Sempre
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Obrigada a todos os leitores pelo apoio. Comentários são muito importantes para mim e eu agradeço de coração quem disponibiliza um pouquinho do seu tempo para fazer essa autora feliz! ;) Meninas vcs são nota 1000!
Espero que gostem do capítulo.
Boa leitura!
CAPÍTULO 43
Cecília apertou as mãos quando o nervosismo começou a tomar conta dela; ela raramente ficava nervosa e quando ficava geralmente podia se acalmar. Ela raramente ficava uma pilha de nervos, mas hoje era uma daquelas exceções. Olhando para o seu celular, ela esperou a chamada de Lílian e Heitor Guerra, as pessoas que trouxeram Eduardo ao mundo.
Assim que ficaram sabendo do que tinha acontecido, eles imediatamente quiseram conhecer o neto e também disseram que queriam falar com Cecília e Eduardo pessoalmente e quando eles diziam pessoalmente, significava voar até São Luís e dá aquele sermão. Cecília sabia no que estava se metendo, Lílian e Heitor eram diferentes de seus pais, que eram mais do que apoiadores e compreensíveis.
Heitor nasceu e foi criado em São Luís e era um pouco mais relaxado, mas estar casado com uma mulher como Lílian fez o seu nível de disciplina ficar maior. Ela não deveria ficar tão nervosa; Eduardo e ela eram adultos e estavam, respectivamente, dando tudo o que seu filho precisava. Não havia nada para se preocupar.
Certo?
O estômago dela estava revirando. Lutando contra o frio na barriga que insistia em permanecer ali, ela sentou-se na companhia de Marina no sofá da varanda da casa dela. Conversando com a amiga, ela se lembrou do que tinha feito a Luís Gabriel. E cada vez que isso acontecia era como um tapa na cara. A expressão de coração partido que brilhava através dos olhos dele e as lágrimas... Ela não queria pensar sobre isso.
Balançando a cabeça, Cecília se sentia um pouco culpada por ter feito tal coisa. Ela nunca gostou de traidores e pensar que ela traiu seu namorado e ainda transformou Eduardo em seu amante; ela achou isso bastante irônico.
Seus pensamentos foram quebrados quando seu telefone tocou; o nome de Heitor Guerra brilhando no visor. Ela respondeu com um simples “Olá”.
Uma risada ecoou em sua orelha quando a voz profunda de Heitor atingiu seu ouvido:
- Cecília, minha querida, como você está?
Um sorriso irônico apareceu em seus lábios:
- Eu estou bem e você?
Ela se perguntava se eles já estavam chegando à São Luís. Isso lhe daria certa quantidade de tempo para se preparar mentalmente para ter toda a família reunida sob o mesmo telhado. Cecília já podia ver a família Guerra e Quentel juntos sob o mesmo teto por um motivo diferente do que um simples bate-papo. Não era uma boa imagem.
- ...foi adiado.
- Hein?
A palavra saiu de seus lábios repentinamente. Cecília murmurou uma maldição na esperança de que Heitor não percebesse sua falta de atenção para o que ele tinha acabado de dizer.
Houve uma pequena pausa.
- O nosso voo foi adiado. Nós só chegaremos amanhã de manhã. Está tudo bem para você? Ou eu tenho que solicitar um táxi para nos pegar no aeroporto?
O tom duro em sua voz voltou; Cecília sabia que tinha estragado tudo.
Heitor pode ser um homem charmoso, gentil e descontraído, mas quando uma pessoa não prestava atenção no que ele dizia, sua voz ficava um pouco diferente; era o mesmo tom nervoso que Eduardo usa quando está irritado.
- Não, eu vou buscá-lo. Que horas seu voo chega? — Ela passou a mão pelo cabelo quando Heitor disse-lhe o horário do novo voo.
- Tem certeza que você anotou tudo certo?
- Sim.
- Leia para mim. – Heitor era um homem de dupla verificação. Ele achava que sempre havia espaço para erros e mal entendidos quando se fala ao telefone. Cecília releu o que escreveu e agradeceu mentalmente por ter realmente escrito a hora e o terminal de desembargue corretos.
- Ótimo! Liu e eu a veremos em breve. Foi bom conversar com você, Cecília.
- Foi um prazer, Seu Heitor. Vejo vocês amanhã.
-Tchau.
Depois que Cecília desligou o telefone, ela exalou a respiração longa que estava presa dentro de seus pulmões. Heitor era um pouco intimidante em sua postura e maneira de falar, às vezes.
Lílian, que era mais conhecida como Liu, pode ser tão igualmente intimidante. Alta, com seu vestuário impecável e postura firme que podia fazer qualquer pessoa tremer em seus sapatos. Sua confiança pode ser sentida a quilômetros de distancia e seus ardentes olhos verdes eram os mesmos que Eduardo e Helena tinham herdado. Agora, Cecília podia ver da onde vinha a confiança de Eduardo. Ela realmente não tinha percebido isso até agora.
