Sempre
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Olha eu aqui de novo com mais um capítulo fresquinho! Fui bem rápida dessa vez, hein? Tudo isso para tentar me redimir com vcs por ter ficado tanto tempo sem postar. Enfim, obrigada pelos lindos comentários do capítulo anterior. Vocês são nota 1000!
Olha, senti falta de algumas leitoras, aliás de vária leitoras! Por favor, mocinhas, apareçam, viu?
Boa leitura!
CAPÍTULO 40
Eduardo olhava para o vazio, sua comida estava intocada e não ele conseguia realmente se concentrar no que Amanda estava dizendo.
- Edu... Edu, você está aí? — Uma mão delicada acenou em torno de seu rosto. Ele piscou duas vezes antes de voltar à realidade.
- Hum? – Ele balançou a cabeça como se estivesse quebrando o transe.
Amanda parecia um pouco preocupada quando perguntou se ele estava bem. Ele estava bem? Ele não sabia como responder essa pergunta. Talvez ele estivesse mais confuso do que bem. Eduardo estava lidando com um monte de emoções desde o momento em que Cecília e ele compartilharam a verdade sobre o que estava acontecendo em suas mentes. Empurrando seus sentimentos de lado até que eles vieram à torna como uma vingança, praticamente gritando quando Cecília disse-lhe que queria algo mais, que ela realmente tinha esperado por ele.
Era mais do que ele esperava.
Eduardo a imaginou seguindo em frente no minuto que ele deixou o país para trabalhar no Haiti; imaginou que ela teria um marido e provavelmente, uma criança a caminho. Bem, parte disso era verdade. Carregando esses pensamentos, Eduardo acreditava que Cecília queria ter uma vida perfeita e ela estava quase lá com Luís Gabriel.
Ele podia ver que ela queria desesperadamente ter essa vida com Luís Gabriel ou estava tentando fazer parecer que seu relacionamento era real. Eduardo não sabia ao certo, mas a forma como sua amiga olhava para Luís Gabriel não era da mesma maneira que ela costumava olhar para ele. Será que ela ainda dava-lhe o mesmo olhar agora? Pela primeira vez, ele não sabia dizer, pois ela estava fechada com suas emoções depois de dizer tudo o que sentia por ele.
Cecília era verdadeiramente um mestre do disfarce, escondendo seus sentimentos miseráveis com aquele sorriso grande bobo e brilhantes olhos castanhos. Ela sabia como manter a atenção para longe dela se as coisas começassem a ficar muito sérias e foi isso que ela fez com ele antes de revelar como realmente se sentia.
Ele tinha o pressentimento de que ela estava escondendo alguma coisa, e sua mente ficou tão sobrecarregada com a verdade que saia de sua boca que ele não quis prolongar o assunto. Eduardo sentia-se preso, como se estivesse no fim da estrada e o que havia restado fosse um apenas um buraco que ele podia cair. Seus olhos encararam Amanda, vislumbrando o quanto ela era uma mulher maravilhosa e vê-la fez o seu coração vibrar também.
Olhando em volta para ver seus colegas de trabalho conversando no grande espaço aberto da lanchonete, ele se sentiu um pouco exposto quando assegurou-lhe que estava bem.
- Tem certeza?
Amanda não queria pressioná-lo para contar o que estava errado, pois sabia como Eduardo era quando se tratava de seus problemas. Quando ele assentiu, ela se sentiu perdida e tentava pensar em uma maneira de fazê-lo se sentir melhor. Então ela agarrou uma de suas mãos e disse:
- Vem comigo.
Eduardo franziu as sobrancelhas quando levantou de seu assento e foi levado para fora da lanchonete seguindo rumo aos corredores. Sendo conduzido por Amanda até o seu consultório, que disse-lhe para se sentar enquanto trancava a porta. Uma sobrancelha foi levantada quando ele ouviu aquele clique familiar.
- Eu espero que você não esteja supondo que eu vá fazer sexo com você porque você trancou a porta.
- Eu sei. Eu só queria ter um pouco de privacidade para você me dizer o que está em sua mente.
Amanda sentou em uma das cadeiras enquanto ele estava na cama balançando seus pés como uma criança. Eduardo não sabia por onde começar. Não sabia se deveria compartilhar tais detalhes íntimos com Amanda, mas olhando em seus olhos escuros ele derramou a coisa toda. Ela era uma das poucas pessoas que não conhecia completamente a situação entre ele e Cecília, então o seu conselho era algo que ele realmente estava precisando. Um novo ponto de vista.
