Sempre

44 Capítulo 44


Notas iniciais
Olá minhas amoras, tudo BEM?

Já somos 126 leitores! A família cresceu e eu estou toda boba e orgulhosa com isso. Obrigada pelo carinho. Meu muito obrigada a todas que compartilham comigo suas opiniões através dos comentários! Thank you so much!!

Vamos ao capítulo?

Boa leitura!!!


CAPÍTULO 44

Era isso.

Este era definitivamente o dia em que Cecília Prado Quentel ia morrer.

O silêncio da viagem de carro, do aeroporto até à casa de Eduardo, foi dolorosamente difícil. Os pais de Eduardo disseram seus “olás” e calmamente colocaram as malas no carro sem dizer mais nenhuma uma palavra. Era como se eles estivessem bolando uma estratégia para dizer a ela e seu filho o que estavam pensando. Talvez não fosse tão ruim quanto ela imaginava.

Um pensamento veio à mente de Cecília. Ela acreditava que seu pai ia explodir de raiva quando descobrisse sobre a infidelidade, mas ele não o fez. Seu Mário tinha ficado chateado com a coisa toda da gravidez e quando descobriu sobre a traição, um pequeno sorriso foi expressado em seu rosto; ele tinha ficado feliz que Luís Gabriel era, agora, carta fora do baralho. Quanto à sua mãe... Bem, ela sempre foi tão calma e compreensiva que ela só disse à Cecília que sabia que algo estava prestes a acontecer entre ela e Eduardo. Era tudo uma questão de tempo.

Já os pais de Eduardo disseram abertamente quão decepcionados e revoltados estavam pela facada que deram nas costas de Luís Gabriel quando o que Cecília simplesmente tinha que fazer era romper com ele.

Seus olhos castanhos eram mantidos esporadicamente no banco de trás para assistir Lílian observando os prédios enquanto uma chuva fina teimava em cair. Heitor estava sentado na parte da frente, descartando completamente a presença de Cecília, uma vez que ele também estava focado nas ruas e avenidas de sua cidade natal. O casal falou um com o outro sobre o que eles estavam pensando em ver e fazer enquanto estivessem na cidade.

Cecília ficou muito aliviada, já que teria mais tempo para ficar em paz sem ser perseguida pela família Guerra.

- Cecília?

Oh, ela sabia que não deveria ter cantado vitória antes do tempo.

- Sim, Dona Lílian? — Seus olhos encararam o retrovisor para ver o rosto da mulher mais velha olhando para ela. Ela desviou os olhos lentamente de volta para a estrada enquanto ouvia a sua voz.

- Eu espero que possamos passar algum tempo de qualidade com Otávio, já que só soubemos que tínhamos um neto há pouco tempo. Se estiver tudo bem para você.

- É claro que está tudo bem. Você pode passar quanto tempo quiser com Otávio. — Ela era cuidadosa com suas palavras quando continuou dirigindo contando os minutos para estarem perto da casa de Eduardo.

A rua familiar deu-lhe certa paz; ela sabia que eles estavam cerca de cinco minutos de distância da casa. Olhando para o relógio, ela esperava que Otávio já estivesse acordado para dar algum tipo de trégua para ela e Edu, mas mentalmente amaldiçoou sabendo que seu filho provavelmente ainda estaria dormindo.

Seria ruim ela querer que Otávio estivesse acordado? Mesmo se ele estivesse com sono e irritado?

Foi assim que o desespero começou a crescer por sentado em um carro com os pais de Eduardo. Ela não deveria ficar nervosa, pois eles podem ser gentis, se quisessem. Cecília já tinha sido testemunha da gentileza do casal, que sempre a tratou bem. Mas, agora a situação era outra.

Estacionando na garagem do prédio, Cecília saiu do carro enquanto pegava algumas malas. Lílian fez o mesmo assim como Heitor, que pegou o restante das malas e foi rumo ao elevador. Já no hall de entrada do apartamento, Cecília pegou a chave que Eduardo lhe devolvera quando ouviu Lílian perguntar:

- Você tem a chave da casa?

- Sim. Para caso de emergências e de conveniência. — Ela brincava com a chave quando ouviu o murmurar atrás dela. Deslizando a chave no buraco da fechadura, ela girou a maçaneta e abriu lentamente a porta. Eduardo veio caminhando lentamente em direção ao grupo com o cansaço estampado em seu rosto.