Quando a porta da varanda se abriu, Cecília levantou-se do sofá para cumprimentar o seu amigo Arthur.
- Ei! Tio Heitor e Liu ainda não ligaram? – Arthur perguntou.
- Na verdade, eu acabei de ter uma conversa com eles.
- E?
Arthur estremeceu quando seus olhos vagaram sobre o rosto de Cecília para ver que ela realmente estava desconfortável com a visita. O professor se sentiu mal desde que Cecília estava sempre nas sombras sendo facilmente aceita na família Guerra, mas agora ela tinha ficado grávida de Eduardo, ela também traiu o seu ex com ele e isso era algo que a família Guerra não olhava com bons olhos, não importasse quem fosse.
Arthur tentou animá-la quando se ofereceu para fazer uma vitamina de banana. Cecília sorriu suavemente com o doce gesto e aceitou a oferta. Arthur então estendeu o pedido à esposa, que também aceitou a oferta e foi para a cozinha para começar a fazer a vitamina.
Marina então olhou por cima de sua amiga com um sorriso:
- Você teve sorte que os pais do Edu não chegaram hoje.
- Por quê? – Cecília estava bastante curiosa para saber qual era a grande diferença entre hoje e amanhã. Cecília ia ser aniquilada pelos pais dele de qualquer forma e ela realmente sabia que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde.
- Por causa dessa grande marca de amor próximo ao seu pescoço. – Marina indicou o local.
Cecília parecia confusa enquanto seus dedos traçaram ao lado de seu pescoço antes de ir para o outro. Ela se encolheu ligeiramente no ponto sensível da sua pele bronzeada e lembrou- se da calda de chocolate. Eduardo lhe deu um chupão na noite passada e, bem, provavelmente a marca de amor estaria visível nele também. Se os pais dele vissem isso, seria o fim para ela.
Marina viu o olhar preocupado que atravessou o rosto de Cecília. Dando um tapinha amigável nas costas dela, ela tentou tranquilizar Cecília.
- Não se preocupe tanto. Aposto que eles não são tão ruins assim. Se você pode lidar com Edu, então eu tenho certeza que você pode lidar com os pais dele por um tempo. Quanto tempo eles irão ficar na cidade?
- Duas semanas. – Cecília fez uma careta pelo enorme tempo que eles iam passar com eles. O bom disso tudo era que Eduardo não tinha se mudado ainda, portanto, eles iriam ficar com ele o que lhe daria algum tempo para recuperar-se dos sermões e cobranças. A desvantagem é que ela, definitivamente, tinha que se preparar para ser perseguida sobre o porquê de ela ter escondido que estava esperando um filho de Eduardo e perguntas sobre quando eles iriam se casar.
Casamento.
Tal plano era distante para ela e Eduardo; isso realmente não passou pela sua cabeça, para ser honesta. Ela estava tão obcecada por finalmente ter Eduardo para si que o casamento estava tomando um rumo distante enquanto eles descobriram coisas como uma família.
(...)
- Eduardo Henrique Sousa Guerra é melhor você se explicar.
Seus dentes pegaram o lábio inferior, mordiscando-o.
- Não há nada para explicar, mamãe. – Eduardo poderia imaginar o olhar severo que sua mãe possuía no momento. Lílian estava mais do que chateada quando suas próximas perguntas eram como pequenos facadas no coração.
- Eu duvido desde que você está ali brincando com sua melhor amiga. Eu pensei que vocês estavam indo só para serem amigos e permanecerem amigos O que você estava pensando? Em ser o outro homem? Ser um amante? Às vezes parece que você pensa somente com a cabeça de baixo, meu filho. Será que eu não lhe ensinei nada?
- Você me ensinou muito bem.
Lílian riu secamente:
- Eu estou começando a duvidar disso. Seja lá o que você estava sentindo, por que você simplesmente não esperou até que Cecília se separasse amigavelmente de seu namorado? Em vez disso, você pulou para este relacionamento antes mesmo que ela rompesse com o pobre garoto e agora você é considerado um destruidor de lar.
- Como eu poderia ser um destruidor de lar quando ele não tinha um lar?
O humor seco não funcionou muito bem com Lílian quando ela disse severamente ao seu filho que ele estava errado.
- Se você queria estar com Cecília, eu realmente não me importo com isso. Eu me importo com a maneira que você fez isso.
Eduardo franziu os lábios enquanto ouvia o sermão que sua mãe lhe dava. Felizmente, Helena avisou-lhe que sua mãe estaria ligando para falar sobre a infidelidade. Engraçado que ela avisou quando ela foi a única que disse a todos sobre o que tinha acontecido. Alguns parentes fizeram questão de espalhar a notícia, que chegou ao Rio Grande do Norte mais rápido que um foguete.