Assim que Amanda reuniu tudo o que ele dissera, ela se inclinou para trás na cadeira e indagou:
- Você a quer?
Isso não era o que ele esperava. Eduardo deu-lhe um olhar confuso:
- O que você quer dizer com isso?
- Isso significa o que significa. Você, Eduardo, quer Cecília? Para vocês dois estarem juntos, eu quero dizer, porque pelo que entendi você quer.
Quando Eduardo estava prestes a protestar, automaticamente tentando proteger seu coração, Amanda o interrompeu.
- Eu posso dizer que você realmente tem sentimentos por ela, Edu. O jeito que você fala sobre ela é totalmente diferente do jeito que você fala sobre qualquer outra pessoa. O fato de você ter problemas de confiança com ela, porque ela está com Luís Gabriel é prova suficiente de que você está com ciúmes. Claro, você pode mentir dizendo que está apenas querendo manter uma amizade com a mãe de seu filho, mas quem você está tentando enganar? Estou começando a acreditar que você está tentando enganar a si mesmo pensando que não há nada acontecendo quando, na realidade, há algo. Então, você a quer?
Quando ela perguntou de novo, Eduardo queria desesperadamente rejeitar tudo aquilo.
- Eu não a quero, mas... — Ele parou quando mordeu o interior de sua bochecha. Se ele disser isso em voz alta iria significa que era real. Significaria que o que ele estava sentindo era real, mas esconder seus sentimentos estava ficando cada vez mais difícil com o passar do tempo.
- Mas você a quer. – Amanda respondeu suavemente.
Ser pai o fez perceber muitas coisas que ele realmente não tinha pensado. Ele andou neste mundo tão cego sobre o que realmente queria e se tornar pai realmente trouxe uma pequena luz para sua vida. Eduardo assentiu rigidamente. Um ar quente saiu de suas narinas quando Amanda levantou-se e abraçou-o de lado.
Em um murmúrio suave, ele disse:
- É errado eu querer você também?
Amanda fez uma pausa enquanto seu polegar acariciava seu braço.
- Não há nada de errado com isso. — Não houve confirmação se ela o queria de volta. Ele não sabia se Amanda realmente gostaria de estar em um relacionamento sério. Durante todo esse tempo que trabalhava no hospital ele nunca a viu em um relacionamento sério com alguém. Não depois que ela se divorciou.
- Eu só não quero ser como uma substituta porque você não pode ter Cecília e, além disso... eu sou lésbica.
Eduardo estava estarrecido com o que acabara de ouvir quando viu o rosto sério de Amanda transforma-se em um grande sorriso.
- Filha da puta! Você me faz acreditar nisso por um instante.
Amanda sorriu.
- Eu tive que fazer isso! Eu queria ver esse olhar sério em seu rosto. — Ela sorriu enquanto serpenteava o braço em volta de sua cintura — Você realmente quer um relacionamento comigo?
Eduardo olhou em seus olhos como se estivesse pensando na resposta. Se ele ficasse com Amanda todo o progresso que ele fez com Cecília iria voltar instantaneamente à estaca zero.
Valeria a pena?
(...)
Cecília estava estendida na cama de um luxuoso hotel. A delegada e sua equipe da Policia Federal viajaram por algumas cidades do Maranhão e Pará, pois estavam cumprindo mandados de prisão, fruto de uma investigação muito importante. Agora, ela estava em Brasília e acabara de finalizar a conferência de imprensa que foi realizada cerca de uma hora atrás. Foi caótico quanto tempo levou para sair da sala de imprensa e seguir para sua suíte no hotel. O que normalmente duraria 20 minutos se transformou em quase uma hora, pois os jornalistas estavam eufóricos com os resultados da operação.
Seus olhos ameaçaram fechar antes de se lembrar de que nessa mesma hora Otávio estava indo dormir e ela queria desejar-lhe boa noite. Seu coração estava apertado, essa era a primeira vez que ficava longe de seu filho. Seus seios estavam inchados devido à concentração de leite materno. A solução para se livrar do incomodo era tirar o excesso de leite todos os dias. Os pais de Cecília cuidavam do neto enquanto Eduardo estava no hospital e quando o médico tinha folga, o pequeno ficava sob os cuidados do pai.