- Porque você não foi nos buscar no aeroporto, Eduardo?

- Desculpe-me, mãe. Eu acabei de chegar do hospital e estou realmente cansado e por isso não achamos que fosse prudente eu dirigir até o aeroporto para buscá-los. Eu fiquei para tomar conta do Otávio.

- E onde está meu neto?

- Otávio está dormindo. Bom te ver, mãe. Pai.

Eduardo abraçou seus pais com um sorriso genuíno no rosto. Por mais que seus pais pudessem ser um pé no saco, à vezes, ele ainda os amava. Conduzindo-os para entrar no apartamento, Cecília ficou em segundo plano quando ouviu Eduardo oferecendo-lhes algo para comer ou beber ou talvez orientá-los para o quarto para que eles pudessem descansar um pouco.

Cecília se iluminou com a ideia. Seria maravilhoso se eles tivessem um pouco de descanso.

- Não, obrigado, querido. Queremos falar com você e Cecília antes de descansar. Venha, vamos para a cozinha. – Lílian movia-se no apartamento como se fosse seu. O jovem casal a seguiu e sentaram-se em frente ao casal mais velho. Eduardo entrelaçou os dedos com os de Cecília para o conforto quando eles foram examinados por Lílian e Heitor.

- Antes de dizer qualquer coisa, eu só quero dizer o quanto estamos felizes de ver vocês dois novamente. Tem sido um longo tempo, especialmente você Eduardo. Nós não o víamos há algum tempo. Isso vai ter de mudar agora que temos um neto. – Eduardo concordou antes de Lílian ir para o que realmente queria dizer. — Desde que você escondeu que estava grávida e traiu seu namorado com o nosso filho, gostaria de compartilhar algo conosco agora, Cecília?

O olhar de Eduardo disparou sobre Cecília quando ela se mexeu em seu assento:

- Foi tudo tão de repente, para ser honesta. Eu sempre fui apaixonada por seu filho, mas o tempo não estava do meu lado, por isso, tomei-o em meus planos e fiz o que eu sempre quis fazer.

- Nós entendemos que você ame o Eduardo. Nós entendemos, mas você quebrar a confiança de seu namorado para pular nos braços do nosso filho não foi o caminho certo a seguir. Alguns parentes e amigos da igreja foram logo nos perguntando como nosso filho tinha sido capaz de ser um destruidor de lar, assim que ficaram sabendo da notícia. — Os olhos de Lílian estavam focados agora em Eduardo. – Valeu a pena?

Antes que Cecília ou Eduardo pudessem dizer qualquer coisa, Heitor resolveu se manifestar também.

- Se vocês dizem que o tempo é tudo, eu acho que vocês não pensaram duas vezes sobre a reação que isso ia criar para suas famílias. Vocês fizeram algo totalmente errado e agora todos estão pagando o preço, inclusive o filho de vocês. Eu posso corajosamente dizer que você é horrível com o tempo, Cecília.

Eduardo estava começando a ficar irritado com todas essas palavras; Cecília tentou acalmá-lo, esfregando o polegar em toda a lateral de sua mão.

- Eu entendo tudo o que vocês disseram. Edu e eu cometemos erros e fazer o que fizemos nunca foi o melhor caminho a seguir, mas não olhem para mim como se eu não fosse digna de seu filho. Eu não me arrependo de correr esse risco para ficar com Edu. Em meus olhos, ele vale a pena todo sacrifício do mundo, desde que eu o tenha.

Seja lá o que acontecesse, o rompimento com Luís Gabriel teria sido horrível, de qualquer maneira. As pessoas se perguntavam o que foi que deu errado com o casal, que aos olhos de todos pareciam perfeitos.

Os pais de Eduardo tinham olhares em branco em seus rostos, como se não tivessem levado nada em consideração o que Cecília havia dito com coração. Após uma longa pausa, Heitor disse:

- Você a ama?

Eduardo voltou sua atenção para Cecília e com um sorriso suave disse: -

Sim. Eu a amo.

- Então eu acho que a ideia de se casar não seria tão absurda.

- Casamento? Não, nós não vamos casar. – Eduardo interrompeu sua mãe. Ele sabia que isso ia acontecer, Lílian não iria deixar esse assunto passar.