Tanto quanto ele amava Helena e seus parentes, o lado da família de sua mãe era um grupo fofoqueiros. Essa é uma das razões pelas quais Eduardo decidiu ficar em São Luís, enquanto Heitor, Lílian e Helena mudaram-se para a cidade natal de sua mãe.
- Eu entendo, mamãe. Eu te amo. – Eduardo começou a tirar o celular do ouvido e uma vez que ele ouviu a despedida de sua mãe, deixou escapar um suspiro de alívio. Ele estava um pouco feliz que seus pais só chegariam na manhã seguinte. Isso lhe deu mais tempo para realmente pensar em tudo o que aconteceu. Passando a mão pelo rosto, ele sentiu as mãos gorduchas de Otávio agarrarem sua a perna.
Pegando seu filho no colo, ele murmurou:
- Era sua avó. Sua avó louca e, às vezes, insuportável. Você pode dizer insuportável?
Otávio balbuciou enquanto suas mãos lutavam tentando tirar os óculos de grau de Eduardo. Um sorriso iluminou seu rosto enquanto ele beijou os cabelos macios de seu filho.
Durante o jantar, a pequena família sentou-se à mesa. Eduardo e Cecília comiam calmamente enquanto Otávio agarrou um pouco de papinha de seu prato e enfiou na boca. Os olhos verdes de Otávio piscaram em direção aos seus pais antes dele espalhar papinha ao redor de seus lábios e bochechas. Uma pequena risada deixou os seus lábios com a sensação estranha de comida em suas mãos. Ambos os pais sorriram para a criança feliz antes de Cecília falar:
- Eu falei com seu pai hoje.
Eduardo cantarolava de acordo:
- Minha mãe me ligou.
Ambos tiveram um dia difícil sendo perseguidos por Heitor e Lílian. Cecília lambeu os lábios enquanto tomava um gole de água para matar sua sede.
- Sua mãe disse alguma coisa que eu deveria estar ciente?
- Além do fato de que ela está profundamente revoltada sobre a infidelidade? Nada. – Eduardo franziu os lábios quando pegou o prato vazio sentindo o seu estômago roncar um pouco. Empurrando essa pequena parte de fome de lado, ele precisava se acostumar a comer uma quantidade mínima de comida agora, a fim de perder peso. Ele queria voltar para o peso que tinha antes.
Cecília mudou de assunto quando ouviu estômago dele rosnar quando ele se levantou:
- Você deve comer um pouco mais, Edu.
Eduardo revirou os olhos enquanto resmungava.
- Não me diga o que fazer, Cecília.
- Estou falando sério. Você não deve morrer de fome.
Eduardo manteve a calma enquanto segurava firme no balcão.
- Eu não estou passando fome. Me deixa em paz!
Quando Cecília virou-se para protestar, ela viu o olhar de Eduardo que não queria discutir sobre isso. Claramente, Eduardo não queria voltar a ser o gordo que foi durante sua infância e parte de sua adolescência.
Eduardo faria tal coisa. Ele estava com fome? Sim. Era uma parte do processo de encolher a barriga e começar a se acostumar com pequenas porções; as primeiras semanas sempre eram as mais difíceis. Assistindo a preocupação de Cecília aumentar, ele suspirou, envolvendo um braço ao redor de seus ombros.
- Eu estou bem. Não há nada para se preocupar.
Eduardo se afastou e tentou sentar em cima do balcão de mármore, porém parou sua ação repentinamente. Cecília viu sua hesitação e disparou:
- Você pode sentar-se em cima do balcão. Você não vai quebrá-lo.
Em vez do conforto que ele deveria sentir, Eduardo tomou o caminho errado. Franzindo a testa, ele se levantou dizendo que talvez devesse levar sua bunda gorda para outro lugar. Cecília pensou que ele parecia uma garotinha quando fazia tanto drama por nada.
- Edu, não foi isso o que eu quis dizer. Edu. — Ela foi trás dele. Cecília serpenteava seus braços ao redor da cintura dele enquanto ele tentava se afastar. Ela suavemente chamou seu nome uma e outra vez.
- Eu não tive a intenção de ferir seus sentimentos.
Eduardo zombou. É claro que ela fez, por que não faria?
- Se você acha que sim, então honestamente você não sabe o quanto eu realmente te amo. Eu amo você, independentemente de como está sua aparência. Você ainda é o lindo homem que é o pai do meu filho e da melhor parte de mim.
Eduardo balançou a cabeça com a breguice da fala dela. Uma pontada de dor atingiu seu coração. Ele ainda estava sensível sobre seu aumento de peso e ia levar muito mais tempo para que ele seja feliz com sua aparência de novo.
- Você está louca. — Ele resmungou.
Os lábios de Cecília transformaram-se em um sorriso.
- Se eu não fosse louca, eu não teria me apaixonado por você.
Notas finais
Os pais do Eduardo estão chegando à cidade. Isso vai ser interessante...
Comentários, críticas, recomendações. Fiquem à vontade!
Até o próximo capítulo!
Bjs, Nara.
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