Logando no Skype, ela viu que Eduardo estava online e em poucos segundos seu rosto apareceu na tela junto com seu filho. Um grande sorriso apareceu em seu rosto enquanto ela acenava para seu pequeno homem.
- Oi, Tavinho! Como está o meu amor? – Otávio arrulhou e tocou o computador como se pudesse atravessar a tela para tocar sua mãe. Cecília sentia uma profunda saudade de seu filho e desejou que Otávio pudesse está ali com ela, mas sabia que não era sensato ter uma criança pequena viajando por tantos lugares, principalmente quando a viagem envolvia uma grande operação policial.
- Como você está? — Seus olhos saltaram de Otávio em direção ao pai de seu filho que acabara de lhe fazer uma pergunta.
Seu cabelo estava penteado e ele estava sem barba, o que lhe dava um ar mais jovial.
- Eu estou bem. Cansada, mas bem... e você? — Ela ainda se sentia um pouco estranha em falar com ele. A conversa estava ficando constrangedora de uma forma que ela queria terminar o mais rápido possível.
- Bem.
A conversa foi ficando cada vez mais difícil e rápida com Otávio constantemente tocando a tela. Ele chegou mais perto quando colocou sua boca sobre a pequena câmera. Cecília riu quando Eduardo puxou-o para longe deixando Otávio chateado por não poder brincar com o computador.
- Também te amo, meu filho. A mamãe está morrendo de saudades. – uma lágrima ameaçou cair dos olhos de Cecília.
- Eu acho que eu deveria colocá-lo para dormir. Ele está ficando um pouco irritado. – Eduardo percebeu que seu filho estava começando a gemer e tentando escapar de seu controle.
Ela estava um pouco chateada por não poder passar mais tempo com ele, mas a conversa sempre terminava desta forma. Ela só passava alguns minutos online com Otávio antes de Eduardo colocá-lo para dormir.
- Tudo bem. Boa noite então. — Ela murmurou. Eduardo desconectou deixando para trás apenas uma tela escura.
Um suspiro escapou de seus lábios, ela esfregou os olhos furiosamente na esperança de que esta viagem pudesse voar porque ela não estava mais suportando ficar longe de seu filho.
- Cecília? – Luís Gabriel surgiu no quarto, encarando-a com um olhar curioso — Você está bem?
Era evidente que não estava, mas ele queria ter certeza de que ela iria ficar bem.
- Eu só sinto a falta dele. – Cecília confessou. — Eu só queria ter meu filho nos meus braços e agora eu a quilômetros de distância dele, provavelmente vou perder os seus primeiros passos.
Cecília sabia que Otávio era um aprendiz rápido e um menino muito determinado. Ele já começava a apoiar-se nos móveis para ficar em pé e, quando menos se esperar ele vai andar. Afinal, Otávio já estava com quase 10 meses. A pior coisa que poderia acontecer seria ela perder os primeiros passinhos dele. Luís Gabriel foi consolar Cecília quando passou um braço em volta dela.
- Mesmo que ele comece a andar, isso sempre vai parecer novo para você quando você for vê-lo. Isso é tudo o que importa, porque isso vai ser uma experiência única entre você e seu filho.
Virando-se para seu namorado, ela sorriu levemente.
- Eu sou uma mulher de sorte por ter um namorado maravilhoso como você.
Luís Gabriel riu enquanto lhe dava um selinho:
- Eu que sou um cara sortudo.
Quando seus lábios se tocaram mais profundamente, pela primeira vez durante todos os meses que estavam juntos, ela não sentiu nada. Não havia quaisquer borboletas no estômago; aquela centelha de felicidade estava lentamente começando a desaparecer. Cecília estava em pânico se perguntando por que ela não estava se sentindo do mesmo jeito que ele estava se sentindo em relação a ela.
Ela podia sentir que Luís Gabriel realmente a ama. Ela podia ver em seus olhos que ele queria dizer essas palavras, mas era muito reservado para dizer isso. Cecília esperava que ele não dissesse isso, porque não sabia o que faria se ele tivesse a oportunidade de dizer aquelas três palavras para ela.