Lílian encolheu os ombros:

— O que há de errado com isso? Seria apropriado vocês se casarem para que Otávio possa ter o seu sobrenome legal e ser criado em um lar adequado com todos vivendo como uma família abençoada pelo matrimônio.

Cecília manteve sua boca fechada. Ela sabia que casamento não garante a felicidade para sempre, mas preferiu não se manifestar.

- Nós apenas começamos a namorar, mãe.

- Eu não me importo. Vocês já se conhecem, o que? Há mais de dez anos? Que coisas mais você precisam saber um sobre o outro?

- Podemos mudar de assunto? – Eduardo perguntou baixo. Mãe e filho continuaram a discutir acaloradamente sobre o tema casamento quando Heitor se levantou, batendo suavemente no ombro de Cecília.

- Por que não vamos lá fora conversar um pouco, minha filha?

Cecília concordou quando se levantou e caminhou para a varanda do apartamento. Uma chuva fina caindo quando eles começaram a conversar.

- Você quer? – Heitor ofereceu um cigarro a Cecília, que balançou a cabeça afirmando que ela deixou de fumar há alguns anos atrás.

- Bom para você. Otávio precisa viver um ambiente limpo e saudável. Heitor inalava a nicotina deixando todo o seu stress e preocupação flutuar.

- Diga-me, Cecília. Quais são seus planos já que você não pensa em se casar com meu filho?

Cecília quase engasgou com a saliva.

- Eu nunca disse isso... Casamento é apenas algo que está tão longe do nosso alcance agora. Queremos começar devagar. — O zombar que veio do homem mais velho fez Cecília ficar intrigada — Você não acredita em mim?

Heitor deu de ombros:

- Quando se trata de alguns membros da família Guerra, eles nunca querem começar devagar. Se eles querem algo, eles vão descobrir uma maneira de conseguir. Liu e eu fomos o oposto de sermos lentos, na verdade. Nós nos casamos depois de dois meses de namoro.

Cecília ficou chocada com quão aberto Heitor Guerra estava sendo. Quer dizer que ele só era durão quando estava perto de sua esposa? Ela realmente não sabia já que ele sempre foi tão bom para ela, independentemente ou não de sua esposa está perto dele. Então, seus pensamentos se redirecionaram de volta para Heitor que tentava convencê-la a se casar com seu filho pelas razões certas desde que ele alegou que se amavam e tinham um filho juntos. O que estaria impedindo- os?

- Como você pode saber isso com apenas dois meses? — Cecília perguntou.

Um sorriso foi colocado nos lábios de Heitor:

-Minha querida, eu só sabia que ela era a pessoa que eu queria passar o resto da minha vida. Sem se, e ou porém. Não houve hesitação ou até mesmo questionamento sobre o fato que eu queria que ela fosse minha e somos felizes no casamento desde então. Construímos uma família feliz, com dois filhos maravilhosos e netos que amamos.

Ela ficou chocada quando se viu diante de duas pessoas tão tradicionais dizendo que eles eram tolos completos e se casaram dois meses depois de se conhecerem. Se ela alguma vez imaginou sobre isso, tinha pensado que teria se casado depois de anos juntos. A pergunta seguinte a deixou ainda mais chocada:

- Você está pensando em ter mais filhos?

- Uh, nós nunca realmente discutimos isso.

- Deixe-me perguntar de novo. Você quer ter mais filhos?

Seus olhos escuros cintilaram sobre Cecília enquanto ele exalava a fumaça através de seus lábios. O olhar dele quase assustava tanto como o de Lílian. Cecília passou as mãos no cabelo e pensou sobre isso. Ela realmente não precisava pensar, uma vez que sabia antes mesmo de Otávio nascer quantos filhos queria ter, mas ela não queria parecer desesperada para ter mais.

- Eu quero. Talvez mais um ou dois, pelo menos uma menina.

- E se eles forem todos meninos?

Cecília olhou para Heitor com certeza:

- Eu vou amar todos eles da mesma maneira.

Heitor sorriu quando advertiu:

- Se você está pensando em ter mais filhos, então eu sugiro que você se case o quanto antes. Liu e eu não queremos mais netos fora do casamento. Sabemos que Otávio foi uma bênção imprevisível, mas nós não queremos que todos eles sejam imprevisíveis. Entendeu? Tenho que conversar com Eduardo sobre isso também.

