força.
– Aaah... – gemi jogando a cabeça para trás.
As mãos de Eren não paravam quietas em meu corpo, pareciam vasculhar cada detalhe, procurando a melhor maneira de me enlouquecer.
Era tão bom senti-lo me tocar daquele jeito.
Mas faltava alguma coisa.
Eren separou-se de mim por um breve segundo, para retirar sua própria regata e tornou a deitar-se em cima de mim enquanto suas mãos tornavam a segurar meu rosto e me puxarem para um beijo desesperado.
Ele era quente.
Mas nem tanto.
Suas mãos foram até a barra de minha bermuda, puxando-a para baixo e movendo minhas pernas para sua cintura. Apertou minhas coxas acariciando-as com a ponta das unhas, para voltarem a explorar meu corpo.
Separou-se novamente para tirar a própria bermuda e joga-la no chão.
– E-Eu te amo... – sussurrou ele.
“Eu também”, tentei pensar nisso de maneira concreta, mas não conseguia. O que havia de errado comigo?
Ele puxou minha box cinza-azulada, deixando-me completamente nu a sua frente. Seus olhos me devoravam da maneira que sempre desejei.
Por que não estou tão feliz com isso?
Eren retirou a própria box, e meus olhos percorreram todo o corpo exposto a minha frente.
Ele era realmente bonito. Os músculos bem delineados desde o tórax aos bíceps. As pernas levemente musculosas, e as coxas firmes, junto aos cabelos castanhos e os olhos...
Não eram castanhos.
Não era alto.
Não era ele.
Não era Jean.
Ao pensar nisso, algo em mim mudou, todo o fogo que estava sentindo apagou da mesma maneira que acendeu.
Não acredito que eu... Eu...
– Armin? – Eren franziu a testa ao olhar para o meu membro.
Por que isso tinha que acontecer...
– Eu fiz alguma coisa errada? – ele continuava a encarrar meu membro que estava... Murcho.
É. Eu broxei.
– Desculpa... – sussurrei sentando-me e Eren saiu de cima de mim. – não posso, não consigo... – enrolei-me com os lençóis da maca.
– Por quê? Não me diga que...
– Sinto muito Eren. Eu achei que te amava desta maneira, mas... Estava me enganado.
– Você gosta do Jean, não é?
– J-Jean? E-Eu já disse que n-não! – gaguejei sentindo novamente meu rosto corar.
– É mesmo? – ele vestiu as roupas rapidamente e jogou as minhas em meu colo. – você está mesmo bem com isso?
– C-Com o que?
Ele suspirou, estava magoado, mas ainda era o meu melhor amigo e eu sabia que ele sempre seria sincero comigo.
– Tudo bem para você se ele ficar com outra pessoa?
– Outra pessoa...?
Automaticamente lembrei-me da aula de física que fizemos em dupla. O modo com Jean olhava para Marcoh, imagina-los juntos... Parecia que algo estava rasgando meu coração ao meio. Ele não faria isso, não é? Ele não podia... Ele... Ele era meu.
– Não quero dá-lo para outra pessoa...
Off. Pov Armin
On. Pov Marcoh
– ...Já pensou em deixar o Armin partir?
Jean finalmente me olhou nos olhos, com uma expressão que eu não soube identificar como mágoa, dor ou confusão. Talvez os três.
– Deixa-lo partir? Como assim? – finalmente suas lagrimas pararam e ele me olhou sério. – o que quer dizer com partir?
– Se ele e o Eren possuem um sentimento reciproco, ele deve estar feliz, não acha?
Seu olhar tornou-se aflito, Armin era realmente importante para ele.
– O Eren não o merece! – havia raiva em sua voz. – o fez chorar incontáveis vezes, como pode fazê-lo feliz?
– Eu não sei. Pergunte para si mesmo. – mantive o olhar firme, ignorando toda a tristeza que sentia ao falar aquelas malditas palavras. – está disposto a sacrificar tudo por ele? Está disposto a arriscar por ele? Está disposto a sofrer preconceito junto com ele? Está disposto a ama-lo de todo o coração? Está disposto a fazê-lo feliz de verdade? Está disposto a fazer isso para sempre?
Jean continuou a me observar, mas o pavor em seus olhos foi substituído por uma paixão melancólica, ao mesmo tempo concreta.
– Eu morreria por aquele loiro idiota.
Sorri, esse era o Jean que eu conhecia.
Tranquei toda a dor que estava sentindo no mais profundo de meu peito, segurando a vontade de chorar, mantendo a minha voz mais tranquila o possível ao dizer:
– Então o que está esperando para ir atrás dele?
Jean corou, e um enorme sorriso surgiu em seus lábios. Um sorriso que eu não via a muito tempo já que ele sempre estava estressado. Nunca pensei que o veria assim novamente.
– Obrigado Marcoh. – ele me abraçou.

Correspondi ao abraço, sentindo o peso em meu peito sumir com o calor de seus braços. Eram melhores do que eu imaginava, e muito mais gentis do que eu esperava. Ele sorriu na curva de meu ombro e uma de suas mãos afagou o cabelo em minha nuca.
Jean, por que faz isso comigo?
– Muito obrigada mesmo!
Ele correu em direção ao corredor, a luz do sol passava através da porta que ficava do outro lado, eu via apenas a silhueta de Jean se afastar correndo. Era uma visão... Tão linda.
– BOA SORTE! – gritei alto o suficiente para ele ouvir, depois baixei a cabeça e deixei as lagrimas escorrem enquanto o via se afastar, e sussurrei para mim mesmo com a voz quase muda. – eu te amo idiota...
Mas ele nunca saberia disso, por que eu o amo...
E é por isso mesmo que devo deixa-lo ir.
Off. Pov Marcoh
Fale com o autor