Ficando na cama, Cecília ficou com Luís Gabriel todo o tempo possível. Ela tentou manter essa pequena faísca que ainda estava piscando em seu relacionamento. Ele estava lá quando ela mais precisou dele; Luís Gabriel era um grande incentivador de tudo o que ela fazia e teve uma notável paciência com ela quando seu filho ainda era um bebê recém-nascido.
(...)
Câmera posicionada, microfone funcionando e silêncio. Cecília estava sentada frente a frente com o experiente repórter quando a entrevista foi iniciada. O repórter a questionou tudo o que estava relacionado com a “Operação Dríade”, comandada por ela. A operação teve por objetivo esclarecer a atuação de grupos empresariais que realizavam extração ilegal de madeira em cidades do Maranhão e Pará. Noventa policias, comandados por ela, deram cumprimento a 29 mandados de busca e apreensão nas empresas envolvidas no esquema.
Assim que terminou a entrevista, Cecília foi para umas das salas da Superintendência da Polícia Federal do Pará conversar com os seus colegas que também estiveram envolvidos na operação. Depois de uma longa conversa, ela decidiu que era hora de voltar para o hotel. Quando estava no corredor, ela escutou uma voz familiar chamar seu nome.
- Igor? O que você ainda está fazendo aqui? Achei que já tivesse voltado para São Luís. — Cecília estava surpresa pelo fato do agente Igor ainda está na capital paraense.
- Doutora, eu fiquei para resolver algumas pendências. Alguns relatórios, nada grave, coisas de praxe. Volto hoje mesmo para São Luís. – explicou-se.
- Tudo bem.
- A Doutora já está indo?
- Sim. Estou exausta.
- Eu também já estou de saída. Eu a acompanho até à saída.
Eles caminharam amigavelmente até à porta de saída, onde um carro oficial da PF já estava esperando por ela.
- Acho que já posso te chamar de Cecília, certo? Já que não estamos mais em horário de trabalho...
- Sim, você sabe que não gosto muito dessas formalidades quando estou fora do ambiente de trabalho.
- A propósito, parabéns pelo sucesso da operação.
Cecília sorriu toda orgulhosa e sendo a mulher educada que era, ela respondeu:
- Obrigada. Mas o sucesso é da equipe toda.
- Como está seu filho?
- Bem, muito bem. Está crescendo a cada dia. E eu estou morrendo de saudades dele.
- Imagino que deve ser difícil você viajar e ficar longe dele. Bom, era exatamente sobre isso que queria falar com você.
- Sobre o Otávio? – ela parecia surpresa.
- Sim, quer dizer, você comandou uma mega operação, desarticulou uma quadrilha que movimentava milhões e mexeu com gente muito poderosa.
- Eu sei disso, mas o que isso tem a ver com meu filho?
- Só um conselho, fica atenta. Você tem um filho e precisa se preocupar com a segurança dele e com a sua própria segurança. Todos os envolvidos em uma grande operação são orientados a aumentar a segurança pessoal e familiar.
- Você acha que eu posso sofrer algum tipo de vingança?
- Não, talvez não. Até porque eles não ousariam mexer com um delegado da Polícia Federal. Mas, não custa nada ficar atenta em relação a isso. É apenas uma precaução.
Ele estava certo, ela deveria ficar mais atenta. Como não pensou nisso antes? Era óbvio que ela ficaria mais exposta com a repercussão na mídia sobre o caso. Ela engoliu em seco quando pensou na possibilidade.
Quando chegou ao hotel, Cecília contou sobre conversa que teve com o agente Igor para Luís Gabriel. Ela não queria fazer um alarde total sobre isso, mas claramente isso era algo a ser levado em consideração.
Luís Gabriel franziu a testa e segurou a mão dela:
- O que você vai fazer?
Cecília olhou para o namorado, confortando-o.
- Não se preocupe muito com isso. Tudo vai ficar bem.
Seu próximo plano era dizer para Eduardo ser mais cauteloso em relação a ele e a Otávio, pelo menos agora que a operação estava em evidência. Ela sabia que sua próxima conversa com Eduardo ia ser mais do que alguns poucos minutos.
Notas finais
Leitoras fantasmas cadê vcs?
as coisas começaram a ficar mais confusas agora que alguns sentimentos estão vindo à tona...
Até o próximo capítulo, flores! Vcs não perdem por esperar!
Bjs, Nara.
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