- Sim. – Os olhos dela focados na chuva à sua frente.

Eles terem mais filhos não era uma parte da equação agora. Os dois queriam se concentrar em Otávio e em sua relação antes de pensar sobre isso. Cecília e Eduardo não estavam ainda oficialmente juntos. Os pais dele não precisam saber disso, mas ela sabia que tinham de fazer isso em breve quando Eduardo resolvesse morar com ela e Otávio. Ela estava apenas esperando a resposta.

(...)

Lílian e Eduardo olharam para o outro quando o assunto casamento continuou. Eduardo rosnou, esfregando sua testa ferozmente.

- Quantas vezes eu tenho de lhe dizer que não vou me casar! Isso é apenas completamente absurdo para nós casarmos agora!

Lílian riu secamente.

- Arthur não pensou assim quando se casou com Marina.

- Bem, eu não sou o Arthur. – Eduardo sublinhou.

Uma sucessão de argumentos veio à tona. Sua mãe dizendo que isso era o certo a se fazer, pelo menos para tentar recuperar todo o dano que eles causaram na imagem da família. E finalizou dizendo que se eles estavam apaixonados um pelo outro, qual seria o problema?

A discussão era tão idiota na opinião de Eduardo. Ele achava que sua mãe deveria respeitar sua decisão e deixar por isso mesmo. Com o seu pai fumando na varanda, não havia dúvidas na mente de Eduardo que Cecília também estava tendo apenas uma conversa com seu pai e não essa discussão besta que sua mãe teimava em continuar.

- O que eu fiz de errado com você? Não fui eu que te ensinei o que era certo e errado?

- Sim, você me ensinou, mas você tem que enfiar isso na minha cara toda vez que falar comigo?

- Sim, eu faço isso porque você tem que ter um relacionamento sério, como um casal de verdade, Eduardo. Primeiro você engravida sua amiga e vai embora. Depois você volta, vira amante e um destruidor de lar. Qual será a próxima surpresa? Vai me dizer que você é gay?

- Eu não sou gay.

Esse era outro assunto que foi comentado porque Eduardo não teve um relacionamento real com uma mulher em anos. Sua mãe começou a pensar no que poderia estar errado com ele.

- Eu estou com Cecília.

Lílian não parecia convencida. Empurrando-se mais perto da mesa, ela inclinou-se quando seus olhos verdes olharam para seu filho.

- Porque eu não acredito que você está feliz com ela? Há sempre espaço para a dúvida quando você está infeliz e olhar em seus olhos me diz tudo.

Eduardo franziu a testa:

- Eu não me importo se você não acredita em mim. Tudo que me importa é a opinião de Cecília.

Sua mãe parecia não acreditar nisso também.

- Oh, por favor, você sempre expressou a sua opinião e tentou forçar Cecília a mudar de opinião desde que você a conheceu. Ela sempre foi uma escolha fácil para você correr sempre que precisou. Agora você tem Cecília enrolada em seu torno de seus dedos, porque você quer estar no controle. Confie em mim, Eduardo. Eu já estive onde você está e isso não vai acabar bem.

Eduardo sabia que seu relacionamento com Cecília era diferente do que sua mãe acabara de descrever. Claro, ele sempre expressa suas opiniões, mas nunca tentou mudar as de Cecília. Ele era apenas honesto e se isso fazia com que ele fosse chamado de controlador ou um cretino, então que assim seja.

De repente, o choro do bebê ecoou do monitor; Eduardo levantou-se da cadeira. Ele estava completamente enfurecido com o que sua mãe estava falando sobre sua personalidade

- Desculpe-me, mas eu tenho que pegar meu filho. Talvez seja hora de você e o papai conhecerem seu neto.

Eduardo e Lílian podem se dar muito bem quando as coisas vão do jeito que sua mãe quer. Mas, quando isso não acontece, Lílian pode facilmente tentar fazer seu filho se sentir culpado até que ela consiga fazê-lo obedecer ao seu comando.

Era melhor Lílian não ficar tão confiante , porque não havia nenhuma maneira dele obedecer a suas ordens desta vez.

Notas finais
O que acharam?

Parece que essas duas semanas serão bem longas...

Obrigada pelos comentários do capítulo passado.

Até o próximo capítulo!!

Bjs, Nara.